quarta-feira, agosto 31, 2011

Formigas com maionese

formigas

Almuñecar, 3 de Agosto de 2011

As formigas são por norma bichos dedicados ao trabalho mas que não se negam a participar num belo piquenique quando a ocasião se apresenta. Basta que lhes cheire a algo apetitoso para, em menos de um fósforo, aparecerem rapidamente e em força, fazendo-se convidadas. Ao fim e ao cabo lembram o Ranhecas, um ex-colega meu dos tempos de rebeldia no ensino superior, quando lhe cheirava a cerveja. Aparecia e bebia daquilo que estivesse em cima da mesa, deitando os beiços aos nossos copos e baldando-se em seguida ao pagamento da conta.

Voltando às formigas, estas da foto mostram saber bem ao que vêm e mostram ainda ter a sensibilidade necessária para perceber que, piquenique que é piquenique, não é a mesma coisa sem maionese. A formiga é portanto um bicho com um apurado critério gustativo e isso, não só é bonito de se ver, como também é digno de se louvar.

Atenção que essa conclusão nada tem a ver com aquele episódio em que, estando eu a dormir placidamente numa caminha confortável algures pelo Norte do país, acordei algo sobressaltado para me deparar com um grupo de uma dezena de formigas que me estavam a tentar levar para o formigueiro. Essas eram gourmets.

segunda-feira, agosto 29, 2011

Pelo Sul da Hispânia IV – Almuñecar (Ou da osga Matilde ao cardume de pensos higiénicos)

almunecarDepois de Gibraltar e Ceuta, o próximo destino foi a povoação de Almuñecar, já na província de Granada, cidade que se seguiria no nosso roteiro.

Situada junto ao mar numa sucessão de enseadas, Almuñecar é actualmente uma cidade turística em crescimento, tendo um centro histórico que a relaciona sem margem de dúvidas com o seu passado islâmico devido ao intrincado de pequenas ruelas labirínticas, todas muito limpinhas, por entre casas brancas com painéis de azulejos.

O parque de campismo e a fauna local

À chegada, a primeira tarefa foi localizar o parque de campismo onde iríamos pernoitar o que acabou por não ser complicado. Foi no entanto estranho chegar e não ver vivalma. Nada que não se resolvesse mediante o tocar de uma sineta que ali se encontrava e que, aparentemente, despertou o senhor que surgiu em tronco nu, numa janela do primeiro andar, do seu merecido descanso.

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O local é excelente. Cheio de árvores e com um sistema de canais e tanques de irrigação que ajudam a refrescar o ambiente (estava cá um calor!), ficámos no entanto com a impressão de que só existiam 5 parcelas para acampamento, numeradas de 74 a 79 curiosamente, e todas elas vazias, excepto uma na qual se encontrava uma tenda-fantasma.

Para o duche também só havia água fria disponível, isto em instalações sanitárias que pareciam carecer de manutenção há já algum tempo mas que, apesar do aspecto que sugeria antiguidade, abrigavam uma fervilhante actividade animal, desde os insectos aos aracnídeos, incluindo ainda uma simpática osga que, de tão familiar que se tornou, acabou por ser baptizada de Matilde.

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No dia seguinte o despertar acabou por acontecer bem cedo graças a um galo que, de um galinheiro próximo, mostrou ser dono de boa voz. Dei-me ao trabalho de contar aquando da sua 3ª actuação: 30 “cocorocós” exactamente a cada 10 segundos! Uma obra-prima! Não sei que espécie de galo seria mas inclino-me para um galo da Timex ou da Omega.

A boa notícia e que nos foi dada em primeira mão pelo senhor que nos tinha acolhido em tronco nu (descobrimos que se chamava Manolo) e que descobrimos ser uma simpatia de pessoa, é que já havia água quente. Feita a toilette matinal, fomos à cidade ver o que se passava por lá!

Pelas ruas de Almuñecar

Para começar o dia, nada melhor que um belo pequeno almoço numa esplanada no areal (aqui e ali cascalhal) da praia de San Cristóbal. Ao lado, uma família local comia um pequeno almoço típico que mais tarde experimentaríamos já em Granada, constituído basicamente por fatias de pão torrado com polpa/pasta de tomate e um fio de azeite, acompanhado de café com leite ou sumo de laranja.

