quarta-feira, dezembro 30, 2009

Não se sentem em cima de um phallus impudicus!

Mas só porque se arriscam a ficar com um cheiro a cadáver impregnado na roupa, o mesmo cheiro que me levou a detectar a presença destes cogumelos muito antes de sequer os ter visto. Aliás, o cheiro é um instrumento de reprodução fundamental destes cogumelos uma vez que se destina a atrair moscas - e estamos a falar de moscas com uma envergadura de respeito e que nada têm a ver com aquelas mosquinhas comuns - que depois irão disseminar os esporos que a elas aderem.

Os exemplares fotografados já estão nas etapas finais do seu ciclo de vida, uma vez que o chapéu já está desprovido da "gosma" que contém os esporos, restando apenas a malha que a suportava. Esta será mesmo a fase de maior beleza destes cogumelos.

Já agora, bem cheirosos ou mal cheirosos, todos os cogumelos desempenham um papel biológico e ecológico muito importante. Daí que, se por acaso encontrarem phallus impudicus no vosso caminho, se não se sentarem em cima deles, evitem destruí-los seja de que forma for. Tapar o nariz será uma atitude muito mais ecológica.




segunda-feira, dezembro 28, 2009

Comunicado da Junta Directiva

A Junta Directiva do Blog do Katano vem por este meio informar todos os seus leitores, admiradores e aqueles que não são tão apreciadores quanto isso que, a partir desta data, entra em vigor um novo sistema de comentários no Blog do Katano.

Este novo sistema de comentários, cuja maior inovação é por muitos considerada o botão para incluir smileys, pretende dar uma nova dinâmica ao extenso e profícuo rol opinativo que, com um entusiasmo enlevante os nossos leitores aqui praticam. Aliás, a comodidade dos leitores/participantes é mesmo o grande objectivo desta mudança e não tem a ver, como algumas opiniões insidiosas querem fazer crer, com o facto de o sistema de comentários até agora em uso passar a ser pago.

Aliás, é imbuídos desse sentido dever de serviço público que apresentamos a seguir uma breve descrição das funcionalidades do novo sistema de comentários sob a forma de uma imagem na qual deverão clicar para obter uma visualização ampliada.


domingo, dezembro 27, 2009

O Madeiro - A tradição continua a ser cumprida

Como acontece todos os anos, a noite da consoada é iluminada e aquecida pelo imponente "Madeiro". Por tradição, os jovens que iam à inspecção militar, "às sortes" como antes lhe chamavam, era quem tinha a missão de reunir os troncos que serviam de combustível a esta fogueira que devia arder da noite de 24 para 25 de Dezembro até ao dia de Reis, a 6 de Janeiro. De todas as casas vinham filhoses, vinho, e outras iguarias que eram consumidas à luz do fogo (não havia outra luz) em meio a alegres cânticos de Natal.

Actualmente, a tradição do madeiro mantém-se mas, à falta de jovens, reúne-se quem tiver força e disponibilidade para a tarefa. Também o madeiro já não tem a mesma longevidade e sítios há, como no Fundão por exemplo, onde mal sobrevive à noite da consoada. Contudo, o convívio à volta do Madeiro continua vivo e, ao longo da noite, continua a ser o centro de convívio da localidade onde todos se aquecem depois da missa do galo, ficando por ali ao longo da noite.


O madeiro no Alcaide

O madeiro à espera da noite


Já arde!


A população converge para o madeiro


A torre sineira, construída em 1694, assistiu já a 315 madeiros.


Como curiosidade, a torre sineira não só sobreviveu ao sismo de 2009, como também ao de 1755 que, apesar disso, deixou marcas na sua estrutura.

sexta-feira, dezembro 25, 2009

Mr Bean e a dinâmica do Presépio


O presépio não é necessariamente uma exposição de figurinhas estáticas, cuja maior revolução nos últimos 2 mil anos foi a inclusão da figura ensanguentada de Berlusconi há alguns dias atrás.

