segunda-feira, maio 30, 2011

Jovem acredita ter filmado o Bigfoot durante uma caminhada

Uma cidadã estado-unidense acredita ter filmado o mítico Bigfoot, uma espécie de criatura mítica das florestas norte-americanas, equiparado em termos de misticismo à retoma económica de Portugal. O vídeo foi registado com um dispositivo móvel durante uma caminhada que a autora realizava numa floresta e está a fazer sucesso nas redes sociais, pese embora a quantidade de argumentos que indicam que o mesmo foi "fabricado" com a ajuda de um amigo vestido com uma fantasia de gorila, e que avançou no momento em que lhe foi dado um sinal, para passar numa zona vazia da paisagem que estava a ser filmada, em detrimento dos participantes da caminhada.


Pois bem, após analisarmos a famosa filmagem, estamos em condições de confirmar que as alegações de que se trata do Bigfoot são falsas. Tratava-se apenas do Tony Ramos que por ali andava a gozar o seu período de férias.

quinta-feira, maio 26, 2011

"Ainda sobre os Plátanos e Alergias ..."

Recentemente no Jornal do Fundão, um leitor queixava-se das alergias supostamente provocadas pelos plátanos, defendendo a sua eliminação das zonas urbanas. Quem não se ficou foi o Márcio que, em carta enviada ao mesmo jornal, se encarregou de colocar os pontos nos is, desmontando alguns mitos urbanos relacionados com árvores, ao mesmo tempo que critica as forma como as árvores são tratadas em meio urbano, como é o caso das agressões sazonais de que são vítimas e às quais se dá o nome eufemístico de poda.


Ainda sobre os Plátanos e Alergias...
Márcio Meruje
Covilhã


Foi com desagrado que na última edição deste jornal li nesta secção uma carta aberta referindo os malefícios do plátano no meio urbano. E interrogando-me sobre o futuro de muitos plátanos - de que alguns exemplares com mais de 50 anos são uma imagem da nossa cidade, p.ex., aqueles junto à estação com um porte arbóreo de registo, sem podas camarárias - decidi tecer algumas considerações ainda que não seja qualquer erudito sobre o assunto.

1. Os plátanos não são responsáveis pelas chamadas "nhanhas". Trata-se de um mito urbano. Os verdadeiros causadores destas "nhanhas", ou melhor, deste tipo de pólen, são os choupos (género Populus). Devo acrescentar neste ponto que basta um pequeno passeio, quiçá num destes próximos fins-de-semana ensolarados, para averiguarmos por nós próprios que os plátanos não têm no seu redor esta substância, muito semelhante a algodão. Os choupos, de que ainda existem alguns exemplares antigos na cidade, estão rodeados desta substância que algumas pessoas dizem "provocar bastantes alergias". O que não é verdade...

2. Se consultarmos a página de internet da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica rapidamente constatamos que não existe qualquer notícia que relacione os choupos às alergias. O que acontece na verdade é que durante os meses de Março e Maio, e ainda princípios de Junho em alguns anos, grande parte das árvores e gramíneas têm altos índices de actividade polínica, e citando a informação da fonte European Pollen Information: "Algumas pessoas acreditam, de forma errónea, que ele (o “algodão dos choupos”) causa os sintomas da febre dos fenos. Na realidade, as sementes dos choupos e o primeiro (e invisível) pólen das gramíneas a ser libertado no ano, costumam coincidir no tempo…". Ora, na verdade, os grandes responsáveis por grande parte das alergias são as gramíneas, e não os choupos, ou os plátanos.

3. Abater todas as árvores desta espécie não é solução. A seguir aos choupos, viriam os plátanos, e depois as tílias, oliveiras, seguidos dos liquidambares, das bétulas, dos carvalhos... E não tardava muito a nossa cidade não seria mais que um deserto. Já nos chega os incêndios que no Verão teimam em desolar a nossa querida Serra da Estrela! Num século em que a principal preocupação é para com o ambiente, considero grave alguém pretender promover o abate de árvores! Existem exemplares dignos de registo, como já referi, e não seria melhor continuarem ali como um registo vivo para as gerações vindouras? Que não se sacrifiquem árvores ...


