quinta-feira, março 27, 2008

Saldo da pausa pascal - Parte 3 (logicamente após a 2)

O local visitado que arrebatou por esmagadora vitória o prémio para o local mais misterioso foi sem dúvida o convento de São Francisco do Monte, situado perto da zona da Abelheira, na freguesia de Santa Maria Maior (não sei onde fica a Menor), num local ermo das faldas do Monte de Santa Luzia e, como qualquer convento em ruínas que se preze, diz-se que é assombrado.

Numa tarde algo encoberta, tivémos a sorte de conseguir os préstimos de 2 guias conhecedores do terreno como ninguém (tenho até a impressão de ter visto um deles a orientar-se pela palma da mão aquando da decisão do caminho a seguir), que nos guiaram até ao convento, após um percurso que passou por uma calçada de largo lajeado, até ao impressionante portão de entrada e depois por entre a vegetação, por vezes cerrada, que preenche as ruínas.

O convento em si foi construído em 1392 e foi o 3º convento franciscano a ser construído em Portugal e foi habitado até 1625 data em que os frades foram transferidos para outro convento, tendo entretanto sido alvo de importantes obras de reconstrução em 1548. Votado ao abandono, viria a ser recuperado em 1736 ( o coro alto estaria bastante danificado) tendo funcionado como convento até 1834, data em que foram extintas pelo Governo Liberal todas as ordens religiosas masculinas.

Actualmente, à semelhança de muitos outros edifícios do género, encontra-se em ruínas à espera de melhores dias, tendo sido avançada a hipótese de ser adaptado e qualificado para a Escola de Hotelaria e Turismo, que acabou por ficar no Forte de Santiago da Barra, ou mais tarde, de ser adquirido pelo Instituto Politécnico de Viana do Castelo. Enquanto as decisões não se tomam e os trabalhos não se iniciam, o convento, esse, cada vez mais se vai tornando uma memória, isto apesar de alguns trabalhos esporádicos de limpeza (1985 e 1987).

Entretanto, dos trabalhos de 1987 e de escavações já em 1988, constatou-se que terão existido aqui dois templos antes do convento ter sido construído.




Fachada no pátio central, oposta ao portão de entrada, ostentando um grande brasão.

Torre Sineira, envolta em vegetação


Fresco num altar lateral da nave central da Igreja do Convento


Curiosa disposição das Armas Nacionais, onde os castelos de Afonso III aparecem dentro do escudo em número de 4 e os escudetes laterais aparecem ainda deitados. Se esta última particularidade foi vulgar até ao reinado de D. João II (séc XV), já em relação aos castelos não deixa de ser para mim inédito.


Pormenor do Claustro do Convento cujo pavimento está cheio de tampas de sepultura. Sobre o pórtico do claustro assentava um 2º piso (veem-se os buracos de encaixe das vigas de suporte do soalho) com uma varanda a toda a volta que estava dotada de colunas que suportavam um telhado, cujas águas escorreriam para o espaço aberto do claustro. ;) (A minha minhota é fantástica!)


Escadaria interior de acesso ao 2º piso.


Pormenor de um dos compartimentos no qual existia uma fonte.

Intermezzo

Segundo a TSF, um repórter que se encontrava em Cuba terá descoberto um cão muito particular. Ao que parece, o referido canídeo rosna quando ouve as palavras "Bush" e "Estados Unidos" o que faz dele sem dúvida o protótipo do canis lupus familiaris adepto da Revolução.

Curioso é saber que, segundo o enviado da TSF, o canídeo fica contente quando ouve a palavra "Portugal"... Até já os animais acham o nosso país cómico.

terça-feira, março 25, 2008

Saldo da pausa pascal - Part Deux

Moinho de Vento junto à praia da Areosa. Os mais interessantes, por terem sido reconstruídos e estarem em perfeito estado de funcionamento situam-se em Montedor.

Pias Salineiras cujo uso se inicia ainda na Idade do Ferro (aprox. 500 a.C.) e continua até à Idade Média. Estas situam-se na Praia de Fornelos.

Capela de Nossa Senhora do Bom Sucesso, em Montedor e actualmente em ruínas. Não foi possível encontrar a Capela de Nossa Senhora do Sucesso Assim-Assim, nem a de Nossa Senhora do Mau Sucesso, não tão pouco a de Nossa Senhora do Sucesso Inútil, contudo esta já é um exemplar interessantíssimo. Perto dela, num painel rochoso de um quintal, é possível distinguir gravuras rupestres essencialmente cruciformes que, tendo origem pré-histórica, podem ter sido readaptadas já em época cristã.


Exemplar muito particular de um moinho do Séc XIX: o Moinho do Marinheiro, único exemplar de moinho com velas trapezoidais em madeira (faltam as tábuas a colmatar os espaços que se veem) a funcionar em Portugal. A vista que se depara a partir deste local é magnífica.


O mar junto à praia de Fornelos. Ainda nesta praia é possível encontrar gravuras rupestres para além das pias salineiras. Um sítio ao qual voltaremos sem dúvida com mais tempo.

segunda-feira, março 24, 2008

Saldo da pausa pascal

Estes dias passados entre Lima e Minho foram uma verdadeira benesse regeneradora para o espírito.