Neste pequeno clip, Mr Bean mostra-nos como o Presépio pode ser um excelente playground educativo. Apesar de ser algo repetitivo na televisão, não consigo deixar de gostar do humor naïf desta genial personagem criada por Rowan Atkinson.

quarta-feira, dezembro 23, 2009

Mensagem de Natal do Blog do Katano

A Junta Directiva do Blog do Katano, vem por este meio desejar a todos vós um santo e feliz Natal, com muita saúde e na harmonia da alegria da família. Falo daqueles familiares mais chegados e não necessariamente dos mais afastados, como os primos em 2º grau, que se vestem de forma estranha e fumam às escondidas, ou como uma tia-avó emigrada na Venezuela, que só monta o seu acampamento lá em casa nesta altura e que, apesar de dar sempre uma notita jeitosa, consegue ser um bocado chata.

Que nada vos falte nesta santa noite da consoada tão bela pelo nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Que não falte o abençoado bacalhau e as rabanadas, os deliciosos chocolates como os Ferrero Rocher que temos de comer agora para compensar o facto de não haver no Verão, o bolo-rei, as n-ésimas reposições do Sozinho em Casa e a mensagem de Natal de sua Exa o Presidente da República que terá de disputar o horário com a mensagem de Natal de sua Exa. o Primeiro Ministro, sem contar com a mensagem de Natal do reverendíssimo Cardeal-Patriarca D. José Policarpo que irá salientar a importância desta data e que, há 2.000 anos atrás já era mais normal a imaculada concepção que a adopção de crianças por parte de casais homossexuais, sem falar na aberração do casamento entre pessoas do mesmo sexo e terminando por salientar que Maria era feliz com José porque este não era muçulmano.

Partilhem com os vossos conhecidos a sagrada experiência do Natal no Twitter ou no Facebook, pois não existe nada mais rico e típico que a descrição nas redes sociais de como está a decorrer o ritual sagrado de abrir as prendas entre as quais os tão úteis pares de meias, que bom jeito vêm dar até porque os do ano passado já estão rotos, ou os euros ofertados pelos avós que, manifestamente, não têm tido o cuidado de acompanhar a taxa de inflação anual.

A todos portanto, um santo e feliz Natal com paz, saúde e na graça do Senhor.

terça-feira, dezembro 22, 2009

Exposição "Memórias do Vale" oficialmente inaugurada


Finalmente a tão aguardada inauguração aconteceu e o que sinto neste momento pode traduzir-se por uma imensa satisfação por finalmente ter cumprido uma das etapas que tinha definido na génese deste trabalho há mais de 1 ano atrás e que era trazer a exposição até ao Fundão. Este sentimento é ainda mais potenciado pelo simples facto de o local da exposição ser o Museu Arqueológico, espaço que considero ser culturalmente de referência e pelo qual tenho muito carinho, não só enquanto cidadão mas, sobretudo, enquanto fundanense.


Quanto à inauguração, houve menos gente do que aquilo que esperava (facto que se explica pela época do ano que atravessamos), mas no geral foi bastante positiva. Começou por uma introdução do Dr. João Mendes Rosa que teceu rasgados elogios à iniciativa, passando-se depois à apresentação da exposição propriamente dita. No final, a surpresa veio da parte do senhor Santolaya, um homem que revelou profundo interesse pela preservação das tradições populares e que forneceu preciosas sugestões para desenvolvimentos futuros do trabalho.

No vídeo é possível ouvir em fundo a voz de protesto da pequena Elisa que, sendo esta a primeira participação numa inauguração, sem estar a dormir ou sem interferência de líquido amniótico, estava nitidamente nervosa.

Muitos passos há ainda para dar mas, para já, é tempo de usufruir deste momento. Quanto à exposição, estará patente na sala de exposições temporárias do Museu até ao próximo dia 26 de Fevereiro.

Resumo da Cimeira de Copenhaga

Enquanto lá fora um grupo de jovens, de roupas largas e cabelos desgrenhados, usava o activismo ecológico como desculpa para praticar actos de vandalismo gratuito, lá dentro o cenário era outro. Aí, um grupo bem largo de defensores acérrimos da ideia de implementação de medidas de redução da emissão de dióxido de carbono, desde que estas não sejam tão severas para si como poderão ser para os outros, não conseguia chegar a qualquer acordo.

Para evitar que todo este aparato fosse um gigantesco desperdício de tempo e dinheiro, algo que poderia ser embaraçoso aos olhos do Mundo, 5 indivíduos com laivos de elitismo e sobranceria reuniram-se num quarto das traseiras e firmaram um acordo de interesses mútuos na tentativa de vender à opinião pública a ideia de que se tinha, exactamente chegado a um acordo.

