segunda-feira, julho 30, 2012

Uma piscina biológica no Fundão

Ontem, um pouco por acidente, tive direito a algo que tem sido raro nos últimos meses: uma tarde de Domingo sem absolutamente nada para fazer e a paz de espírito suficiente para usufruir dela.


Depois de um aceso debate sobre qual seria o melhor local para nos refrescarmos com um belo mergulho, afinal havia várias hipóteses desde a muito bem renovada piscina municipal do Fundão, uma qualquer praia fluvial, a piscina de ondas da Covilhã e até a Barragem da Marateca (ideia da qual foi extremamente complicado demover o Bruno, acérrimo defensor das propriedades terapêuticas das lamas das margens dessa albufeira), a escolha recaiu na Piscina Biológica do Hotel Príncipe da Beira.




Sendo uma escolha movida essencialmente pela curiosidade, afinal tratava-se de um conceito para mim desconhecido, acabou por revelar-se oportuna. A ideia subjacente é simples: uma piscina com água à qual não são adicionados quaisquer químicos e cuja qualidade é mantida por meios mecânicos e pelas plantas que aí foram plantadas. 




Infelizmente o local não é tão calmo quanto poderia ser, dada a proximidade da A23. Seja como for é um problema que se pode resolver facilmente pela instalação de uma barreira de insonorização. Tem-se por outro lado uma vista agradável para parte da Cova da Beira e para o monte de São Roque ali mesmo ao lado.


A simpatia do próprio local tem também reflexo no próprio pessoal do hotel que nos brindou com a oferta de um belo granizado de frutos para ajudar a refrescar.



 Quando à extensão da piscina, talvez seja pequena para dias em que o afluxo de banhistas seja elevado visto que, as zonas onde se encontram as plantas são de acesso proibido, o que é compreensível. Seja como for, o local é bem agradável e vale bem a pena uma visita.


domingo, julho 29, 2012

Porque há artistas imbuídos da verdadeira macheza

Estávamos ontem tranquilamente a gravar mais uma edição do nosso programa de rádio quando, ao olhar para o lado, avistámos o último trabalho de João Marcelo, o notável cantor brasileiro. Não conhecem o João Marcelo? Pois, nós também não. Seja como for não interessa para o caso.

Este bem colorido álbum contém temas com títulos bem sugestivos como "Se vocês fosse por mim", "Vidas na contra mão", "Eu nasci assim", "Caminhoneiro", "Pra quê conversar" e "Aguenta coração (versão nova)".

Trata-se portanto de um individuo que conhece de perto as vicissitudes do amor e que definiu com rigor o papel que o homem deve ter numa relação, o de um homem macho, tipo camionista, que não perde tempo com palavras, que conhece as agruras dos choques frontais, que é fiel aos seus princípios e que sabe perfeitamente que, homem que é homem, não faz mas manda fazer. Notável, sobretudo se tivermos em conta o último título, que sugere que se trata de um indivíduo teve de colocar um pacemaker.

Este é portanto um verdadeiro manual de vida para qualquer indivíduo que goste de evidenciar a sua macheza romântica.

Contudo, o que mais salta à vista é mesmo o sugestivo título "Surra de amor" que dá logo a entender que João Marcelo é um homem que não se coibe, se a ocasião se apresentar, de lutar pelo seu amor... ou contra o seu amor... ou os dois ao mesmo tempo, talvez.

Para todos aqueles que quiserem conhecer mais do trabalho deste notável artista e adquirir este não menos notável álbum, deixamos aqui uma fotografia da capa do CD.



sexta-feira, julho 20, 2012

José Hermano Saraiva passou à História.

A notícia do dia é a do falecimento de José Hermano Saraiva, um rosto sobejamente conhecido de todos os portugueses, sejam eles mais ou menos interessados na História de Portugal. Tinha raízes aqui pela Gardunha já que o seu pai era natural das Donas, concelho do Fundão, tendo por isso uma ligação especial a esta região, bem expressa nos vários programas televisivos que a ela dedicou.


