domingo, novembro 30, 2008

Lagarada

Por esta altura do ano a produção de azeitona começa a chegar em força aos lagares e, embora sem a visão artesanal e bucólica de outros tempos, há ainda tradições que se vão cumprindo com maior ou menor visibilidade como é o caso da lagarada.

Ontem , no lagar de Silvares, vila do concelho (com "C") do Fundão, tive a oportunidade de participar numa lagarada, pretexto para uma noite de muito boa disposição e, porque não, de exercício de gula.

Começando nos enchidos assados com mestria e pela tibórnia, até ao bolo rei apalpado e aprovado pelo Alfredo, uma verdadeira figura emblemática e um R.P. de respeito, houve pelo meio, ocasião de experimentar o tradicional prato de bacalhau, couve e batata, tudo regado com um fantástico azeite acabadinho de fazer.

Pela delegação do Porto, que também participou no evento, tivemos conhecimento de uma expressão curiosa mas bem representativa de como o azeite é tradicionalmente visto como um ingrediente extremamente benéfico para a saúde. Ao que parece, quando alguém mostra ser inteligente diz-se sobre ele que "parece que bebe azeite". Coincidência ou não, após ter sido proferida esta frase, os convivas reforçaram a dose de azeite no prato. 

Alguém conhecia esta expressão?


As prensas onde é espremido a pasta de azeitona entre os capachos


A caldeira, alimentada a casca de pinheiro ("carcódia") e bagaço seco de azeitona, destinada a aquecer a água, essencial no processo de obtenção do azeite


A bela da "couvada" com o recipiente do azeite pronto a distribuir inteligência pelos participantes


Zona de preparação da "couvada" a cargo das laboriosas participantes


Os convivas atacando a refeição. É possível ver uma jovem participante retirando o Ice Tea da mesa após ter tido conhecimento das propriedades benéficas do azeite.


Carlos e Fátima, mestres lagareiros e anfitriões da noite.

sábado, novembro 29, 2008

Gardunha de branco

A Gardunha acordou vestida de branco, fruto do nevão que caiu durante a noite. Há qualquer coisa na neve que me fascina, talvez seja a poderosa transformação de paisagem que opera, transformando tudo o que é habitual e rotineiro num autêntico mundo novo ou talvez seja a carga de silêncio que reveste um amanhecer com neve.

Aqui partilho alguns instantâneos, ainda fresquinhos, com os leitores do blog. Bonito, não é?






sexta-feira, novembro 28, 2008

Mais pesquisas do Katano

Com o aumento de tráfego gerado pela vitória no Super Blog Awards, aumenta também o número de visitantes que aqui vêm parar com pesquisas que, com franqueza, não lembram nem ao Diabo.

As mais "interessantes" nos últimos tempos foram sem dúvida estas:



"dicurso de um autor na noite de autografo"

Será que se trata do autor da obra "Acordo Ortográfico para Totós"? Seja como for deixamos aqui um conselho (com "s"): a não ser que faça uso do corrector ortográfico que qualquer processador de texto disponibiliza, por favor, não distribua uma cópia do discurso. Vai arruinar a magia.



"travestis natal "

O único motivo que nos ocorre para esta pesquisa é, sem dúvida, que ela foi efectuada por alguém que também está sensibilizado com o drama das coníferas nesta altura do ano. Bem-vindo à P.I.L.A. caro(a) amigo(a)! Bom... também pode ser alguém interessado em passar uma noite de Consoada num ambiente mais "exótico" e "maroto" ao mesmo tempo.




"10 motivos para não mentir"

Hmmm... porque é feio? Porque... é pecado? Porque quem mente vai para o inferno? Porque inevitavelmente a esposa vai descobrir aquela marca de batom no colarinho? Tantas possibilidades e tão pouco tempo...




