segunda-feira, abril 26, 2010

25 de Abril, 36 anos depois



"Só saberá o que é a liberdade no dia em que a perder"

Passados 36 anos desde a revolução dos cravos, sinto que a sociedade se vai distanciando progressivamente dos valores e do significado que teve o 25 de Abril para Portugal, e não apenas temporalmente. Salgueiro Maia, Zeca Afonso e Marcello Caetano são cada vez mais ilustres desconhecidos, enquanto Salazar -imagine-se!- consegue ser eleito o maior de todos os portugueses em concursos televisivos, ao mesmo tempo que vai sendo evocado como o remédio que curaria todos os problemas sociais se por obra e graça do Espírito Santo regressasse do túmulo.

E se em vez de um "novo Salazar", os pais assumissem a sua efectiva responsabilidade educativa na família em vez de a descartarem, as instituições fossem tão ávidas de rigor e de trabalho como são a premiar a incompetência e o Estado fomentasse realmente o trabalho e o progresso em vez de, como assistimos actualmente, permitir que haja cidadãos que se reformem aos 18 anos?

Durante quase 50 anos, a opressão silenciou as vozes dos descontentes, ao mesmo tempo que usava o desterro, a prisão e a morte como instrumentos primordiais para se perpetuar. Hoje, essas mesmas vozes são silenciadas pelo desprezo e pela ignorância de uma sociedade que vive do imediatismo e que considera a liberdade como algo tão naturalmente seu por direito, que não consegue conceber uma época em que esta era negada, nem o que foi preciso fazer para a recuperar. Assiste-se, por outro lado e com uma facilidade incrível, à subversão dos termos "liberdade" e "liberdade de expressão", frequentemente usados para descrever algo mais próximo da libertinagem e da falta de respeito pelo próximo. De fora ficam outros dois conceitos fundamentais e indissociáveis dos anteriores: a responsabilidade e o respeito pelo próximo.

Deste lado, vou continuar ano após ano a recordar e evocar a Revolução dos Cravos, vou continuar a arrepiar-me ao som de Grândola Vila Morena e, sem dúvida, continuarei a ser inteiramente grato aos Heróis de Abril que puseram fim à longa noite do silêncio e a transmitir esse sentimento aos que depois de mim vierem.

25 de Abril Sempre!

Arruada comemorativa do 25 de Abril no Fundão


Mais uma vez na noite de 24 para 25 de Abril, minutos antes da meia-noite, a população do Fundão convergiu para o Jardim Municipal, em frente à Câmara, saindo depois em arruada pelas ruas mais emblemáticas da cidade, ao som de "Grândola Vila Morena", este ano interpretado pela Banda Filarmónica de Silvares.

Esta é uma tradição que se repete anualmente e que mantém viva a gratidão para com os Heróis de Abril.

Aqui fica um vídeo feito em cima do joelho esquerdo para dar uma ideia do que é esta tradição:



domingo, abril 25, 2010

Parabéns Sãozinha!

A Sãozinha, a nossa libidinosa guru espiritual comemora hoje o seu aniversário cuja numeração ordinal foi mantida no segredo dos deuses. Para ela, com votos de amizade sincera e na graça do senhor (que fez a música) aqui fica para ela o Hino de Parabenização do Katano.

Parabéns Sãozinha!!!



quinta-feira, abril 22, 2010

quarta-feira, abril 21, 2010

Conímbriga em 3D - Viagem no tempo a três dimensões

Na minha costumeira visita ao meu rol de blogues de eleição, encontrei no Património Cultural, Sustentabilidade e Desenvolvimento esta espectacular reconstrução virtual da Cidade de Conímbriga, disponibilizada online pelo Italica Romana. Nela, é possível ver a cidade na sua máxima extensão, quando ainda não se tinha retraído para trás da 2ª muralha que, no vídeo ainda não existe e que hoje domina a paisagem no local. É possível ver o Anfiteatro, o aqueducto, as termas de Trajano, a Casa dos Repuxos, a Ínsula do Vaso Fálico, entre outras construções. Conseguem imaginar o trabalho que isto terá dado?

Aconselho uma visita ao Italica Romana para verem outras reconstruções virtuais de alguns edifícios emblemáticos de Conímbriga e de outros sítios arqueológicos, entre os quais Santiponce.