4. Acerca das podas camarárias e escolha de espécies: Este é um ponto sensível, que pode levantar mal entendidos, mas de certo que todos gostaríamos de ver na nossa cidade mais carvalhos, teixos, bétulas e até algumas coníferas que propriamente carvalhos americanos e ginkgos mas, ainda mais grave que isso, é a desorganização de toda a poda destas árvores. Continuar a realizar podas sem sentido é condenar os exemplares que rapidamente se degradam e não conseguem atingir a sua idade adulta dentro do espaço urbano.

5. Por fim, todos aqueles que sofrem de alergias, como eu, sabem que existem vacinas para este problema! Uma recomendação, sempre que possível, é evitar andar ao ar livre entre as 5 e as 10 da manhã e guardar as actividades ao ar livre para o fim da tarde ou depois da chuva, quando os níveis de pólen são menores.

As árvores não estão em guerra com o Homem. E não servem apenas para nos aquecer no Inverno. Neste séc. XXI é importante que estejamos conscientes da sua importância nos países industrializados pois elas são os nossos melhores aliados contra a poluição. E agora, pergunto eu: Pior que todas as alergias e todo o pólen, já pensaram viver num mundo sem árvores?


terça-feira, maio 24, 2011

Vulcão Grimsvotn leva ao cancelamento de 6 voos de apoiantes de Sócrates provenientes de Islamabad e Mumbai

Suspeita-se que os islandeses tenham ligado o Vulcão para criar uma cortina de fumo de modo a que os credores não consigam encontrar a ilha.

Trata-se sem dúvida de um rude golpe para José Sócrates. Várias centenas de apoiantes que se preparavam para embarcar rumo a Portugal, para manifestarem o seu efusivo apoio nos comícios de campanha do candidato socialista, viram as suas expectativas defraudadas já que a erupção do vulcão islandês Grimsvotn levou ao cancelamento dos voos como medida de precaução.

Vários apoiantes de Sócrates manifestaram-se furiosamente em Islamabad

Vários deles deram conta da sua tristeza, pese embora terem manifestado alguma estranheza quando confrontados, pelos jornalistas, com o facto de a omnipresente rosa ser o símbolo de um partido político e não o logótipo de uma convenção internacional de vendedores ambulantes de flores.

Os directores de campanha de José Sócrates estavam também inconsoláveis. Um deles, que pediu para não ser identificado, deu uma ideia do prejuízo que esta situação irá provocar para a campanha do actual Primeiro-Ministro: -"O que é que vamos agora fazer com tanta chamuça? E o caril? Quem é que vai comer isto tudo? Ainda para mais, os idosos aos quais temos proporcionado transporte e alimentação, para expressarem a sua profunda convicção socialista e elevada admiração pela figura do Eng. Sócrates, não podem ingerir alimentos muito condimentados porque isso lhes provoca diversas perturbações, nomeadamente gástricas e intestinais!".

Já Sócrates foi parco em palavras mas, ainda assim, negou de forma veemente as acusações de presença de cidadãos de nacionalidade estrangeira entre os seus apoiantes presentes nos comícios, rotulando a acusação de "delírio disparatado de quem não tem programa governativo e só diz mal do Governo". Pelo contrário, referiu que vários deles são descendentes dos marinheiros portugueses da primeira expedição de Vasco da Gama à Índia e portanto, ilustres cidadãos nacionais. Concluiu chamando a atenção para o facto de serem os partidos da Oposição que, pela sua conduta irresponsável e anti-patriótica, os culpados da situação, por terem provocado uma crise política que redundou em eleições, eleições essas que acabaram por coincidir com a erupção do Grimsvotn.