Já revigorados (depois de dois cafés porque uma café apenas em Espanha é quase nada) aventurámo-nos pelas ruas de Almuñecar, aproveitando a desculpa de uma multi-cache (ver Geocaching) que nos levaria aos pontos mais interessantes da localidade, começando pelo parque botânico e arqueológico El Majuelo, aos pés do Castelo de San Miguel.

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Neste parque é possível ver ruínas de uma fábrica de garum, uma pasta de peixe bastante popular na gastronomia da Antiguidade, era até um produto de luxo, e que consistia basicamente em vísceras e sangue de pescado maior, misturado com peixes ou moluscos esmagados, tudo fermentado em tanques ao longo de 2 meses. Devia ser bem apetitoso, não vos parece?

Os vestígios de fabricação de garum remontam à colonização fenícia que aqui se estabeleceu progressivamente a partir do século VIII a.C, embora houvesse uma povoação indígena no local do actual castelo a partir do século XV ou XVI a.C. Os romanos ocuparam mais tarde o local, acabaram por fazer da povoação uma capital de município chamada Firmium Julium Sexi. Dai que, ainda hoje, os habitantes locais sejam chamados de Sexitanos.

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Depois do El Majuelo, subimos em direcção à Cueva de los Siete Palacios, na verdade um criptopórtico que, como o de Coimbra, era a base de uma plataforma destinada a vencer o declive da colina e sobre a qual assentavam edifícios na época romana. O espaço foi transformado em Museu Arqueológico Municipal, albergando algumas peças encontradas na povoação ou nos seus arredores.

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A peça mais importante deste museu é um vaso, talhado numa peça única de quartzo! Trata-se de um vaso egípcio do século XVII a.C. que, pelas inscrições, terá contido as cinzas do faraó Apófis I e terá provavelmente sido trazido pelos fenícios para esta zona do Mediterrâneo, quase 1.000 anos após a sua construção. Foi encontrado a servir de pote de armazenamento de água numa habitação de Almuñecar.

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As ruas do centro histórico de Almuñecar, como já referi, são labirínticas, estreitas e muito limpas, atravessando pequenos bairros que se organizam, aqui e ali, em torno de pequenas pracetas muito agradáveis. O branco está omnipresente, tal como os terraços, o que nos recorda constantemente a forte influência árabe em Almuñecar. Outro elemento que se impõe na paisagem deste centro histórico é o azulejo com os típicos padrões geométricos, assim como a cor garrida das portas e janelas.

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No topo da elevação que domina a paisagem situa-se o Castelo de San Miguel, uma impressionante fortaleza de fundação romana mas que atingiu o seu esplendor máximo durante o período árabe, sendo que ainda é possível entrar nas masmorras dessa época.

Almuñecar e o seu castelo tiveram um papel importante no fim do último reino muçulmano na Península Ibérica. Esta foi a última localidade a cair antes da tomada de Granada pelos Reis Católicos e foi ainda do porto de Almuñecar que o último sultão de Granada e a sua corte embarcaram rumo ao exílio no Norte de África.

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Logo à entrada, um dos torreões que ladeiam a porta principal aparece tombado. Trata-se de uma consequência ainda visível do bombardeamento naval a que os ingleses sujeitaram a fortaleza durante o século XIX, deixando o recinto indefensável e levando ao seu posterior abandono.

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De volta à zona baixa da cidade, um edifício chama a nossa atenção pelas suas formas e cor. Trata-se do palácio de Najarra, construído em estilo neo-árabe sobre uma habitação árabe anterior.

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No jardim do palácio, que serviu para nos refrescarmos um pouco, existe uma colecção extremamente variada de fósseis, desde amonites até trilobites, alguns deles de enormes dimensões. Numa das paredes é possível ver dois painéis de trilobites.

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Bem no meio de Almuñecar situa-se o Museo del Bonsai. No entanto a intenção de todos os membros da comitiva, sem excepção, em visitar o espaço esbarraram mais uma vez na implacável hora da siesta. Fica o registo efectuado a partir do exterior que deixou perceber a existência de alguns exemplares extremamente interessantes!

