quinta-feira, dezembro 27, 2007

Lá por fora

Foi notícia na Índia, mais propriamente na aldeia de Raigarh, para quem não se estiver a situar, fica na região de Chattisgard, o suicídio de um sacerdote que prometeu aos fiéis que voltaria após 72h.

O referido sacerdote ingeriu veneno em frente aos fiéis que se encontravam no templo, procurando sem dúvida ser convincente na sua pregação e, com um à vontade próprio de quem estará habituado a este género de experiências, assegurou aos fiéis que, daí a 72h, estaria de volta.

As últimas notícias davam conta de que ainda não tinha sido realizada a autópsia ao corpo do sacerdote, uma vez que, na altura, os fiéis ainda esperavam pacientemente que o mesmo voltasse à vida.

Uma vez que por esta altura deverá haver alguma humidade no ar e, já se sabe, o clima na Índia é por norma abafado, o Blog do Katano aconselha os fiéis devotos a munirem-se de ambientadores que deverão instalar no templo enquanto aguardam pacientemente pelo regresso do convicto sacerdote.

Imagens que ficam

"Como um conto de fadas em cuja narrativa nos encontramos imersos e cujas imagens vão desfilando à nossa volta."

Molhe de Viana do Castelo, 23-12-2007

Prendas natalícias


O Natal dá a volta à cabeça das pessoas!...

quarta-feira, dezembro 26, 2007

3 dias...

Naquele que foi o meu melhor mês de Dezembro de sempre, o seu segundo momento alto foi sem dúvida uma estadia de 3 dias na belíssima cidade de Viana do Castelo com a tranquilidade de ter deixado todos os problemas e preocupações na margem Sul do Lima, e de ter passado todo o tempo na melhor companhia possível.

Logo na primeira noite, houve oportunidade para assistir ao concerto dado pelo Coro da Academida de Música de Viana do Castelo na Igreja de São Domingos, numa interpretação do oratório "Messias" da autoria de Handel. Foi uma experiência que se revelou intensa não só pela qualidade da actuação do Coro da A.M.V.C. mas também pela orgulho que senti em ver pela primeira vez o meu amor a actuar ;). 21 de Dezembro de 2007, um dia destinado a viver no panteão das melhores recordações.

Já no dia seguinte, fizemos um belíssimo passeio até ao outro lado da fronteira, com destino ao monte de Santa Tecla (Santa Tegra), para visitar as ruínas de um castro no qual há cerca de 2000 anos atrás terão vivido cerca de 3.000 pessoas. Dali é possível admirar os recortes da costa minhota, vários quilómetros do rio Minho até à sua foz e ainda a verdejante costa galega para Norte. No regresso, a travessia do Minho fez-se já não pela ponte de Vila Nova de Cerveira mas por Ferry até Caminha.

3 dias que, sem dúvida, souberam a pouco mas... foram a promessa de muitos outros ainda por vir.

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Boas Festas!


Desejo boas festas e um próspero ano de 2008 a todos os amigos que com maior ou menor proximidade contribuiram para tudo o que de bom aconteceu neste ano que agora termina, tal como aos leitores deste blog que de forma positiva, comentando ou não, contribuiram para a história do Blog do Katano.

A todos o meu muito obrigado.

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Let's gargalheite some more

"Está muito contente que você tenha este microfone sem fios profissional de qualidade boa que o trará em um mundo onde você pode cantar felizmente e livremente ao conteúdo do seu coração de forma que você desfrutar encantadoramente isto".

É com esta frase, de elevado impacto, que tem início o breve manual de instruções de um simpático microfone sem fios, às vezes com arame, que pode ser adquirido em qualquer loja chinesa perto de si (neste caso foi adquirido ali na novel Megastore Casa China).

Quanto ao resto... bom, quanto ao resto, o melhor será mesmo ler o texto, nem que para tal seja necessário acender um abajur vermelho ou um abajur verde.
( Clicar na imagem para aumentar)

13 de Sorte

Ontem, tudo foi perfeito :)

Tenho dito.