"o rabão de ana malhoa"

Aparentemente alguém pretendia usar como objecto de estudo anatómico o conjunto de glúteos da Ana Malhoa. Já agora aproveitamos para dar a seguinte novidade: a Ana Malhoa também é cantora. Dizem. Bom, é o boato que corre, vá!


Mas o primeiro prémio vai para:

"fugir à ASAE"

Dispensa qualquer comentário.

... e voltando à questão da ortografia...

... recebi ontem pela manhã o magnífico SMS que se segue:


"Qual é a pace ord? Rpd!"

Após alguma reflexão, consegui concluir que se tratava de alguém que precisava de uma password com alguma urgência.

Ai língua portuguesa, essa dama tão mal amada...

quarta-feira, novembro 26, 2008

Tudo sobre como obter um passeio de gôndola "low cost" que é tão bom como os outros

Antes que comecem a elaborar pensamentos menos próprios a meu respeito, acerca desta minha obsessão com Itália (a propósito, ver aqui, aqui, aqui e aqui) e de não ter outro assunto para postar senão este, deixem-me que vos diga que o faço apenas por um motivo: o Caetano está stressado. É nestas alturas que os contribuidores devem tomar as rédeas do bloguinho e, num profundo acto de coragem, valha-nos Ele, (tentar) contribuir com uma “posta” do Katano. Ora vamos lá…


Um gondoleiro aparentemente quase stressado.


Ser gondoleiro em Veneza não deve ser mesmo nada fácil. Para já, o dia começa bem cedo, mal chegam os primeiros turistas na calma da manhã, desejosos de aproveitar bem o dia. O pobre do gondoleiro, com pouco tempo para tomar o seu cappuccino (ou será que é só para turistas?) e ler o seu jornal, é forçado a fazê-lo já no seu local de trabalho. O congestionamento dos canais é frequente, o que obriga o gondoleiro a cumprir as regras de circulação tal como se de uma estrada se tratasse.

Não, não é montagem, o sinal de sentido proíbido está mesmo lá.

Aquilo são 5 pessoas dentro de uma gôndola? Bem que podiam ter arranjado mais alguém...


Faça chuva ou faça sol, lá está ele a perseguir o turista que, com a crise mundial instalada, anda ainda mais esquivo… A abordagem é uma arte trabalhada ao pormenor, desde o traje envergado com um estilo muito próprio, ao charme lançado num olhar acompanhado de um belo sorriso. Herdou dos seus antepassados a licença de gondoleiro (caso contrário, teria de a comprar por 700 mil a um milhão de euros), mas a lábia para o negócio… essa aprendeu-a com a experiência. E não há nada como umas palavras em italiano dirigidas às turistas mais incautas! – certamente foi isto que pensou o tal gondoleiro que abordei em Veneza, por mera curiosidade.

Gondoleiro de fita azul (claramente inexperiente): má postura, braços cruzados, óculos graduados e... onde é que estão as fitas pendentes? ERRADO!

Gondoleiro de fita vermelha (o expert): óculos de sol, gola levantada, mãos nos bolsos, postura elegante. CORRECTO!


Ao passar por estes genuínos espécimes, fui dominada por uma súbita questão existencial: “Quanto será que custa um passeio de gôndola?” Sem cantorias nem pôr-do-sol é claro, pois isso com certeza custaria muito mais caro. Sem papas na língua e num italiano incipiente, depois de ter captado este instantâneo em que o dito tentava uma aproximação à ragazza que passava, abordei o gondoleiro da fita vermelha (ups! inverti os papéis…) com a pertinente pergunta.

Após um sorriso motivado pela perspectiva de negócio, lançou, sob o olhar atento do companheiro: “90 euros”. Perguntei: “Por quanto tempo?” Após alguns rodeios e troca de argumentos com o companheiro, alegando que isso dependia de muitos factores, respondeu: “Cerca de 40 minutos”. Com um sincero ar de incredulidade que não fiz questão em esconder, afirmei que era caro, agradeci e virei costas.