Estas reconstruções, sejam elas tridimensionais ou apenas bidimensionais, são instrumentos indispensáveis à interpretação dos sítios arqueológicos, vindo dar ao cidadão comum uma ideia completamente diferente dos "amontoados" de pedras e de peças em avulso que lhes são normalmente apresentados, quer nos sítios em causa, quer nos museus.

Este filme mudou ou não mudou a vossa ideia acerca de Conímbriga?

segunda-feira, abril 19, 2010

domingo, abril 18, 2010

Choque de Titãs - O mito de Perseu

A escolha cinematográfica de fim-de-semana do núcleo duro do Blog do Katano recaiu no recém-estreado "Choque de Titãs", isto numa escolha ditada por voto de maioria, após duras negociações.

Havia alguma curiosidade em ver este remake em 3D do já clássico "Choque de Titãs" de 1981 mas no final fiquei com a sensação de ter visto um filme que, sendo uma versão light do clássico, procurou compensar o excessivo aligeirar do argumento com efeitos especiais realmente bem conseguidos, é certo, mas que ainda assim não conseguem compensar tudo (e a qualidade da projecção também não ajudou os efeitos tridimensionais). Já agora, os filmes têm obrigatoriamente de passar em 3D?

Em dois aspectos ambas as versões de "Choque de Titãs" são convergentes. Uma é a deturpação (chamemos-lhe livre adaptação) do mito grego de Perseu, enquanto a outra é o misturar da mitologia grega com a mitologia persa (os Djinn) e com a mitologia nórdica (o Kraken).

Choque de Titãs, 2010


Choque de Titãs, 1981


O mito de Perseu

Perseu era de facto filho de Zeus mas, ao contrário do que acontece no filme, era neto e não o filho de Acrísio, rei de Argos, que, avisado por uma profecia que Perseu seria a causa da sua morte, fechou a criança e a sua mãe, Dánae, numa urna, lançando-a depois ao mar. Ambos acabaram por ser resgatados ilesos na ilha de Serifo.

Anos mais tarde, o rei da ilha incumbiu maliciosamente Perseu de lhe trazer a cabeça da Medusa. Para matar a Medusa, Perseu precisou de chegar ao Jardim das Hespérides onde as ninfas lhe forneceram armas prodigiosas: o capacete de Hades, que tornava o seu portador invisível, sandálias aladas para lhe permitir voar, um escudo espelhado e uma espada indestrutível, para além dum saco para transportar a cabeça da Medusa em segurança. Para chegar às Hespérides, Perseu teve de perguntar o caminho às três Greias, bruxas que partilhavam o mesmo olho e o mesmo dente.

Perseu conseguiu surpreender as Górgones (eram três) enquanto dormiam e cortou a cabeça da Medusa, conseguindo depois sair sem ser visto. No regresso, salvou providencialmente Andrómeda de um monstro marinho, casando depois com ela, e ainda petrificou o gigante Atlas com a cabeça da Medusa (adivinhem onde?).

Perseu, Andrómeda e o monstro marinho

Depois de ter também petrificado o rei da ilha de Serifo, voltou a Argos cidade onde se tornou rei e, anos mais tarde, cumpriu a profecia. Participando numa prova de lançamento do disco, atingiu acidentalmente o seu avô, matando-o instantaneamente.

Fonte: Dicionário de Mitologia Greco-Latina das Edições 70,
Fotografia: Wikipédia

sexta-feira, abril 16, 2010

Maria Cavaco Silva: Declaração ao mais alto nível acerca de um vulcãozinho numa pequeníssima ilha


Retida em Praga, na República Checa, juntamente com o o seu marido, o Presidente da República Portuguesa, Aníbal Cavaco Silva, e o resto da comitiva que se encontra de visita àquele país, por causa do vulcão islandês que paralisou meia Europa, Maria Cavaco Silva dissertou para a comunicação social sobre a situação.

Num curioso uso de palavras, a primeira dama referiu que o que estava a acontecer era no fundo a demonstração do conceito de "Aldeia Global", tendo em conta que "um vulcãozinho, que talvez não seja assim tão pequeno quanto isso, numa pequeníssima ilha" estava a afectar meia Europa.

