segunda-feira, agosto 31, 2009

Divulgação: Mestrado em Computação Móvel - IPG

Recebemos da parte do Eng. Carlos Carreto, do Instituto Politécnico da Guarda, o pedido de divulgação que se segue:


Mestrado em Computação Móvel do IPG

Está a decorrer até 15 de Setembro o período de inscrições da 3ª edição do Mestrado em Computação Móvel do Instituto Politécnico da Guarda.

Este mestrado centra-se especificamente na temática da mobilidade e ubiquidade dos sistemas informáticos. O curso vai ao encontro do crescente interesse pelos sistemas informáticos móveis e sobretudo da grande necessidade de recursos humanos qualificados capazes de responder às necessidades de desenvolvimento de sistemas e serviços inovadores nas áreas das redes de comunicação móveis, dos dispositivos móveis e dos serviços móveis.

O Mestrado destina-se a titulares do grau de bacharel, licenciado, ou equivalente legal, na área científica de Informática e também a detentores de um currículo escolar, científico, ou profissional relevante.

Para mais informações, por favor consulte as páginas do Mestrado em http://mcm.ipg.pt/.

Prof. Carlos Carreto
Coordenador do Mestrado

domingo, agosto 30, 2009

Libertem a empregada da Carolina Patrocínio

Depois de ter tido conhecimento das sevícias a que a empregada de Carolina Patrocínio era sujeita pela sua entidade patronal, a comunidade cibernáutica não ficou impávida e, de imediato, lançou um movimento em prol da libertação da diligente funcionária, contando neste momento com mais de 4.000 aderentes!

O texto que serve de introdução diz tudo e acrescenta uma novidade:

"Obrigada a tirar grainhas às uvas e os caroços às cerejas de Sol a Sol (não que ela o saiba porque no escuro tugúrio para onde esta esquecida há tantos anos, não entra a luz do dia), esta Mulher Sem Nome (chames-mo-lhe* assim), fenece sob a desumanizante tortura de servir perversas sobremesas àquela que se ri do seu sofrimento e se alimenta das suas lágrimas."


* Nota da redação: "Chames-mo-lhe" pertence, para os ignorantes que não sabem, ao verbo chames-mo-lhar cuja conjugação no presente do indicativo é a seguinte:

Eu chames-mo-lho
Tu chames-mo-lhas
Ele chames-mo-lha
Nós chames-mo-lhamos
Vós chames-mo-lhais
Eles chames-mo-lham

Por isso, já sabem! Não fiquem indiferentes a este drama! Adiram já ao movimento e chames-mo-lhem (conjugado no imperativo) todos os vossos conhecidos e amigos também! A senhora funcionária agradece.

sexta-feira, agosto 28, 2009

Paris... Sem croissants! - 2

Antes de continuar para as visitas própriamente ditas, façamos uma pequena analépse para partilhar convosco aquilo que foi, o primeiro passeio de reconhecimento a Paris, no dia em que chegamos. Como já não dava tempo para ver nada resolvemos ir passear pelo Quartier Latin e tentarmos desencantar um qualquer McDonalds para jantar, ora soltou-se no meio do grupo turístico (que devo alertar q era composto por 3 pessoas) o burburinho seguinte: "Ah e tal, podíamos experimentar a cozinha francesa." (as restantes duas pessoas permaneceram em silêncio e aceleraram o passo à procura do McDonalds), "A sério olhem que restaurante tão giro e os ménus são baratos, estamos em França, vamos pelo menos experimentar!" (ora, como àgua mole em pedra dura, a minha irmã lá acabou por ceder e, vencendo a lei da maioria, lá fui arrastada para o dito "restaurante giro")... vou deixar as imagens falarem por mim:

(realmente o restaurante era engraçado e, depois de meia hora a tentarmos arranhar o francês e duma exclamação em português da minha irmã a dizer "porra, como é que se diz bem passado?!", a empregada responde: "AAHHH! Entendji!", o que convenhamos facilitou imenso as coisas...)

Nota introdutória, o referido menu custava 12€ e incluía: entrada + prato + sobremesa (note-se que não há qualquer referência a bebida!)

(Duas garrafas de água com gás 8€, um jarrinho de água au nature 2€, descobrir que àgua au nature significa águinha del cano e q vais pagar 2€ por ela: PRICELESS)

Sendo que eramos três, seguem-se as fotos das entradas e da refeição (sim, depois da qualidade das entradas resolvemos comer todos o mesmo prato por nos parecer o mais comestível!).
(salada temperada com um molho mto mas mesmo mto esquisito da qual só consegui comer o bacon e os bocadinhos - por acaso era só um - de pão frito)

(fatia de suposto presunto?!?!?!?! com cournichons que pareciam lesmas no aspecto, sabor e consistência...)

(sopa de cebola cujo sabor denunciava o segredo da sua execução, segue a receita: parte-se a cebola aos pedacinhos e coloca-se num tacho a refogar, deixa-se queimar o refogado até o cheiro nauseabundo se ter espalhado por toda a casa, junta-se àgua ao preparado e deixa-se ferver até ganhar a cor da cebola queimada... et voilá, Onion Soup!!!! Très fashion!)

(Prato principal, Bife à Pimenta... nem vou tecer comentários... para isto vou ali á tasca da esquina peço um bitoque e, ao menos, o bife é maior, mais tenro, tem sal e se vier mal passado é porque é grosso e não porque é uma fatia de fiambre que esteve três segundos na chapa!!!!)