Acompanhem-me neste pensamento: se um gondoleiro ganhar 90 euros por viagem (já sem contar que ganha quase o dobro se esta for acompanhada por uma musiquinha ao pôr-do-sol) e no final do dia tiver feito 6 viagens (o que não é muito, para a procura turística que existe), no final de uma semana laboral de 5 dias já ganhou 2700 euros. No fim do mês terá ganho mais de 12 mil euros!!

Não passaram 5 segundos, já o tinha a chamar por mim, perseguindo-me: “Signorina, signorina!”. Perguntou se a viagem era com o meu namorado, se queríamos uma viagem mais curta (logo, mais barata), blá blá blá… Mas ao reparar que eu estava em grupo, sugeriu uma viagem para 6 pessoas pela módica quantia de… 60 euros! Calculo que passear com seis pessoas numa gôndola seja uma experiência inesquecível mas, ainda que o bilhete individual custasse agora apenas 10 euros, mais uma vez recusei. Num arremate desesperado, lançou a sua última promoção: “São estudantes?” (nota-se assim tanto??) “Para estudantes, faço uma viagem para duas pessoas por 10 euros cada.”

Com uma expressão de maior espanto no rosto pois, sem qualquer interesse, havia conseguido um passeio de gôndola “low cost”, agarrei-me à promessa que havia feito ao Caetano e aos euros que me restavam para investir em souvenirs, e vim embora.


P.s. - Para terem uma noção da generosidade do senhor, 9 euros é quanto custa uma viagem de vaporetto (uma espécie de autocarro) pelo Grande Canal...

Stress...

O proprietário deste blog tem andado tão atarefado quem não tem tido tempo para mandar aqui umas "postas".

Aliás, pensando bem, tem andado a trabalhar tanto que nem sequer tem tempo para ganhar dinheiro.

Voltamos já.

segunda-feira, novembro 24, 2008

Árvore de Natal ou Árvore Travesti?


A P.I.L.A., Pessoas pela Independência e Libertação das Árvores, acaba de lançar n'A Funda São uma campanha que visa acabar com uma prática sazonal que, segundo eles, consiste em transvestir os nobres pinheiros por esta altura do ano, fazendo deles uma espécie de Elton John arborícola.

Sem dúvida uma causa a ter em conta e a constatação de mais uma vertente do drama anual das árvores coníferas que agora se inicia.

sábado, novembro 22, 2008

Incêndio em Novembro II


Aparentemente o senhor pirómano deveria estar por perto quando se extinguiu o primeiro foco e, evidentemente triste por ter visto atitudes de pessoas sem respeito pela sua genial "obra de arte", decidiu acender uma nova frente a menos de 1km do primeiro.

Felizmente os meios foram rápidos a acorrer e em pouco mais de 2h o fogo foi extinto, apesar do vento fortíssimo que fazia com que as chamas se espraiassem quase na horizontal (a razão essencial da ligeira queimadura-escaldão na minha testa).

Para concluir, não posso deixar de dar uma palavra de agradecimento e de elogio aos bombeiros que são muitas vezes alvo de críticas injustas sem sentido. Enormes!

Quanto ao Vale, ainda não foi desta... 

Incêndio em Novembro



Se havia coisa que não esperava, não só num Sábado à tarde mas também nesta altura do ano, era receber um telefonema alertando-me para a deflagração de um incêndio junto a Vale d'Urso.

Felizmente, à semelhança de outras ocasiões, a população soube reagir e, com a preciosa ajuda dos bombeiros, depressa o incêndio foi controlado.

Custa-me imenso compreender as motivações destes animais, que não se importam com a propriedade alheia e decidem, simplesmente porque devem achar bonito, atear o fogo tão próximo de uma povoação. Obviamente que é difícil encontrar os responsáveis pelo acto mas, o conjunto de pistas que foi possível perceber nos arredores apontam para os "machos de moto 4".