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Um pouco mais à frente, uma fonte exibe de forma ostensiva as duas bicas que outrora mataram a sede a muita gente mas que agora se mostram estéreis. Fica a imagem de uma fonte que pareceu em tempos dizer “bebe daqui que é fresquinha”.

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Perto da generosa fonte, encontra-se a Iglesia de la Encarnación, um enorme templo em estilo barroco muito característico desta zona…

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… que parece guardar os vestígios da época romana que se encontram atrás de si. Trata-se dos restos de um aqueducto, termas e cisterna, sendo ao mesmo tempo o conjunto de vestígios romanos mais bem conservados na cidade.

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Apesar de toda a diversidade e importância histórica dos diferentes edifícios de Almuñecar, há no entanto um edifício que se destaca e fica sem dúvida na memória: a casa-barco.

Construída há mais de 30 anos por Pepe, um antigo marinheiro da marinha mercante, esta casa cria uma sensação de alguma confusão já que, por momentos, fica-se com a impressão de estarmos perante um navio encalhado a uma considerável distância da costa.

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Já agora, vale a pena ver esta reportagem do Canal Sur realizada no interior da casa-barco e na qual o proprietário serve de cicerone e mostra algumas das preciosidades que foi recolhendo ao longo dos anos.

Cuidado ao estacionar em Almuñecar!

Quem decidir fazer uso do veículo automóvel em Almuñecar tem à sua disposição uma panóplia de espaços para estacionamento. Convém no entanto ter em atenção, no momento do parqueamento, se o parque é gratuito ou não para não ocorrerem surpresas menos agradáveis.

Contudo, em Almuñecar, a partir do momento em que a infracção for detectada, os prevaricadores têm uma hora para pagar uma taxa agravada, antes de serem contemplados com a coima propriamente dita. Pelo que pudemos saber, a taxa é de 15 euros enquanto a coima é de 60 euros e, crème de la crème, a taxa pode ser paga directamente no parquímetro, imprimindo os talões de pagamento e colocando-os juntamente com o aviso dentro de uma ranhura no próprio aparelho.

Na foto é possível ver dois cidadãos, ao que conseguimos averiguar, de origem portuguesa, efectuando o pagamento da taxa agravada num dos parquímetros existentes por ali e ignorando por completo o aviso de coima que também havia sido colocado no limpa pára-brisas do seu veículo. Turistas…!

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Os exóticos cardumes das praias de la Herradura

Ao chegar a Almuñecar já trazíamos na bagagem uma interessante frequência de praia. Desde o areal algo sujo, embora com água relativamente limpa, de La Línea (apesar de termos avistado um cavalo dentro de água), uma micro-praia pedregosa em Gibraltar e uma fantástica praia de areia branca em Ceuta.

Há 6 anos, quando por aqui havia passado, tinha sido impossível tomar banho em Almuñecar. A água estava cheia de alforrecas, facto que, para além de dar um tom diferente à água quando visto de longe, justificava a bandeira vermelha. Os únicos que se divertiam na praia eram uns miúdos que, com uma rede, recolhiam e amontoavam alforrecas no areal, resultando numa espécie de monte de gosma.

Sem possibilidades de molhar o rabo na zona, acabámos por ir parar a Motril, a alguns quilómetros para Este, onde a praia não é extraordinária mas também não é má de todo.

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Desta vez, por influência do nosso roteiro ao longo do dia, acabámos por ir parar a La Herradura, uma localidade a 5 ou 6km a Oeste de Almuñecar.

Instalado o “acampamento” balnear, acabei por ser o primeiro a fazer-me à água e posso garantir que não me lembro de ter alguma vez nadado em água tão quente. Foi um erro. Felizmente alertado a tempo pela Ana, escapei por pouco de um ataque perpetrado à traição por um cardume de pensos higiénicos liderado por um preservativo que, nitidamente, já vinha com ela fisgada e que se aproximavam furtivamente por trás de mim.

