quinta-feira, fevereiro 23, 2012

Zeca Afonso - 25 anos a cantar no palco das nossas memórias

Tive hoje a oportunidade de ver pela primeira vez e na íntegra o concerto de Zeca Afonso, realizado a 29 de Janeiro de 1983 no Coliseu dos Recreios.

Que bom foi ouvir a voz do Grande Zeca, acompanhado no palco por outros excelentes músicos, a viajar entre a intervenção, o cancioneiro popular e os ritmos africanos, e que arrepiante foi ver todo o Coliseu de pé a cantar Grândola Vila Morena no fecho do concerto!


Com isto, já lá vão 25 anos desde que a música portuguesa ficou orfã do trovador da liberdade.

terça-feira, fevereiro 21, 2012

OUVIR E FALAR - Ciclo de Tertúlias pela Democracia e Cidadania

TERTÚLIA AO AR LIVRE.

A ideia é tão simples que dá ares de complicada.

Primeiro estranha-se, depois entranha-se.

A Pegada, com o apoio do Blog do Katano, vai organizar um ciclo de tertúlias "OUVIR E FALAR" ao ar livre.
As regras são tão simples que, praticamente, não existem. Resumem-se a "OUVIR E FALAR". DEMOCRACIA, LIBERDADE, CIDADANIA. Passar das conversas de café para uma, espera-se, grande conversa de RUA. Um grupo de amigos (e de amigos de amigos) que se reúne, numa Praça, em várias Praças, para conversar. Sobre o que nos atenta. Sobre o que não mata mas mói. Pisa, mastiga, importuna, cansa. E -- também os ditos se renovam -- mata!

Não temos partido, mas tomamos partido.

A primeira Praça a receber-nos será, assim tudo corra bem, no Fundão. Seremos dez, seremos cem, seremos duzentos. Pouco importa. Acima de tudo, seremos.
Estamos indignados, mas não somos indignados.
Este grupo recém-criado no facebook servirá, acima de tudo, como uma pré-tertúlia. Uma preparação para uma data já definida mas cujo anúncio concreto reservaremos para daqui a alguns dias (não se trata de fazer render o peixe, trata-se apenas de acertar tudo para que, a falhar alguma coisa, não falhe a organização de algo que vai exigir muito de cada um dos que avançaram com a ideia).

Em suma, e tudo se resume ao dito no início.

OUVIR E FALAR.

Um dia destes, no Fundão.

Haverá melhor sítio em Portugal para uma iniciativa deste género? Honremos esta terra e com ela honramos Portugal.
Não somos pioneiros, já alguém por aqui fez algo de semelhante. A seu tempo, lembraremos o seu nome aos mais esquecidos.

Terminamos com quem sabe, parece que era grego (sim, dessa mesma Grécia de XXI):

Platão, República, Livro VII
"Que estranha cena descreves e que estranhos prisioneiros. São iguais a nós"

OUVIR E FALAR.

Post scritum para quem estiver interessado em saltar do banco do café: clique aqui e, no canto superior direito, peça para aderir ao grupo; o pedido será certamente correspondido.


Texto de Rogério Costa Pereira - Pegada

“Um dia vamos ser todos assim”

heaven

Há dias, no decurso de uma tertúlia entre amigos, veio à baila o tema das religiões e da forma como cada credo procura espalhar a sua fé. Inevitavelmente, sobreveio o tema da evangelização através do porta-a-porta que as Testemunhas de Jeová praticam, e no qual tomei muitas vezes parte ao longo da vida na qualidade de indivíduo julgado admissível por esta comunidade religiosa.

Aproveito desde já para dizer que este artigo não constitui de forma nenhuma uma expressão de reprovação contra este credo. Aliás, sou um confesso admirador da coragem de quem não poucas vezes leva com o mau humor de quem é interpelado, não menos vezes salpicado de palavrões próprios de quem foi acordado a um Domingo de manhã, e ainda assim persiste de forma inabalável no modus operandi que lhe é ditado pelas suas convicções. Eu não seria capaz de tamanha persistência e percebi-o logo quando era ainda um magricelas petiz de cerca de 12 anos e fui incumbindo por um professor, creio eu de Religião e Moral, de vender autocolantes em prol da luta contra a lepra nos países africanos. Levei uma nega logo à primeira e isso abalou-me de tal modo que paguei todos os autocolantes do meu bolso para não me sujeitar a nova situação de enxovalho sobre tapete alheio e para, por outro lado, não passar por incapaz perante o dito professor.

Mas voltando às recordações que guardo de situações em que fui interpelado em acções de pregação, há um episódio em particular que se destaca e que aconteceu numa das muitas tardes de Sábado em que prestei serviço ao balcão do estabelecimento comercial dos meus pais.