Resta saber até quando a lei irá continuar a ser branda com os pirómanos e, por outro lado, até quando continuaremos a ter de suportar o "civismo" muito particular de alguns indivíduos que se pensam reis e senhores de tudo o que é trilho?

(...)

Ok acabo de receber mais um telefonema. Até logo.

quinta-feira, novembro 20, 2008

Alguém quer uma dose de Omoltmuskrooms?

Ali para os lados de Belém, há um simpático restaurante que, com uma hospitalidade inigualável que se percebe apesar do ar grave e altivo dos seus funcionários, serve os mais variados pratos apresentados nas mais variadas línguas.

Trata-se contudo de um restaurante que emprega, na elaboração das suas ementas, uma linguagem que desafia a lógica e cujas origens se situam numa época onde ainda não se falava de Acordo Ortográfico e o inglês, o francês, o alemão e o italiano eram basicamente a mesma língua incompreensível.

Ao consultar esta ementa fui acometido de um misto de nostalgia e apetite súbito. Dei por mim a divagar e a pensar em como seria bom poder estar ali a mirar o Tejo, confortavelmente instalado naquela esplanada, e degustando uma saborosa Omoltmuskrooms, uma untuosa Panade Crevett ou um cremoso Freid Steak Crem, qualquer um deles precedido por uma fresquíssima Tomato Sald... *suspiro*. 

Alguém consegue ler a ementa sem ficar com fome?

quarta-feira, novembro 19, 2008

Liquid Smoking


No momento em que governos, ONG's e o humilde consumidor tentam arranjar alternativas para controlar o vício tabagístico, surge na Holanda um novo produto para, segundo a empresa fabricante United Drinks, substituir e/ou eliminar a necessidade de fumar e para permitir satisfazer o fumador em locais públicos em que seja vedado o acesso a fumadores.
A bebida, que será comercializada em latas de 275ml e custará aproximadamente 1,85€, tem já encomendas em 43 países (sendo Portugal um deles) e preve-se chegar às lojas já em 2009. É fabricada através do extrato de ervas oriundas da África do Sul, um efeito estimulante seguido de sensação de relaxamento e, segundo a empresa não contém nicotina, não se assemelha a nenhuma das bebidas energéticas existentes e, cada lata, contem apenas 20 calorias. Só vantagens portanto... Até ao momento nenhum dos estudos clínicos efectuados indica que a bebida possa ter perigos para a saúde pública, mas todos eles foram encomendados pela empresa fabricante e, que me lembre, nenhum dos estudos encomendados pela industria tabaqueira indicava consequências directas do tabaco para o cancro do pulmão. Isto numa altura em que se estima que até 2020 até 10 milhões de pessoas morrerão vitimas de problemas causados pelo tabaco.

Não vou emitir opiniões pessoais, simplesmente achei a noticia curiosa e cortei-a logo da revista para poder partilhar convosco. Achei curioso porque, automaticamente, me ocorreu que não estaremos muito longe do dia em que a realidade da familia Jetson (n sei se sem lembram dos desenhos animados) passará a ser a nossa. Fumamos em lata, comemos por comprimidos e, quiça, um destes dias possamos teleportar-nos do ponto A para o ponto B, o q, com o preço a que está o combustível, me parece mais atractivo a cada dia que passa.

Secadeiras na última edição da "Piedras con raíces"



Já foi publicada a edição nº23 do Outono de 2008 da revista de arquitectura tradicional Piedras con Raíces, publicada pela ARTE, Asociación por la Arquitectura Rural Tradicional de Extremadura, sedeada em Cáceres. Nesta revista vem incluído o artigo sobre as Secadeiras da Serra da Gardunha que havia elaborado em Agosto último.

Esta revista foi o pretexto para uma deslocação a Valência de Alcântara para um encontro com José Galindo, co-director da revista, com o qual tivemos uma interessantíssima conversa. Extremenho por convicção, defende que não é espanhol pois identifica-se mais com Portugal do que com Espanha, Galindo é um acérrimo defensor da arquitectura tradicional da região da raia, tendo realizado estudos nos dois lados da fronteira.