Não há qualquer tipo de registo fotográfico das sobremesas porque estavam deliciosas e nós tinhamos tanta fome que elas desapareceram antes de sequer me lembrar de pegar na máquina... escusado será dizer que, no dia seguinte, comer um hamburguer foi, para nós, o manjar dos deuses... Adiante... Depois desta bela experiência fomos a pé pelo quartier fora, sempre nas margens do Sena a descobrir a beleza de Paris à noite, deste passeio e antes de chegarmos àquele que se tornou o nosso destino final nessa noite deixo-vos somente uma foto, foi o edifício que mais me chamou à atenção nessa noite e onde estive parada para fotografar uns bons quinze minutos.

(O edíficio é o Institut de France foi criado em 1795 e alberga as cinco grandes academias francesas... e é simplesmente lindo.... )

Quando demos por nós o Louvre estava do outro lado do rio, mesmo à mão de semear e foi nesse momento que comecei a aperceber-me que estava MESMO em Paris, o coração começa a bater mais forte e só me apetecia andar aos saltinhos quando entrei naquela praça pela primeira vez, deixo as fotos do Louvre para quando postar sobre ele, por agora ficamos por aqui, deixo-vos só mais duas imagens, uma do edifício onde ficava o nosso apartamento e outra do "aviso" colado na caixa de electricidade por cima da nossa porta.

(ficava por cima duma casa de pianos no quartier du Jourdain e é um dos exemplos da bonita arquitectura de Paris, mesmo em edíficios simples e habitacionais..)


(desculpem a má qualidade mas foi tirada com o tlm... penso que isto tenha sido escrito pela versão parisiense do Batista Bastos, não?)

Próxima paragem Notre-Damme e Musée du Louvre... À Bientôt! (E se já estiverem fartos, avisem! ;p )


quarta-feira, agosto 26, 2009

Paris... sem croissants! - 1

Antes de mais nada gostaria de alertar a malta do Katano que, as fotos estão com uma qualidade de caca por dois motivos, primeiro, tiveram de ser imensamente reduzidas para não explodir com o nosso belo bloguinho e, depois, a dada altura apercebi-me (dez minutos depois de começar a passear por Paris) que é, IMPOSSÍVEL, numa expedição onde os segundos são cronometrados para conseguirmos ver tudo (o que estava planeado, claro) não dá para estar com as "mariquices" (como chama a minha irmã) necessárias para tirar "aquela" foto.

Assim sendo, preparem-se para uma boa dose de fotos "á la turista" com tudo aquilo que eu mais ABOMINO numa foto, ou seja, tortas, com linhas de horizonte e pontos de fuga absurdos, cortadas, etc etc etc... AAAHHH!!! Convem não esquecer que numa cidade CHEIA de turistas a tirar foto a tudo que mexe se torna ainda mais impossível de fazer um bom trabalho... *inserir suspiro aqui* queria tanto ter tido tempo....

Explicações e mariquices à parte, vou dividir isto em várias postas senão... coitadinhos dos meus Kataninhos....


Sainte-Chapelle e Conciergerie

Uma aulinha de história: A Saint-Chapelle foi construída durante o Século XII por Luís IX com o propósito único de albergar as relíquias que este havia adquirido aos imperadores de Constantinopla, principalmente e sobretudo (perdoando o pleonasmo), aquela que se acreditava ser a coroa de espinhos de jesus cristo. Destas relíquias (cerca de trinta) dizia-se fazerem parte para além da coroa, a Imagem de Edessa, lascas da verdadeira cruz e até, gotas do sangue de Cristo. Um aparte engraçado é que pelas relíquias propriamente ditas, Luís IX pagou CINCO vezes mais que pela construção do edíficio. O edificio é disposto verticalmente em dois andares, no piso de baixo encontrava-se uma capela mais modesta frequentada pelo pessoal do palácio e no piso de cima a verdadeira explosão do luxo em versão "relicário".


Há 15 paineis de vitral e uma rosácea, cada um representando um passagem biblica desde a criação do mundo até à ressureição num total de mais de 1000 cenas representadas.


O painel central representava a paixão de cristo e ficava imediatamente por trás do cofre que albergava a colecção de relíquias (cofre esse que já não se encontra na capela por ter sido derretido durante a Revolução).

Muito do que se vê actualmente da Saint-Chapelle é fruto de um trabalho de restauro efectuado já durante o século XIX, visto que grande parte do edificio original foi destruído durante a Revolução Francesa de 1789.

Paredes meias com a Sainte-Chapelle encontramos a Conciergerie, que é um dos elementos resistentes nos nossos dias do antigo Palácio da Cidade de Paris. A Conciergerie, foi convertida em prisão estatal após Carlos I ter abandonado o Palácio já no século XIV, que ocupava o piso inferior do edifício sendo o piso superior ocupado pelo parlamento. Foi nas salas da Conciergerie que Maria Antonieta aguardou a sua sorte e só de lá saiu para o "espectáculo" da decapitação, aliás diz-se que durante a chama da "época do Terror" (durante a rev. francesa), cohabitaram na Conciergerie (ou na sala da morte, como era conhecida) mais de 2000 prisioneiros que conheceram quase todos os mesmo fim, a execução.


Hoje em dia a Conciergerie alberga o Palácio da Justiça Francês e está praticamente vedado ao público, mas a imponência do edifício pode ser constatado pela simples observação dos portões e da construção majestosa. Nas paredes exteriores do edifício encontramos aquele que é apelidado como sendo o "mais velho relógio de Paris" por ter sido o primeiro a ser instalado na capital em 1370, todavia o que encontramos no mesmo local hoje em dia data já do Sec. XVI.



