sábado, julho 31, 2010

Férias 2010, Parte 5 - As Salinas Reais de Arc-et-Senans

As Salinas Reais de Arc-et-Senans, classificadas pela UNESCO como Património da Humanidade, são o que resta de uma actividade industrial que aqui teve o seu expoente máximo nos séculos XVIII e XIX: a exploração do sal.

A concepção deste edifício em 1773 deve-se ao génio de Claude-Nicholas Ledoux, um arquitecto então com 37 anos, extremamente revolucionário para a época que chegou a ser o favorito do rei. Baseou-se no seu projecto utópico de "Cidade Ideal", uma cidade industrial onde, no centro, ficaria a casa do director, ladeando esta ficariam os edifícios de produção e, dispostos em círculo, os edifícios residenciais dos trabalhadores, com um espaço para os seus quintais. Idealmente, na periferia, situar-se-iam os edifícios para os diversos serviços de que uma cidade precisa mas, neste caso e por falta de verbas, apenas conseguiu implementar o que actualmente é visível.



O Sal era extraído de uma fonte salina, situada a 23km dali na localidade de Salins-les-Bains, actualmente uma vila famosa pelas suas termas. A água era aí aquecida para aumentar o grau de concentração de sal e injectada num sistema de canalização feito de troncos de árvore ocos que faziam chegar a salmoura a Arc-et-Senans.

A salmoura era depois aquecida em grandes recipientes metálicos para evaporar o resto da água e o sal era depois retirado e ensacado ou, como era comum, moldado em "pães de sal". Esta indústria era extremamente proveitosa para o estado devido à famosa "gabelle", um imposto sobre o sal extremamente impopular e injusto que levou inclusive a várias revoltas sociais.

As Salinas acabariam por fechar portas em 1895 devido à concorrência de fontes mais rentáveis de exploração de sal, tendo sido abandonadas. Acabaram em ruínas, pelo tempo mas também devido a um incêndio e a um relâmpago que destruíram a casa do director.


Na década de 1930 começou a ser restaurada mas acabaria por ser usada como campo de internamento para refugiados da Guerra Civil espanhola e, mais tarde, foi ocupada pelas tropas francesas e depois pelas alemãs, durante a II Guerra Mundial.

Classificadas como património Mundial em 1982, as Salinas acabariam por se tornar um Centro Cultural, sendo hoje visitáveis. Possuem várias exposições permanentes (a casa Ledoux e o museu do Sal,...) e temporárias (actualmente sobre o pintor Courbet e o projecto Solar Impulse)

É ainda palco de diversos eventos musicais e teatrais.

O espaço das hortas é actualmente usado para instalação temporária de jardins, fruto da criatividade de diversos arquitectos paisagistas.

Jardim, "As proezas de Gargantua"


Jardim "de Outra Parte"


Jardim de Alice


Jardim Zen


Foto aérea das Salinas: Nuit-Bleue

sexta-feira, julho 30, 2010

Férias 2010, Parte 4 - Erótico e abençoado

Willkommen in Deutschland!

quinta-feira, julho 29, 2010

Férias 2010, Parte 3 - O arcebispo defunto pouco católico

Num passeio pedestre pela cidade de Besançon, cidade que será alvo de dois artigos a lançar em breve, fomos parar à Catedral de Saint-Jean. Lá dentro, encontrámos um cenário todo ele muito interessante mas, na retina e dos vários que por lá se encontravam, retivemos um túmulo em particular.

Tratava-se, vim a saber depois, do túmulo de Ferry Carondelet, arcebispo de Besançon epessoa influente junto do Papa Júlio II e da corte imperial austríaca nos séculos XV e XVI.


Em primeiro lugar, o que saltou à vista foi o estilo peculiar de um conceito inovador em termos de arquitectura tumular: o túmulo beliche. Assim, na "cama" de cima (aquela cama que toda a gente quer mas que só os fisicamente mais persuasivos conseguem), encontramos Ferry Carondelet, confortavelmente refastelado e, quiçá até, com um certo ar de aborrecimento como se estivesse algo enfadado pela demora da chegada do Dia do Juízo Final.