Alguns dos apoiantes de Sócrates em Évora, afirmaram que já votavam no Partido Socialista muito antes da Carolina Patrocínio.


domingo, maio 22, 2011

Belenenses 2 x 3 AD Fundão - Histórico! (Vídeo)

Não tenho por hábito colocar publicar aqui artigos dedicados a modalidades desportivas, excepto claro, as minhas caminhadas em montanha, mas isso enquadra-se na classificação de desporto de altíssimo nível. No entanto, vejo-me obrigado a fazer referência à minha fantástica Associação Desportiva do Fundão que ontem fez história, ao conseguir alcançar as meias-finais do playoff de apuramento de campeão nacional da 1ª Divisão de futsal.

A vítima foi o Belenenses, ainda por cima no Restelo. A ADF venceu por 3-2, com o golo da vitória a ser apontado a 20 segundos do final do prolongamento. Cruel ironia para o Belenenses que no último jogo em casa contra a ADF,tinha vencido por 3-2 com um auto-golo no último segundo de jogo. A ADF está assim no grupo das 4 equipas nacionais que irão lutar pelo título, juntamente com o Instituto D. João V, Benfica e Sporting, sendo contra estes últimos que irá disputar o acesso à final, apesar do claro favoritismo dos de Alvalade, tendo em conta a abissal diferença de orçamento.

Quando o Interior luta de forma desigual contra o maior poder económico da faixa do litoral, este feito ganha ainda mais relevância, ainda para mais quando a ADF enfrentou já esta época uma grave crise que quase levou à extinção da modalidade a meio do campeonato.

É preciso pois dar os parabéns a todos os jogadores, à equipa técnica e aos dirigentes que conseguiram um feito histórico para o desporto desta região e agradecer-lhes por terem enchido de orgulho não só os seus adeptos mas também todos os habitantes de uma região que tem sido muito mal tratada. Até Sábado!

sexta-feira, maio 20, 2011

Sócrates vs Coelho! Quem ganha?

(Clicar para ampliar)
Afinal o plano do FMI é ou não é o PEC IV? Quem tem afinal a culpa da crise? Será que os portugueses se devem preocupar com os pentelhos? Logo saberemos.
Não se esqueçam das pipocas e dos óculos 3D!

(Vídeo) José Manuel Coelho deixa participantes de debate à beira de um ataque de nervos

O inimitável José Manuel Coelho, com a sua habitual postura irreverente de fazer política (?), deixou na passada Quarta-feira, os participantes do debate entre partidos sem representação parlamentar, literalmente à beira de um ataque de nervos.

Agora com poleiro no Partido Trabalhista Português, o enfant térrible da cena política nacional começou a provocar uma grande agitação quando decidiu colocar-se atrás de Garcia Pereira com uma faixa do PTP, invocando a Constituição e os "Direitos de Abril" para se manifestar dessa forma. A situação ameaçou degenerar e acabou mesmo por obrigar a moderadora a fazer um intervalo no debate para serenar os ânimos.

Realmente, o José M. Coelho soube cativar a simpatia dos portugueses pela sua forma irreverente e original de estar na política mas, cada vez mais e à força de o ouvirmos, ficamos com a impressão que os males da República se resumem ao Alberto João Jardim, sendo que desta vez, a irreverência teve mais contornos de atitude anárquica. Ai Coelho, Coelho...! Estás cá a ficar um traquina...!


Já agora, e uma vez que falamos do Partido Trabalhista Português, é obrigatório recordar o tempo de antena com que este partido abrilhantou o serviço de televisão, durante a campanha para as Legislativas de 2009! Imperdível!

terça-feira, maio 17, 2011

O tipo que vivia do RSI e que fazia biscates por fora

"Oh amigo! Oh amigo!...". Um indivíduo que eu não conhecia atravessava calmamente o estacionamento acenando na minha direcção. Percebendo que falava comigo, carreguei o último saco de compras no carro e esperei que o dito indivíduo chegasse junto a mim.

