segunda-feira, julho 23, 2007

Sobre a mulher que sabia que estava a atravessar fora da passadeira

Estava há uns tempos a proceder à aquisição da Super Interessante ali no quiosque do Sr Álvaro e apercebi-me subitamente, pela buzinadela que inundou o espaço e pelas vozes exaltadas que se ouviam, que algo perturbara o trânsito.

Nisto entrou no quiosque uma senhora indignada, que segurava o seu filho pela mão, e que se dirigiu a um senhor, que percebi ser o seu marido, senhor esse que, com uma diligência que deixava perceber uma rotina já profundamente enraízada nos seus hábitos de vida, entregava o seu boletim do Euromilhões.

Com um ar que em nada disfarçava o seu estado de pessoa escandalizada, explicou ao marido em voz alta, como se todos os presentes tivessem uma necessidade indispensável de saber o que tinha acontecido, que ao atravessar fora da passadeira, fora repreendida de forma sonora e veemente por um automobilista que lhe gritara "A passadeira é mais à frente, oh senhora!".

Aí pensei "Ok, eu efectuo o mesmo tipo de repreensão sempre que um peão mais intrépido decide que tem prioridade sobre o meu veículo e se interpõe à frente da trajectória do mesmo com a desfaçatez própria de quem é proprietário da via de circulação".

Contudo, fiquei num estado de ambiguidade entre o surpreendido e o intrigado quando a mesma senhora que assumira pertencer à classe dos peões indisciplinados atirou com ar de orgulho: "Ah mas ele não ficou sem resposta!"

As hipóteses de resposta brotaram na minha minha mente como cogumelos:

a) "Vá praticar o acto reprodutivo contigo próprio meu macho caprino de tamanho apreciável"

b) "Peço desculpa mas pareceu-me ver o Tony Carreira a dar autógrafos ali à porta da Caixa de Crédito Agrícola e não consegui controlar-me!"

c) "Ora bolas! Há uns anos a passadeira era aqui e parece que é para mim difícil livrar-me de velhos hábitos!"

d) "Lamento imenso mas sou simplesmente estúpida e tenho esta convicção profunda de que as regras de regulamentação de trânsito foram feitas somente para os outros meus concidadãos!"

Mas... não! Dei por mim num fluxo incessante de surpresa quando a senhora, respondeu aquela que seria provavelmente a minha hipótese seguinte:

"Eu sei! Também tirei o código oh palhaço!"

Ou seja, não só a senhora estava a prevaricar, como também estava a dar um exemplo tremendo ao seu filho de cerca de 10 anos, como ainda por cima tinha plena consciência disso e ainda reagiu mal quando foi repreendida. Realmente há condutores sem respeito algum!

O meu último pensamento antes de adquirir a revista que procurava foi:

"E o prémio para a estupidez do fim-de-semana vai para ... Esta senhora!", Bravo!

1 comentário:

Nelly disse...

Os condutores insistem em circular com os seus veículos no meio da estrada, por onde peões cautelosos fazem as suas travessias inocentes. Desumano!

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