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Dica do Katano

Se estiverem a usar um documento do Word e este tiver protecção contra alterações (aquela password que é pedida quando clicamos em "Ferramentas / Desproteger Documento"), basta fazer o seguinte:

1 - Guardar o documento como sendo do tipo RTF (Ficheiro / Guardar como... / Com o tipo...)
2 - Fechar o documento
3 - Abrir novamente o documento
4 - Clicar em "Ferramentas / Desproteger documento..." e já está
5 - Podem guardar agora como sendo um documento (.DOC) do Word
6 - Solicitem a minha atenção para coisas mais importantes
7 - Pronto, para um café também podem solicitar
8 - Ou para me pagarem o almoço
9 - Podem também pagar as imperiais enquanto assistimos aos 2 jogos que o Benfica ainda vai fazer nas competições europeias este ano.

Sugestão de Natal

Natal é tempo de paz, harmonia, fraternidade, boa vontade... em suma, tempo de gastar dinheiro de forma aflitiva e desregrada. Segundo dados estatísticos oficiais, cada português vai gastar em média 596 euros no Natal, o que, tendo em conta a taxa de desemprego de 8,2 % avançada pela Eurostat e o nível dos salários praticados, vai contribuir e de que maneira para agravar o sobre-endividamento da população.

É por isso que o Blog do Katano lança uma sugestão para as prendas de Natal: uma t-shirt. Trata-se de uma t-shirt com preço em conta e bem ao estilo da quadra festiva que atravessamos, capaz de impressionar a família num qualquer jantar de consoada ou, porque estamos na Beira, de causar sensação junto da população concentrada em redor do "madeiro" em frente à Igreja após a missa do galo.



Para adquirir esta ou outra T-Shirt, consultem o catálogo da Funda São.

domingo, dezembro 09, 2007

Pirataria sim senhor, mas com autógrafo, se faz favor!

Se o lançamento de um livro é sempre um acontecimento relevante, de maior importância se revestirá se o autor do livro for um amigo nosso, mesmo que o tema do mesmo seja mais prático e menos, vá lá, literário, como a gastronomia.

Foi precisamente isso que aconteceu hoje, com a apresentação daquele que espero que seja o primeiro livro de um jovem que considero muito promissor e que é, sem sombra de dúvida, um grande cozinheiro.

O discurso de lançamento, tal como o prefácio do livro, foram da autoria do Chefe Hélio Loureiro, cozinheiro-chefe do Hotel Porto Palácio e da Selecção Nacional de Futebol (imperdoável o meu esquecimento, ao não o ter questionado sobre se os rapazes se andavam a alimentar mal, dadas as últimas exibições a que tivémos ocasião de assistir).

Sendo um evento onde há sempre um certo nível de formalidade e protocolo, não é menos verdade que, sendo um momento de convívio com amigos, alguns dos quais ausentes havia já algum tempo, há sempre espaço para um ou outro apontamento de irreverência que confiram um toque de humor ao cenário.

Criei por isso condições para levar a cabo uma pequena brincadeira que atingiu o seu auge no momento em que, após algum tempo de espera na fila, chegara o momento do autor autografar o meu exemplar.

Depois de lhe ter endereçado as minhas felicitações e votos de boa sorte, pedi-lhe desculpa por não ter comigo dinheiro suficiente para adquirir o livro, salientando no entanto que o mesmo era abusivamente caro, facto ainda agravado pela iminência da quadra natalícia, com todas as despesas esperadas daí decorrentes. Concluí dizendo que, apesar de tudo, fazia questão de levar um autógrafo do autor.

Sem lhe dar tempo para pensar, retirei um volume de fotocópias encadernadas de uma de muitas sebentas que guardo dos tempos do Ensino Superior, na qual havia colocado a fotocópia da capa do livro que estava a ser lançado, e coloquei-o defronte do autor pedindo então o tal autógrafo.

A gargalhada geral que se soltou, contrastava com o ar incrédulo do autor que ora olhava para mim, ora para aquilo que acreditava ser o primeiro acto de violação de direitos de autor da sua obra, o que, a ser verdade, seria de facto um recorde digno de figurar no Guiness como a pirataria mais célere de todos os tempos. Como resposta só consegui obter a exclamação "O que é isto?!" num tom de perfeita indignação ineficazmente disfarçada.

Finamente, após ter deixado sofrer um pouco o protagonista da noite, tirei um exemplar do livro de dentro do casaco e coloquei-o na mesa em substituição da sebenta mascarada.

Entre os sinais de uma gargalhada contida, ainda consegui mais uma frase do autor: "Até te matava...!".

sábado, dezembro 08, 2007

O hino dos anestesistas

Já se interrogaram sobre o que fazem os anestesistas enquanto o paciente está inconsciente? Pois bem, esta bela obra musical de Amateur Transplant responde a essa questão de uma forma muito particular!