E, cenas dos próximos capítulos: Notre-Damme, Louvre, Versalhes, Museu d'Orsay, Torre Eifel, Praça da Concórdia.... Não percam o próximo capítulo porque eu, também não!!! :p (se quiserem ver mais fotosinhas é favor dirigirem-se ao meu hi5, também lá não estão todas e estão no mesmo formato daqui, ou sejas reduzidas e sem mta qualidade mas sempre é mais qualquer coisita. As verdadeiras fotos "à la Monsieur Grrrraaande-Artist" irei colocá-las brevemente na minha página de fotografia, para quem ainda não sabe e possa tar interessado http://seteluas.deviantart.com)


O mito do facilitismo na educação nacional

O nosso Primeiro-Ministro, o Sr. Eng. José Sócrates, veio anteontem gabar-se de ter conseguido a redução para metade das taxas de abandono e insucesso escolar. Congratulou-se ainda pelo facto de estes número deixarem pressupor uma melhoria das qualificação do país ao mesmo tempo que repudiou qualquer insinuação de que estes números poderiam sugerir um certo facilitismo.

Aqui pelo Blog do Katano, não só temos a certeza de que não há qualquer facilitismo, com o mero objectivo de mostrar números bonitos aos eleitores e à União Europeia. Também não acreditamos em rumores maliciosos que dão conta de haver alunos que transitam de ano com 8 ou mais negativas e de que os professores se sentem pressionados para aprovar os alunos, seja de que forma for.

Quanto às acusações de facilitismo nos exames nacionais, tendo em conta os níveis de dificuldade dos exames do último ano lectivo, estamos em condições de refutar completamente tais alegações, revelando em primeira mão o projecto de exame nacional de Matemática do próximo ano lectivo para o 12º ano.

Ora cá está:


PROVA DE EXAME NACIONAL
2009/2010
Disciplina de Matemática
(aquela dos números)


1 - QUESTÃO DE CONSULTA.
Escreve o teu nome na linha abaixo de acordo com o que está escrito no teu BI. Se tiveres dificuldades solicita o auxílio da professora que se encontra neste momento voltada para o quadro a ler o jornal:

Nome:_________________________________________
(3 valores)


2 - EQUAÇÕES DE 1º, 2º E 3º GRAU
Usando a calculadora, diz qual é o resultado da seguinte equação: X+1=2, isto é, indica qual é o número que deverá aparecer no lugar do X para que a conta faça algum sentido.

a) 0;
b) 1;
c) 2;
d) 3;

(4 valores)


3 - PROBABILIDADES
Dada uma experiência que consiste em lançar um dado duas vezes consecutivas, qual é a probabilidade de se obter uma pontuação acumulada, isto é a soma das pintas que saíram na primeira vez com as pintas que saíram na segunda vez, superior a 1?

a) 100%
b) 50%
c) 0%

(4 valores)
Dica: Usa o dado que te foi fornecido juntamente com este enunciado como auxílio


4 - GEOMETRIA
Dada a seguinte figura geométrica:
4.1 - Calcula a medida do lado X

(2 valores)

4.2 - A figura representa:
a) um triângulo
b) um rectângulo
c) um quadrado
d) um eneacontágono (Esta não é. Só aqui está para complicar)

(2 valores)


5 - QUESTÃO BÓNUS
Hoje o dia está:

a) nublado
b) ensolarado
c) chuvoso

(5 valores)

Soluções no verso

terça-feira, agosto 25, 2009

Por que diabos dizem que os homens são monotarefa?


Como pessoa que sou que consegue ver TV, ler um jornal e tomar café ao mesmo tempo, fico extremamente indignado quando sou confrontado com alegações infames que os homens são seres monotarefa.

Imagem enviada por e-mail pela Ana Eusébio

segunda-feira, agosto 24, 2009

Xutos e Pontapés ao Vivo no Fundão - 23/08/09

É certo que esta canção "desapareceu" misteriosamente das rádios mas, como no Blog do Katano não há boicote que vingue, aqui fica o vídeo da interpretação de "Sem Eira Nem Beira" pelos Xutos e Pontapés, ao vivo no Fundão, por ocasião da Feira Internacional, e com muito carinho para todos os "Srs Engenheiros" deste país.


National Pornographic

No seguimento da assídua publicação da National Pornographic que se iniciou em Janeiro, é com muito prazer que dou à 'estampa' mais um número, o de Agosto!

Este mês o tema de capa é a reprodução 'assistida' das cegonhas.

Nas montagens (de fotos..) abaixo, pode-se observar como a reprodução é assistida por outras duas cegonhas que tentam disfarçar tal facto virando as costas.

Os preliminares seguidos do acto em si, perdão, na cegonha...



"um cigarro?"

A dúvida alimentar de Carolina Patrocínio

Segundo testemunho da própria, Carolina Patrocínio só come cerejas e uvas se a sua empregada retirar previamente os caroços e as graínhas, respectivamente.

Fica a dúvida: como é em relação ao Vasco? A empregada também tem de retirar previamente as graínhas?

domingo, agosto 23, 2009

A derrocada da Praia Maria Luísa ou a exaltação da estupidez

A grande notícia do momento é sem dúvida a da derrocada ocorrida na passada sexta-feira na praia Maria Luísa, em Albufeira, e que vitimou 5 pessoas, deixando ainda feridas outras 3.

Em primeiro lugar este drama acontece pelo completo desprezo das regras elementares de segurança por parte dos banhistas que ignoraram os vários avisos de perigo. Por outro lado, as poucas vedações que foram sendo colocadas nesta e noutras praias terão sido simplesmente destruídas por aqueles que procuravam aceder à praia.

