quarta-feira, novembro 21, 2012

Do festival "Míscaros"... aos míscaros. Rescaldo fotográfico

O último fim-de-semana ficou marcado pela realização de mais um "Míscaros" - Festival do Cogumelo, no Alcaide, uma aldeia cheia de história cujas ruas se encheram de animação. Importa primeiro que tudo dizer que este festival foi sem dúvida o melhor até agora. Houve esmero na decoração e o número de "tasquinhas" pareceu ser maior que o habitual. 

Estivemos por lá no Sábado à noite e no Domingo e se o primeiro dia foi dedicado às tasquinhas, não é menos verdade que serviu também para rever muitos e bons amigos, tudo isto depois de uma bela jantarada de cogumelos. Aliás, isto de reencontrar amigos é tão viciante que, até na operação de fiscalização de trânsito automóvel na qual participámos com fôlego e entusiasmo no fecho da noite, deu para reencontrar um velho amigo do 8º ano!

O Alcaide enquadrado pelo Outono e coroado pela Serra da Gardunha

O Domingo começou bem cedo, com a participação no passeio micológico integrado no programa do festival. Novamente com a orientação do José Gravito Henriques, um homem que se gaba de ter já provado mais de 200 espécies diferentes de cogumelos. A adesão foi muito interessante, mais de 300 participantes segundo a organização (embora eu ache esse número algo exagerado). Independentemente do rigor dos número, havia gente a mais para um passeio micológico. Que tal fazerem-se não um mas dois passeios destes no fim-de-semana? Fica a sugestão.


"... não é grande coisa mas, à falta de melhor, também marcha!" foi a frase marcante de mais um excelente passeio micológico deste grande especialista, logo seguida a curta distância de "Há cogumelos que dão para os dois lados".

Fechada a manhã, e porque a fome já apertava, toca a ir para a fila do arroz de míscaros que mais uma vez foi servido pela Escola de Hotelaria e Turismo do Fundão, que também explorou este ano o restaurante da casa Cunha Leal. Só vos digo: estava daqui! (Sim, agora estou a segurar o lóbulo da minha orelha direita com o indicador e polegar da mão direita, efectuando ligeiros movimentos oscilatórios).

A "trupe" completa! Elementos da Junta Directiva do Blog do Katano lado a lado com a célula coimbrã do Clã Moura e o inimitável Quinaz. Pela foto é notório que há iluminados profissionais da fila do arroz de míscaros, que empregam recipientes capazes de armazenar arroz suficiente para alimentar um pequeno país do 3º Mundo durante uma semana, mais mês, menos mês, e os amadores da tigelinha. (Foto roubada à grande e à alemã do álbum de Paulo Moura)




O chefe Pedro Rito e Ricardo Moita distribuindo felicidade em forma de arroz de míscaros. (Continuo a segurar o lóbulo da minha orelha direita com o indicador e polegar da mão direita, efectuando ligeiros movimentos oscilatórios)

Depois de um belo almoço (sim, sim... orelha direita, mão direita,...) e de uma excelente sobremesa na Casa Cunha Leal, voltámos às ruas do Alcaide onde nos deparámos com um verdadeiro one man show: Pedrito New Wheel, provavelmente a figura mais emblemática desta edição do Míscaros ou, como diz a São Rosas, o verdadeiro homem dos 70 instrumentos. 




No rés-do-chão do solar de João Franco, antigo primeiro-ministro dos últimos fôlegos da monarquia lusa, ficaram instalados vários artesãos e, mais uma vez, ali estava o omnipresente Zé da Encarnação (nome de guerra de José Martins Mendes), último esparteiro de Alcongosta. Vale a pena visitar o blogue onde se apresentam as suas criações clicando aqui.


Zé da Encarnação mostrando a versatilidade das suas criações



Um aspecto da Rua João Franco, com a torre sineira ao fundo. Esta torre tem a particularidade de, numa das suas fachadas, ter uma racha provocada pelo sismo "de Lisboa" de 1755, que aliás lhe derrubou também algumas das esferas que tinha nos cantos do seu topo.



Este ano houve esmero na decoração das ruas. Para além de cogumelos gigantes, foi distribuída sinalética pelas ruas que deu um toque de boa disposição ao Míscaros.



E o cheirinho? Divinal!

Motivados pelo passeio matinal e porque a "Mouraria" não é família de regressar a casa de mãos a abanar no que toca a cogumelos, fizemos à tarde o nosso próprio passeio micológico por alguns dos nossos locais favoritos. Não é que alguns dos "novatos" se revelaram verdadeiros perdigueiros micológicos? Seguem-se alguns dos instantâneos registados durante o passeio: 


Uma "horta" de Lactarius deliciosus (lactários, sanchas, raivacas,...) descoberta pelo Paulo que atribui à sua "obra-filha" a tarefa da recolha já que o orgulho lhe impede a mobilidade ao nível das cruzes, isto enquanto o Quinaz continua a fazer aquilo que fez melhor: descobrir Suillus bellini e uma panóplia de outros cogumelos que não servem para nada



E eis o primeiro míscaro amarelo (Tricholoma equestris) da temporada! Um bom petisco, é certo, mas a ser consumido com muita moderação, pelas razões que apresentámos em tempos aqui.


Mais uma descoberta do Paulo: uma colónia de Sparassis crispa que, pelo que dizem, vai muito bem com ovos mexidos. A experimentar no próximo fim-de-semana.


Uma excelente descoberta do sector feminino dos Moura: um Boletus badius! Inconfundível pelo "anel" amarelo no topo do pé e pelos tubos também amarelos que mudam para azul ao toque.


Mais à frente no caminho, um verdadeiro rio Amazonas interrompe o caminho. Na foto é possível ver 3 abordagens diferentes para resolver o problema da travessia: a Mariana, moça prevenida, justifica finalmente o porquê de ter trazido umas belas botas de borracha, o patriarca da Mouraria constrói uma ponte de pedra não licenciada e o Quinaz, munido de um cajado, resolve tentar uma abordagem bíblica, sem grande sucesso, diga-se.


Pinhais, rios e... pântanos, pois claro! Valeram a Mariana, mais uma vez a brilhar graças às suas botas de borracha, e a Luísa que provou ser uma verdadeira voz de comando!



No final, a inevitável repartição do espólio constituído por boletos, lactários, míscaros e suillus. Pelas informações que foram posteriormente recebidas, os lactários fizeram jus ao nome e proporcionaram um delicioso jantar em terras coimbrãs e, segundo consta, toda a "Mouraria" está viva e bem de saúde. 

Como é, família "Mouravilha"? É para repetir?

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