Não querendo de forma alguma estar a ser picuinhas nem implicativo, esta declaração deixou-me contudo com a pulga atrás da orelha e fui verificar alguns dados geográficos tendo obtido os seguintes números:

Área total da Islândia: 103.000 km2
Área total de Portugal: 92.090 km2

Pelos vistos, mesmo que seja de forma inconsciente, nem a Presidência consegue ser imune a este vírus, tão português quanto irritante, de encarar o nosso país com um confrangedor sentimento de inferioridade.

Fico no entanto curioso... Como se referiria a Primeira-Dama ao Hawai se o vulcão aí estivesse situado? Será que resistiria a usar a piada do prefixo "nano-mini-micro"?

A libertação da Garça-Boieira

2 meses depois de ter sido encontrada e entregue ao CERAS - Centro de Estudos e Recuperação de Animais Selvagens em Castelo Branco, a Garça-Boieira foi finalmente devolvida à natureza.

No Centro foi tratada e alimentada, conseguindo recuperar de uma ferida provocada por um disparo, de uma luxação numa pata e tendo ainda sido desparasitada.

Recuperada e em forma, uma vez que pôde treinar o voo nas instalações do CERAS, a Garça-Boieira viajou pela última vez de carro (assim o esperamos) até ao Fundão, para ser libertada, não sem antes ter devorado um delicioso rato que, devido ao enjoo provocado pelos solavancos do carro, como se sabe um meio de transporte que faz pouco sucesso entre esta espécie, acabou por ser regurgitado.

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O local escolhido para a libertação foi um que lhe é familiar, onde a sua colónia habitualmente convive com uma colónia de cegonhas que não se mostraram muito satisfeitas pela intrusão, demonstrando ruidosamente a sua objecção.

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Com todos a postos, a Garça era mesmo quem demonstrava maior ansiedade e, assim que a gaiola de transporte foi aberta, não se fez rogada e logo levantou voo rumo à sua segunda vida.

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Indo pousar junto aos ninhos das cegonhas, pareceu olhar em volta com ar confuso como se perguntasse “Hey! Onde está o resto da malta?”. De facto, a sua colónia, como garças-boieiras que se prezem, viajou para Sul, como sempre acontece nesta altura do ano, para nidificar. Procurar as suas companheiras será agora o novo desafio desta Garça-Boieira. Estamos todos a torcer por ela, ao mesmo tempo que esperamos que o seu GPS esteja actualizado.

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Vale a pena visitar:

Blog do CERAS

CERAS na QUERCUS

CERAS no Facebook

quinta-feira, abril 15, 2010

Aves azuis em expansão

Ha bem pouco tempo, foi relatado aqui no blog do Katano o estranho fenómeno de uma garça que, já doente e debilitada, ainda ficou com uma coloração azul (que eu espero que nada tenha a ver com a vertente clubística de muitos elementos deste blog).

Hoje, ao folhear a revista Sábado (hábito semanal), até senti um pequenino arrepio sinistro: deparo-me com uma imagem muito semelhante há que aqui foi publicada. Mas, desta vez, o porte da ave era mais do dobro e estava em liberdade (e certamente não foi atacada pela D.Céu com um spray antibiótico de Terramicina!).

Uma cegonha azul está a deixar intrigada a população de Biegen, na Alemanha, que permanece de olhos postos no céu. Certamente, é uma imagem artificial mas a cor continua por explicar, até porque, não conseguindo perceber porquê, ainda ninguém conseguiu obter uma pena do animal para análise...







Imagem retirada de g1.globo.com

quarta-feira, abril 14, 2010

Caetanomobile: finalmente, a devida homenagem

Passados cerca de cinco meses do seu abate (literalmente), é agora tempo de prestar homenagem ao veículo que, durante mais de duas décadas, esteve (e bem!) ao serviço da família Caetano.
Muitas são as histórias que alguns membros deste staff certamente se recordam: o carro sem chave na ignição mas a trabalhar, os "soluços" até aquecer, a imaginação fértil de alguém que o considerava um TT, as recusas em funcionar nas manhãs frias de Inverno, os vidros da frente se só abriam empurrando com as mãos, o porta bagagens que teimava em abrir enquanto se circulava na autoestrada, etc etc etc. Tudo boas recordações!!

Deixo-vos aqui algumas imagens daquele que foi uma das maiores criações da indústria automóvel:


Toyota Corolla 12 valvulas em todo o seu esplendor



Companheiro de muitos kms





Um volante, ignição, rádio, relogio, isqueiro e "sofage". O que mais é preciso?

