terça-feira, outubro 23, 2012

Crónicas Canárias IV - Montaña Samara, o primeiro vulcão!

O coração da ilha de Tenerife, a maior do arquipélago das Canárias, é ocupado pelo Parque Nacional del Teide, um dos dois locais da ilha inscritos na lista de Património da Humanidade da UNESCO, a par do centro histórico de La Laguna. Ir a Tenerife e não ir ao Parque do Teide é como ir a Cidadelhe e não ver o Pálio (isto para evitar entrar no lugar comum de ir a Roma e não ver o Papa).

Este parque é uma verdadeira lição sobre a história do nosso planeta, contendo uma paisagem marcada de forma inconfundível pela actividade vulcânica que não só criou a ilha como, ainda nos nossos dias, lhes continua a dar forma. Sim porque, bem vistas as coisas, os vulcões de Tenerife não estão extintos mas apenas inactivos, havendo alguma expectativa sobre quando e  onde será a próxima erupção. A agravar este sentimento existe a coincidência de as últimas erupções terem sempre ocorrido muito próximo do virar do século (1492, 1704, 1705, 1706, 1789 e 1909). Encontrando-nos já em 2012, podemos portanto dizer que, por esta lógica, os vulcões de Tenerife já estão a dever um espectáculo de pirotecnia. 

A caminho do Teide, passámos pela montaña Samara, uma chaminé vulcânica situada na zona de actividade mais recente cujo expoente foi a erupção do Chinyero que, em 1909, durou 10 dias.


Junto à estrada, os pinheiros dispõem-se sobre os agora petrificados rios de lava


montaña Samara tem a particularidade de ser um vulcão monogénico, isto é, um vulcão que se formou numa única erupção que cobriu todo o terreno circundante de cascalho, tendo ainda projectado aquilo que se designa por bombas vulcânicas, pedaços de lava, projectados pela chaminé, que solidificam no decurso da sua trajectória. Os pinheiros canários parecem querer apropriar-se pouco a pouco da paisagem desolada.

A montaña Samara


Percurso pedestre que leva ao topo do cone vulcânico

Pinheiros canários, os mais distintos habitantes do local

Ao fundo e à esquerda, avista-se o emblemático Teide e, à sua direita, o Pico Viejo

Ao chegar ao topo, a cratera impressiona. Apesar de este ser um dos mais pequenos cones vulcânicos, é impossível deixarmos de nos sentir pequenos perante a sua dimensão.
  
À beira da cratera

Vista do lado oposto

Uma bomba vulcânica


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