quinta-feira, junho 28, 2012

II Tertúlia "Ouvir e Falar" - Pela Democracia e Cidadania


"É JÁ AMANHÃ!
No âmbito do Ciclo de tertúlias "OUVIR E FALAR", organizado pelo blogue Pegada (http://pegada.blogs.sapo.pt/1899392.html), vai decorrer, AMANHÃ, SEXTA-FEIRA, PELAS 21 HORAS, na PRAÇA DO MUNICÍPIO DO FUNDÃO, a “II TERTÚLIA PELA DEMOCRACIA E CIDADANIA”, que contará com a presença do Cidadão ANTÓNIO MARINHO PINTO, Bastonário da Ordem dos Advogados, que se juntará aos demais Tertulianos que queiram estar presentes.OUVIR e FALAR quer dizer isso mesmo. Concordar, discordar, aceitar, rejeitar...; discutir ideias! A tertúlia de amanhã será o que os tertulianos fizerem dela. Sem donos ou peias..."

Fui à primeira edição desta tertúlia e gostei. Gostei de ver aquela gente toda reunida, gostei de ver aqueles cidadãos a subir ao pelourinho e dizer o que lhes ia na alma e gostei do local escolhido pelo seu simbolismo. Não gostei contudo de não ver, numa altura em que toda a gente parece ter tanto para dizer, aquela praça com mais gente. Timidez, talvez? Será que agora, passado este tempo de austeridade derivada da irresponsabilidade de quem nos tem governado, a motivação será maior? 

Amanhã se verá.

quarta-feira, junho 27, 2012

O paquistanês que torce por Portugal

Durante o último campeonato do Mundo de futebol, que decorreu na África do Sul em 2010 (Portugal iria jogar daí a uns dias contra o Brasil) , um trabalho levou-me a viajar até Castelo Branco. Recordo-me que nesse dia estava um calor infernal, algo parecido com o de hoje, pelo que parei na área de serviço antes da cidade para comprar uma água.


Quando me preparava para sair, detive-me por instantes a bebericar a água diante da televisão, que transmitia, creio eu, um jogo no qual participava a Inglaterra ou os EUA. Nisto, entram alguns indivíduos que, pela roupa e pela tez, presumi serem provavelmente de origem indiana. O mais velho ficou perto de mim também a acompanhar os últimos minutos do jogo, enquanto os outros continuaram para o balcão.


A certa altura, o que tinha ficado ao meu lado, dirigiu-me espontâneamente a palavra 


-"Vem aí um grande jogo! Espero que Portugal ganhe. Incha'alla! Tenho pedido a Alá para que Portugal ganhe!". 


-"De onde é?", perguntei eu. 


Afinal, fiquei a saber que o meu circunstancial interlocutor era paquistanês. É claro que achei curiosíssimo o facto de um imigrante, vindo de um país onde o futebol tem pouca expressão, provavelmente tendo experimentado alguma resistência da comunidade local por ser estrangeiro e, ainda por cima, por ser muçulmano, estar a torcer daquela maneira por Portugal.


A conversa desenrolou-se e fiquei a saber que ele tinha vindo para o nosso país para trabalhar na construção civil havia já seis anos.


-"Seis anos?", comentei. "Oh, então já é praticamente português!"


Em acto contínuo, na cara dele desenhou-se um sorriso rasgado. Colocou a mão sobre o meu ombro e disse um "Obrigado!", profundamente sentido.


Hoje, na iminência do jogo entre Portugal e Espanha para o campeonato da Europa de futebol, lembrei-me deste episódio. Pergunto-me se ele terá hoje pedido novamente a Alá a vitória de Portugal. Estou a torcer para que sim. "Futebóis" à parte.

quinta-feira, junho 07, 2012

Porque há médicos que são bons e outros que não merecem vestir a bata

"Praticarei a minha profissão com consciência e dignidade;
A saúde do meu paciente será minha primeira preocupação; (...)
Manterei por todos os meios ao meu alcance, a honra e as nobres tradições da profissão médica;
Os meus colegas serão minhas irmãs e irmãos; (...)
Manterei o máximo respeito pela vida humana; (...)
Faço estas promessas solenemente, livremente e pela minha honra."


Este é um excerto do famoso Juramento de Hipócrates, o juramento que os novos médicos fazem no início do exercício da sua profissão e que, segundo dizem, é o mote para aquilo que deve ser a verdadeira medicina. Infelizmente, a realidade é outra e por vezes bem preocupante, como pudemos constatar da pior forma no passado fim-de-semana, quando a minha mãe, ao recorrer ao serviço de urgência do Hospital da Covilhã, após ter sido vítima de um acidente grave foi novamente vítima mas, desta vez, de um acto de pura negligência e desrespeito  por parte de um médico.

Os antecedentes contam-se em poucas palavras: uma queda de costas a partir do 1º andar de um barracão deixou a minha mãe num estado muito preocupante, cheia de dores e mal se conseguindo mexer. Felizmente, as lesões não afectaram a sensibilidade dos membros inferiores mas as dores eram de tal forma incapacitantes que de imediato foi transportada ao hospital por quem a socorreu.