Ficou desde já acertada uma nova colaboração com a revista no sentido da publicação de um trabalho sobre os moinhos da ribeira de Vale d'Urso e Gardunha.

terça-feira, novembro 18, 2008

Memórias do Vale II: Conclusão

A pedido de várias famílias, cá ficam as últimas fotos da exposição, mais uma vez da autoria do grande fotógrafo Xamane.

O espaço onde foi montado o cenário


Uma hora mais calminha de visitas



A abertura da exposição



Dia 2, alguns patrocinadores apareceram para visitar o espaço

"Gerações"

Memórias do Vale II: Mais algumas imagens





Mais algumas imagens, estas da autoria do fotógrafo oficial da exposição, que ilustram a forma como o cenário estava montado.

Modéstia à parte, creio que o cenário foi muito bem conseguido, contudo, a sua concretização nunca teria sido possível sem uma valorosa equipa de voluntários que, em apenas uma noite, transformou uma sala incaracterística num ambiente que surpreendeu tudo e todos.

Como recompensa, o director técnico dos trabalhos, surpreendeu a equipa de trabalho com um original repasto nocturno, digno de um gourmet, facto que levou muitos a afirmar "Esta é a melhor ceia que já alguma vez comi no decurso de trabalhos de montagem de exposições sobre os equipamentos comunitários da economia rural dos sécs XIX e XX e sobre o Ensino Primário sob a Égide do Estado Novo".

segunda-feira, novembro 17, 2008

Memórias do Vale II: O poder das câmaras


Tendo em conta que a exposição decorreu no âmbito da Festa da Castanha do Souto da Casa, aproveitámos um momento de pouca afluência para ir observar como decorriam as coisas no recinto das barraquinhas e onde ia também decorrer o magusto.

Depois de alguns momentos de convívio, onde houve tempo para provar uma tão excelente quanto "perigosa" jeropiga, encetámos o caminho de regresso ao espaço onde estava instalada a exposição.

Na palhaçada, o Pepe ía ao meu lado tirando fotografias enquanto , à nossa frente, seguia o grande realizador Alex com a sua implacável câmara de filmar apontada para nós.

A dado instante, perante tal aparato e, talvez também influenciado pela minha roupa mais formal, um popular completamente desconhecido que ali se encontrava, dirigiu-se para mim e, apertando-me efusivamente a mão, saudou-me dirigindo-me palavras de boas vindas ao Souto da Casa.

Por instantes, senti-me tentando a pedir-lhe que votasse em mim nas próximas autárquicas...

Interlúdio

Entre uma aula de Prolog e uma rápida incursão para devolver as alcatifas da exposição, tive oportunidade de assistir a parte do noticiário das 13h.

A notícia era sobre (mais) uma manifestação de estudantes do secundário que, furiosamente, marchavam pela rua em protesto contra o novo estatuto do estudante, especificamente contra o novo regime de faltas.

Não sei bem porquê, talvez por malícia jornalística, os "espécimes" que fazem declarações para a comunicação social são sempre escolhidos a dedo e esta reportagem não fugiu à regra.

Um dos indignados estudantes, espalhando perdigotos como se de uma praga se tratasse, expôs as suas reivindicações pessoais:

-"As faltas está mal! A Ministra não nos quer deixar faltar mas nós somos jovens e precisamos das faltas!"

Pelo aspecto e pela forma como falava, creio que não restaram muitas dúvidas acerca do motivo pelo qual o jovem estudante iria precisar de faltar de vez em quando.

Qual é a credibilidade que os estudantes podem ter quando nem eles próprios sabem bem o que estão ali a fazer no meio da manifestação? Ao menos desta vez não desperdiçaram ovos...

