quarta-feira, abril 25, 2007

Foi há 33 anos...


A Revolução de Abril, exerce em mim um fascínio profundo. Não consigo deixar de me arrepiar sempre que vejo as imagens do momento, oiço as músicas associadas ao golpe de estado ou leio / oiço os testemunhos de quem viveu o momento.

Se é certo que hoje em dia, infelizmente, nem toda a gente conhece o significado de Abril de 74, aquilo que temos, seja bom ou mau, embora na minha opinião, tenhamos muito mais de bom que de mau, ao movimento do MFA o devemos.
Curiosamente, assistimos quando ao mesmo tempo em que comemoramos mais este aniversário do 25 de Abril, ao ressurgimento da figura de Salazar em tudo o que é publicação, sendo possível ver mesmo alguns livros com o sugestivo título de "Como se levanta um país".

Admito que não sou um especial gestor, mas sei contudo que, não é com 30% de analfabetismo, com controlo repressivo de ideias, com a instauração de um estado de terror repressivo destinado a matar opiniões divergentes que se levanta um país.

Contudo, não cometo a imprudência de dizer que Salazar não devia ter subido ao poder, pois sou de opinião contrária. Tendo em conta o estado caótico em termos económicos e sociais em que se encontrava o país em 28 de Maio de 1926, data da instauração do Estado Novo, era necessária uma firme liderança e um controlo absoluto. Nesse aspecto, Salazar teve um papel primordial e incontornável.

O problema foi ter prolongado o Estado Novo para além da sua vida útil, fazendo com que, enquanto a Europa evoluía, Portugal continuasse agarrado aos ditames de uma política caduca e cada vez mais desenquadrada da realidade.

Se realmente o Portugal de Salazar fosse tão melhor que o país que temos hoje, não teria acontecido a desertificação que ocorreu a partir da década de 1950 quando, só no Interior, se perdeu 25% de população activa que optou por emigrar, a maioria clandestinamente.

Quando, actualmente se fala de défice, desemprego, insegurança, é evidente que se torna mais fácil evocar uma figura histórica por aquilo em que mais se evidenciou: uma figura autoritária e rigorosa.

O curioso da questão reside contudo, e ironicamente, nesse paradigma: fosse este Governo, um Governo como o que tivemos até 1974, não poderíamos sequer protestar e desejar que voltassem os governantes de outrora (nem comentaríamos a validade do diploma do nosso Primeiro). Por outro lado, este seria certamente o último post deste blog.

Por isso, só posso terminar este artigo com a expressão do sentimento que me acompanha todos os anos nesta data:

OBRIGADO MFA! OBRIGADO HERÓIS DE PORTUGAL

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