O que nem toda a gente sabe (mas que por estes dias ficarão sem dúvida a saber) é que ele ficou indelevelmente associado à nefasta repressão aos estudantes de Coimbra durante a crise de 1969. Estranhamente, pelas palavras recentes do próprio JHS, fica a ideia de que para ele tudo não passou de um arrufo que se resolveu com um raspanete dado por si na televisão.


Ora, esta crise estudantil foi de tal ordem que levou até à alteração da lei da incorporação militar, que passou a excluir do exercício militar apenas os estudantes que tivessem "bom comportamento". Assim, muitos trocaram as capas negras pelos camuflados e os livros pelas armas e partiram para o Ultramar, em nome do ideal caduco de defesa um império que só a teimosia, insensível ao sangue dos que iam tombando longe de casa, continuava a sustentar. 








(Indispensável ler este artigo e este também)


Acérrimo defensor do Salazarismo, alimentou sempre que pôde e até ao fim da vida a ideia de que Salazar fora um "justo como ditador" (curioso anacronismo!) e até anti-fascista! Transcrevendo uma entrevista prestada em 2006 declarou inclusive que, ao chegar ao poder, Salazar acabou com a ditadura, embora depois admitisse que só as eleições para Presidente da República lhe pareciam democráticas. Seria interessante saber a opinião de Humberto Delgado sobre este ponto específico. Digo eu.


Seja como for, JHS tornou-se mais conhecido nas gerações pós-25 de Abril pela sua constante aparição em programas televisivos, com que procurou dar a conhecer a História de Portugal, e nos quais fez valer os seus dotes de enormíssimo comunicador para fazer passar a sua mensagem.


Eu próprio confesso que fui em tempos um grande fã destes seus programas mas, com o passar do tempo, talvez ao mesmo tempo que me ia embrenhando no conhecimento da História, fui-me desinteressando. Isso aconteceu quando percebi que, muito do que contava nos seus programas não obedecia ao rigor factual que seria de esperar na prestação de serviço público, perdendo-se muitas vezes em evocações tão gloriosas quanto fantasistas. Ao fim e ao cabo, misturava o irreal com o real, servindo depois o resultado ao público com o rótulo de História de Portugal.


No entanto, e aí há que lhe reconhecer o devido valor, teve o condão de fazer com que muitos portugueses se interessassem pela História e pelo património do seu país e da sua região. Ironicamente, talvez até eu tenha sido um deles. A ser verdade, ele foi tão bem sucedido que deixou de me cativar.


Em suma, hoje uma figura pública passou tecnicamente à História. Irá de facto deixar um certo vazio na televisão pública mas, meus amigos, não exageremos! Já ouvi ou li algures pessoas a afirmar que o seu lugar de repouso deveria ser o Panteão. Mereceria menos essa honra o Carlos Pinto Coelho do que o José Hermano Saraiva? 


Foto: Crise Académica - Slideshare

Pólo Sul, 14 de Dezembro de 1911

Roald Amundsen lidera uma expedição que leva o Homem, pela primeira vez na História, a pisar o Pólo Sul!

sexta-feira, julho 06, 2012

Aviso - Alteração às expressões populares portuguesas

Chegou há instantes à nossa redacção o seguinte comunicado:


Considerando que a língua portuguesa é uma língua viva e em permanente actualização, tendo em conta os acontecimentos recentes que introduziram no léxico da linguagem corrente todo um novo rol de expressões particulares e, finalmente, assumindo que o Portugal é, pelo disposto na Constituição da República Portuguesa, um estado laico, o Governo determina que:


1 - Deixe de ser empregue a expressão "Enquanto o diabo esfrega um olho" 


2 - A referência a actos realizados de forma invulgarmente célere passe a ser feita pela expressão "Enquanto o Sr. Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Doutor Miguel Relvas, obtém uma licenciatura".


3 - Esta resolução tem efeitos imediatos.


O Sr Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares discutindo questões académicas
(clicar para ampliar)

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