Não posso deixar de ficar preocupado com o futuro do país...

domingo, novembro 16, 2008

Memórias do Vale II: Primeiras imagens


Aí estão as primeira imagens da exposição. Infelizmente, dada a velocidade de transmissão no local, não será possível fazer a emissão ao vivo de vídeo como estava inicialmente previsto. 

Serão aqui colocadas mais imagens à medida que forem chegando à redacção.

sábado, novembro 15, 2008

Veneza, a cidade flutuante (parte II)

Passeggiando...

Chegar à Praça de S. Marcos, depois de uma viagem de vaporetto (o barco que, numa cidade sem carros nem estradas, é equiparável ao autocarro) ou de gôndola (para os mais afortunados) pelo Grande Canal, é mergulhar numa atmosfera oriental única e distinta de qualquer outra parte da Europa. São inúmeros os focos apelativos desta sala de visitas da cidade, desde as esplanadas onde um dispendioso capuccino pode ser saboreado ao som de música clássica interpretada ao vivo, até aos monumentos que a preenchem: o Palácio dos Dodges (na piazzetta), o Campanile, o relógio astronómico do século XV e a basílica de S. Marcos.


Símbolo da cidade, a basílica recebeu o nome do apóstolo cujas relíquias a enriqueceram, numa rivalidade política com Roma, que guardava as relíquias de S. Pedro. Reza a lenda que as relíquias de S. Marcos foram resgatadas da Alexandria, onde estava sepultado, pelos mercadores de Veneza que a esconderam no meio de carne de porco para evitar a inspecção pelos muçulmanos. Ela é, sem dúvida, a igreja mais rica que conheci até hoje, finamente decorada no seu interior com requintados mármores, tapeteada de coloridos mosaicos e ostentando cúpulas cobertas de ouro que lhe conferem um brilho único conforme a luz do sol que é reflectida. Porém, é perturbante observar o lento afundar de toda a beleza no chão tortuoso e aluído e nas inundações que ali ocorrem com alguma frequência, tendo eu presenciado uma quando ali estive em 2006.


Os cavalos que actualmente figuram na balaustrada acima da entrada na basílica de S. Marcos são cópias dos originais que os venezianos trouxeram como troféu de guerra de Constantinopla em 1204, e que terão origem grega (séc. IV ou III a.C.) ou latina (séc. IV d.C.). Quando Napoleão conquistou a cidade também os levou para Paris como troféu de guerra mas, com melhor sorte que Constantinopla, estes foram devolvidos a Veneza.


Para conhecer a essência da Sereníssima, é preciso percorrê-la sem destino pelas ruelas estreitas e cruzando os canais de ponte em ponte. São 177 canais cruzados por 446 pontes que ligam uma cidade formada por 117 ilhas. A ponte mais famosa e uma das três que atravessam o Grande Canal é a Ponte Rialto, que tem a particularidade de fazer parte de uma zona comercial e por isso ser ladeada por estabelecimentos comerciais. Isso mesmo, em plena ponte! Aqui as máscaras e os chapéus “made in China” podem ser adquiridos a baixo preço, comparativamente ao praticado nas lojas que vendem os produtos oficiais, e há uma enorme variedade de pasta com a única finalidade de ser vendida a turistas. O ponto negativo da cidade é, sem dúvida, este “lixo turístico”.


É impressionante o número de pessoas que aqui se encontram a todo o momento, em circulação entre as margens do canal ou a tirar fotografias com o Grande Canal como fundo, uma imagem já muito conhecida.
Entre palácios, museus e cerca de uma centena de igrejas, há muito para conhecer que seria impossível relatar aqui, para além de não ser essa a finalidade desta posta. Que estes instantâneos vos deixem a curiosidade aguçada para talvez um dia partirem à descoberta da mítica cidade da laguna.