Por baixo, encontra-se uma figura masculina semi-desnudada, que não consegui identificar. Parece tratar-se de Jesus Cristo mas sem qualquer certezas. Num puro exercício de suposição, arrisco-me a dizer que, o seu estado de inércia, aparentemente inconsciente, poderá ter resultado da refrega ocorrida durante a disputa dos lugares no túmulo-beliche.

Contudo, um pormenor que mais me surpreendeu foi o que se encontra retratado no instantâneo que se segue...


A sua interpretação fica ao critério da imaginação de cada um...

terça-feira, julho 27, 2010

Férias 2010, Parte 2 - Pela beleza do Périgord Noir

O dia começou cedo em Montignac, com a despedida do hotel onde ficámos alojados, o "Le P'tit Monde". Trata-se de um hotel pequeno e acolhedor, limpo e asseado, onde o principal problema poderá ser apenas o facto de se encontrar numa das ruas principais da localidade e os vidros duplos não abafarem tudo. Apesar de tudo, para quem não se deita cedo, esta pode ser uma boa opção de alojamento... desde que não se enganem na porta de entrada.

Depois de um renovado pedido de desculpas (pelo menos esta parte do vocabulário foi bastante praticada), verificámos que a proprietária não só já estava bem disposta como, ainda por cima, se dava ao luxo de fazer comentários jocosos elogiando a sua destreza e rapidez ao dizer que "havia sido mais rápida que um bombeiro pois, em poucos minutos, havia saltado da cama, vestido a roupa e feito um brushing antes de descer".


O Hotel "Le P'tit Monde"

A etapa que se seguiu era uma aspiração de longa data (desde pelo menos os anos 1980) a partir do momento em que li um artigo sobre a sua descoberta. Saímos pois em direcção à Gruta de Lascaux (Mais propriamente Lascaux II. Adiante explicarei porquê)!

Obra-prima da arte rupestre parietal, o local foi descoberto em 1940 por um grupo de jovens que caminhava pela floresta com o seu cão. Este, ao entrar num buraco, ficou preso nalgumas raízes pelo que teve de ser libertado pelo seu dono com a ajuda dos amigos. Ao cavar, estes verificaram que as pedras começavam a cair e produziam um som de eco. Sabendo de antemão, por ser uma descoberta frequente na zona, que se poderia tratar de uma gruta, voltaram mais tarde munidos de lanternas e desceram ao longo da pequena abertura até uma enorme sala. Caminhando com os olhos no chão, só vários metros depois decidiram apontar o foco das lanternas para o tecto e, acto contínuo, depararam-se com um desfilar assombroso de touros, cavalos e veados desenhados a três cores.

A bilheteira de Lascaux II

Conhecida a descoberta, aqui afluíram vários especialistas para estudar as pinturas e gravuras (aos milhares) que se espalhavam pelas várias galerias da gruta. Feitos os estudos preliminares necessários, decidiu-se preparar a gruta para a abrir ao público, algo que viria a suceder em 1948.

Sendo proibido fotografar o interior da Gruta de Lascaux II, aqui fica uma foto da National Geographic para terem uma ideia do fantástico cenário que se encontra no seu interior.


Infelizmente, o seu sucesso viria a ser o seu maior inimigo e, em 1960, as pinturas começaram a mostrar os primeiros sinais de degradação, devido à exposição ao ar com elevado teor de oxigénio que a abertura da entrada e o sistema de renovação atmosférica provocaram e também devido ao aumento de temperatura e humidade provocado pela presença em massa de visitantes.

Para salvar as gravuras foi necessário fechar de novo a gruta em 1963 mas depressa se começou a projectar uma forma de permitir que as gravuras fossem visitadas pelo público.

A solução acabou por ser a construção de um fac-simile a 200 metros da original, que reproduzisse na perfeição o ambiente e as pinturas da gruta original. Este fac-simile, Lascaux II, acabaria por abrir ao público em 1982, 11 anos depois de ter sido começado. Nele foram reproduzidas apenas duas salas, a grande Sala dos Touros e o Divertículo Axial (um nome mais pomposo para a sala onde a gruta se divide em dois corredores). Ainda assim, aqui estão representados 90% das pinturas de Lascaux.

Entrada das visitas para Lascaux II

A visita começa por duas antecâmaras musealizadas, nas quais é explicado o contexto da gruta e da sua descoberta, assim como as técnicas que foram empregues há 17.000 anos atrás para a realização das pinturas e gravuras. Passa-se depois à visita do espaço onde a gruta foi recriada ao mais ínfimo pormenor.