Não é que eu fique indiferente aos constantes avisos da necessidade de praticar uma frequência segura das zonas balneares. No entanto, o meu conceito de banho seguro não envolve de modo algum preservativos flutuantes, nem tão pouco se compadece com a presença de pensos higiénicos em fim de carreira.

Sendo assim, lá regressámos a Motril para um banho rápido antes da próxima etapa: Granada!

 

Brasão obtido na Wikipédia

quinta-feira, agosto 25, 2011

Pelo Sul da Hispânia III - A cidade de Ceuta

 

Depois de alguns dias a avistar ao longe a costa Norte do continente africano a partir do Rochedo, facto que foi progressivamente aguçando a nossa curiosidade, decidimos ir ver o que se passava no outro lado do Estreito de Gibraltar na histórica cidade de Ceuta.

Para isso foi necessário ir a Algeciras apanhar o ferry já que a partir de Gibraltar apenas há ligação para Tânger. É impressionante a quantidade de locais que vendem bilhetes de ferry, inclusive em roulotes à beira da estrada. O número de postos de venda de bilhetes vai aumentando à medida que nos aproximamos do porto de Algeciras, sendo que as estratégias de marketing também se tornam mais agressivas, chegando a ser semelhantes àquelas que encontramos num vulgar mercado, embora aqui as marcas em transacção sejam Baleária, FRS e Acciona em vez de Naike, Pamu e Relook. Há que ter cuidado com as fraudes, sendo mais seguro adquirir bilhete num posto no próprio terminal de ferries e, de preferência, num posto de venda da própria operadora para evitar as “taxas administrativas”.

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O embarque para o ferry fez-se sem qualquer outro controlo que não fosse o da verificação de bilhetes. A partida é que demorou mais 40 minutos que o esperado, por “movitos alheios” à Baleária. No regresso houve direito a controlo das bagagens por raio-X.

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Saída do Porto de Algeciras.

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Já fora da barra do porto de Algeciras e à passagem por Gibraltar, o ferry foi seguido por dezenas de golfinhos que saltavam na ondulação provocada pela passagem da embarcação.

A viagem de ferry é extremamente confortável. Existem 3 pisos, o mais baixo onde ficam guardados os automóveis, o intermédio para a classe turística e o piso superior para a 1ª classe. Por uma questão de solidariedade optámos por nos integrar na massa humana do piso intermédio, onde existe um bar que serve café verdadeiramente merecedor desse nome –finalmente!- e uma loja Tax Free que antecipa aquilo que se vai encontrar em Ceuta.

Só se pode sair para o exterior em dois espaços situados na popa do ferry mas que, em velocidade de cruzeiro, se tornam pouco agradáveis devido ao vento e à agua projectada pela deslocação. A teimosia em imitar um comportamento claustrofóbico pode resultar aqui num penteado que lembra a Bridget Jones depois de uma viagem de carro.

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Já pertinho da costa africana, começam a distinguir-se melhor os detalhes da paisagem. A imponente Djebel Musa, a Montanha de Moisés, tem a seus pés a localidade marroquina de Beliunex. A montanha é também conhecida como Mulher Morta ou Atlante Adormecido pela forma que apresenta na sua parte mais alta. À esquerda, a pequena elevação costeira (mais clara) que constitui o início da fronteira Norte do território de Ceuta com Marrocos e onde se avista o pequeno núcleo populacional de Bezún, famoso pelas cavernas com grande número de vestígios de ocupação pré-histórica.

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Eis o primeiro lamiré sobre a cidade de Ceuta, em que se vê uma das duas pontes sobre o fosso das muralhas reais que separa o centro histórico da zona mais recente da cidade.

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À entrada do porto de Ceuta, avistam-se as torres da Catedral de Nossa Senhora da Assunção.

 

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E finalmente o desembarque para o início de (mais) uma grande caminhada urbana.

Ceuta é uma cidade com mais de 75.000 habitantes, sendo a população principalmente de origem espanhola e marroquina. A cidade orgulha-se de ser um local de tolerância religiosa, abrigando 4 principais comunidades: católica, muçulmana, hindu e judaica. Curiosa ideologia esta, sobretudo pelo facto de se tratar de um território cujos soberanos sempre foram fervorosos adeptos do Tribunal do Santo Ofício.