Chegada ao hospital e cumpridas as formalidades de entrada no serviço de urgência, queixando-se de fortíssimas dores no ombro e nas costas, foi atendida em primeiro lugar pelo clínico geral que solicitou várias radiografias (crânio, ombro, coluna,...) encaminhando depois o caso para a cirurgia e, depois, para o ortopedista de serviço, o Dr Sequeiros (um nome que terei dificuldade em esquecer) que após um exame objectivo e analisados os raios-x declarou que não havia fractura clavicular. No entanto, para surpresa geral informou que lhe parecia ver uma fractura numa vértebra mas que provavelmente seria uma fractura antiga(!!).

Apesar das recomendações de uma colega de profissão que acompanhava a minha mãe "à civil", no sentido de esclarecer a questão da fractura da vértebra com rigor, dadas as dores que a minha mãe estava a sentir, retorquiu simplesmente "Sim, depois temos de ver isso...", desaparecendo para parte incerta e voltando mais tarde para... assinar a ordem de alta. O seu diagnóstico final: uma sub-luxação clavicular que não carecia de imobilização do braço mas tão somente de tempo para curar em definitvo. Alguns dias apenas, disse ele. Quanto às dores nas costas, elas dever-se-iam apenas ao facto de a minha mãe estar dorida da queda, desvalorizando em completo as queixas da paciente.

Na manhã seguinte, verificámos que a minha mãe sofria de vómitos, um sinal sempre preocupante nestes casos. Não tendo por outro lado verificado o abrandamento da dor, pelo contrário, de imediato a levámos de volta ao hospital onde, desta vez, encontrou um médico que merece de facto esse nome: o Dr. Pon.

Sempre muito preocupado, solicitou de imediato uma TAC craniana e outra à coluna vertebral, solicitando radiografias de diferentes perspectivas ao ombro já que, segundo ele, esse é o procedimento normal para esta zona do corpo e não, como havia acontecido no dia anterior, apenas uma radiografia frontal.

Chegado o resultado das TACs, o veredicto foi pesado: afinal 3 vértebras fracturadas! Quanto aos raio-X, revelavam indícios de uma possível fractura clavicular que mais uma TAC esclareceu em definitivo: a clavícula estava de facto fracturada. Sendo assim, a minha mãe passaria a ter de usar um colete imobilizador enquanto não curasse as fracturas das vértebras (que felizmente não careciam de operação e não ameaçavam a medula)  e passaria a andar "de braço ao peito" até curar a fractura da clavícula.

Por uma questão de precaução e de melhor assistência, determinou que a minha mãe passaria a noite no hospital, avaliando-se no dia seguinte se teria ou não de ali continuar, dependendo das dores que sentisse.

Tivemos pois num só fim-de-semana passado nas urgências do Hospital da Covilhã uma boa amostra daquilo que deve ser um bom médico e um exemplo perfeito daquilo que não é um médico mediano sequer. O exemplo de um médico que se preocupa e que usa os recursos necessários para esclarecer todas as dúvidas, pois a si diz respeito a responsabilidade do diagnóstico, e o exemplo de um médico que determina o diagnóstico quiçá pela fisionomia. Admito até, dada a sua ausência, que à boa moda antiga tenha ido consultar um oráculo que lhe disse que as fortes dores nas costas, de que a minha mãe se queixava, se deviam apenas ao facto de estar dorida. Tivemos o exemplo de um médico que ouve e respeita os seus colegas e dialoga com eles, mesmo que não estejam de serviço, e o exemplo de um médico a quem a sua longevidade tornou surdo.

Arrisco-me até a dizer que tivemos ali o exemplo de um médico que fez o Juramento de Hipócrates e de outro que, se algum juramento fez, terá trocado certamente devido à sua surdez, o substantivo Hipócrates por um adjectivo semelhante na sua fonética, embora muito pouco abonatório.

Não é isto faltar ao respeito do paciente e quebrar os deveres que a profissão de médico impõe? Será isto ético? Não merecia este caso no mínimo um pedido de desculpa por parte deste médico ou até da própria administração do hospital?

AVISO À NAVEGAÇÃO (adicionado a 24-8-2012):
Este texto expressa a minha indignação pessoal perante os factos a que, juntamente com a minha irmã, tive ocasião de assistir. Não se trata de um texto anti-médicos, nem perto disso, até porque tenho vários amigos que o são, inclusive vivo com uma, que merecem todo o meu respeito e admiração. Bons e maus profissionais há em todo o lado. Isso está bem expresso na crítica, que entendo ser legítima, a um
 mau exercício de profissionalismo que lesou física e emocionalmente a minha mãe e emocionalmente o resto da família, à qual acrescento uma referência elogiosa a um outro profissional que, pela sua conduta, agiu como um excelente médico. Só para que conste.
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