O sossego dessa tarde foi quebrado pela entrada de uma senhora, vizinha do estabelecimento, que trazia umas publicações na mão e que, dirigindo-se a mim, me atirou o tão tradicional –“Oh David, já que tens tempo, eu trago-te aqui uma leitura para leres com muita atenção. Isto é importante.” Sem me dar tempo de responder, virou a capa de uma das revistas para mim, capa essa que tinha uma bela imagem de um cenário paradisíaco, no qual num extenso prado verde e florido, emoldurado por florestas e montanhas, seres humanos brincavam em harmonia com uma panóplia de animais de diferentes morfologias.

Com a capa virada para mim, apontou sem olhar para a imagem e continuou – “Sabes, quando Nosso Senhor vier, nós iremos todos ser assim!”. Como na altura futuro era já uma fonte importante de preocupações da minha parte, dirigi o olhar para o ponto onde o seu dedo levantava e pousava sobre a imagem, na procura de chamar a minha atenção.

Sob a ponta do dedo da minha interlocutora, um belo exemplar de um urso erguia-se sobre as patas traseiras embora exibisse uma expressão que se poderia classificar como sendo de sorridente.

Tão peludos!…”, foi a única frase que eu consegui proferir.

Imagem (que nada tem a ver com o texto): Discovery News

quarta-feira, fevereiro 15, 2012

Dos tempos do "Salta e Pilha".

Silvares (direita) e Ourondo (esquerda) a partir do Cabeço do Pião

Há cerca de 70 anos atrás, Portugal era um país essencialmente rural, no qual grande parte da sua população combatia dois ferozes adversários: o analfabetismo e a pobreza. Eram tempos em que o dia-a-dia era feito de suor, justificado pelo objectivo único de alimentar uma família numerosa e onde os membros desta, mal se livrassem do fardo da escolaridade obrigatória, cedo começavam também a trabalhar. Tempos austeros portanto, nada comparáveis aos de hoje, nos quais ousar criticar o que quer que fosse estava terminantemente fora de questão, sob pena de graves consequências pessoais e familiares. Neste contexto, à população cabia encontrar o engenho necessário para assegurar a sua sobrevivência e foi assim que surgiram “profissões” que ficaram para sempre eternizadas no imaginário colectivo da “periferia” nacional, como o contrabando das rotas transfronteiriças e o…”Salta-e-pilha”.


O “Ouro Negro”

Uma das matérias-primas mais exportadas de então era o volfrâmio (ou tungsténio se preferirem), sendo extremamente procurado devido à sua importância na indústria do armamento e tendo portanto o seu mercado sido potenciado pelas duas Grandes Guerras, principalmente a 2ª, e mais tarde pela Guerra da Coreia.

Aqui pertinho, a região das Minas da Panasqueira fervilhava de actividade, empregando famílias inteiras na exploração do minério de volfrâmio. Havia no entanto outros que trabalhavam por conta própria, à revelia da empresa que detinha a concessão da exploração de volfrâmio, a Beralt. Estes "mineiros" clandestinos operavam pela calada da noite, vasculhando valas e galerias de sondagem abandonadas pela empresa, procurando o precioso minério e jogando com a GNR um verdadeiro jogo do gato e do rato. Eram os mineiros do "Salta e Pilha".


O Cabeço do Pião

O Cabeço do Pião ainda hoje ostenta as marcas da exploração mineira sofrida ao longo dos anos, tanto legal como ilegal, chamando a atenção na paisagem pela sua gigantesca escombreira. Para o Cabeço do Pião convergia muita gente dos arredores, nomeadamente da actual vila de Silvares, das aldeias de São Martinho e da Barroca, entre outras. Curiosamente, se parte da minha família trabalhava para a Beralt, já outra parte dedicava-se ao Salta e Pilha. Foi esse o caso do meu avô materno, de seu nome Abílio Pires Gomes, único dos meus avós que nunca cheguei a conhecer.


Moleiro durante o dia, contrabandista durante a noite

Abílio era o patriarca de um agregado familiar do qual, para além da minha também falecida avó Alexandrina, faziam parte 7 filhos, 2 rapazes e 5 raparigas. Moleiro de profissão (o seu moinho ainda hoje existe na margem esquerda do Zêzere) viu-se, no início dos anos 1940, perante a necessidade de construir uma casa mais condigna para a sua família. O Salta-e-Pilha apresentava-se como a solução mais rentável no imediato. Tinha noção dos riscos: ser preso em flagrante ou sofrer um acidente podia significar deixar a sua família sem a sua principal fonte de rendimento. Ainda assim decidiu arriscar e passou a levar uma vida dupla, trabalhando no seu moinho durante o dia e, mal anoitecia, nas galerias do Cabeço do Pião, às vezes acompanhado pelo seu filho mais novo, ainda criança, e no meio de muitos outros habitantes das redondezas que se espalhavam pelo monte.

