segunda-feira, outubro 07, 2013

Reconciliação com a Serra da Gardunha

Há mais de 10 anos atrás, encontrei em Ibiza um homem singular. Poeta e artesão, José Luciano Ruiz tinha uma impressionante história de vida e um espírito que não se deixava prender pelas amarras da normalidade. Quando o encontrei, vivia numa casa rudimentar sobre um promontório, onde fazia trabalhos de olaria para venda. Essa não era no entanto a principal razão pela qual escolhera morar ali. 

Com o decorrer da conversa, confessou que escolhera aquele local para poder admirar o colossal rochedo, que se erguia no mar no meio da enseada em frente. Vivia, dizia ele, apaixonado por aquela rocha. Ainda assim lamentava-se "É uma rocha egoísta. Não te dá nada. Tira-te tudo. Alimenta-se do assombro das gentes". 

Quando caminho pela Gardunha, vêm-me sempre à memória as palavras de José Ruiz, tal como aconteceu ontem. Num percurso a solo que me levou a percorrer a cumeada do maciço central da Gardunha, desde a casa do guarda de Alcongosta até ao Alto da Gardunha, regressando por Castelo Velho e Castelo Novo, reconciliei-me com esta belíssima Serra. Estivemos separados por demasiado tempo!



Bicharada não falta na Gardunha mas este Louva-a-Deus foi a única criatura que se prestou à fotografia. A cobra e as perdizes revelaram-se demasiado tímidas.


A Penha com uma excelente moldura.


O Castelo Velho lá ao fundo, com vista para a barragem de Santa Águeda (Marateca)


Blocos, blocos e mais blocos I.


Blocos, blocos e mais blocos II. Com tantas formas excêntricas, há alturas em que parece que estamos metidos num gigantesco teste de Rorschach.


A beleza também nos pormenores.


Uma rocha que parece ter saído da imaginação de Verner Panton.


No Castelo Velho, ainda se vêem vestígios de uma outrora imponente muralha que completava as defesas naturais. O nome do povo que a construiu perdeu-se no tempo.


Sinalização...

O cérebro de granito, imagem emblemática do Geopark da Gardunha.

Ao chegar a Castelo Novo, a placa que ostenta o nome da outrora vila é uma relíquia por vários motivos. Trata-se de um excelente exemplar das placas de informação rodoviária dos tempos da "velha senhora", feita em cimento e mármore e recorda também os tempos do 25 de Abril. "Estamos com o MFA".


O Pelourinho de Castelo Novo, onde ainda são visíveis os pontos de onde pendiam as correntes que prendiam os criminosos que ali eram expostos à vergonha.



Paragem para reabastecimento na fonte de D.João V.



A Penha e o anfiteatro natural de Castelo Novo



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