Ao longo da visita, num ambiente completamente irreal, um guia vai explicando todos os pormenores e descrevendo todas as cenas. É impossível sair de Lascaux sem mudar a nossa forma de encarar os nossos antepassados do Paleolítico Superior. É simplesmente fabuloso!

A saída das visitas. No solo percebe-se parte da imagem que a planta do sítio desenha e que poderá ser visto do ar: um enorme touro (Vê-se um de dois cornos representados por metal, a cabeça representada pelo cimento do piso e das escadas e, na esquerda, a extremidade do focinho representada por secções de troncos de árvore).

Caso tenham curiosidade em saber mais, não percam a visita virtual de Lascaux, clicando aqui.


Antes de partir, houve ainda tempo para um curto regresso a Montignac, para dar uma volta à luz do dia pela povoação. As impressões da véspera não foram defraudadas e Montignac é realmente uma povoação muito interessante, destacando-se no meio do casario antigo o seu castelo e a igreja.



Nas ruas ainda se encontravam as decorações de uma das mais importante festas de celebração da cultura Occitana, difundida no Sul de França, onde se situa a Nação Occitana (embora a língua occitana, a Língua de Oc, não seja ensinada nas escolas). Esta festa, a Félibrée, realiza-se desde 1913 e esta foi apenas a 4ª vez que foi realizada em Montignac, razão pela qual a população se esmerou com afinco na organização e nas decorações.




Partir sabendo tudo o que haveria ainda para ver na região do Périgord e tendo visto apenas Montignac e Lascaux foi como passar o dedo pela cobertura de um enorme e apetitoso bolo de chocolate e, logo a seguir ter de fugir porque, apesar de termos a fome acirrada por uma gulodice extrema, o pasteleiro ter surgido a correr na nossa direcção com as suas más intenções expressas no rolo da massa que brandia na sua mão direita. Infelizmente teve de ser pois um compromisso nos esperava a quase 600km dali.

Ainda assim, houve ainda tempo para nos deliciarmos, a poucos quilómetros dali, com a paisagem da cidade de Terrasson, caracterizada pela sua persistente ponte medieval.



Depois de um café tomado deliciosamente e em perfeita tranquilidade numa esplanada junto ao espelho de água ainda do Rio Vézère, houve tempo para subir até à dominante abadia, através de uma escadaria de acesso às muralhas. A vista e o casario impressionaram, tal como a abundância e o excelente estado de jardins existentes no centro histórico.





Junto à abadia, fomos surpreendidos por um simpático transeunte que, apesar de estar já em nítida idade adulta, transportava consigo de forma despudorada e com evidente empatia, um ursinho de peluche de estimação.


Fizemo-nos depois novamente à estrada em direcção à região da Franche-Comté embora com a imagem persistente do bolo de chocolate no nosso espírito...

(Continua)

Foto de Lascaux: National Geographic

segunda-feira, julho 26, 2010

Férias 2010 - De Vilar Formoso a Montignac

Finalmente chegaram as férias e com elas a tão aguardada viagem até França. Depois de uma noite de azáfama para os últimos preparativos, a partida aconteceu às primeiras horas do dia. Inevitavelmente, cumprindo uma tradição de longa data, a primeira paragem ocorreu em Vilar Formoso para um último e retemperador café "a sério". Isto porque, em boa verdade, do outro lado da fronteira, ao contrário do combustível que é igual mas mais barato, o café é mais caro e muito mais fraquinho. Creio que se trata de algum tipo de piada espanhola cujo sentido me escapa ainda.

Se há local em Vilar Formoso que vale a pena visitar, mesmo que apenas de passagem, é sem dúvida a estação de caminhos de ferro. Trata-se de uma estação carregada de História, por onde incontáveis pessoas passaram com uma bagagem feita de esperança.

A belíssima estação de CF de Vilar Formoso.

Tanto no exterior como no interior, inclusive nas casas de banho, as paredes encontram-se revestidas de belíssimos painéis de azulejos que constituem um verdadeiro catálogo daquilo que é Portugal, desde os monumentos às localidades, passando pelas tradições. Se passarem por Vilar Formoso, dediquem alguns minutos à estação de caminhos de ferro. Vale a pena.