Na sua abordagem, deu logo a entender que era um sujeito sem rodeios e que tinha mais que fazer: -"Olhe, eu vou directo ao assunto para não perdermos tempo. Eu moro em Castelo Novo, sabe onde é?".

-"Sim...", respondi eu com algumas reservas.

-"Então é assim: eu moro sozinho, tenho uma casa pequena que só tem um radiozinho e como uma sopita que todos os dias tenho de ferver para não azedar, está a ver?"

-"Sim...", respondi novamente, embora achando que a abordagem que não estava a ser tão directa quanto havia sido prometido. Ainda para mais, sabia por experiência própria, que o processo normal em situações análogas passava geralmente pelo simples pedir de "uns trocos" ou de "umas moeditas", nunca havendo lugar para a exposição da realidade socio-económica do indivíduo. Os únicos que permitem ocasionalmente um lamiré sobre esse aspecto particular das suas vidas são geralmente os cidadãos de origem romena mas fazem-no por escrito com recurso a folhas A4 plastificadas, que apresentam aos transeuntes que vão abordando.

Seja como for, o indivíduo depressa interrompeu as minhas reflexões:

-"Eu governo-me com o Rendimento Mínimo e de vez em quando faço uns biscates também. Pronto, eu sei que não devia dizer isto, mas é a realidade."

Para logo de seguida acrescentar:

-"Pronto, a situação é que há ali uma aparelhagem na Worten que custa 100 euros. A ideia era, você vinha lá comigo, preenchia o cartão Worten e depois combinávamos, por exemplo uma vez por mês, para nos encontrarmos ou você passava lá em casa - se quiser pode ir comigo ver onde é que moro - e eu ia-lhe dando o dinheiro aos poucos. Pode ser?"

Mal terminou a frase, tive de morder o lábio para reprimir uma gargalhada que ameaçava soltar-se. Juro que não foi fácil. Aqui estava eu, perante um indivíduo que vivia sustentado pelo RSI, fazendo também biscates por fora, e que, apesar de viver numa situação financeira precária, tinha decidido endividar-se, ao invés de procurar poupar, para usufruir de um bem que não lhe era de forma alguma essencial. Um verdadeiro estandarte nacional em forma humana, portanto.

Retorqui-lhe apenas com um cordial "Oh amigo, você aqui não se safa. Desejo-lhe boa sorte." e despedi-me dele com duas palmadinhas nas costas.

Já dentro do carro, olhei na direcção de outro que se encontrava estacionado na fila da frente. No seu interior, uma mulher falava ao telemóvel ao mesmo tempo que vigiava com alguma inquietação o indivíduo que, encostado ao carro do lado, olhava fixamente para ela, esperando que terminasse a chamada e saísse do carro, para lhe dar a conhecer a sua situação sócio-económica e para lhe pedir uma aparelhagem de 100 euros que estava na Worten.


segunda-feira, maio 16, 2011

Bem-vindos ao... Campo da Rata

Se explorando os contornos da Torre de Hércules, n'A Corunha, avistarem uma extensa área de vegetação razoavelmente aparada e relativamente frequentada, então encontram-se no Campo da Rata.

Acrescento ainda que é um local extremamente aprazível para uma voltinha de final de tarde, pela hora do pôr-do-Sol.


As grutas fortificadas de Bouan - O vídeo

Aqui fica o primeiro de 2 vídeos (de qualidade duvidosa pelo facto de, em alguns momentos o registo ter sido feito em equilíbrio precário) feitos no decurso da recente estadia nos Pirinéus, este dedicado às "Spoulgas de Bouan", grutas fortificadas dos séculos XII e XIII. Vale a pena recordar previamente o artigo que dedicámos às Spoulgas clicando aqui.

sexta-feira, maio 13, 2011

Quando o Youtube tem a mania que tem piada...