Adicionalmente, também não se compreende como é que, perante sinais de aviso, as pessoas foram instalar-se junto à arriba. Uma banhista da Covilhã aliás, relatou ao Correio da Manhã que o seu marido tinha, à chegada à praia, colocado a toalha exactamente junto da parede rochosa onde se deu a derrocada. Só por insistência da senhora, desconfiada com a proximidade e alarmada pelo risco, tinham mudado depois de local.

Outros infelizmente, não agiram assim, com as consequências que se conhecem. Curioso o comentário de um banhista que comentou noutra praia, relativamente aos sinais de perigo e ao ter conhecimento da tragédia: "Eu pensava que a sinalética se referia só à queda de pedras e não da arriba"...

Este é contudo um problema já de longa data do Algarve (será que um ministro chico-esperto se vai agora lembrar de lhe chamar Fallgarve?). A natural erosão da costa, aliada à actividade sísmica regular e à construção desenfreada em zonas de risco, já tida como tão tradicional na região como os maranhos na Beira Baixa, contribuem para o acelerar da degradação da costa e só por milagre apenas agora aconteceu um acidente desta magnitude. Onde andam e o que fazem as autoridades em relação a isto? Se a relação causa-efeito está já há muito estabelecida, porque é que ninguém toma medidas? E se a praia era uma das praias em risco de derrocada, porque é que fica a sensação que, ainda assim, poderia ter sido feito algo mais do que a colocação de sinais de aviso e fitas de plástico?






O fascínio mórbido pelo sensacionalismo

Como sempre acontece nas mais diversas ocorrências trágicas, também a praia Maria Luísa foi palco de uma extraordinária manifestação de fascínio mórbido pelo sensacionalismo. Inúmeras pessoas dirigiram-se durante o fim-de-semana ao local em romaria (não encontrei termo melhor que este) para assistir aos trabalhos de resgate dos cadáveres e de remoção das rochas.

Entre um anónimo que deixou no local um ramo de flores de bungavília e diversas pessoas que fotografavam tudo o que era pedra, a SIC descobriu uma iluminada que decidiu levar -imagine-se- uma pedra como recordação porque, segundo ela, "a pedra tem valor" e era para ela nunca se esquecer porque "era de Guimarães". Confesso que nunca tinha visto ninguém dar uma entrevista com o cérebro na mão...

Mas claro, também não convém esquecer que, uma prova de inteligência colectiva é uma multidão encher uma praia na qual acabou de acontecer uma derrocada e onde a arriba pode estar comprometida, com o risco de mais desabamentos.



Deve ser definitivamente algo na água calcária do Algarve que leva as pessoas a tomar este tipo de atitudes e querer mostrar ao país a dimensão do conceito de ridículo. Só pode! Quem não se lembra, por exemplo, do caso da "onda gigante" de 1999? Um banco de neblina semelhante a uma onda formou-se no horizonte, levando a diversos alertas de aproximação de uma onda de 25 metros e à tentativa de evacuação das praias na zona de Albufeira. Digo tentativa porque, aqueles que levaram o aviso a sério, saíram do areal e ficaram a poucos metros à espera da onda. Perante a curiosidade dos jornalistas, um dos "iluminados" respondeu algo como "Então... disseram que vem aí uma onda gigante! Estamos aqui a ver se a vemos."




Notícias relacionadas:


Fotos:

sexta-feira, agosto 21, 2009

Mapa Mundi dos preconceitos


Philipp Lenssen é um informático alemão que, desde 2003, decidiu criar um Blog, o Google Blogoscoped, destinado a analisar tudo o que tem a ver com o motor de busca mais popular da actualidade. Na sua interpretação, analisar o Google é quase como analisar a consciência humana a nível global. Como resultado dessa análise, Lenssen decidiu compilar uma lista mundial de preconceitos que normalmente estão conotados com diferentes nacionalidades.

A técnica de pesquisa utilizada foi muito simples. Para a França por exemplo, Lenssen introduziu na caixa de pesquisa do Google (a tal que às vezes está pequena) o termo de pesquisa "french are know for *" fazendo depois uma recolha e tratamento dos resultados obtidos. Da lista resultante, antecedida de uma curiosa questão prévia no sentido de averiguar se o utilizador conhece o conceito de preconceito, deduz-se que os preconceitos mais difundidos são que os franceses adoram a sua comida, estragam os seus cães com mimos e destacam-se pelo seu romantismo e sofisticação.

E quanto a Portugal?

Na análise de Lenssen, Portugal ficou de fora. Contudo, como verdadeiro paladino do Serviço Público, o Blog do Katano apresenta aqui a lista dos preconceitos mais comuns associados aos portugueses, de acordo com a World Wide Web.

Assim, do ponto de vista "Googliano" da Internet, os portugueses são conhecidos por:
- Serem um povo tolerante, caloroso e acolhedor
- Serem de confiança e trabalhadores
- Terem um excelente marisco e pescado e ainda excelentes vinhos
- Por fazerem anti-jogo e serem durinhos nos jogos de futebol
- Produzirem rolhas e navegadores famosos


Link de referência:

quinta-feira, agosto 20, 2009

Pesquisas do Katano

No regresso da rubrica que periodicamente revela algumas das pesquisas insuspeitas que trouxeram até esta humilde casa alguns dos nossos visitantes, aqui ficam as últimas pérolas:

Ossário construção
Nunca vos aconteceu irem na rua e subitamente perguntarem a vocês próprios "
Como diabos é que eu poderia construir um ossário?"? Esta foi a dúvida que trouxe este leitor ao Blog do Katano e que esperamos ter esclarecido. Curiosamente, ainda aqui há uns Domingos atrás, esta dúvida me tinha ocorrido, curiosamente instantes antes de quase ter tropeçado na triatleta Vanessa Fernandes ao sair de casa. Qual é a relação? Nenhuma. Eu tinha era de arranjar forma de dizer aqui que quase tinha tropeçado na triatleta Vanessa Fernandes aqui há uns Domingos atrás.