200 km mais à frente chega a próxima paragem: Tordesilhas. Nesta pequena cidade espanhola das margens do rio Douro, teve lugar em 1494 o tratado com o mesmo nome pelo qual Portugal e Espanha dividiram o Mundo entre si. Se hoje em dia pode parecer ridícula a ideia de ter Portugal e Espanha a dividir o Mundo entre si (Olivença não conta porque apenas é uma cidade minúscula que só é importante porque constitui um bom pretexto para pisar os calos ao vizinho), o facto é que, naquela época, Portugal e Espanha eram as duas super potências de então e advogavam-se esse direito.

Plaza Mayor de Tordesilhas

Tendo um centro histórico interessante, sem ser extraordinário, um dos seus maiores pontos de interesse são justamente as Casas do Tratado, dois palácios geminados no mais antigo dos quais terá tido lugar o intenso debate e a assinatura do Tratado de Tordesilhas.

As Casas do Tratado

Nos palácios situam-se hoje o posto de informação turística, assim como diversas exposições e o Museu do Tratado. Este evoca a memória do Mundo antes do Tratado, a Viagem de Colombo e todas as diligências e manobras diplomáticas que deram lugar a esse histórico encontro de 7 de Junho de 1494.

Compasso de Navegação, um de muitos instrumentos em exposição no Museu do Tratado.

Em paralelo às negociações centrais do Tratado de Tordesilhas decorreram também negociações para procurar normalizar as relações entre os dois países que haviam estado em guerra até 1479, guerra essa que culminara na assinatura do Tratado de Alcáçovas. Em Tordesilhas, foram feitos acertos de questões ainda em aberto, sendo uma das mais importantes o reconhecimento por parte de Castela de D. João II como Rei de Portugal.


Documento de reconhecimento de D. João II como Rei de Portugal

Em 2007, por sugestão da Espanha e Portugal, o Tratado de Tordesilhas foi incluído no Registo da Memória do Mundo, o programa da UNESCO que visa a preservação e a disseminação de documentação e livros valiosos em todo o Mundo.

A título de curiosidade, refira-se que parece não haver em Tordesilhas limite mínimo de idade para a prática da condução de veículos automóveis. Digo isto depois de ter avistado uma carrinha estilo Ford Transit em nítidas dificuldades mecânicas que, no centro da cidade, estava a ser empurrada por um grupo de crianças juntamente com o seu pai, e tendo ao volante um condutor que deveria ter cerca de 8 anos.

A viagem continuou depois pela paisagem árida do centro de Espanha, passando junto à auto-route de Burgos, celebrizada por Jerónimo e os Cro-Magnon, até à entrada em França pela fronteira de Behobie, pela antiga ponte. Aí, a Espanha fez questão de organizar um comité de despedida constituído por diversos agentes da polícia munidos de metralhadoras e ainda equipados com um dispositivo de perfuração de pneus.

Já em França, um pequeno susto: o primeiro posto de abastecimento de combustíveis indicava que o preço praticado por litro de gasóleo era de 1,50 €/l, facto que provocou alguma inquietação na comitiva pela perspectiva de apenas poder ter baguetes como alimentação para o resto da viagem. Contudo, mais à frente desfizeram-se as dúvidas com a constatação de que o preço geralmente praticado por litro de gasóleo era substancialmente mais baixo e de que o preço anterior apenas seria uma questão de orgulho.

Montignac, na margem direita do Rio Vezére

Já perto da meia-noite, chegámos finalmente ao nosso objectivo do dia: a povoação de Montignac em plena região do Périgord Noir, onde iríamos ficar instalados num pequeno hotel.

Avisadamente, prevendo a hora tardia da chegada e sabendo que não haveria ninguém na recepção do hotel, telefonámos antes para nos serem dadas as instruções essenciais para a nossa entrada no hotel, isto é, o nosso número de quarto e o código numérico que deveríamos digitar no teclado no exterior da porta do hotel para podermos entrar.

