sábado, março 31, 2007

Motivos porque não gosto de mentir no 1º de Abril

O 1º de Abril é na sua essência o dia em que as pessoas gostam de se armarem em parvas e ridicularizar os outros. Ponto final. Será por sensação de superioridade de, num dado momento, serem donos e senhores e controladores das emoções de outra pessoa?

O que é certo é que nem a própria tradição tem uma origem consensual. Vejamos o que nos diz a Wikipédia sobre o assunto:

"Há muitas explicações para o 1 de abril ter se transformado no Dia da Mentira. Uma delas diz que a brincadeira surgiu na França. Desde o começo do século XVI, o Ano Novo era festejado no dia 25 de Março, data que marcava a chegada da primavera. As festas duravam uma semana e terminavam no dia 1 de abril.

Em 1564, depois da adoção do calendário gregoriano, o rei Carlos IX de França determinou que o ano novo seria comemorado no dia 1 de janeiro. Alguns franceses resistiram à mudança e continuaram a seguir o calendário antigo, pelo qual o ano iniciaria em 1 de abril. Gozadores passaram então a ridicularizá-los, a enviar presentes esquisitos e convites para festas que não existiam. Essas brincadeiras ficaram conhecidas como plaisanteries.

Em países de língua inglesa o dia da mentira costuma ser conhecido como April Fool's Day ou Dia dos Tolos, na Itália e na França ele é chamado respectivamente pesce d'aprile e poisson d'avril, o que significa literalmente "peixe de abril"."


Pessoalmente, este dia é para mim um dia infeliz do nosso calendário e não gosto, sinceramente, de perder tempo a inventar histórias escabrosas e explico porquê:

Corria o belo ano de 1991 (ou seria 1992?) e vivia eu despreocupadamente a minha passagem pelo 11º ano quando, num 1º de Abril, fui com um grupo de amigos até um salão de jogos para mais um daqueles renhidos tira-teimas de snooker. Era na altura uma tradição diária obrigatória.

Estávamos então prestes a atingir o momento crítico do nosso jogo de snooker, quando de repente, um estrondo se fez ouvir junto à porta de entrada do salão e, ao olhar para ver o que havia acontecido, tive ainda tempo para ver uma mulher cair no chão frente a um sujeito que segurava uma caçadeira fumegante.

Escusado será dizer que o pânico se instalou de imediato entre todos os presente pois, sendo uma situação extrema em termos emocionais, não sabíamos muito bem o que fazer e, sobretudo, não sabíamos o que poderia acontecer em seguida.

Certo é que o autor do disparo voltou para a sua casa mesmo em frente ao salão enquanto a vítima permanecia no chão. Se há visão que não vou esquecer nunca é a desta mulher deitada naquela calçada irregular, os espamos que a sacudiam como se se estivesse a debater, e o fio de sangue que corria entre as pedras.

Claro que tentámos ligar para o número de emergência, na altura o 115, depois para a PSP e para os bombeiros mas, invariavelmente, todos nos respondiam da mesma forma: "Meninos! Isso não são coisas com que se brinque!".

Deviam ter passado cerca de 15 minutos quando alguém (o grande Carlos!) decidiu sair a correr para ir pelo próprio pé procurar ajuda. Ao que parece, um polícia caminhava já ali por perto em ritmo calmo, próprio de quem vai cumprir um frete, enquanto uma ambulância subia a avenida sem ultrapassar a velocidade máxima permitida dentro das localidades pelo código da estrada.

Só quando o Carlos se agarrou ao polícia dizendo que tinham morto uma mulher é que este fez sinal à ambulância que já se encontrava ali e esta finalmente cumpriu os últimos 60m em alta velocidade com as luzes rotativas ligadas.

Evidemente, a senhora acabou por falecer.

PS - Tomei o cuidado de escrever isto antes da meia-noite para não comprometer a credibilidade desta história.

quarta-feira, março 28, 2007

Simplex complicado

Já aqui contei o episódio caricato que sucedeu aquando da última ocasião em que renovei o meu bilhete de identidade. Resumindo, eu não tinha o BI antigo comigo e a senhora funcionária insistia que eu tinha, obrigatoriamente, de o entregar para poder proceder à sua renovação, recusando-se a dar seguimento ao processo. Curioso e fascinado ao mesmo tempo, perguntei o que aconteceria se tivesse perdido o bilhete de identidade ao que a diligente senhora me respondeu que, nesse caso, teria de preencher um formulário, pagando adicionalmente 50 centimos. Num assomo de improviso e desonestidade disse "Olhe, lembrei-me agora que afinal perdi o BI. Aqui estão 50 centimos." e o processo lá andou.

Delicioso é o episódio do qual tive conhecimento ontem e que aconteceu com uma advogada minha conhecida que se dirigiu ao centro de saúde para marcar uma consulta para o próprio dia.