Surpresa das surpresas, os restantes 188 países acharam que talvez tivesse sido conveniente terem sido ouvidos e recusaram-se a aceitar o acordo.

No próximo ano, o arraial muda-se para o México.

foto: RTP

segunda-feira, dezembro 21, 2009

Inscrição "Arbeit Macht Frei" do campo de Auschwitz foi recuperada

A inscrição do pórtico da entrada do infame campo de extermínio nazi que fora roubada na passada Sexta-feira, foi hoje recuperada segundo informações da polícia polaca.

Ainda não se sabe se a recompensa de 1.200 euros, oferecida pelas autoridades a quem tivesse informações sobre o roubo, teve algo a ver este facto mas o que é certo é que não só a inscrição foi recuperada como também foram detidos 5 indivíduos que a tinham em sua posse. Para facilitar o transporte, a inscrição tinha sido cortada em 3 pedaços e terá agora de ser restaurada.

Esta inscrição, cujo significado é "O trabalho liberta", acolhia os deportados que entravam no campo de extermínio para não voltarem a sair. Aliás, estima-se que neste campo tenham sido mortos 1.1 milhões de pessoas.

Fica por revelar a motivação para este roubo de uma peça que, não tendo um valor intrínseco, é um símbolo de um período histórico que serve de referência para a análise do que o extremismo de uma ideologia absurda é capaz de fazer.


Neve da Covilhã ao Fundão


A Cova da Beira foi esta noite palco de um nevão como há muito não se via. Apanhado de surpresa na Covilhã, depois de aí ter ido para mudar um bocado de ares após a tarde de trabalho no museu, fui obrigado a regressar mais cedo que o previsto e, pela primeira vez, experimentei o que se sente quando se conduz um Aixam com prego a fundo pois consegui circular em algumas zonas da A23 a 30km/h.

Por todo o lado a luz das iluminações de rua ganhou uma intensidade adicional graças ao tapete branco que se instalou na paisagem. No Fundão, a coisa foi de tal ordem que no acesso Norte, no viaduto junto ao Pingo Doce, o trânsito esteve condicionado durante quase 2h, com uma fila de carros que teimava em não se mover, dada a inclinação da via.

Neste momento, a chuva que começou a cair desde antes da meia-noite veio dar uma preciosa ajuda à limpeza da neve e já é possível circular em praticamente todas as vias.






domingo, dezembro 20, 2009

Exposição "MEMÓRIAS DO VALE" - Página Oficial no Facebook


Já está disponível no Facebook a página oficial da Exposição "Memórias do Vale" que amanhã é inaugurada no Museu Arqueológico Municipal José Monteiro, no Fundão, onde estará patente até 26 de Fevereiro de 2010.

Podem aceder à página neste endereço:


Nesta página poderão acompanhar todas as novidades, dar a vossa opinião e ver os álbuns fotográficos das edições anteriores, assim como tudo o que foi publicado no blog sobre elas.

sexta-feira, dezembro 18, 2009

Para fazer um filme apocalíptico, bastam 300 dólares


Nesta curta metragem uruguaia intitulada "Panick Attack" que, seguindo as regras normais deverá ter em Portugal um título como "Chamas escaldantes e fatais sobre Montevideo" , um grupo de invasores robóticos invade e destrói a capital uruguaia em cenas com grandes efeitos especiais e lembrando um pouco O Dia da Independência.

Este filme foi a primeira curta-metragem de ficção de Federico Álvarez, realizador de uma empresa que produz anúncios, video clips e curtas metragens, tendo custado a módica quantia de... 300 dólares!

O sucesso do filme, que no Youtube já teve quase 2 milhões de visualizações, foi tal que os Ghost House contrataram o realizador para rodar um filme, com orçamento entre 30 a 40 milhões de euros, e do qual se espera que seja o próximo "District 9". Para este trabalho Álvarez irá receber um valor com 7 dígitos cujo montante exacto não me foi possível descobrir.

Ai se tivéssemos terminado o "Resgate na Gardunha"...