Descontraidamente, já à porta do hotel que se encontrava mergulhado na escuridão, digitámos o código e... nada aconteceu. Voltámos a digitar e experimentámos a mesma sensação de silêncio. Cerca de uma dúzia de tentativas infrutíferas depois, já com a bem presente ideia assustadora de que os bancos do carro não são rebatíveis, decidimos finalmente telefonar para a proprietária que, após alguma insistência, acabou por atender com uma inconfundível voz de quem acabara de acordar e não estava muito contente por isso.

Informada do que se passava e confirmando que tínhamos o código correcto, decidiu levantar-se, vestir-se e vir à porta para nos deixar entrar. Pouco depois, a porta do hotel abriu-se e a senhora deu de cara connosco algo confusa... "Mas... a porta não é esta! Vocês experimentaram a porta do lado?". Creio que tudo o que conseguimos responder foi "Porta do lado?? Qual porta do... Ah! Aquela...!" enquanto, como que surgida por magia, avistávamos uma porta junto à qual se destacava um reluzente teclado numérico.

Depois de finalmente instalados, não sem antes praticarmos o nosso léxico de expressões francesas de pedidos de desculpa, tivemos tempo ainda para sair (não sem antes testarmos novamente o código de abertura da porta, pois claro) para percorrer as ruas quase silenciosas de Montignac, ruas essas que ainda ostentavam as decorações de uma recente festa de inspiração Occitana.

(continua)

quarta-feira, julho 21, 2010

O Profeta Extraterrestre de Arganil - Porque vale a pena rever os estatutos

Apenas ontem descobri esta verdadeira pérola da "vídeosfera" que, pelos vistos, tem andado nas bocas do ciberespaço!

O Paulo pode parecer apenas um modesto estucador mas, na verdade, este cidadão de Arganil é o portador da mensagem dos nossos pais extraterrestres para nos recordar da importância dos estatutos dados a Moisés e, se necessário, o próprio Arcanjo Miguel consegue usar o corpo do Paulo como uma espécie de telemóvel para nos falar directamente com uma voz que evoca os anúncios publicitários da Mebocaína. Entretanto, o Paulo também nos diz que um dia o Mundo ficará livre de impostos...

Sim, eu sei. Esta última ideia não faz sentido nenhum.

Entretanto, pelo sim, pelo não, vou dar uma revisão nos estatutos.



O Vídeo Original: Paulo o Profeta Extraterrestre de Arganil


O Profeta Extraterrestre entrevistado por Bruno Nogueira no Lado B.

Agradeço à Daniela Duarte pela dica. ;)

terça-feira, julho 20, 2010

segunda-feira, julho 19, 2010

A tribo dos "Matrículas Esquisitas"


Esta manhã percebi, no trânsito automóvel, os primeiros sinais da iminência do mês de Agosto. Para além do já perceptível aumento da intensidade desse trânsito automóvel, fui obrigado, quando circulava dentro de uma rotunda, a quase imobilizar-me por causa de um indivíduo que entrou (e aqui ajusta-se plenamente a expressão) à grande e à francesa no "rond point".

Não quero com isto dizer que, no geral, esta tribo dos "Matrículas Esquisitas" não seja bem-vinda, pelo contrário, mas... continuo sem perceber por que diabos persistem em fazer uma interpretação tão particular do Código da Estrada, atitude que os leva por exemplo, a apropriarem-se das belas calçadas dos nossos passeios para efeitos de parqueamento automóvel. Sim, exactamente essas mesmas calçadas que nós, indígenas, passámos um ano inteiro a respeitar sempre sob o beneplácito das autoridades locais e, no caso da capital, da EMEL.

Sinceramente, desconheço se este desgoverno terá algo a ver com aquele rumor segundo o qual esta hoste, que qual salmão regressa sazonalmente ao seu local de origem, baseia a sua experiência de condução no período que por cá passa... mas que é aborrecido isso é, e até o pode ser para ambas as partes.
A exemplo disso, recordo uma situação que presenciei há uns anos atrás. Uma jovem senhora francófona regressava ao seu veículo que havia estacionado com a mestria necessária de forma a ocupar toda a largura de um passeio. No entanto, quiçá movido por um sentimento vindicativo, um outro condutor (este um indígena) estacionara o seu veículo em concordância com o Código da Estrada de forma paralela ao passeio, fechando com isto a saída ao carro da dita senhora.


