quarta-feira, setembro 17, 2008

O fenómeno do Micro-Tuning!

O Tuning é um fenómeno que me intriga por várias razões. Primeiro porque me faz confusão ver gente pegar nos seus poderosos Fiat Punto e modificá-los para ficarem parecidos com algo muito semelhante a uma caótica mistura entre uma montra de Las Vegas e a montra de uma Toys R' Us em período natalício. Em segundo lugar porque é difícil compreender que pessoas que compram carros baratos, e não vivam propriamente em situação de desafogo financeiro, invistam depois quase tanto, ou mais, do que aquilo que investiram na compra do veículo, para o forrar a fibra de vidro e o dotar de luzinhas e poderosas colunas de som de onde são debitados, numa quantidade superior ao recomendável de decibéis, os mega sucessos das pistas de carrinhos de choque e do Tony Carreira.


Não se pode também escamotear o facto de, um proprietário tuning que se preze, chamemos-lhe talvez um Tuna-Master, ter de investir uma quantia considerável em bonés de gosto duvidoso e sapatilhas que dariam muito jeito a algumas famílias de imigrantes ilegais que quisessem cruzar o Estreito de Gibraltar numa jangada.


Creio que há um nítido défice de estética no meio tuning da nossa praça ou, pelo menos, o patamar de bom gosto e de estética encontra-se ainda ao nível do bom gosto e da estética de uma toupeira amblíope. Mas pronto, creio que, por uma questão de afirmação, tudo vale para dar nas vistas.


Agora, o que me leva a escrever esta posta não são estes "atentados" à sensibilidade estética pública, nem ao seu sossego, mas sim a visão que tive há alguns dias atrás: nem mais nem menos que... um Aixam Modificado!! Isso mesmo! Um Papa-Reformas Modificado!


Não pude ficar indiferente ao aileron traseiro, à dianteira agressiva, às intensas luzes azuis instaladas no interior do habitáculo... Confesso ter tido alguma dificuldade em lidar com o misto de sensações que se situavam algures entre a necessidade de soltar uma gargalhada e o peso de um profundo assombro.


Foi, ao fim e ao cabo, a prova de que o tuning é socialmente transversal e que até aqueles indivíduos que não têm dinheiro para adquirir uma carta de condução e um veículo automóvel ligeiro (menos ligeiro que um Aixam) têm direito a mostrar ao Mundo que possuem um sentido estético altamente duvidoso.



Se até as carroças podem ser tuning...

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