sexta-feira, julho 27, 2007

Este post emprega novamente o substantivo feminino "Rata"

Por esta altura, já aqueles que, ainda não sei bem porquê, atribuem uma conotação sexual à palavra "Rata", estarão a esfregar as mãos de contente e a afirmar "Ena pá! Esta é a série de artigos do Katano mais pornográfica de que há memória!". O que é certo é que, se no artigo no qual se usou essa palavra pela primeira vez o tema era fauna urbana, o presente artigo está relacionado com o sistema de ensino.


Há uns anos atrás, tive um professor estagiário a cujas aulas assistiam, ocasionalmente, dois professores encarregues de avaliar o seu desempenho. Era um professor que tinha conseguido criar uma agradável empatia com a turma pelo que, efectivamente, costumávamos ouvir o que ele nos dizia (ao contrário de uma professora de Filosofia que de vez em quando não continha as lágrimas).


Numa dessas aulas assistidas, na qual nos portámos especialmente bem, na sequência do pedido prévio do nosso professor, tudo decorria em razoável (a)normalidade: o professor explicava um conjunto de fascinantes detalhes relacionados com a temática da economia global na transição da Idade Média para a Idade Moderna, todos ouvíamos ou pelo menos fazíamos um esforço no sentido de parecer que estávamos a achar aquilo o acontecimento mais fascinante desde o último videoclip da Madonna, e tudo isto enquanto na última fila, os professores avaliadores encetavam uma luta sem quartel para não sucubirem ao sono que não conseguiam disfarçar.


Nisto, na sua abordagem à chegada de Vasco da Gama à Índia, o professor teceu uma declaração que ainda hoje faz furor sempre que é recordada. Segundo ele, "A chegada de Vasco da Gama à Índia foi importantíssima na medida em que contribuiu para a abertura da Rata do Cabo!".


Ao tomar quase instantâneamente consciência do seu lapsus linguae, a sua tez ficou com uma coloração de um vermelho vivo e o ligeiro sorriso que esboçou tinha mais de um cocktail de constrangimento e nervosismo do que de um sentimento de divertido.


A turma, por incrível que pareça, permaneceu bravamente no seu posto de responsabilidade e atenção diligentes enquanto que, na última fila, os professores avaliadores tinham o rosto virado para baixo e a única prova de vida que demonstravam era o sacudir subtil e ainda assim frenético de ombros, sintoma evidente de uma gargalhada difícil de manter em silêncio.

1 comentário:

Anónimo disse...

Isto meus caros... foi o episódio mais hilariante que já presenciei e jamais será apagado da memória. Era uma turma e tanto... Ainda é! :)

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