Em Ceuta encontram-se um pouco por todo o lado referências ao domínio português sobre a cidade que durou quase 200 anos (1415 a 1580), começando na própria heráldica da cidade, bandeira e escudo de armas e estendendo-se às construções e toponímia.

Aquando da passagem definitiva para a coroa espanhola em 1640, a cidade manteve a simbologia portuguesa. Por esse motivo, as armas da cidade são em tudo semelhantes às armas reais da coroa portuguesa, diferindo contudo na disposição dos castelos na borda do escudo. A bandeira, por seu turno, é idêntica nas cores e nas formas à bandeira da cidade de Lisboa, uma recordação do facto de a expedição que tomou a cidade aos muçulmanos ter zarpado de Lisboa.

Em termos de toponímia, encontra-se uma verdadeira referência maior à cultura lusitana, a Calle Camoens ou Camões.

 

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Escudo de armas de Ceuta na placa de indicação da Calle de los Ingenieros

 

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A bandeira de Ceuta com as cores de Lisboa e o escudo de armas semelhante ao da coroa portuguesa, flutuando ao lado da bandeira de Espanha e da bandeira da UE no Palácio da Assembleia.

Se há coisa que é desagradável na sociedade espanhola, pelo menos para mim que não vivo lá, isso é sem dúvida os horários de abertura dos monumentos devido à “hora da siesta”, que faz com que entre as 13h30 e as 17h seja difícil encontrar algo aberto.

Já com 40 minutos de atraso em relação ao esperado, devido à demora na partida de Algeciras, chegámos por volta das 12h, tendo previsto regressar ao continente europeu às 18h, ficámos com cerca de 5h para visitar a cidade. Havia ainda que encontrar o posto de turismo para obter um mapa do centro histórico, onde iríamos concentrar a nossa visita.  A própria funcionária do posto ficou sem saber muito bem o que dizer quando lhe perguntei o que havia para visitar em Ceuta em 5h.

Assim, após uma curta pausa para retemperar forças e aquietar o estômago na bonita Praça de África, seguimos em direcção ao conjunto excelentemente musealizado das ruínas da basílica tardo-romana. Trata-se de uma basílica cristã do século IV reconvertida em necrópole e sobre cujas ruínas foi construído um museu que, para além de abrigar um centro interpretativo e proteger as ruínas, ajuda também os visitantes a terem percepção da dimensão original da basílica.

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Uma das sepulturas ainda com o respectivo inquilino.

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Aspecto parcial da área da basílica.

A partir daqui… nada mais podia ser visitado, dado que eram praticamente 14h. Optámos pelo plano B e por percorrer o centro histórico a partir dos banhos árabes e, porque a ocasião o impunha, para nos estrearmos na prática do geocaching em África.

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 Banhos árabes do século XI, descobertos após a demolição de um conjunto de vivendas e restaurados de modo a devolver-lhes a sua configuração original.

 

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O centro histórico de Ceuta é essencialmente pedonal, proporcionando um passeio agradável, apesar do calor que se fazia sentir.

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Calle del Compañia del Mar, junto à marina. Uma praceta ali ao lado proporcionou um excelente momento de descontracção numa esplanada. Boas notícias! As tapas são servidas gratuitamente com as cañas e não consistem em batata frita.

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Calle Camoens ou Camões. Bonita rua mas… onde as lojas estavam encerradas, no religioso cumprimento da hora da siesta.

 

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A Plaza de los Reyes é dominada por um pórtico com as estátuas de San Fernando e San Hermenegildo, que para aqui vieram após a demolição do antigo hospital que ficava nesta mesma praça. Sob o suporte das estátuas encontra-se este curioso detalhe…

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…uma representação da moeda de 1 euro! Não sei se esta adição será uma forma de celebrar a adesão à moeda única mas não é menos verdade que em Espanha, de quando em vez, se fazem adições curiosas a monumentos históricos, como por exemplo o astronauta no exterior da Catedral de Salamanca.

