quinta-feira, janeiro 17, 2013

Um improvável encontro em Londres


A visita a Londres foi um dos bons momentos do ano de 2012 e, como não podia deixar de ser, teve os seus episódios caricatos. Não vou falar da molha que apanhámos à chegada enquanto procurávamos pela pousada da juventude onde iríamos ficar, até finalmente alguém nos dizer que já tínhamos passado por ela. Também não vou falar (novamente) do agente que no aeroporto controlava os passaportes/cartões de identificação e que, quando pegou no meu cartão de cidadão, olhou para a foto, para mim, para a foto novamente e me pediu que tirasse primeiro os óculos e depois a barba. Também não vou falar do sucesso que fizemos quando, no primeiro café que encontrámos, nos encostámos ao balcão e, com um inglês perfeito pedimos "un cafe solo, por favor". Nada disso.

Vou sim falar da coincidência de um encontro num local improvável: a Chinatown.

A Chinatown é o bairro onde se concentram lojas e restaurantes asiáticos. Há para todos os gostos, de chineses a tailandeses, de japoneses a indonésios e, quer-me parecer, ainda de países que nem sequer sabia que existiam. Dado que comer em Londres é algo que não é propriamente barato, acabámos por escolher esta zona para jantar dado que o preço médio das refeições é aqui bem mais barato.

Andávamos nós, numa qualquer noite, à procura de um restaurante quando, a montras tantas, nos deparámos com um letreito manuscrito em letras garrafais, anunciando que naquele estabelecimento havia buffet livre a 4,5£ por pessoa. Ora, turista pelintra que se preze, nem por sombras consegue ficar indiferente a uma mensagem destas que toca fundo no coração e no estômago. 

O nome do restaurante era "Mr Wu" e não era nada de especial em termos de decoração mas parecia ser limpinho.  Acabámos por entrar e guiados por um dos empregados e escolhemos uma mesa encostada a uma das paredes. O pessoal do restaurante era quase todo ele asiático. A excepção era um homem de bigode, um pouco calvo vestido com fato e gravata, que ia dando orientações ao restante pessoal, ao mesmo tempo que verificava se estava tudo bem e se nada faltava.

Depois de escolhermos as bebidas, "atacámos" o buffet e fomos guarnecendo o prato, discutindo as opções disponíveis. Quando nos fomos sentar, o tal homem que parecia ser o chefe de sala e que nos ouvira conversar, veio ter connosco e, num surpreendente e descontextualizado português dirigiu-nos um "Bom proveito!", retirando-se em seguida.

É claro que no final fomos falar com ele e ficámos a saber que o Sr. Cruz, era um emigrante português do Tortosendo (Covilhã)! Como emigrante que se preze, ao qual nasce uma nova alma quando algo lhe sugere uma ligação à terra natal, quando lhe dissemos que éramos do Fundão, fez um rasgado sorriso e estendeu-nos a mão "São cá dos meus! Gosto muito do Fundão. Ainda na semana passada estive de férias e fui lá ao mercado!". O Mundo é mesmo pequeno...

Próximo artigo revivalista: Um tripulante que prometeu um strip, atropelamentos, cargas policiais, tentativas de suicídio ou... as nossas férias nas Canárias.


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