Vamos ter saudades de ter ver "romper o asfalto"!

Mini-tornado avistado sobre o Tejo esta tarde (vídeo)

Imagino a surpresa de quem, a partir das margens do Tejo, se deparou durante a tarde com esta visão de um mini tornado. Ao que parece, não causou estragos de maior, excepto alguns danos na zona de Santa Apolónia.

Este é um dos fenómenos naturais que mais me impressionam, pela sua dimensão e pela sua imprevisibilidade e admiro particularmente aqueles que se dedicam, sobretudo nos EUA, a perseguir tornados.

Aqui fica um vídeo amador colocado on-line há cerca de uma hora atrás.



terça-feira, abril 13, 2010

Fotografias das cerejeiras em flor na Gardunha (Alcongosta, Fundão)

Atendendo aos inúmeros pedidos que nos chegaram, depois do artigo anterior dedicado às cerejeiras em flor, para que aqui colocássemos algumas fotografias mais ilustrativas, elas aqui estão.

Aspecto da vertente Norte do maciço central da Serra da Gardunha, no vale de Alcongosta


A Cova da Beira e a Serra da Estrela


O Monte de São Brás e o vale que liga Alcongosta ao Souto da Casa


Cerejeiras


Cerejeiras

E que tal um passeio pela Gardunha no próximo fim-de-semana para assistir ao vivo a este espectáculo cheio de cores e aromas? Pensem nisso!

Como repor a harmonia no casamento com o simples apertar de um botão

As coisas azedaram entre os membros do casal, o último ramo de flores foi totalmente ineficaz, o makeup sex não é opção e paira já no ar a ameaça da inoportuna intervenção dos sogros como se de capacetes azuis se tratassem? Não desesperem!

Nesta imagem que a Paulinha há uns tempos me fez chegar por e-mail, propõe-se uma solução que promete eficácia total com o máximo de simplicidade. Segundo as instruções que chegaram em anexo ao aparelho, basta apontar à menina e pronto! Paz instantânea.


Leia atentamente as instruções do aparelho e em caso de dúvida ou persistência dos sintomas de crise, consulte um conselheiro ou um advogado.

segunda-feira, abril 12, 2010

Cerejeiras em flor na Gardunha

O Sol trouxe consigo o espectáculo das cerejeiras em flor e, por estes dias, vale a pena caminhar pela Gardunha, entre o Souto da Casa e Alcongosta, percurso que deixa a sensação de se estar a caminhar por uma paisagem feita de quilómetros de algodão.

Em breve o branco dará lugar ao verde intenso que, aqui e ali, já se vai deixando ver.



(Esta é dedicada com muito carinho à nossa Nelly, uma entusiasta quase fanática das Vindimas)

Para ter uma ideia:


Que tal um passeio pela Gardunha no próximo fim-de-semana? Ainda haverá muito para ver!

domingo, abril 11, 2010

Divulgação: I Jornadas de Arte Pré-Histórica do Sudoeste Europeu

Recebemos do Museu Arqueológico Municipal José Monteiro, do Fundão, o seguinte pedido de divulgação:

clicar para ampliar

A recente descoberta de arte paleolítica ao ar livre no Poço do Caldeirão, Barroca, e mais recentemente a criação do seu centro de interpretação vem, indubitavelmente, colocar esta região na grande rota europeia da Arte Pré-histórica.

Face a esta realidade, com implicações a todos os níveis, as várias entidades associadas ao projecto valorativo do espaço, a começar pelo Museu Arqueológico do Fundão, resolveram criar uma plataforma científica anual com o intuito de debater, divulgar e aprofundar a temática da arte pré-histórica. Assim nasceram as Jornadas de Arte Pré-histórica do Sudoeste Europeu, que terão a sua primeira edição no presente ano na Casa Grande da Barroca e que irão reunir, durante dois dias, diversos investigadores europeus para um debate reflexivo, aberto e actual.

Com o fito de promover a confluência investigativa internacional pretende ainda propiciar a troca de experiências científicas e metodológicas, bem como permuta de novos conhecimentos. Serão apresentados estudos regionais, estudos de conjuntos e novos achados. Irão ser abordados temas relativos à arte rupestre ao ar livre, arte gravada, arte pintada, arte figurativa e esquemática e arte móvel, num período cronológico que irá do Paleolítico à Idade do Ferro.