Chegada ao local, a funcionária alegou que a quota de consultas para o dia já estavam preenchidas, restando somente quatro vagas destinadas a consultas a serem marcadas por via telefónica.

Claro que a advogada protestou e expressou a sua opinião que aquilo não fazia muito sentido mas a funcionária manteve-se intransigente.

Perante isto, a advogada pegou no telemóvel e solicitou o número de telefone do centro de saúde à funcionária marcando então o número à frente da mesma.

Subitamente, a funcionária apercebeu-se do ridículo da situação e lá disse que não era necessário telefonar, que ela marcaria a consulta logo ali.

No mínimo bonito... e patético. Mas também caricato... e patético.

PS - Dizem as más línguas que estas supostas consultas "reservadas para marcação via telefónica" são uma desculpa dos funcionários para reservarem consultas para amigos.

segunda-feira, março 26, 2007

Já que se fala de Salazar...


...que tal esta, que foi para mim uma das melhores 1ªs páginas de jornais que já foram alguma vez elaboradas, proclamando o momento em que a herança do Prof. António Oliveira Salazar passava à história?

Na fotografia é possível ver o capitão Salgueiro Maia enfrentando sozinho os tanques do Regimento de Cavalaria 7 que ainda estavam do lado do Regime. O seu acto de coragem, leva a que, nenhum dos soldados dos tanques, consiga cumprir a ordem do seu superior de disparar sobre o corajoso capitão, acabando por levar à retirada do Regimento.

quarta-feira, março 21, 2007

O teu pai é um alcoólico anónimo?

Esta semana tem sido fértil em efemérides, de tal forma que arrisco dizer que temos sido brindados com uma fértil média de 1,5 efemérides/dia.

Tomemos o dia de hoje como exemplo. Hoje assinala-se o início da Primavera e, ao mesmo tempo e até adequadamente, comemora-se o dia mundial da poesia. A relação é evidente: pólen, flores, passarinhos a fazer o ninho, amor, poesia. Há aqui toda uma saudável mistura de temas e é muito fácil misturar o tema do amor com a poesia polvilhando-o ao mesmo tempo com alusões a flores e passarinhos. O belo poema "Fui ao jardim da Celeste / Muitas rosas eu lá vi / Mas a rosa mais bonita / Que lá estava eras ti" é disso um exemplo.

Estranho foi o que sucedeu anteontem, dia 19 de Março, no qual se celebrou o Dia do Pai e, ao mesmo tempo, o ... dia nacional do Alcoólico Anónimo. Qual é a relação? Quem é que se foi lembrar disto? Terá sido um ministro que quis homenagear em simultâneo o seu pai e o seu passatempo que consistia em deglutir umas cervejolas em série? É sem dúvida uma questão pertinente e que pode dar azo a conflitos familiares graves.

Não se admirem pois se um qualquer pai anónimo tiver retribuido um cumprimento filial do género "Parabéns pai! Hoje é o teu dia!" com um paternal soco.

segunda-feira, março 05, 2007

Quando eles pensavam que tudo estava terminado...

... o pior pesadelo deles voltou!!

Já é oficial!



A Cooperativa das Artes está de volta!

Em Abril num local perto de si.

Preparem-se para os shots mais infames feitos aqui pelo mestre.

domingo, março 04, 2007

Semanas agitadas...

Não tem sido fácil arranjar tempo para me sentar e escrever e sinto falta disso. Contudo, como têm corrido os últimos dias (melhor dizendo, todo o mês de Fevereiro) também não tenho tido ocasião para pensar o assunto.

Com o meu tempo já dividido entre a Ensiguarda e o Inftur, recebi uma proposta para dar formação em horário pós-laboral, 3 dias por semana, também na Guarda. Normalmente, quando a proposta não mexe com o meu horário laboral, tenho uma certa dificuldade em dizer não até porque, como diz o meu pai, há que aproveitar o que se pode porque amanhã podemos não o poder fazer.

Se por um lado a experiência acabou por ser um oportunidade de avaliar os meus limites (andei lá perto), apesar do cansaço, por outro lado fui privado de várias coisas importantes que me fizeram questionar se isto realmente vale a pena.

Senti isso quando apenas consegui ir visitar o meu pai ao hospital após quase uma semana de internamento e apenas o consegui fazer uma vez até ele finalmente ter saído, e depois quando no dia do meu aniversário trabalhei das 8h30 às 23h30 para depois preparar chegar a casa e preparar o trabalho do dia seguinte.

Se por um lado é gratificante sentir que o meu trabalho é valorizado e convivo com a necessidade permanente de fazer qualquer coisa, por outro lado vivo sempre com a sensação de estar a passar ao lado de algo, como se estivesse numa estação a ver chegar a partir comboios, com uma emimente sensação de esterilidade emocional indesejada.
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