Ao tentar aceder a um vídeo no Youtube, obtive a seguinte mensagem de erro:


Basicamente:

"Desculpe, algo correu mal. Uma equipa de macacos altamente treinados foi enviada para lidar com a situação. Se os vir, mostre-lhes a seguinte informação:"

quarta-feira, maio 11, 2011

El Pasatempo - Uma árvore genealógica que todos os nossos economistas e políticos que nos governam deveriam conhecer

Em Betanzos, uma povoação galega, sede de concelho e situada perto d'A Corunha, onde para além de um centro histórico simpático, existe ainda um parque temático conhecido como El Pasatempo que é único no seu género.

Trata-se de um "parque enciclopédico", construído no final do século XIX/início do século XX por 2 irmãos, os García Naveira, beneméritos nascidos em Betanzos que, após fazerem fortuna no estrangeiro, regressaram à sua terra Natal onde decidiram contribuir para o bem-estar dos seus conterrâneos, construindo escolas, obras de assistência social e este parque, no qual incluíram alusões às maravilhas que encontraram nas suas viagens à volta do Mundo, isto para além de várias lições sobre os aspectos do quotidiano.

Entre as referências à pirâmide de Quéops, ao canal do Panamá ou ainda a reconstituição de uma gruta, com estalactites e estalagmites, é possível encontrar esta curiosa árvore genealógica do Capital:

Vendo associados ao Capital, termos como "constancia", "ahorro", "firmeza", "honor", "economia", "trabajo", "orden", "prevision", "entendimento", "voluntad", "caracter" e "rectitud", leva-nos a colocar a questão: Serão os nossos governantes demasiado evoluídos ou estes irmãos García Naveira é que eram mesmo do século passado?

sexta-feira, maio 06, 2011

Pelos Pirinéus VI - Incursão às Spoulgas de Bouan, contra manadas de vacas francesas

Último dia: De Norrat às Spoulgas de Bouan

Já há alguns anos, desde que pela primeira vez visitei a região e li alguma coisa sobre o património e a história da mesma, que queria visitar as Spoulgas de Bouan. As spoulgas, da deturpação em língua occitana do latim spelunca, significando gruta ou caverna, são grutas que foram fortificadas durante a Idade Média, para controlar o território com fortificações de baixo custo, comparativamente ao custo de construção de castelos. A sua utilização situa-se entre o século XII e o século XIII.

As da aldeia de Bouan, no vale do Ariége, rio que dá o nome a este departamento francês, são as que se encontram em melhor estado de conservação no país, e graças aos maciços calcários que ladeiam o vale, permitiam o controlo da histórica via comercial que ligava a região da Catalunha à região de Toulouse.

Assim, o percurso escolhido partia da aldeia aldeia de Norrat, na comuna de Miglos, famosa pelo seu castelo, passando pelo Col de Larnat, a 1194m de altitude. Ao contrário das anteriores, a maior subida viria a ser feita no regresso.

Fonte: Geoportail. A azul, os percursos alternativos / atalhos.


O início do percurso, na aldeia de Norrat:


O cenário era mais uma vez lindíssimo, já que o trilho subia por uma densa floresta. Contudo, a partir de certa altura, certos... indícios no trilho e um inconfundível... aroma, deixavam adivinhar que ia em breve ter um encontro com algumas criaturas comuns pelas redondezas.

E eis que elas apareceram! Uma manada de 2 ou 3 dezenas de vacas a pastarem em pleno trilho! De repente senti-me um intruso quando todas elas pararam de pastar e ficaram a olhar-me fixamente. Confesso, e não querendo fazer qualquer analogia pejorativa mas tão somente comparando sentimentos, que já não me sentia tão inconveniente e tão intruso desde que há uns anos atrás entrei num café em Salamanca e descobri que todo ele estava preenchido por senhoras idosas vestindo casacos de pele, sendo que muitas delas pararam de conversar e bebericar para me olharem fixamente. Eis aqui três bonitos exemplares que se encontravam mais a descoberto (não falo das senhoras de Salamanca mas sim das vacas do trilho entre Norrat e Bouan):

Assim, por uma questão de precaução motivada até pelo meu desconhecimento em termos de temperamento de gado bovino de além Pirinéus, optei por continuar pelo caminho florestal que ali ao lado fazia uma curva, embora me prolongasse um pouco o caminho. O insólito voltou a manifestar-se mais à frente na forma de um sinal de perigo a alertar-me para a aproximação de uma passagem canadiana.