Contagem descrescente

Faltam praticamente 8h30 para a inauguração da exposição e ainda há alguns pormenores a terminar. Depois de algumas horas a organizar o espaço, está na hora de ir dormir num instante para daqui a bocado voltar ao ataque. Vou procurar introduzir aqui informação ao longo do evento, não em tempo real, mas com alguma frequência e, em princípio, no Domingo haverá vídeo-transmissão on-line.

Até já!

PS - Visconde, está quase a ser publicada a 2ª parte do artigo da Ana, artigo esse que estava agendado há já algum tempo. Só estou a avisar para matar à nascença certos e determinados comentários insidiosos :P

sexta-feira, novembro 14, 2008

Veneza, a cidade flutuante (parte I)

Ainda a propósito de Itália, partilho com os estimados leitores deste blog alguns instantâneos que recolhi numa rápida visita à mítica cidade que lentamente se vai afundando no lodo de uma laguna. Rápida porque os propósitos da viagem eram outros, claro, e não pelo receio de ser submergida, ainda que a ideia de estar rodeada por uma beleza ameaçada no tempo seja porventura desconcertante. Ouso enriquecer as imagens com um pouco de História, dada a singularidade com que esta foi escrita nesse local onde a terra e as águas do mar Adriático se confundem e explicam toda a sua riqueza.


Quando no séc.V d.C. os bárbaros invadiram terras romanas, as populações atemorizadas fugiram para a laguna, refugiando-se nas suas ilhas. Ali começaram a construir casas sobre estacas enterradas no lodo da laguna, que se revelaram resistentes (tendo este método ainda sido usado até ao século XVII). Isolados nas ilhas, os povos da laguna cedo perceberam que unindo-se teriam melhores hipóteses de resistir às ofensivas humanas, bem como às do mar e, nesse sentido, construíram pontes e assorearam canais para diminuir as distâncias e aumentar a terra firme. Viviam como negociantes do que pescavam e do sal que recolhiam do mar. Na época o sal era tão valioso que até então os próprios legionários romanos eram pagos com esse cristal - de onde deriva o termo “salário”. Os bárbaros haviam esquecido os pescadores da laguna e logo a prosperidade dos seus negócios pôde pagar a sua independência, ao contrário das grandes cidades do império romano que foram tomadas. A tradição diz que a cidade se assumiu formalmente a 25 de Março de 421, ao meio-dia.



Perante a necessidade de haver um dirigente para a nova cidade, criou-se a figura do Dux, termo que mais tarde evoluiu para Dodge. O Dodge era eleito por um processo complexo e, apesar de ocupar um cargo de topo, detendo o controlo sobre a vida quotidiana da população, a sua actividade era constantemente vigiada para que não incorresse em abuso de autoridade - se tal se suspeitasse, poderia muito bem ser condenado à morte! Quem controlava a nobreza era o “Conselho dos dez” e três inquisidores ou “Conselho dos três” que detinham o poder de condenar à morte qualquer cidadão. Outras cidades-estado foram dominadas por um só homem ou por uma família, mas tal nunca ocorreu com Veneza, onde “todos os homens são iguais, mas subordinados a um bem comum”. Veneza foi também apelidada de “República Sereníssima”, pela sua estabilidade política que lhe permitiu uma enorme expansão comercial. Tornou-se no ponto de chegada à Europa da Rota da Seda e nela se cruzaram durante séculos diferentes raças, culturas e religiões, ao mesmo tempo que circulavam a seda, as especiarias e as pedras preciosas. O célebre mercador de Veneza Marco Polo, que terá vivido durante 25 anos na corte mongol no Catai, para onde partiu em 1292, regressou com um impressionante carregamento de rubis, pérolas e esmeraldas que surpreendeu uma cidade habituada ao comércio de luxo. As influências orientais, sobretudo bizantinas, enraizaram-se na cidade, criando um estilo arquitectónico único – o gótico florido. Tais influências, tão óbvias um pouco por toda a cidade, tomam grandes proporções na Basílica de S. Marcos e na ampliação do Palácio dos Dodges.