Inscrição da entrada do campo de concentração de Auschwitz foi roubada


Uma das notícias desta manhã dá conta do roubo, perpetrado por desconhecidos, da inscrição "Arbeit Macht Frei" que estava sobre a entrada do antigo e infame campo de concentração de Auschwitz. Esta inscrição, que se traduz em "O trabalho liberta", era um símbolo do sadismo nazi tendo um significado implícito muito mais sombrio do que o que aparentava a quem aqui era internado. Fica a dúvida sobre quem terá realizado este roubo, que é apenas o último de vários que entretanto ali aconteceram e que subtraíram, por exemplo, os bicos por onde entrava o Zyklon B nas câmaras de gás. Mórbidos caçadores de recordações ou saudosistas de uma época que o Mundo pretende esquecer?

Embora muitos tentem hoje sanear aquilo que foi um dos maiores genocídios, a memória do horror permanece bem viva até hoje em muitos sobreviventes. Em 2007, conheci uma senhora, actualmente residente na Escócia, que me falou da angústia constante que era ser judia e viver na França colaboracionista do regime de Vichy.

Durante maior parte da 2ª guerra, quando era ainda uma criança, viveu escondida no sótão da casa de uma família de conhecidos em Lyon, que se arriscaram para a manter a salvo da deportação. "E a sua família?", perguntei eu. "A minha família?... Partiram todos em fumo pelas chaminés dos campos de concentração. Não ficou ninguém".

Fotografia: Samuel Cantigueiro

quinta-feira, dezembro 17, 2009

Duplo terramoto na noite de ontem


Registo no sismógrafo da Estação meteorológica de Manteigas
A noite passada ficou marcada pela ocorrência de dois terramotos: o primeiro teve o epicentro ao largo do Cabo de São Vicente e uma magnitude de 5.7 na escala de Richter, tendo sido sentido em praticamente todo o país e já teve quase 20 réplicas desde então. O segundo teve início praticamente em simultâneo e prolongou-se pela noite toda. Falo da explosão de actividade que aconteceu nas redes sociais sobretudo no Twitter e Facebook onde quase de imediato os utilizadores começaram a comentar o sismo.

Foram entretanto criados vários grupos no Facebook com nomes tão sugestivos como "Eu sobrevivi ao sismo de 2009!", que com mais de 2.000 membros será o mais significativo, seguido de outros como "Eu estava a trabalhar durante o sismo de 2009", "Estou-me nas tintas para o sismo de 2009", "Pessoas que sentiram algo mas que não sabem se se tratava do sismo de 2009", "Não houve sismo nenhum em 2009", "Pessoas que não sentiram o sismo de 17 de Dezembro de 2009" e, talvez o mais interessante, "Já passaram na rua miúdas que fizeram abanar mais que este sismo 2009". Há inclusive dois outros grupos praticamente com o mesmo nome: "Sobrevivi ao sismo de 2009 mas quero ver o Hulk a esmagar Lisboa no Domingo".

Este fenómeno das redes sociais é extraordinário e justifica bem um comentário que alguém fez referindo que, antigamente, quando havia um sismo as pessoas saíam para a rua mas hoje em dia correm para o Twitter.

Quanto ao sismo propriamente dito, como já referi, foi sentido em praticamente todo o país. Em termos de experiência pessoal, limitei-me a sentir uma ligeira vibração que me fez endireitar na cadeira para tentar perceber porque motivo o computador e a mesa pareciam estar a tremer. Na altura, confesso, não me apercebi que fosse um sismo e foi por isso que, quando cheguei à Internet e me deparei com mensagens a referir a ocorrência de um sismo em Lisboa, pensei por instantes que o Sócrates tivesse acabado de anunciar que os impostos iam baixar.

Algumas pessoas poderão achar extraordinário o facto de um sismo, que teve epicentro no mar a cerca de 100km a Sudoeste do Cabo São Vicente, ter sido sentido numa área geográfica tão grande mas tal facto é perfeitamente normal.

O sismo de ontem, a Sudoeste do Cabo São Vicente

Se recuarmos no tempo até ao grande sismo de 1755 que devastou Lisboa, este provocou estragos em todo o país com relatos de fissuras e danos em edifícios em todo o país, havendo também relatos de inúmeras fontes que pura e simplesmente secaram. Em Salamanca, a Catedral Nova sofreu também danos, tendo surgido fendas na cúpula, na torre sineira e no claustro do edifício.