... que mais não é que uma grelha colocada no chão para impedir o trânsito de gado numa abertura da cerca. O canadiano é de facto um indivíduo que consegue ter boas ideias. O pior foi mesmo o aroma de natureza morta de origem intestinal bovina que por ali se fazia sentir ...


Ultrapassada a zona que deveria estar interditada por ameaça à saúde pública, para além da passagem canadiana, não tardou muito para que chegasse finalmente à passagem de Larnat. Pausa para respirar, beber água e fotografar.


Um olhar para trás, para o vale do Vicdessos...

... e para a frente para o Vale do rio Ariège que, para a direita, leva a Pas de la Casa, em Andorra. O meu destino era mesmo chegar ao fundo do vale, a Bouan, depois de passar pela pequena aldeia de Larnat a meia encosta.


Bouan é uma aldeia muito pacata onde abundam duas coisas: o verde e a água. O silêncio é apenas quebrado na parte mais baixa da povoação pelo som abafado do trânsito que circula na RN20, que se estende paralelamente ao rio.


Chegando finalmente junto à base do maciço calcário no qual se encontram as Spoulgas , fui obrigado a enveredar por (mais) uma passagem anti-gado para ter acesso ao trilho, algo mal conservado, que me levaria às grutas.

... não sem antes ceder passagem a mais uma manada que, pelos vistos se sentiu incomodada pela minha presença e decidiu ir dedicar-se ao pasto em zona mais afastada.

Para minha surpresa, após enveredar pelo trilho, dei de caras com um bezerro que havia ficado para trás e me encarava, provavelmente com a mesma inquietação que me apoquentou quando olhei para a direita e vi aquela que seria provavelmente a mãe do dito bicho, correndo na minha direcção, vinda do prado. Após um primeiro pensamento que foi "Ainda bem que trouxe pensos rápidos!", decidi que seria mais produtivo e saudável tentar convencer o bezerro a poupar trabalho à mãe e consegui, após algum esforço, que ele encontrasse uma saída do trilho que o levasse também ao prado. Finalmente juntos, bezerro e mãe decidiram ignorar-me e juntar-se ao resto da manada... para meu alívio.

Com caminho livre, prossegui em frente e, cerca de 15 minutos depois cheguei finalmente aos primeiros vestígios de fortificação. Uma entrada que deveria integrar-se numa primeira muralha que provavelmente cercaria as Spoulgas.

Mais à frente, na parede rochosa, era possível distinguir arranques e derrubes de muralhas. Fica a ideia de que as grutas seria apenas a parte mais recuada de um sistema defensivo relativamente importante.

A algumas dezenas de metros, finalmente cheguei à Spoulga mais importante. Originalmente teria dois muros defensivos, o primeiro, altíssimo, do qual ainda se vêem vestígios à esquerda e que fecharia a base, e um outro que se encontra em excelente estado de conservação, com os merlões (o nome dos elementos do "recorte" que vemos no topo das muralhas) ainda bem visíveis.

A ocasião era boa demais para desperdiçar a oportunidade de praticar geocaching, visto que nesta Spoulga se encontra uma geocache. Sabendo, pelas pistas que esta se encontrava numa plataforma junto à muralha superior, foi necessário entrar na gruta e depois trepar por uma passagem de cerca de 5 metros até à plataforma. Ultrapassadas as vertigens, a busca terminou com sucesso e com o meu primeiro registo numa geocache francesa!

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