Revoltada, a senhora não conseguiu evitar exclamar para quem a quisesse ouvir "P#####! Ces portugais se garent n'importe où!", isto é, traduzindo para português, "Ora bolas, que maçada. Estes portugueses estacionam cá em cada sítio...!"

domingo, julho 18, 2010

Foguetes: o peido colectivo do povo

Ontem, enquanto perscrutávamos o céu nocturno através da lente de um telescópio que, entre constelações várias, permitiu uma visão inédita das crateras lunares e um fabuloso "pôr-da-lua" atrás de uma linha negra recortada pelos pinheiros no horizonte, distinguiram-se ao longe os inconfundíveis clarões provocados pela explosão de foguetes.

É-me difícil compreender como é que, perante a realidade que todos conhecemos, ainda haja quem acredite piamente que os acidentes são apenas ocorrências infelizes da exclusiva responsabilidade da inépcia alheia, achando-se eles donos de uma destreza a toda a prova que impede qualquer deslize.

Por coincidência, num momento de leitura, descobri a páginas tantas uma passagem dedicada a este tema.

Aqui fica esse trecho, dedicado a todos aqueles que, apesar de estarmos em época de incêndios e apesar de todos os avisos e proibições, persistem no seu comportamento irresponsável e criminoso:

As minhas férias, na sua parte mais agradável, foram preenchidas com longos passeios a pé nos arredores de Giestal. Eu tinha fome de verde, fome de ouvir os ruídos do campo e o vento a passar nas agulhas dos pinheiros. Queria cheirar a resina e o perfume áspero das ervas e flores cujos nomes nunca me foram ensinados ou já esqueci.

Como era de esperar, sendo Verão, estas actividades bucólicas foram seriamente perturbadas pelos foguetes, que abafaram consideravelmente os ruídos do campo e do vento a passar nas agulhas dos pinheiros. O Verão em Portugal é a estação dos foguetes e não venham dizer-me que se trata de uma tradição milenar do nosso povo porque é mentira. Há mil anos não havia sequer pólvora na Europa.

Os foguetes não são uma tradição do povo, os foguetes são os peidos colectivos do povo. E, o que é pior, são peidos incendiários. Enquanto estive em Giestal, houve cinco fogos florestais, dois deles provocados pelo foguetório.

sexta-feira, julho 16, 2010

Porque há coisas que fazem mais falta que a electricidade...


Uma das características incontornáveis do ser humano é esta peculiar tendência de só ter noção da real importância que determinadas coisas têm para si apenas quando se vê privado delas. Ontem, mais uma vez, passei por uma situação desse género quando, em simultâneo, ficámos privados de telefone e internet.

Evidentemente, os primeiros pensamentos que nos ocorrem são algo patetas como por exemplo: "Ora bolas... como é que eu trabalho agora? Olha, vou ler os mails. ... * constatação de patetice *", isto enquanto procuramos ajustar a nossa mente a uma realidade completamente anormal onde nada parece fazer sentido.

Com isto, veio-me à memória aquela senhora idosa de uma aldeia remota que, há uns anos atrás, falando a uma repórter de um canal televisivo sobre o tema da importância da televisão como meio privilegiado de entretenimento dizia "A televisão faz-me muita falta. Olhe, sei lá... Acho que preferia ficar sem electricidade do que ficar sem televisão."

Imagem tirada ali do Na Travessia da Prosa

quinta-feira, julho 15, 2010

Um anúncio em 1910. Publicidade ou preconceito?

De um exemplar da revista "Ilustração Portugueza" nº251 de 12 de Dezembro de 1910, exemplar que me foi gentilmente cedido pelo Sr. João Barroca a quem agradeço, extraí uma série de pequenos anúncios simplesmente deliciosos que aqui vou colocar.

Começo por este interessante recorte relativo a um anúncio publicitário de faróis para automóveis, os famosíssimos "pharoes B.R.C. alpha" que consegue deixar no ar a subtil ideia de que a publicidade, desde então, sofreu uma certa evolução nos meios e na criatividade.

No entanto, não parece haver aqui também implícito um certo preconceito materializado na figura do "chaffeur" (presumo que quisessem dizer "chauffeur")?

terça-feira, julho 13, 2010

E que tal umas férias na Coreia do Norte?