Cereija do Fundão
Ai a cereija, a cereija... Esta fruita tão saboroisa que deixa saudades... Como ainda falta algum tempo até à próxima colheita, lá terão as pessoas de se contentar com peiras, meilões, maiçãs e, muito em breve, uivas.

manter a calma exame anatomia
Aqui cheira-me que houve "dedo" da nossa minhota residente...

pénis com pele seca ao redor
Depois de alguns leitores preocupados com os odores que emanavam da sua genitália, eis um outro leitor agora mais virado para as inquietudes derivada de alterações dérmicas nas suas zonas pudendas naquilo que aparenta ser um caso de desidratação sexual. Nada que uma boa pomadinha não resolva!

quarta-feira, agosto 19, 2009

À descoberta da Praia de Fornelos - Montedor/Carreço

Nem só de castros vive a arqueologia minhota, embora só no concelho de Viana do Castelo estejam inventariados mais de 40. Um dos locais mais interessantes que tivemos ocasião de visitar foi sem dúvida a zona que se estende da praia de Fornelos até Montedor, na freguesia de Carreço, monte que se ergue junto ao mar e que actualmente está coroado por um farol... construído sobre as ruínas de um castro (tinha de ser!).

Partindo das pias salineiras, num percurso diferente daquele que há pouco mais de um ano atrás fizemos, descobre-se um grande painel rochoso com gravuras rupestres de motivos esquemáticos zoomórficos (basicamente, bicharada desenhada com meia dúzia de riscos), representando essencialmente cervos e cavalos. É fácil imaginar a abundância destes animais, numa paisagem em que as serranias estão separadas do mar por uma grande planície, que faziam parte da vivência diária das primeiras comunidades que aqui se fixaram.



Nem só da caça e, mais tarde, da agricultura, viviam estas comunidades primordiais. Também o mar era uma abundante fonte de alimentos e os moluscos que se fixavam nas rochas e ficavam expostos, tal como hoje, durante a maré baixa, eram já então um petisco muito apreciado.

Actualmente encontram-se ainda muito esporadicamente alguns instrumentos de pedra que então eram usados para arrancar os moluscos das rochas. Os mais comuns são os chamados "picos asturienses", instrumentos simples feitos com seixos lascados e assim chamados pela zona onde inicialmente foram descobertos. No entanto, a indústria de instrumentos líticos também produziu muitos outros instrumentos, tanto pelo emprego dos seixos lascados, como pelo aproveitamento das próprias lascas, usadas para produzir instrumentos de menores dimensões.

Embora não seja fácil encontrar instrumentos líticos deste género (é mais fácil encontrar erros ortográficos no software do Magalhães, por exemplo), posso afirmar por experiência própria que dá muito jeito ter uma namorada com um fabuloso olho de lince e que desencanta picos asturienses com a mesma facilidade com que uma pessoa asseada se limpa a um guardanapo e que quase conseguiu fazer-me parecer perfeitamente cabível a ideia de levar um carrinho de mão para a praia.


Da nossa "prospecção" - chamemos-lhe assim - resultou a descoberta dos instrumentos visíveis na foto, bem como de núcleos dos quais foram retiradas várias lascas. É possível verificar que o instrumento da direita se encontra bastante desgastado por alguns milénios de erosão marítima.

De acordo com Cortina, Moralez, Uria e Asensio, da Universidade de Oviedo, num artigo intitulado "Picos Asturienses de Yacimientos al Aire Libre en Asturias", este tipo de utensílios define uma época de transição entre o Paleolítico e o Neolítico, e poderão situar-se entre 10.000 a 5.000 anos antes de Cristo.

Para o deleite audiovisual dos nossos leitores, aqui fica o 2º vídeo oficial do Blog do Katano que sintetiza aquilo que foi o passeio na base deste artigo:


terça-feira, agosto 18, 2009

Por Entre Douro e Minho III - O Castro de São Lourenço parte 2 (vídeo)

A título experimental, a Junta Directiva do Blog do Katano resolveu publicar um vídeo sobre o Castro de São Lourenço. Cá está ele:


Pedimos desculpas por quaisquer anomalias técnicas. Se a coisa correr bem, somos bem capazes de apostar neste tipo de conteúdos.

segunda-feira, agosto 17, 2009

À esquerda no cruzamento da cueca

Se parar para pedir indicações sobre o percurso a seguir e alguém responder "É à esquerda, no cruzamento da cueca!" então você está em Vouzela!

Por Entre Douro e Minho II - O Castro de São Lourenço

Continuando as visitas castrejas, no seguimento da nossa viagem pelo Minho, demos um pulinho ao curioso Castro de São Lourenço. Trata-se de um castro com aspectos muito interessantes e cuja ocupação se estendeu desde o séc. IV ou V a.C. até à Idade Média quando, estando este talvez já abandonado, a população aqui se refugiou e fortificou.

O Castro, com 3 linhas de muralhas, situa-se perto de Vila Chã, no concelho de Esposende, com uma vista fantástica sobre a planície que se estende desde o monte, onde se encontra o castro propriamente dito, até à beira do mar, paisagem que é dominada pela cidade de Esposende.


No topo do monte, foi construída uma capela cuja plataforma de implantação destruiu parte do castro, estando mesmo suportada em parte por uma muralha (medieval?). O Castro de São Lourenço terá sido abandonado durante o século V, depois de mais de 1.000 anos de ocupação que fizerem dele uma povoação importante, tendo sido reocupado durante o período da Reconquista Cristã. Nesta altura, por volta do séc. X, terá aqui sido edificado um "castelo" que consistiria numa fortificação circular no topo do monte à boa maneira da época.

