domingo, dezembro 18, 2011

Morreu Václav Havel - Deste sim, vou sentir saudades..

Václav Havel, 1936-2011
"A verdade e o amor devem prevalecer sobre as mentiras e o ódio"

Este fim de semana fica marcado pela morte de duas personalidades relevantes de duas esferas completamente diferentes. Se no caso de Cesária Évora, apesar de não ser um apreciador muito entusiasta do seu estilo musical, não pude deixar de sentir uma certa sensação de perda, já no caso de Václav Havel essa sensação de perda é muito maior.

Homem das artes, eminente humanista, político por força das circunstâncias, Václav Havel entrou no meu imaginário quando, durante o final da década de 1980, acompanhei entusiasticamente as convulsões que foram derrubando um a um os governos dos estados satélites da URSS na Europa de Leste e cujo clímax simbólico foi a queda do Muro de Berlim em Novembro de 1989. Isto numa altura da minha vida em que eu próprio atravessava uma revolução, travando uma guerra sem quartel contra o acne e empreendendo uma profunda revisão da minha apreciação pessoal dos membros do sexo oposto.

Livre pensador, Havel foi considerado dissidente pelo regime fantoche que governava a Checoslováquia, o que lhe valeu sucessivas passagens pela prisão. No entanto, apesar da perseguição que lhe foi movida, Havel nunca deixou de defender a resistência pacífica, à semelhança do que fizera Ghandi na Índia. As suas ideias teriam a melhor expressão possível na Revolução de Veludo na qual, de forma extraordinária, a população checoslovaca saiu à rua e paralisou o país de forma pacífica, levando à queda do governo e à instauração de um regime democrático. Havel seria pouco depois eleito Presidente por unanimidade, apesar de ter afirmado que não ambicionava uma carreira política. Como ele próprio disse:

"A política é um animal que quando nos agarra, já não nos larga (...) Sinto uma necessidade permanente de suportar uma parte da responsabilidade das causas públicas. Foi por isso que me tornei dissidente e depois me lancei na política. Tenho medo de não me conseguir livrar das garras deste animal mesmo quando deixar de ser presidente".

Após deixar a presidência, acabaria por se fixar durante algum tempo em Portugal, onde aliás gostava de passar as suas férias.

Faleceu hoje na sua terra natal e tornou-se finalmente um "homem livre".


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