O apogeu económico de Veneza deu-se no século XV, numa altura em que os venezianos dominavam o Mediterrâneo, mas a partir daí o declínio começou, após a conquista de Constantinopla pelos turcos (1453) e com a chegada de Vasco da Gama à Índia, facto que proporcionou uma via mais rápida e lucrativa de comércio com o Oriente – para bem de Portugal.

A estabilidade política e os mais de 1100 anos de função dos Dodges tiveram fim em 1797, com a conquista da República Sereníssima por Napoleão, que mais tarde cedeu a cidade aos austríacos. Só em finais do século XIX, durante a unificação da península, é que Veneza foi agrupada no actual território de Itália.


Aparentemente, o melhor blog da categoria Pessoal

Com todo o stress e trabalho de preparação para a exposição, nem tive bem tempo de assimilar esta vitória mas, sinceramente, creio que vou optar por não assimilar agora pois amanhã tenho de me levantar bem cedo.

Vencer na categoria "Blog pessoal" é algo paradoxal se tivermos em conta que, como diz a Juanita, um blog pessoal é uma expressão de narcisismo e, neste caso particular, estaremos perante uma situação em que o narcisismo é recompensado. Gosto no entanto de pensar que consigo evitar, pelo menos de forma consciente, incorrer por essa via embora por vezes possa não o parecer.

Este blog é uma expressão do que me rodeia. Gosto de partilhar aquilo que me preocupa e aquilo que me anima e também gosto de aproveitar para divulgar um pouco dos temas que considero fascinantes mas que, obviamente, outros poderão achar enfadonhos. Contudo, há algo que bate tudo em termos de motivação e que é imaginar que, em certos artigos, alguém irá rir ao lê-lo (estou a falar daqueles cujo objectivo é terem piada, claro). Foi esse o meu objectivo primordial em Maio de 2005: criar um espaço de referência para os meus amigos onde eles pudessem divertir-se. Fi-lo praticamente em conjunto com a Cathy que agora criou os seus próprios espaços (aqui e aqui) que aconselho vivamente a quem queira admirar as opiniões e trabalhos de uma designer que admiro particularmente.

O blog cresceu e este prémio é mais uma etapa nesse percurso, acarretando mais responsabilidade e motivação e isto serve já de mote para a resposta ao comentário do meu caro Luís: vou... aliás, vamos continuar a escrever aqui, com maior ou menor inspiração, mas sempre com a mesma linha editorial sem sentido! Quanto à escolha do prémio, creio que vou concretizar o meu velho sonho de criança desde que uma vez vi um anúncio da Ariston na televisão a preto e branco do meu avô: ter uma máquina de lavar loiça. O resto logo se vê.

Para terminar quero agradecer sinceramente a todos aqueles que regularmente passam por este espaço, independentemente de deixarem ou não comentário (as estatísticas de visita dizem-me que vocês estão desse lado) mas, porque a minha consciência a isso obriga, quero agradecer especialmente aos leitores que não se coibem de deixar aqui as suas sentenças, fomentando uma interessante partilha de opiniões (às vezes, vá!). Já agora, também um sentido agradecimento a todos os que se deram ao trabalho de votar neste blog na primeira fase! Foram fantásticos!

Termino dando os parabéns aos membros do Blog "Até onde vais com 1.000 euros" que é de facto um blog que merece uma visita. Quanto aos restantes premiados por categoria, referi-os no último artigo mas faço uma especial chamada de atenção para o facto do Visconde ter conseguido, como eu já esperava, ganhar o prémio na categoria de Desporto.

quinta-feira, novembro 13, 2008

VITÓRIA!

O Blog do Katano acaba de ser declarado vencedor na categoria BLOG PESSOAL, no concurso Super Blog Awards. Esta é uma vitória que dedico a todos aqueles que colaboraram e colaboram com artigos e comentários e a quem agradeço do fundo do coração.



Reacção Oficial logo à noite.

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