Devido a esta ocupação extensa do castro, que no seu auge ocupou todo o monte desde a sua base, encontraram-se construções sobrepostas e vestígios de inúmeras épocas, desde a Idade do Bronze, até vestígios gregos e romanos (inclusive um tesouro). Aliás, a romanização do local não terá sido pacífica como o prova uma camada de cinzas que foi encontrada nas escavações e que data do séc. I da nossa era. A partir desta altura, o castro modificou-se drasticamente, denotando uma profunda influência romana na arquitectura e ordenamento.


Algumas das casas mais antigas do castro, as casas circulares e sub-rectangulares, foram reconstruídas e, embora o resultado não seja consensual (embora sejam mais fiáveis que as reconstruções de Briteiros), ajudam a ter uma excelente ideia de como seria o povoamento à chegada dos romanos. As casas foram construídas de forma a aproveitarem o relevo, tendo a rocha sido afeiçoada e tendo sido construídas plataformas para servir de base para as construções. Numa época mais tardia, as casas era revestidas interiormente a branco ou amarelo e tinham um rodapé em cinzento. O chão era de argila ou saibro compactado.



As casas tinham uma cobertura vegetal que, com a chegada dos romanos, foi substituída pela telha romana. Também tal como em Briteiros, as casas estavam agrupadas em núcleos familiares fechados, uma espécie de condomínio fechado dentro do castro, e o átrio desses núcleos era pavimentado com lajes, tal como as ruas pelas quais se circulava.



Parte do castro foi destruído nos anos 1950 com a construção da capela que se situa no topo e com a abertura do acesso à mesma. Ainda assim algumas construções foram assinaladas no pavimento desses acessos. As mais típicas tinham um pilar central de suporte do telhado, apoiado numa pedra que se encontra frequentemente no centro das ruínas das casas. Muitas dessas construções mostram vestígios do vestíbulo em forma de "patas de caranguejo" referido no post anterior, assim chamado pelo desenho que as ruínas sugerem.


Dentro do castro foi criado um percurso temático, com diversos painéis verticais explicativos bastante esclarecedores, que ajudam a percorrer e compreender o castro nas suas diversas fases. Embora a área visitável não seja ainda muito extensa, sobretudo se tivermos em conta as dimensões e o potencial do castro, a visita consegue ser bastante instrutiva e interessante.


Desde 1985 o castro tem sido alvo de trabalhos arqueológicos que ainda hoje decorrem. Aliás, na nossa visita, foi possível encontrar duas áreas em escavação, uma junto à primeira linha de muralha e outra um pouco afastada desta, orientada a Sudeste, que mostram que ainda há muito por revelar. Na foto acima é possível ver uma vala de escavação que trouxe à luz do dia mais uma casa circular assente sobre o substrato rochoso, juntamente com o lajeado que ficava no exterior desta.

Trata-se de um local que justifica uma visita, tanto pela componente de interesse histórico como pela componente paisagística e que promete em breve tornar-se ainda mais interessante com a conclusão do centro interpretativo actualmente em construção.

Para aqui chegar, o mais fácil é sair na A28 (Porto - Caminha) na saída para Esposende e daqui seguir na direcção de Vila Chã, seguindo as indicações.

Links relacionados:

sexta-feira, agosto 14, 2009

Quer comunicar com extraterrestres? Envie um SMS!

É pelo menos esta a proposta do site Hello From Earth que promete enviar para o exoplaneta Gliese 581d, via SMS, as mensagens deixadas no site pelos cibernautas até ao próximo dia 24 de Agosto. Os SMS serão enviados usando o sistema de comunicação da NASA em Canberra.

O Gliese 581d é um planeta situado fora do Sistema Solar que reune características que levam os cientistas a pensar que poderá aí existir vida.

O único problema é que o planeta encontra-se a 20,3 anos-luz da Terra, o que significa que fica um pouco mais longe que o local onde se encontra o calçado extraviado de Judas Iscariotes. Sendo um ano luz a distância que a luz percorre durante um ano, viajando a uma velocidade geralmente constante de cerca de 300.000.000 m/s. Isto significa que as mensagens só deverão chegar lá por volta de Dezembro de 2029.

Caso haja alguém do outro lado, a maior dificuldade de interpretação das mensagens residirá no facto de ter de ler algo como "Oi! Tá td? Extou nu planetah terrah! Mts bjinhus pra voxex!".

quarta-feira, agosto 12, 2009

Por Entre Douro e Minho - A Citânia de Briteiros

Os últimos dias foram passados em périplo por terras de Entre Douro e Minho, tendo a ocasião sido aproveitada para visitar alguns locais e sítios arqueológicos relevantes da região. Os castros, povoações muralhadas da Idade do Ferro (cerca de 500 a.C.), mereceram alguma atenção, com 2 deles (entre muitas dezenas!) a serem visitados: Briteiros e São Lourenço - Esposende. Os próximos artigos irão abordar o que de mais relevante visitámos.


A Citânia de Briteiros

A Citânia de Briteiros situa-se entre Braga e Guimarães, junto à localidade de Salvador de Briteiros e é em conjunto com a Citânia de Sanfins, em Paços de Ferreira, um verdadeiro ícone da cultura castreja na Península Ibérica.

O local onde se encontra o castro, que era o centro político da tribo dos Brácaros, cujo território estava compreendido entre o Douro e o Lima, à chegada dos romanos, foi ocupado desde tempos mais remotos, facto comprovado pela descoberta de vários vestígios pré-históricos.