Registos do Instituto de Meteorologia (sismo e réplicas):

Data(TU)Lat.Lon.Prof.Mag.Ref.GrauLocal
2009-12-17 11:2936,58-9,75182,4SW Cabo S.Vicente------
2009-12-17 11:0836,60-9,81152,6SW Cabo S.Vicente------
2009-12-17 10:2936,58-9,84322,1SW Cabo S.Vicente------
2009-12-17 09:4336,58-9,75201,9SW Cabo S.Vicente------
2009-12-17 09:0136,56-9,70172,0SW Cabo S.Vicente------
2009-12-17 07:5736,59-9,80142,1SW Cabo S.Vicente------
2009-12-17 07:0736,59-9,72172,2SW Cabo S.Vicente------
2009-12-17 06:4236,63-9,75151,8SW Cabo S.Vicente------
2009-12-17 06:2436,58-9,74181,6SW Cabo S.Vicente------
2009-12-17 04:4836,60-9,74171,7SW Cabo S.Vicente------
2009-12-17 03:4736,57-9,72161,6SW Cabo S.Vicente------
2009-12-17 03:3336,60-9,76141,3SW Cabo S.Vicente------
2009-12-17 03:0936,59-9,77172,3SW Cabo S.Vicente------
2009-12-17 02:5736,61-9,77172,0SW Cabo S.Vicente------
2009-12-17 02:4136,59-9,70181,9SW Cabo S.Vicente------
2009-12-17 02:2536,60-9,74171,8SW Cabo S.Vicente------
2009-12-17 02:2036,62-9,70191,7SW Cabo S.Vicente------
2009-12-17 02:2037,02-9,05291,0W Cabo S.Vicente------
2009-12-17 02:1136,59-9,78172,0SW Cabo S.Vicente------
2009-12-17 01:4336,56-9,66192,9SW Cabo S.Vicente------
2009-12-17 01:3736,52-9,92316,0SW Cabo S.VicenteVLagos



quarta-feira, dezembro 16, 2009

Exposição "MEMÓRIAS DO VALE" - 3ª Etapa


O "Memórias do Vale" consiste num projecto expositivo de materialização da memória colectiva de uma pequena aldeia voltada para a Serra da Gardunha e que hoje, à semelhança de tantas outras aldeias se encontra em processo de desertificação. Da arqueologia às lendas e aos mitos, da arquitectura tradicional à economia rural e equipamentos comunitários que fazem parte do legado desta comunidade, contam-se as histórias das gentes que com o seu labor transformaram a paisagem ao longo de séculos e fizeram deste vale, um vale de memórias.

Quem hoje visita a aldeia de Vale de Urso dificilmente consegue imaginar o centro de vida e actividade que, no seu auge, na transição da década de 1940 para a década de 1950, chegou a ser. Aqui nasceram, viveram e morreram agricultores, pastores, carpinteiros, pedreiros, mineiros e ferreiros que nas encostas deste vale escreveram histórias de verdadeiro heroísmo perante a adversidade.

Aqui se instituiu também o ensino primário na década de 1930 onde, até à sua extinção na entrada para a década de 1990, se contabilizaram mais de 700 matrículas. Sob a égide do Estado Novo, o ensino primário adquiria uma importância vital, tanto como veículo de propaganda do regime como também pela sua missão básica de dotar os cidadãos de uma instrução elementar numa altura em que o analfabetismo constituía uma verdadeira praga social.


A Exposição

Esta exposição, design de Catarina Marques e fotografia do nosso fotógrafo residente, o Xamane, esteve patente pela primeira vez em Agosto de 2008 no antigo edifício da Escola Primária do Vale de Urso, tendo-se depois mudado em Novembro do mesmo ano para o Souto da Casa, sede de freguesia.

Agora cumpre finalmente a sua 3ª etapa, estando a partir de segunda-feira e até 26 de Fevereiro de 2010 patente na sala de exposições temporárias do Museu Arqueológico Municipal José Monteiro, no Fundão.

A partir de Fevereiro, entrará numa outra fase onde dará origem a vários materiais e fontes de informação que serão disponibilizados desde a Internet até micro-exposições ao vivo em alguns locais do Concelho do Fundão.