Encontrar volfrâmio não era fácil. Para além da força de braços necessária, o minério podia teimar em não se revelar atrás dos veios de quartzo. As noites podiam ser de total frustração, de suor derramado em vão, e não eram poucas essas noites!

As pedras com minério tinham de ser transportadas numa saca até Silvares ou, se fosse preciso começar a trabalhar cedo no moinho, ficaria sob as águas do Zêzere até poderem ser transportadas em segurança para casa.

Abílio e Alexandrina Pires Gomes durante a década de 1970

A separação e lavagem do minério era depois tarefa que cabia à sua esposa que a fazia num alguidar na cave. O minério era então cuidadosamente escondido na salgadeira, sob uma espessa camada de sal, que conservava nacos de carne do último porco que por eles fora criado.

Quando a quantidade guardada já o justificava, Abílio fazia-se ao caminho com aquelas dezenas de quilos às costas, sempre a coberto da noite, em direcção a Sobral de São Miguel, a quase 20km de distância, onde entregava o minério a um receptador. Em troca, recebia umas vezes dinheiro, outras vezes pregos, tijolos ou tábuas que pedia para serem entregues na obra da sua nova casa. Também alimentos eram algo que trazia ou um ocasional doce para as crianças.

A somar a todas as dificuldades, havia sempre o risco de serem surpreendidos pela GNR que por ali rondava a coberto da escuridão, à espreita de um mineiro mais incauto.


Do mergulho nocturno à prisão

Contava Abílio com um fiel e incansável vigilante, sempre atento às movimentações da GNR: rafeiro de raça, leal e abnegado como poucos, o “Manda Vir” fazia jus ao seu nome sempre que desconfiava de um uniforme. Um rosnado ou um latido era quanto bastava para que a fuga dos mineiros se desse pelo acesso oposto da galeria. Quando a ocasião assim o exigia, também punha à prova a resistência do tecido das calças dos guardas.

Foi assim naquela noite em que o aviso não foi audível o suficiente e Abílio foi surpreendido à saída da mina. No entanto a polícia não o conseguiu agarrar. Com o “Manda Vir” a puxar as calças de um guarda e com uma agilidade inata que lhe permitiu libertar-se das mãos da autoridade, Abílio fugiu pela encosta abaixo perseguido pela GNR. Chegado à margem, não hesitou: saltou para a água e atravessou o Zêzere a nado até à outra margem, sempre sob os impropérios da GNR que não se atreveu a segui-lo.

No entanto a polícia foi fechando o cerco. As pegadas e o calçado que Abílio usava, umas modestas alpargatas, foram o mote para que Alexandrina fosse interpelada em plena rua:

-“O teu homem é contrabandista? Diz a verdade!”, ao que a senhora, que sempre se gabou de apenas temer a trovoada, respondeu sem hesitar –“É lá agora…! Ele calça é os mesmos sapatos!”.

À falta de provas, funcionavam as denúncias da vizinhança. Sem precisar de ordens judiciais, a GNR interveio de forma activa em duas ocasiões. Numa, através de uma busca domiciliária onde pouca coisa escapou aos olhos e mãos dos guardas. A salgadeira, por sorte, escapou. Noutra, Abílio foi mesmo preso e levado para os calabouços onde ficou durante alguns meses. Sem confissão e sem provas, acabaria por ser libertado, regressando ao Salta-e-Pilha apenas após algumas semanas. As suficientes para deixar a poeira das suspeitas assentar.


Casa construída, fim do Salta-e-Pilha.

No fim, Abílio Gomes cumpriu o seu objectivo: a construção da nova casa. Seria esse o mote para abandonar o Salta-e-Pilha e voltar a dedicar-se em exclusivo às actividades de moleiro. Ainda voltaria às minas mais tarde, muito mais longe de casa, mas a sorte não o acompanharia desta vez na pesquisa do minério. Fica para a memória um facto admirável: quando começou a construir a nova casa, Abílio guardava na sua antiga casa 5 “contos”. Quando terminou a construção, mantinha ainda esses mesmos 5 “contos”.

A casa, recentemente restaurada e já não na posse da família, ainda hoje continua de pé na Rua do Cimo do Lugar. Imaginarão os transeuntes que por ali passam as histórias com quais foram construídas aquelas paredes?


terça-feira, fevereiro 14, 2012

Dia de São Valentim não é dia de São Valentim se não visionarmos este vídeo

Por muitos anos que passem, não consigo deixar de pensar neste vídeo sempre que chega o dia de São Valentim. Um verdadeiro clássico que evoca melancolicamente uma época na qual tudo corria tão bem a estes pombinhos, e andavam de tão boas relações, que até iam aos Açores comer um borreguinho!


Feliz dia dos coraçõezinhos!