Divulgação: Metal Horror Picture Show III

Recebemos do Cine Clube Gardunha o pedido de divulgação deste evento:

O Fundão acolhe de 14 a 18 de Abril na Moagem, Cidade do Engenho e das Artes, o 3º Festival de Cinema de Terror e Metal.

4 dias que prometem fazer as delícias dos amantes deste género de cinema e de música.


Cliquem no cartaz para ampliar

Para mais informações, consultem os sites do CCG e da Moagem

sexta-feira, abril 09, 2010

Super Blog Awards - Comunicado oficial



Foram ontem divulgados os resultados do concurso Super Blog Awards e, aparentemente, o Blog do Katano não conseguiu impressionar novamente o júri, isto numa altura em que o depósito do Caetanomobile já havia sido atestado com biodiesel nas bombas de gasolina do Pingo Doce (sempre ficou mais em conta), na esperança que desta vez o prémio fosse parar a Vila Real de Santo António. Tal não aconteceu e, por isso, há que tirar as devidas ilações.

A primeira medida lógica a tomar passa por despedir todo o staff de campanha. Em alternativa vamos considerar a hipótese de pôr todos os seus membros a recibos verdes, uma vez que assim sempre se poupa o dinheiro da Segurança Social e, em regime precário, sempre vão andar mais aplicadinhos em futuras ocasiões, não vá a entidade patronal acordar mal disposta e dispensá-los sem apelo nem agravo.

Outra medida que se impõe é descobrir o paradeiro dos 5 indivíduos de etnia cigana que foram contratados a preço de ouro, alegadamente por alguém deste blog, para dialogar amistosamente com os membros do júri e que, pelas últimas informações de que dispomos, foram vistos pela última vez na fronteira de Vilar Formoso, com cara de quem ia gastar uma bela quantia em algumas centenas de aparelhos yPhone para vender depois em áreas de serviço.

Contudo, e embora estes resultados não constituam uma vitória, é certo, também não se pode falar numa derrota, muito pelo contrário. Pela primeira vez, este blog obteve uma percentagem de votos superior à média de crescimento da taxa de desemprego e, em termos absolutos, um total de votos que equivale ao triplo do valor global dos subsídios à agricultura concedidos pelo Estado no último semestre. Motivos portanto para nos regozijarmos e expressarmos elevado júbilo.

Resta-nos endereçar as mais cordiais saudações democráticas aos vencedores e deixar a garantia de que este blog continuará a cumprir o seu dever de prestar Serviço Público aos leitores, como até agora o tem feito.

A todos, o nosso muito obrigado!

quinta-feira, abril 08, 2010

As sobranceiras vacas do Gerês

Quando o Caetano se referiu no post sobre a visita ao Gerês, em relação à sobranceria das vacas de lá, ocorreu-me logo uma sequência de imagens da minha visita com a Virgínia ao local em 2007.

Sobranceria?!

Alguém se lembrou da brincadeira de interpelar um 'local'.


"Desculpe, onde fica este lugar?"



"Este aqui, sabe?"



"Pfffff"



Sobranceria de facto, quase desprezo. Mas nem todas! Algumas até se prestaram à coisa.





Já aqui o Bocas (lembram-se dele?), aquando de um nosso passeio pedestre no alto da Serra Amarela, estava quase a dormir e desprezou-nos completamente, facto pelo qual ficámos imensamente gratos e determinados em o não alterar! Daí que...


Bocas à ida:



Bocas no regresso:



Esta, sem dúvida estava sobranceira...a nós.




quarta-feira, abril 07, 2010

Sugiram um título para esta foto!

Ao percorrer os meus arquivos, encontrei esta fotografia tirada em 2004 no Aquário da cidade francesa de Besançon.

A imagem é algo desconcertante ao olhar mas, para além desse desafio à capacidade de observação, quero também propor um desafio à vossa criatividade.

Qual é que acham que deveria ser o título desta foto?

Sugestões:

"Ilusão de uma Realidade "quase" perfeita!", Lana
"Empatia animal", Lisa Zig
"SAI DAQUI LOIRO!!" André Nunes (via Facebook)
"Peixofilia!!" Sérgio Vieira
"Impeixebilidades", Cláudio Ramos
"Ceci n'est pas un aquarium", Márcio
"Vidro de ar", Spider

terça-feira, abril 06, 2010

A Pequena Sereia de Copenhaga ficou reduzida ao esqueleto!