Para já estão todos convidados a marcar presença na próxima Segunda-feira às 18h no Museu Arqueológico José Monteiro para a abertura oficial da exposição. Espero a vossa visita!

Sobre o fumador a quem determinados maços de tabaco faziam mal

Trabalhar num local de atendimento público permite, pela possibilidade de contactos com o género humano em toda a sua diversidade comportamental e opinativa, experimentar as mais variadas situações, desde as mais tristes e periclitantes às mais burlescas e inacreditáveis.

Há alguns anos atrás, quando grande parte do meu tempo livre era passado atrás do balcão de uma certa e determinada pastelaria fundanense, tive oportunidade de assistir a algumas situações que contadas por outro eu acharia difíceis de acreditar.

Era esse por exemplo o caso de um cliente habitual, com os seus 50 anos e daqueles fumadores inveterados que emitem mais CO2 que alguns pequenos países do Terceiro Mundo, que frequentemente ali se dirigia para comprar o seu maço de SG Filtro. Essa compra obedecia contudo a um ritual curioso: o meu pai, que já o conhecia bem, colocava sempre à frente do indivíduo uma série de maços de tabaco à frente, todos da mesma marca, e este examinava-os meticulosamente um a um, acabando finalmente por escolher e pagar um deles.

Finalmente acabei por perceber o porquê deste ritual. O senhor em causa lia atentamente os avisos constantes no maço de tabaco e apenas comprava maços que contivessem avisos mais "suaves" como os que recomendavam que crianças e grávidas não fumassem, evitando de forma diligente -quase religiosa vá!- todos os maços em que estivesse avisos como "Fumar mata", "Fumar pode provocar doenças cardio-vasculares" e, claro, "Fumar pode provocar impotência".

Segundo ele, ao contrário dos primeiros, estes últimos maços de tabaco "davam-lhe cabo da garganta" (sic).

terça-feira, dezembro 15, 2009

O dia em que os romanos cruzaram o rio Lima

No último artigo dedicado a Ponte de Lima fiz referência ao episódio conturbado da travessia do rio Lima pelos legionários romanos comandados por Décimo Júnio Bruto que, numa primeira instância, julgaram ser este o rio Lethes, o Rio do Esquecimento, recusando-se a atravessá-lo.

Lembrei-me depois que João Aguiar, no seu romance histórico "Uma Deusa na Bruma", faz uma descrição interessante do que terá sido este episódio. Aqui fica um excerto do texto:



Do alto do seu cavalo, Décimo Júnio Bruto passeou o olhar pelas fileiras. Aquelas expressões fechadas, duras, falavam por si - conhecia bem de mais os legionários para ter ilusões. Conhecia bem demais aquele silêncio. Crescera gradualmente à medida que se aproximavam do Límia e que se espalhava entre eles a superstição semeada pelos prisioneiros calaicos e pela gente que aceitara comprar a paz com tributo. Na véspera, os comandantes dos manípulos tinham-no avisado que os homens se recusariam a atravessar. Agora, a recusa batia-lhe na cara como uma bofetada.

(...)

Bruto endireitou o corpo. Acicatou o cavalo, conduziu-o até junto do signífero. Com um gesto brusco, arrancou-lhe das mãos a insígnia e dirigiu-se para o rio.

Silêncio, silêncio mortal. Só o chapinhar das patas do cavalo quando feriam a água. Não se apressou, deixou que os homens sofressem na expectativa.

Estava a meio do rio, vencera três quartos de distância, estava na margem direita do Límia.

Forçou o cavalo a dar meia volta, para encarar as legiões. Então, tomou um largo fôlego e ergueu a voz, treinada para se fazer ouvir no campo de batalha. Não fez um discurso. Simplesmente, começou a chamar os comandantes dos manípulos pelos seus nomes - tinha todos os seus nomes na memória, era um bom general.

No outro lado, os homens ouviram-no. Bruto não precisou de terminar a chamada; muito antes disso, uma formidável aclamação abafou a sua voz. As trompas soaram dando a ordem de marchar.

Os romanos atravessavam o rio.

in "Uma Deusa na Bruma" por João Aguiar

Mas será que ninguém quer trabalhar??