Quanto ao castro, terá tido ocupação efectiva a partir do séc. II a.C. e até ao séc. III d.C., tendo sido fortemente romanizado a partir do séc. I d.C., como é possível comprovar tanto pelos vestígios encontrados nas escavações como pelas construções quandrangulares que se encontram um pouco por todo o lado.


As mais de 150 habitações da Citânia, defendida por 4 linhas de muralha, organizam-se a partir do cruzamento de duas ruas principais lajeadas, a partir das quais se desenvolvem outras ruas secundárias. O tecido habitacional está dividido em pequenos conjuntos familiares que, na época, eram fechados de forma a garantir alguma privacidade. Numa das ruas era canalizada água que provinha de uma nascente situada dentro da povoação e que a levava até ao sector dos banhos.

No topo da Acrópole, o ponto mais alto da Citânia, encontram-se duas habitações reconstruídas sob a direcção de Martins Sarmento, arqueólogo cujo nome está intimamente ligado à Citânia e que começou a escavá-la em finais do séc. XIX. Pelo que se sabe hoje, as casas estão mal reconstruídas (as paredes deveriam ter cerca de 1/3 da altura das casas, e o telhado de colmo deveria ser mais alto e mais inclinado) e desajustadas do contexto envolvente. Aparentemente, o próprio Sarmento não terá ficado muito contente com o resultado final destas.

Junto às casas reconstruídas encontra-se algumas inscrições rupestres, uma delas dando conta do nome do proprietário de uma da casas: Camalo. Perto dali, várias sepulturas medievais e um cruzeiro atestam a existência de um santuário ou ermida entretanto desaparecido.



Muitas das casas circulares apresentam um aparelho construtivo helicoidal, visível nesta fotografia. A necessidade de espaço terá levado à construção das estruturas tipo "pata de caranguejo", uma espécie de vestíbulo da habitação. O espaço do átrio, área comum para a qual desembocavam todas as outras casas desse núcleo familiar era também lajeado.


Mais isolada surge a enorme Casa do Conselho onde teriam lugar reuniões de cariz governativo. Sendo esta a capital política dos Brácaros (Callaeci Bracari) é de supor que aqui tivessem lugar reuniões com os chefes dos restantes castros da tribo. Também se tomariam aqui decisões de cariz administrativo local. Junto à parede vê-se um largo banco corrido em pedra e é sem dúvida irresistível imaginar os vários líderes aqui sentados em acesa discussão sob um enorme telhado de colmo e à luz de uma lareira.



Interessantíssimo é sem dúvida o edifício dos banhos. Este edifício, o único edifício balnear conhecido até às escavações de 2006, estava dividido em 4 secções: o átrio onde se encontra um tanque de água fria alimentado pela nascente dentro da povoação, uma sala intermédia que serviria de vestiário e para adaptação térmica do corpo à sala seguinte, da sauna, à qual se acedia rastejando por uma pequena abertura semi-circular na base da chamada Pedra Formosa, uma impressionante laje pentagonal. A última secção consistia no forno que produzia o calor e o vapor de água. Este último era obtido pelo derramar de água sobre pedras aquecidas.

Na foto seguinte, um cidadão completamente anónimo e voluntarioso, disponibilizou-se para, perante o cepticismo de que foi alvo e à custa da limpeza do próprio vestuário, exemplificar a passagem dos banhistas pela Pedra Formosa, neste caso saindo da sala da sauna.


O propósito dos banhos é ainda alvo de discussão. Se o geógrafo e historiador grego Estrabão refere que estes povos tomavam banho "à maneira grega", isto é, fazendo sauna e depois mergulhando em água fria (neste caso seria nos tanques do átrio do balneário), isto com o único propósito de limpeza e relaxamento corporal, já outros autores sugerem um propósito cerimonial iniciático. Os banhos poderiam ser um local onde se contactava com os deuses, sendo as visões propiciadas pela inclusão de centeio (afectado muitas vezes por um fungo de características alucinogénicas) ou mesmo de alguns cogumelos.

Fica aqui a descrição que João Aguiar faz de um banho dos Brácaros na sua obra "Uma Deusa na Bruma", à luz da segunda teoria:

"(...) os banhos (...)lavavam os corpos, mas eram também um santuário consagrado a Nábia e serviam, em certas ocasiões, para lavar as almas, permitindo por vezes, àqueles suficientemente fortes para o suportar, um contacto directo com os deuses. (...)

Saíram da cidade pela porta nobre e desceram o morro. Em torno dos edifícios dos banhos, comprimia-se uma pequena multidão, os pais dos rapazes que seriam iniciados nessa manhã. (...) A espera foi longa e fatigante e eles tinham os estômagos quase vazios. De tempos a tempos, saíam os iniciados, em grupos de dois, completamente nus e trazendo as marcas da experiência por que haviam passado: uns cambaleavam, como que entontecidos, com o olhar vago; outros choravam; outros, ainda, caminhavam aos sacões, agitados por um riso nervoso. (...)


A Segunda Câmara era muito semelhante à divisão anterior e também tinha, como ela, bancos de madeira. Única diferença: estava saturada de vapor de água, uma névoa morna que se colava à pele. No lado oposto ao da entrada, a parede, feita de um só bloco de pedra, mostrava uma abertura pequena, de arco redondo, rente ao chão. (...) Para entrar na Primeira Câmara, um de cada vez, era preciso sentar-se no chão e introduzir as pernas em primeiro lugar; depois, agarrando-se com as duas mãos ao entalhe escavado na pedra, por cima da abertura, impulsionava-se o resto do corpo para dentro.


