segunda-feira, janeiro 28, 2013

Um dos mapas de Amorim Girão e Fernandes Martins que é uma verdadeira relíquia

Numa parede da biblioteca do Instituto Politécnico da Guarda encontra-se exposta uma verdadeira relíquia que há dias me chamou a atenção. Trata-se de um mapa intitulado "Ásia Política" e que refere em cabeçalho fazer parte da série de "Mapas de Amorim Girão e Fernandes Martins".


Alfredo Fernandes Martins formou-se em Ciências Geográficas na Universidade de Coimbra em 1940, tendo tido Amorim Girão como seu professor, e tendo também ele acabado por ficar na FCUP como professor. Ambos acabaram por formar uma dupla que se destacou em investigações e publicações. Este mapa é um de uma série que pretendia mostrar os 5 continentes física e politicamente mas que acabou por ficar incompleta, tendo apenas sido publicados 7 mapas.

Sobre estes mapas escreveu a certa altura Orlando Ribeiro, o "pai" da Geografia em Portugal, que "dois tipos de mapas murais podem ser utilizados no ensino: os que a isso forem destinados, obedecendo a requisitos de simplicidade e de clareza, e os mapas especializados que permitam extrair-se-lhe imagens de conjunto que o professor possa facilmente comentar e o aluno compreender. Os mapas de Amorim Girão e Fernandes Martins são os únicos aproveitáveis mas nada existe quanto a Portugal. Os alunos continuam a ter debaixo dos olhos mapas de Portugal com as bandeirinhas das batalhas pregadas em cima das vilas e cidades e os montes de areia, arrumados a um canto, que pretendem figurar as montanhas".

Este mapa mostra portanto o puzzle político da Ásia nos anos 1950, mas não só. Os autores preocuparam-se também em incluir dados demográficos e económicos que, à luz dos conceitos actuais, são extremamente curiosos.

Olhando por exemplo para a Rússia ou, melhor dizendo para a "República Socialista Federal dos Sovietes", Moscovo surge referida de forma bem aportuguesada como "Moscóvia", sendo pelo ponto que a representa perceptível que possui menos de 1 milhão de habitantes.


Mais a Sul encontramos a Índia, então ainda com as referências às cidades de Damão, Diu e ao território de Goa como possessões portuguesas.




Uma última curiosidade é o que surge no canto inferior direito do mapa: os dados económicos da Ásia na forma dos principais produtos produzidos. Entre aquilo que já sabemos da tradição asiática, ficamos a saber que, naquela época, um dos principais recursos económicos da Índia e da China era, mais que café, tabaco, cacau, borracha ou açúcar...o ópio!



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