Quem no passado dia 1 de Abril se dirigiu ao local onde esperava encontrar a Pequena Sereia de Copenhaga ficou estupefacto perante o estado de desidratação extrema em que a dita cuja se parecia encontrar.

O autor da brincadeira foi o Museu de História Natural da cidade que, aproveitando o facto de a estátua da Sereia se encontrar no Pavilhão da Dinamarca na Exposição Mundial de Shangai, a substituiu por aquilo que anunciou como sendo os restos dum exemplar de Hydronymphus Pesci. uma espécie alegadamente extinta no século XVII. Na verdade, o conjunto era constituído por parte da representação de um esqueleto humano e por parte de um esqueleto de espadarte.

Entretanto a "obra" já se encontra no Museu e a rocha está novamente solitária à espera que a Pequena Sereia regresse, o que deve acontecer em Outubro. Aliás, esta foi mesmo a primeira vez que a estátua, com quase 100 anos, foi retirada do seu local habitual.

Estes dinamarqueses são danados para a brincadeira!

Pelo Parque Natural da Peneda-Gerês

No desafio que aqui lancei acerca do sorriso misterioso, apesar das respostas todas elas perfeitamente coerentes e cabíveis, o único que acertou foi mesmo o Xamane (e a Vandinha no Facebook). Efectivamente trata-se do peculiar pelourinho do Soajo, um pelourinho de características únicas, possivelmente datado do século XVI ou XVII, e situado em frente ao antigo edifício da Câmara, recordação do antigo concelho extinto no século XIX.

Mas o pelourinho não é o único ponto de interesse da vila e nem tão pouco o Soajo foi o único local que visitámos no Sábado, na nossa deambulação pelo Parque Nacional da Peneda-Gerês, enquanto a chuva e o granizo o permitiram.

A entrada no PNPG fez-se pela bonita e pacata vila de Arcos de Valdevez, famosa pela "justa" em que os cavaleiros de Afonso Henriques venceram os leoneses aqui por perto entre 1137 e 1140. A vila é relativamente pequena e vale pela paisagem que da zona da Igreja Matriz se avista, assim como pelo espaço junto ao rio Vez que permite um belo passeio e imagens muito interessantes, algo que foi possível apreciar após cumprir a quota normal de cafeína para aquela altura do dia.




De Valdevez, prosseguimos para o Mezio e para uma das Portas do PNPG. Este conceito de "Portas" é extremamente interessante uma vez que permite aos visitantes encontrar centros interpretativos e informativos nos principais acessos ao PNPG, tendo por isso a possibilidade de saber de antemão aquilo que pode ver e o que de mais típico pode encontrar nas diferentes zonas do parque.

O Mezio é também uma das áreas do Parque onde se concentram bastantes monumentos megalíticos, neste caso Antas, todos eles perfeitamente assinalados.


Contudo, visita que se preze ao PNPG inclui o avistamento do genuíno gado bovino de raça Barrosã e, já no Soajo, concretizou-se. Os espécimes avistados demonstraram, contudo, uma certa sobranceria e talvez até algum desprezo, pelo que não foi fácil encontrar uma pose minimamente decente que merecesse ser fotografada, apesar das tentativas. Eis o melhor que se conseguiu.


Como já referi anteriormente, o Soajo não é só peculiar pelo seu pelourinho mas também pelos vários espigueiros que aqui se encontram. Ir ao Soajo e não visitar os espigueiros comunitários é imperdoável! Trata-se de um núcleo de 24, sendo o mais antigo datado de 1782, construído sobre um enorme afloramento granítico.

A foto que se segue mostra 2 espigueiros.


A foto seguinte mostra 7 espigueiros.


Finalmente, a foto que se segue mostra um certo número de espigueiros.