(...)A Câmara de Iniciação era um compartimento muito menor do que o anterior e não tinha bancos. Tinha, em compensação, no lugar oposto ao da abertura da entrada, um recesso rectangular. Aí, sobre uma grelha de ferro, estendia-se uma grossa camada de seixos certamente trazidos da beira-mar; por baixo, ardia uma fogueira cujo fumo se escapava pela parte de trás, que era aberta, mas não visível para quem se encontrasse no interior.


À altura do tecto, havia um largo orifício que, destapado, servia para observar o que se passava na Câmara e tinha ainda outra finalidade: quando os dois rapazes entraram, um acólito lançou através dele um largo punhado de grãos de centeio; e, após breves instantes, verteu uma certa quantidade de água proveniente da fonte do santuário. Ao contacto com as pedras aquecidas, a água transformou-se quase instantaneamente em vapor, o pequeno recinto encheu-se novamente de bruma espessa que carregava o cheiro activo do centeio."


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terça-feira, agosto 11, 2009

A minha localidade tem um nome que dava uma posta - PÓVOA PALHAÇA

palhaca

A aldeia de Póvoa Palhaça, aliás, Póvoa da Palhaça, situa-se a Este da cidade do Fundão, sede do Concelho ao qual a localidade pertence.

Ignoramos se o dia-a-dia da localidade é dado à palhaçada ou se existe aqui realmente uma palhaça mas que tem um nome curioso, isso tem.

Conhecem mais localidades cujo nome dava uma posta? Enviem uma foto à Junta Directiva do Blog do Katano!

sábado, agosto 08, 2009

PARABÉNS ANA

8 de Agosto, feriado nacional no Blog do Katano. Hoje comemora-se um dia importantíssimo da história deste humilde espaço: o aniversário da Ana. Esta efeméride será motivo para a realização, durante os próximos 3 dias a contar de hoje, do grandioso Festival Rock in Vale (d'Urso).

À Ana, a Junta Directiva do Blog do Katano deseja muitas felicidades e muitos anos de vida, endereçando estes votos na graça do Senhor e com amizade sincera.




Há um ano atrás


Há praticamente um ano atrás, a noite de Sexta para Sábado foi de intensa actividade e ansiedade. Porque nunca é demais relembrá-lo, estarei eternamente agradecido às pessoas que, incansavelmente e sem esperarem nada em troca, trabalharam durante toda a noite e manhã.

Há um ano atrás, aconteceu a 1ª edição da Exposição Memórias do Vale.

quinta-feira, agosto 06, 2009

E eis que o PSD volta a insistir na mesma piada...

Em primeiro lugar, para evitar confusões, o Blog do Katano quer tornar público que não foi até ao momento convidado por qualquer partido, nem publicamente nem a título pessoal, para as listas de candidatos a deputados para as próximas eleições legislativas. Agora sim, podemos avançar para o tema deste artigo.



Nas eleições legislativas de 2002, que levaram Durão Barroso ao poder, o PSD teve a peregrina ideia de colocar como cabeça de lista pelo círculo eleitoral de Castelo Branco nem mais nem menos que a apresentadora de televisão Maria Elisa. Apesar da dúvida sobre se Maria Elisa já alguma vez tinha pisado Castelo Branco, a população terá achado alguma piada a esta nomeação e o PSD conseguiu aqui eleger 2 deputados, contra 3 do PS, entre os quais se encontrava José Sócrates, provavelmente já com o grau de Engenheiro.

Maria Elisa entretanto, cuja maior actividade consistiu em recusar sistematicamente prestar declarações ao Jornal do Fundão para a rubrica "O que fez esta semana pelo seu Distrito?", acabou por ficar desencantada com a Beira Baixa, provavelmente pelo clima que é algo desagradável para quem não está habituado a ele, e emigrou para Londres.

Talvez convencido por algum impulso de superstição aliada a algumas saudades do poder, o PSD volta este ano a usar a mesma estratégia de puro humor ao colocar como cabeça de lista por Castelo Branco nem mais nem menos que... Costa Neves. Das duas uma, ou o PSD acha que Costa Neves tem aquilo que é preciso para, de um momento para o outro, se tornar um beirão de gema ou então o stock de piadas estará algo esgotado, obrigando a repetir velhas fórmulas.

Mas quem é afinal este Costa Neves que vai competir directamente com José Sócrates? O agora candidato a deputado por Castelo Branco fez carreira política ... nos Açores, chegando a ser presidente do PSD dessa região. O interessante é que, ao abandonar esse cargo, Costa Neves afirmou pretender fazer uma paragem na sua vida política. Poderá realmente haver aqui alguma coerência de Costa Neves uma vez que, sem desagradar ao seu partido, se arrisca a continuar o hiato na sua carreira.

Contudo, se o objectivo for mesmo ir em busca de votos (já acredito em tudo) há muito trabalho ainda a fazer pelo PSD. O mais importante será oferecer a Costa Neves um aparelho de GPS pré-programado, que o consiga orientar até Castelo Branco para, pelo menos, saber onde fica a capital de distrito pela qual se vai candidatar. Sim porque nos Açores, pelos vistos, a geografia do Continente é um exercício confuso e a própria imprensa da região autónoma (nesta altura com "uma autonomia melhor mas não com a melhor autonomia") parece indecisa entre situar Castelo Branco na Beira Baixa ou no Alto Minho. É o que dá abusarem da referência "Castelo" nos topónimos.

Quanto a mim, esta candidatura vem facilitar um bocado a decisão de voto. Excluído que está o PSD, o rol de escolhas coerentes fica menor.


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