Numa altura do ano que para muitos é de férias, deixo aqui uma interessante sugestão para destino de férias que promete emoção num ambiente invulgar e misterioso mas com a garantia de total mordomia no acolhimento: a Coreia do Norte ou, melhor dizendo, a República Popular Democrática da Coreia.

Da República Popular Democrática da Coreia pouco sabemos para além do facto de se tratar de um país de gente multifacetada e polivalente, capaz por exemplo de participar como animadora num Campeonato do Mundo de futebol para, logo a seguir, ir de pronto prestar serviço de colaboração no sector de extracção mineira de carvão.


A ideia da República Popular Democrática da Coreia ser um país fechado sobre si mesmo e com profunda aversão a estrangeiros poderia deixar antever um país vedado também ao turismo mas, o que é facto, é que a República Popular Democrática da Coreia tem um sólido e extremamente atractivo circuito turístico e tudo aquilo que o turista pode querer... desde que seja um fã acérrimo de visitas guiadas.

É possível, duas ou três vezes por ano, empreender aquilo que as autoridades daquele país asiático denominam de "visita turística cultural" na qual os participantes "deverão interagir e comportar-se adequadamente". Esqueçam o conceito do turista itinerante solitário de mochila às costas. Estas visitas apenas são possíveis em grupos máximos de 20 e toda e qualquer outra modalidade não é permitida. Jornalistas, produtores de cinema ou pessoas relacionadas com os media não são permitidas, apesar de, por outro lado, todas as nacionalidades poderem participar. Bom, todas talvez não, uma vez que os portadores de passaporte japonês ou sul-coreano estão limitados devido a "protocolos especiais de relações bilaterais" e os portadores de passaporte estado-unidense estão "abrangidos por condições especiais".



A visita, com duração de 10 dias, tem um custo de inscrição de 2050 euros, mais 440 euros pela viagem de ida e volta entre Pequim e Pyongyang. A viagem até Pequim é da total responsabilidade do participante na iniciativa, assim como eventuais seguros que o mesmo queira fazer e as necessárias formalidades de requisição de duplo visto de entrada e saída na China.



Já na República Popular Democrática da Coreia, os visitantes ficam hospedados num hotel de 3 estrelas e são obrigatoriamente e constantemente acompanhadas por guias locais. O roteiro pré-concebido inclui visitas a monumentos, museus, a um posto de observação junto à zona desmilitarizada do paralelo 38, edifícios governamentais, jardins de infância, escolas, hospitais, explorações agrícolas colectivas, casas privadas, fábricas, entre outros. Há ainda a oportunidade de tomar parte em encontros oficiais e de assistir a espectáculos de ginástica com 100.000 figurantes.


Se o roaming poderia eventualmente ser uma fonte de preocupação, o governo local encarrega-se de tranquilizar os visitantes resolvendo a questão da forma mais simples: os telemóveis não são permitidos, assim como as câmaras de vídeo, aparelhos de GPS e qualquer dispositivo de comunicação sem fios. Uma excelente medida que permite que os visitantes deixem realmente as preocupações para trás e aproveitem ao máximo a visita... mas desde que se portem bem. Caso contrário serão alvos de processos "de acordo com a legislação em vigor nos respectivos países".

Fotografias e informações: Associação de Amizade Coreana (KFA)

PS - No site da KFA é também possível conhecer algumas medidas para cativar investimento estrangeiro para a República Popular Democrática da Coreia. Um dos argumentos usados é "o mais baixo custo de mão-de-obra na Ásia". Fica pois a dúvida: foram os norte-coreanos que plagiaram a argumentação do Manuel Pinho ou foi o Manuel Pinho que plagiou a argumentação dos norte-coreanos?

sexta-feira, julho 09, 2010

Mundial 2010 - Previsão de Resultados

Obtivemos, depois de muitas diligências, um caracol para adivinhar o resultado da final do Campeonato do Mundo, entre a Holanda e a Espanha, a ter lugar no próximo Domingo.

O caracol está em pleno processo de adivinhação há mais de duas horas. Na primeira hora ele parecia seguir em direcção à travessa de tapas mas na última hora parece ter começado a divergir para o bouquet de tulipas e marijuana. Esperamos poder dar mais detalhes em breve.

Imagem obtida em: Jogos e Brincadeiras
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