segunda-feira, outubro 22, 2007

Questão de comprimento de patas


Como acontece de duas em duas semanas, parte da família Caetano (e aspirante) deslocou-se no último Sábado ao Pavilhão Desportivo do Fundão para assistir a mais um jogo do campeonato nacional da 1ª Divisão de Futsal. Desta vez, a gloriosa ADF recebia o Sassoeiros, equipa que na primeira jornada havia infligido uma derrota ao Sporting.

Nas bancadas a emoção era enorme, em particular no sector onde nos instalámos uma vez que, como descobrimos após os primeiros lances discutíveis (ou não), estávamos junto aos lugares onde se encontravam os agregados familiares dos jogadores, tanto ascendentes como descendentes. Isso foi ainda mais nítido quando o grande Couto, provavelmente um dos melhores jogadores do campeonato, arrancou de forma fulgurante pela esquerda ainda no meio campo da ADF e marcou um golo de belo efeito, na altura o 3-0.

Foi nesse momento que o proprietário da inevitável e incansável buzina que se encontrava duas filas mais abaixo se levantou para festejar os golos, não se coibindo de se virar para trás encarando o público com um sorriso de orelha a orelha como quem diz "Viram? Viram? Fui eu quem fez aquele jogador!"

Contudo, o que mais me chamou a atenção foi um senhor de porte e perímetro de cintura apreciáveis que, na fila de trás, assistia ao jogo com os seus dois filhotes.

A dada altura, quando um jogador do Sassoeiros, com altura superior à altura acumulada dos seus restantes companheiros, cortou um lance de ataque da ADF, o espectador em questão não conseguiu conter o comentário cliché: "Porra! O gajo tem patas compridas!".

Quase de imediato, a sua filhota que pelos vistos achou enorme piada ao inusitado comentário reagiu, e o diálogo que se seguiu foi basicamente o seguinte:

Pikena - "hi hi hi Ele tem patas compridas!" (alegria infantil indisfarçável)

Paizão - "Então?! O que é isso?! Olha as pessoas! Não é patas que se diz! Diz-se "pernas"!" (indignação genuína justificada talvez por um súbito sintoma de Alzheimer)

Pikena - "... Não se diz "patas"! Diz-se "pernas"" (confusão infantil indisfarçável)

Paizão - "Ah bom! Vamos la ver essa educação!" (indignação que se justifica pelo perdurar de um súbito sintoma de Alzheimer)

Porque isto da educação no desporto é bonito!

PS - O Fundão venceu o Sassoeiros por 7-3 chegando a estar a vencer por 6-1. Sô Paulo Fernandes, se precisar de alguma dica, é favor ligar para o número de telefone disponível no site da ADF e pedir para falar com o Mister José Luís!

3 comentários:

Visconde disse...

Deixa mas é o mister trabalhar com dranquilidade...

Nelly Caetano disse...

Esqueceste-te de referir que o irmão da pikena, numa adoração pela parte de trás da tua cadeira, passou grande parte do jogo a bater nela com as patas. Perdão, pernas.

Caetano disse...

Esqueci-me desse pormenor porque estava a pensar no outro indivíduo que insultava o árbitro mesmo quando marcava faltas a favor da ADF.

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