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

O Serrano visto por um erudito em 1938*

Chegou-me às mãos muito recentemente este exemplar, da autoria de Carlos Alberto Marques, publicado pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra em 1938. Trata-se de um estudo sobre a Geografia da Serra da Estrela, bastante completo aliás, e que tem no interior uma dedicatória que, segundo parece, será endereçada ao Cardeal Cerejeira. Digo "será" uma vez que não consegui ainda aferir a sua autenticidade.

Diz a dedicatória:
"O presente livro não é para ser lido por V. Eminência. Pretende apenas trazer-lhe à lembrança a admiração e gratidão de um seu aluno do grupo dos cinco, Vergílio, Marques de Jesus, Lopes de Almeida e X(...) Morais, que respeitosamente beija o sagrado anel." Assina Carlos Alberto Marques.

Entre temáticas várias, há uma passagem que acho deliciosa e que se prende com a caracterização do indígena serrano feito pelo autor:

"O serrano ou montanhês da Estrêla, beirão genuíno, é em geral dolicocéfalo**, de estatura média, moreno, de castanho ou pretos cabelos, de olhos negros ou escuros, robusto, do tipo rácico íbero-insular.

Astuto e activo, são-lhe inatos os sentimentos de liberdade e da independência; é de poucas falas (generosamente se abre excepção para a tagarelice feminina e do rapazio das escolas) e bastante impulsivo; rude no trato, é franco e fiel; ousado até à temeridade, é algo persistente; leva uma vida infra-humana, lutando contra o clima e pobreza das terras, acarinhando estas e os gados e desprezando a política; fundamentalmente religioso, vê e adora Deus nas grandes altitudes e nas tempestades, apreciando as festas religiosas e rezando, em família, apenas à noite; quando pragueja e blasfema é animal supersticioso; vive muitos anos e morre de cansaço; é sóbrio na alimentação mas bebe muita água ou muito vinho, quando o há; tem pouco cuidado com o vestuário e é desleixado com o cabelo e com a barba; não teme a noite nem os caminhos e habita sem constrangimento todo o lugar que não tenha chuva nem vento."

* - O Dr Américo Rodrigues teve a gentileza de partilhar comigo alguma informação adicional sobre o autor deste estudo de geografia, a qual novamente agradeço. Diz-me no seu e-mail: "Carlos Alberto Marques foi professor do Liceu da Guarda durante muitos anos. Era professor de Geografia. Julgo que era natural da zona do Sabugal. A obra que refere está editada pela Assírio & Alvim, que editou também uma obra sobre a Bacia Hidrográfica do Côa."

** Dolicocéfalo - Que tem o crânio com comprimento maior que a largura.

"Brennt Athen"?

Hoje Atenas está a arder. Vítima por um lado da corrupção e irresponsabilidade criminosa dos políticos que governaram o país durante as últimas décadas e, por outro, vítima de parceiros que sob a máscara da solidariedade, estão a aproveitar a situação para encher ainda mais os bolsos, obrigando o país a medidas de austeridade que fazem as nossas parecer bem suaves.

Portugal não é a Grécia, felizmente, mas é impossível não estarmos solidários para com um povo que enfrenta uma crise que ameaça começar a deixar a esfera do social e do económico para se tornar uma crise humanitária.

Suprema ironia esta se tivermos em conta que se trata do berço da Europa e do berço da Democracia.

* A 23 de Agosto de 1944, perante o avanço dos Aliados, Hitler deu ordens ao Governador Militar de Paris, Dietrich von Choltitz, para arrasar a capital de França. Após uma sequência de eventos pouco clara, diz-se que Choltitz terá deliberadamente recusado destruir a cidade, mesmo após um telefonema de Hitler que lhe perguntou exasperado: "Brennt Paris?" ("Paris está a arder?").

Foto: Chariweb

quinta-feira, fevereiro 02, 2012

Uma reportagem com mais 100 anos... e um bonsai com mais de 100 anos!

O Luís, do Tomar, a Cidade, voltou a surpreender-me com uma pérola da revista Ilustração Portugueza, neste caso do nº217 de 18 de Abril de 1910.

A sua página 506 é dedicada à "Exposição Japoneza de Londres", exposição que decorreu em 1910 em White City, Londres, na sequência da vontade do Imperador em passar uma boa imagem do Império do Sol Nascente aos olhos do Ocidente, e cobria uma área de 22.550 m2. Para além desta área de exposição, foi também reservada uma outra área de mais de 20.000 m2 para aí instalar 2 jardins japoneses. Para os construir foram trazidas árvores assim como arbustos, pontes e até rochas do Japão!

Nas fotos da Ilustração Portugueza, é possível ver um desses jardins e um bonsai, este avaliado em 1.000 libras e tendo então mais de 100 anos! Será que ainda existe?

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