Saindo do Soajo, dirigimo-nos a Lindoso, fazendo apenas um pequeno desvio pela aldeia de Ermelo onde a Igreja Matriz e as ruínas que a rodeiam, são o testemunho do mosteiro da Ordem de Císter que outrora se ergueu. Um dos ex-libris da aldeia é contudo a famosa laranja do Ermelo que, pelo que nos foi dito na Porta do Mezio, foi incluída numa lista de excelência da organização italiana Slow Food Foundation for Biodiversity (expressão italiana extremamente parecida com o inglês). Tendo reagido com alguma indiferença pelo facto de as laranjas não serem propriamente um dos meus alimentos favoritos, a diligente funcionária não desarmou e aproveitou para me informar que a Broa de Milho de Arcos de Valdevez também havia sido incluída na lista. Infelizmente, Arcos já ficara para trás e, no restante da viagem, não foi possível encontrar broas à venda, isto apesar da promessa de "mais à frente encontramos de certeza!".

No Ermelo foi possível ainda assim obter uma laranja à custa de mil perigos e improváveis acrobacias, fruto que, pelos vistos, acabou por se perder na viagem...


Já no Lindoso, mais uma vez encontrámos o castelo fechado, o que parece ser nossa sina em alguns castelos. Ficamos pois pacientemente à espera (tal como as dezenas de turistas que por ali deambulavam) que o castelo fique finalmente aberto ao público, assim como a Porta de Lindoso cuja instalação neste local está (dizem) actualmente em curso.

Houve apesar de tudo oportunidade para visitar o núcleo local de espigueiros comunitários (cerca de 60 dos séculos XVII e XVIII), com uma interessante eira lajeada. Antes de verem as fotos seguintes, que mostram um certo número de espigueiros, vale a pena ver esta foto)





Ora, não bastando a desilusão relativamente à broa de Arcos de Valdevez, foi precisamente no momento da visita a Lindoso que a meteorologia se tornou desfavorável, tanto quanto um aguaceiro seguido de uma saraivada de granizo pode ser.

Decidimos por isso ir a Espanha verificar se o clima era mais favorável mas, tendo verificado que as coisas estavam tão mal ou pior que do lado português da fronteira, decidimos regressar, tendo reentrado pela fronteira da Portela do Homem.

Dali, continuámos o percurso até à Albufeira da Caniçada e depois para Norte, em direcção a Rio Caldo. Ao passar por esta localidade, julguei avistar uma broa de Arcos de Valdevez numa de várias barraquinhas pelo que optámos por fazer uma paragem. Infelizmente, uma súbita chuva torrencial levou-nos a procurar abrigo.

Valeu-nos que São Bento tinha a porta aberta e aproveitámos por isso para visitar a igreja local onde se venera este santo capaz de interceder quando nos deparamos com uma centopeia. Há aqui mais respeito santo venerado, apesar de tudo, do que em Santiago de Compostela pois ninguém aqui se presta a abraçar o santo, acessível também ele através de uma escadaria, ao contrário do que sucede nessa cidade galega.



Desfeita a ilusão -afinal não se tratava de uma broa de Arcos de Valdevez- optámos por merendar um "panike" de chocolate local num estabelecimento forrado a bandeiras do Vitória de Guimarães e onde julgámos perceber ainda um certo ambiente pesado devido provavelmente aos penalties do dia anterior no jogo com o Sp. Braga.

Seguimos depois para Norte, até ao Campo do Gerês, onde, junto à Porta local do PNPG, se encontra um cruzeiro construído pelo reaproveitamento de um dos muitos marcos miliários da via romana da Geira. Este é dedicado ao imperador Décio, sendo portanto do final do século III, e assinala a distância de 27 milhas (mil passos) até Braga (M P XXVII).




Atravessando a albufeira de Vilarinho das Furnas, numa paisagem que, apesar de envolta em nevoeiro, ainda foi revelando alguns belos cenários, continuámos por uma estrada estreitíssima em direcção à localidade de Entre-Ambos-Os-Rios que é uma localidade que se situa entre dois rios. Pelo caminho, a passagem pelas aldeias de Brufe e Germil deixou água na boca e vontade de regressar, dada a rusticidade das construções e os socalcos que se estende a perder de vista (ou pelo menos até onde o nevoeiro deixava).


Já com o dia a desvanecer-se, chegou a hora de regressar, com uma paragem em Ponte de Lima para provar uma bela Francesinha e recusar um convite para assistir à tradicional Queima do Judas.

Ficou a satisfação de um excelente passeio (apesar da chuva) e a persistência de um enigma intrigante: afinal, a que saberá a broa de Arcos de Valdevez?
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