Em termos comerciais, Ceuta tira bom partido da vantagem de ser uma zona franca, com carga fiscal muito mais leve do que no resto da Espanha. As grandes superfícies estavam cheias de marroquinos e vimos inclusive o caso de uma família que decidiu construir uma alegoria à torre de pisa no seu carrinho de compras com paletes de pudim flan.

Quanto à comunidade marroquina residente, essa parece não querer alinhar na instituição nacional que é a hora da siesta. As únicas lojas abertas eram mesmo as dos marroquinos que vendiam produtos com a qualidade possível e a baixo preço, chamando a atenção com avisos, pintados com marcador fluorescente em cartolinas, colocados no exterior das lojas. Entre vários que prometiam produtos electrónicos, como máquinas fotográficas digitais a partir de 40 euros (embora as mesmas fossem modelos que fizeram furor há já vários anos atrás) um cartaz em particular destacava-se, mostrando que o comerciante marroquino é um comerciante com um vincado código de honra e profundamente vinculado à vontade de querer oferecer qualidade aos seus clientes:

“No vendemos artículos chinos!”

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A espectacular Playa de la Ribera de onde se avista a cidade marroquina de Fnideq com a sua mesquita e minarete quadrangular de influência andaluza. A água é quentíssima e límpida, justificando plenamente a sua bandeira azul.

 

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As muralhas reais, melhoradas a partir das fortificações portuguesas, e o grande fosso que praticamente faz da península de Ceuta uma ilha, ligando a costa Norte à costa Sul. As fortificações são impressionantes e ajudaram Ceuta a resistir a sucessivos ataques, inclusive ao assédio dos ingleses na mesma altura em que estes conquistaram Gibraltar. Sob as muralhas existe uma rede de túneis para impedir a minagem das muralhas. No fosso é possível a passagem de pequenas embarcações.

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Aproveitando a abundância de peixe no fosso, estes imigrantes sub-saarianos dedicam-se aqui à pesca, atirando pedaços de pão de modo a atrair os cardumes e usando depois uma linha sem cana. 

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Catedral de Nossa Senhora da Assunção, construída sobre uma antiga igreja portuguesa, construída sobre uma antiga mesquita, construída sobre ruínas fenícias. Basicamente é um local onde a construção se pratica com alto entusiasmo.

As estátuas de Ceuta

Em Ceuta abundam os monumentos evocativos da sua história e das suas personalidades, sobretudo em termos de estatuária. Eis alguns exemplos das mais de 40 estátuas existentes:

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 Monumento ao regimento de artilharia de Ceuta, devidamente apontado para Marrocos.

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Não, não se trata de uma estátua relacionada com o Ku Klux Klan mas tão somente de uma estátua de homenagem à semana santa de Ceuta. Terra de tolerância, lembram-se? (Apesar do longevo Tribunal do Santo Ofício)

 

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Monumento à Constituição, que contém a transcrição do artigo 14º: “Os espanhóis são iguais perante a lei sem que possa prevalecer discriminação alguma por motivo de nascimento, raça, sexo, religião, opinião ou qualquer outra condição ou circunstância pessoal ou social”. Presumo que este artigo não tenha sido escrito pelo Tribunal do Santo Ofício.

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Um de dois exemplares idênticos, os mais icónicos de Ceuta. Representam Hércules afastando as Colunas em busca dos touros do rei Gerião, um dos seus 12 trabalhos.

Para saber mais: Ceuta Digital

segunda-feira, agosto 22, 2011

Resultado (possível) do workshop de fotografia do fim-de-semana


De forma algo inesperada em relação aos planos iniciais para o fim-de-semana, acabei por ser "recrutado" para o workshop de fotografia que este fim-de-semana teve lugar entre o Fundão e a aldeia da Barroca, junto ao Zêzere.

Partindo do Cabeço do Pião, local de outrora intensa actividade mineira, o percurso partiu da Pousada da Mina, passou pela Lavaria e pelas escombreiras, para depois terminar junto das gravuras rupestres do Poço do Caldeirão. Tratou-se de uma pequena parte do Percurso Pedestre da Rota do Mineiro que, na sua máxima estensão tem mais de 9km.

Partilho aqui com vocês uma amostra do resultado possível da recolha fotográfica.
























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