Recebi há cerca de uma semana uma oferta de trabalho que, por força das circunstâncias, tive de recusar. Entretanto, reencaminhei a oferta para os meus contactos para que, caso estivessem interessados reencaminhassem para que conhecessem mas até agora... ninguém se chegou à frente.

Na perspectiva da vertente de Serviço Público do Blog do Katano, com um certo "je ne sais quoi" pontual de portal de emprego, aqui fica a oferta:

Empresa na Guarda pretende colaborador para trabalhar na área web design/desenvolvimento de web sites.

Os interessados poderão solicitar mais informações através do telefone 968283189

Passeio nocturno por Ponte de Lima

A Casa do Marquês no local onde outrora se ergueu a cidadela medieval de Ponte de Lima. A desaparecida torre de menagem que outrora se erguia nesta colina foi palco de um dos mais sangrentos episódios da chamada Crise de 1383-1385 quando D.João I e Nuno Álvares Pereira sitiaram o castelo cujo alcaide era partidário de Castela.

Furioso com a morte de um caro amigo, D.João I mandou incendiar a torre de menagem onde se tinham refugiado os últimos resistentes para que estes morressem queimados e só a muito custo foi demovido pelos seus homens de armas, tendo os resistentes sido retirados da torre através de um cesto.


As iluminações de rua de Ponte de Lima no centro histórico deixaram um pouco a desejar pois só algumas se encontram decoradas. No entanto, as iluminações aplicadas estão muito bem conseguidas.


Margem Norte do Rio Lima com a ponte de origem romana destacando-se na noite.


Margem Sul do Rio Lima onde se destacam as iluminações das fachadas das casas da vila. Junto ao rio foi construído um monumento alusivo ao mito latino do Rio Lethes, o lendário e infernal rio que, segundos os romanos, apagava todas as recordações de quem o atravessasse.

Quando as tropas romanas comandadas por Décimo Júnio Bruto aqui chegaram depois de numa sangrenta campanha terem submetido sucessivamente os povos nativos desde Almourol, onde o general estabeleceu a sua base a sua base, e Lisboa, os soldados (povo extremamente supersticioso) julgaram ser este o mítico rio.

Como nenhum se atrevia a cruzá-lo, o general furioso pegou no estandarte da legião e cruzou sozinho o rio a cavalo. Chegado à outra margem, começou a chamar os seus soldados um por um e isto foi quanto bastou para que estes cruzassem o rio com renovada confiança.


E como apontamento de curiosidade, aqui fica uma singela homenagem ao fotógrafo oficial e residente (apesar de dever uns belos meses de renda) do Blog do Katano.

segunda-feira, dezembro 14, 2009

Desafio difícil....

Na fotografia seguinte existe um bebé.
Conseguem descobri-lo?!


A transversalidade do fanatismo religioso


Vejam este vídeo até ao fim. No final substituam "Deus" por "Alá", "Jesus" por "Maomé", "Washington" por "Damasco" ou "Bagdade" e descubram as diferenças.
Gosto particularmente daquele trecho em que perguntam às crianças quem é que está disposto a dar a vida por Jesus.

O dia em que Berlusconi foi agredido com uma catedral

Massimo Tartaglia, de 42 anos, era um perfeito desconhecido até ontem à noite ter agredido Sílvio Berlusconi, o infame primeiro-ministro italiano, durante uma acção de campanha em Milão. Segundo consta, Tartaglia terá consumado a agressão com uma réplica do Duomo, a catedral de Milão, não tendo contudo tido tempo para empregar o spray de gás pimenta e o crucifixo que também transportava. Estou até curioso sobre o modo como o agressor tencionava empregar o último objecto.


Berlusconi ainda tentou manter a compostura, após ter sido carregado para dentro do seu carro, acenando às pessoas que se encontravam na rua mas duvido que estas tenham reconhecido Berlusconi a quem nesta altura faltavam alguns dentes e cujo nariz e face estavam algo alterados em termos estruturais.

Entretanto Tartaglia foi formalmente acusado de acto terrorista o que infunde em mim algum sentimento de sensacionalismo pois, nesta linha de pensamento, posso afirmar que há dias vi dois indivíduos embriagados envolvidos na prática de actos terroristas recíprocos em plena via pública.

