quarta-feira, outubro 22, 2008

O dia em que ganhei a lotaria em Espanha - II

Ver também: Parte 1 - Parte 3


Como já referi no artigo anterior, após a recepção do e-mail que me avisava da atribuição de um suposto prémio de 610.000 euros, remetido através de um e-mail italiano, resolvi responder para ver até que ponto iria este esquema de burla e quais seriam os argumentos mais fortes e mais fracos do ou dos burlões.

Fingi-me supreendido, incrédulo e perguntei o que tinha que fazer para receber o prémio. Em resposta recebi um novo e-mail, desta vez remetido por um e-mail espanhol por uma pessoa de nome diferente do remetente do primeiro, que me confirmava a veracidade do prémio.


Referia depois que após a entrega do prémio, por cheque ou transferência bancária, seriam cobrados 5% em comissões (há aqui uma preparação do espírito do "vencedor" para a existência de cobranças de comissões).

Em seguida eram solicitados vários dados: nome, morada, telefone, profissão, nome e morada do meu banco, NIB e código SWIFT. Após a lista dos dados que eu deveria enviar, era então pedido o máximo sigilo devido a "confusões" com números e nomes que poderiam "complicar" a entrega do prémio.

O objectivo deste último pedido é tão somente o de evitar que a vítima da burla, ao divulgar a notícia que recebeu um tão surpreendente prémio, seja informada por alguém mais esclarecido sobre a real natureza desta comunicação.

No rodapé da mensagem constavam agora uma morada em Madrid e um número de telefone.


Mais um "teste"

Em resposta a este e-mail, voltei a dar uma ideia de completa ingenuidade para reforçar a confiança do burlão, dizendo que já tinha todos os dados ... excepto o SWIFT pois eu não sabia o que isso era.

Na volta, recebi outro e-mail, desta vez do mesmo endereço do anterior (na verdade não voltaria a mudar), dizendo-me que os mais importantes eram mesmo os restantes dados e que o SWIFT não era relevante. Obviamente, nenhum dado solicitado era relevante para que a burla acontecesse mas eram estritamente necessários para criar uma imagem de credibilidade e de legitimidade, desta suposta entidade que atribui prémios de lotaria.

Inventei então dados falsos e, como meu banco, referi o BPI. Por outro lado, inventei um NIB identificável como sendo do Millennium BCP, tendo o cuidado de criar um NIB consistente, ou seja, um NIB que estivesse em conformidade com os seus dígitos de controlo (os 2 últimos).



Recebi então mais um e-mail dando-me conta que os dados enviados já haviam sido remetidos para o banco espanhol La Caixa.

Curiosa contradição é logo a seguir pedirem para confirmar todos os dados para que o pagamento possa ser processado. Teria sido mais lógico confirmar os dados antes de os remeter ao banco mas, desta forma, envolvendo o nome de um grupo bancário espanhol, a vítima fica mais convencida da veracidade da fraude, não questionando sequer estes detalhes. É um pouco isto que acontece naqueles e-mails de aviso de novos tipos de vírus informático para os quais "não há vacina" e cuja existência é "confirmada pela Microsoft e pela AOL e CNN", os conhecidos Hoaxes.

Referia-se também no e-mail que os detalhes pendentes para a concretização do pagamento seria resolvidos apenas eu confirmasse as informações enviadas, coisa que fiz. Então o caso ganhou contornos de comédia...

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