Acessóriamente ao facto de terem sido passados junto da minha mais que tudo, estão as visitas que tivemos a oportunidade de fazer a locais extremamente interessantes e a ocasião de viver na pele algumas situações mais particulares.


A Invasão Espanhola de 2008



A visita à fortaleza de Valença, situada na margem do Minho em oposição a Tui, ficou marcada pelo testemunho da Invasão Espanhola de que tanto se falou na comunicação social.

A Fortaleza de Valença, uma sólida e impressionante construção militar dos Sécs XVII/XVIII, guarda da fronteira do Minho e dividida em dois perímetros fortificados contíguos, delimita algo que se parece com um gigantesco centro comercial vocacionado para toalhas, lençóis e outros produtos do género, para além de esplanadas de cafés e restaurantes.

Ao entrar no espaço da antiga Vila, tive por instantes a impressão de que tínhamos cruzado a fronteira pois, na multidão que à nossa frente preenchia toda a praça, não se ouvia nada que não fosse dito em espanhol.


Chocado fiquei foi quando, sistematicamente, no restaurante e na esplanada onde parei, fui sempre atendido em espanhol. Pelos vistos, a quase totalidade da clientela é mesmo espanhola com um ou outro português (ou no nosso caso, dois deles) que ainda se arriscam a ir onde Camões está para Cervantes como o Tó Silva do Selipolhas do Zêzere A.C. está para o Cristiano Ronaldo.

Perante este cenário, foi legítima a dúvida que se colocou: "Se os espanhóis estão todos aqui, será que ficou um número suficiente de espanhóis na outra margem do Minho que impeça que escrevamos os dizeres "O melão espanhol é caca" nas paredes da Catedral de Tui?"



Sendo assim fomos verificar, atravessando para isso a singular ponte que liga Valença a Tui, e fomos à catedral. Infelizmente, aparentava haver tantos espanhóis em Tui como em Valença pelo que, para não provocar um incidente diplomático, nos ficámos por visitar a catedral fortificada de Tui.





Contudo, a infâmia espanhola não ficaria por aqui. Ao sairmos da Catedral, ocorreu-nos que, se de Valença se tinha uma vista muito interessante para Tui, o inverso também não seria uma visão a enjeitar pelo que procurámos um ponto a partir do qual pudessemos ver a fortaleza de Valença.
Em vão! Após uma hora de percurso feito pelas ruas estreitas do centro histórico de Tui e cansados de ver muros e mais muros decidimos regressar à outra margem não sem que antes tivessemos cumprido a tradição de encher o depósito do Caetanomobile com gasóleo espanhol.

quarta-feira, março 19, 2008

Tempo de Páscoa


Estamos de férias e regressamos daqui a 2 encerramentos de serviços de urgência. Até lá, uma Boa Páscoa aos nossos indefectíveis leitores.

segunda-feira, março 10, 2008

Para lá de Santarém...

O Lisboeta é por definição um mar de contradições e com uma sapiência no campo da geografia que faz dele uma espécie de cidadão estado-unidense em Portugal, ou seja, sabe onde fica a sua cidade, consegue estabelecer com um grau de erro de 200km onde se localiza a capital mas, quanto ao resto, tudo é uma grande incógnita. Bom, neste particular o Lisboeta, com alguma sorte, leva vantagem uma vez que a sua cidade e a sua capital são exactamente a mesma coisa (só é preciso é que saiba disso).

Tenho para mim que, o verdadeiro alfacinha, é aquele para quem o país para lá de Vila Franca de Xira é uma imensidão de território desconhecido, mais indefinido ainda do que o português de Joe Berardo ou a sapiência científica de Lili Caneças.

Pois bem, na última sexta-feira vi esta minha convicção sofrer um abalo quando tive a oportunidade de receber a visita de uma simpática equipa de vistoria do sistema informático, vinda directamente de Lisboa, o que, após 5 anos, constitui um evento notável.

Durante o almoço, tive de saciar a minha curiosidade sobre o tema pelo que não resisti a questionar a delegação sobre o seu histórico de visitas á Beira Interior.

A resposta de um deles, lisboeta de gema e com aproximadamente 25 anos, foi simplesmente "Bom, para mim é a primeira vez. Nunca passei de Santarém!".

Confesso que foi difícil não soltar uma sonora gargalhada.

terça-feira, março 04, 2008

A segunda vida da Quinta da Fórnea II



A estação arqueológica da Quinta da Fórnea foi esta semana tema de notícia no Jornal do Fundão.

Em relação ao que já foi anteriormente referido neste blog, a reportagem acrescenta que foi descoberto um hipocaustum, um sistema de aquecimento que funcionava por baixo do piso da construcção, que era suportado por uma estrutura de pilares de tijolo, e que aquecia o espaço por meio de uma fornalha e tijolos ocos nas paredes.

Este tipo de sistema de aquecimento aparece geralmente associado a tanques de banho, destinando-se a aquecer a água para o banho quente, o caldarium.

No mesmo artigo a arqueóloga da Câmara Municipal de Belmonte convida os interessados a ir ao local visitar as ruínas e assistir aos trabalhos de escavação, tratando-se esta de uma oportunidade única de poder ver como decorre uma escavação arqueológica e, caso haja essa disponibilidade por parte dos arqueólogos, de ter uma explicação detalhada do espaço.

Imagem retirada de www.rutavadiniense.org

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