Creio no entanto que Tartaglia terá com este acto sido elevado aos olhos do Mundo a um estatuto semelhante ao de Muntazer al-Zaidi, o famoso jornalista que quis fazer ver de perto a George Bush a qualidade do calçado iraquiano, embora sem a eficácia do italiano.

Quem ganha com isto é também o Duomo que irá sem dúvida beneficiar deste enorme golpe publicitário e até aposto que muitos italianos quererão guardar em casa com carinho uma réplica idêntica à que contactou com o rosto de Berlusconi.

Este é o último dissabor na carreira de Berlusconi, um político a quem faltam alguns atributos quiçá importantes como bom-senso, educação e sentido de oportunidade (quem não se lembra da sua célebre comparação do campo de acolhimento de L'Aquila, povoação devastada por um terramoto, a um fim-de-semana de campismo?) e sobre o qual pairam suspeitas de corrupção e fuga ao fisco. Aliás, Berlusconi salvou-se de ser julgado por fraude fiscal devido a uma lei de imunidade política oportunamente aprovada...

Ainda bem que somos um país de brandos costumes senão, mais dia menos dia, o nosso primeiro-ministro José Sócrates correria o risco de ser abordado por um qualquer indivíduo mal intencionado munido com uma réplica da Torre dos Clérigos, por exemplo, situação que poderia ter um desfecho trágico.

sexta-feira, dezembro 11, 2009

O 1º Nevão na Serra da Estrela

No ultimo fim de semana de Novembro caiu o 1º nevão da época na Serra da Estrela. Esforçando-nos por contrariar a tendência de que o que está à porta já é banal e não interessa visitar, na segunda-feira seguinte pusemos as rodas ao caminho em direcção à Estrela.

Cá de baixo, a vista prometia.


E à chegada, não desiludiu.



Aqui, dois 'turistas' tentam agredir-me com o que têm mais à mão, provavelmente descontentes por estarem a ser fotografados.



As comuns estalactites de gelo que se formam no túnel. Alguém sugeriu o desafio de buzinar dentro do túnel e testar depois a perícia do condutor em evitar as estalactites em queda.


Perto do Covão do Boi iniciava-se literalmente a entrada nas nuvens.


Na Torre, a neve o vento e os 5 graus negativos, boicotavam qualquer sinalização.


Na descida, o Covão d'Ametade era o refúgio do Outono


O mesmo turista que me tentou agredir anteriormente, tentava agora destruir um simpático boneco de neve que umas criançinhas tinham construído.


Atente-se no resultado :P

Ok, o boneco já assim estava, mas o que é certo é que ele tentou torná-lo simétrico.


quinta-feira, dezembro 10, 2009

10 de Dezembro, dia do Palhaço


No Brasil, no dia 10 de Dezembro comemora-se o Dia do Palhaço, numa homenagem à figura-símbolo do meio circense e um dos ícones do imaginário infantil.

Cá por Portugal vamos mais longe e celebramos a 9 de Dezembro, não o Dia do Palhaço, mas sim o Dia do Palhaço Inimputável e Esquizofrénico. Pelo menos foi essa a ideia que ficou do debate acalorado de ontem entre Maria José Nogueira Pinto e o socialista Ricardo Gonçalves durante a audição da Comissão Parlamentar da Saúde.

O desempenho de Ricardo Gonçalves suscitou, aliás, palavras de reconhecimento de Nogueira Pinto que referiu que "Nunca tinha visto um palhaço permanente numa comissão parlamentar mas acho que o devem ter eleito exatamente para isso, para nos animar". Perante a relutância de Ricardo Gonçalves em aceitar os elogios que lhe eram endereçados, movido certamente pela modéstia, Nogueira Pinto foi mais longe e elevou o deputado do PS ao patamar de esquizofrénico.

Retribuindo a apreciação de teor circense, Ricardo Gonçalves retorquiu elogiando a agilidade da colega, afirmando que não ficava indiferente às capacidades de saltitona (entre partidos) de Nogueira Pinto que, de imediato e não deixando arrefecer a questão, rematou a sua apreciação com a invocação da atribuição do estatuto de inimputabilidade ao colega deputado.

Fica no ar a pergunta: para se ser deputado é realmente necessário ter um curso superior ou basta tirar um curso de formação no Chapitô?

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