Enviado por e-mail por A. Goulart

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Material de apoio à Gestão de Condomínios I


Aqui está um modelo de carta de protesto / aconselhamento para situações específicas de ruído vindo do apartamento do vizinho.
Imagem gentilmente enviada por e-mail pela Du ;)*


domingo, dezembro 02, 2007

sexta-feira, novembro 30, 2007

"Onde é que vais dormir hoje?"

Esta foi a pergunta mais inesperada que já me fizeram na caixa de um hipermercado até ontem. Creio que os hipermercados no Ribatejo têm protocolos de relacionamento com o cliente algo peculiares e diferentes daquilo que se faz aqui pelo Portugal Profundo.

terça-feira, novembro 27, 2007

A segunda vida da Quinta da Fórnea



Em Setembro de 2006 publiquei aqui um post sobre a estação arqueológica da Quinta da Fórnea, anunciando aquilo que parecia a destruição e abandono de mais um sítio arqueológico. Na altura, vivia-se ainda na ressaca do atentado cometido pelo então proprietário do terreno que ignorando as evidências, plantara um pomar no terreno onde se encontravam as ruínas, usando para o efeito um bulldozer, atentado que eu denunciei no meu portal e na imprensa. Ironicamente, durante esse Verão, um incêndio acabaria por reduzir o próprio pomar a cinzas.

Para reler cliquem aqui .

Fiquei por isso intrigado quando, há algumas semanas numa das minhas viagens na A23, vi movimentações de pessoas e veículos junto às ruínas. Acabei por parar no local ontem, tendo constatado que o local está a ser alvo de uma intervenção arqueológica de fundo.

Foi com grande satisfação que, em conversa com o arqueólogo responsável soube, que a escavação se integra num projecto alargado que tem como finalidade a valorização e musealização das ruínas e a musealizaçãol. Para já, a escavação colocou a descoberto uma enorme propriedade de planta rectangular, com pátio interior, entrada lajeada, para além da zona dos celeiros e dos lagares onde foi encontrado um dolium, um grande pote de barro para armazenamento, entre vários tanques onde ainda é visível o revestimento original em opus signinum, um reboco grosseiro e impermeabilizante.

Também tive ocasião de saber que, muito perto dali, foram descobertas estruturas monumentais pertencentes a uma necrópole que terão sido provavelmente jazigos de família.

Todo o conjunto está datado como pertencendo ao Séc II.

segunda-feira, novembro 26, 2007

O gato Xau Xau

Desde que soube que existia um gato chamado Xau Xau que não descansei enquanto não rabisquei o trocadilho que me ocorreu.

Fi-lo da forma que mais gosto: no canto de uma folha, com uma esferográfica e a meio de uma reunião que se arrastava.

sexta-feira, novembro 23, 2007

A Bela Adormecida


Tive pela primeira vez o privilégio de assistir a um bailado de Piotr Tchaikovsky, "A Bela Adormecida", inspirado no conto homónimo de Perrault, anteontem no TAGV em Coimbra.
Se sobre a música de Tchaikovsky já tinha uma opinião formada, trata-se de um dos meus compositores favoritos, já em relação ao bailado a expectativa era grande e posso dizer que não saiu defraudada.
Ao longo de 3 Actos, tive ocasião de assistir a uma experiência única de música e cor, pincelada de graciosidade e leveza. Venha o Lago dos Cisnes!
Foi sem dúvida uma excelente noite, pelo espectáculo e, -claro!-, pela companhia ;).
imagem retirada daqui

segunda-feira, novembro 19, 2007

Um milagre em cada caixa de correio


Poderia ser este o slogan de uma campanha eleitoral mas não é. Trata-se apenas da conclusão que se tira da leitura de um simpático panfleto que encontrei há uns tempos na minha caixa de correio postal e que li com redobrada atenção.

Tratava-se do panfleto de uma congregação religiosa e, já se sabe, este blog dedica-se com particular atenção às questões religiosas desde que um estudo científico constatou que, em termos relativos de número de membros não praticantes, o Blog do Katano rivaliza com a Igreja Católica Apostólica Romana, a Igreja Ortodoxa e a equipa de futebol do Benfica.

Ora bem, este panfleto, que é um belo panfleto, muito colorido e atractivo, revela uma abordagem arrojada ao mercado da fé. Ao contrário de outros meios de divulgação de congregações religiosas que oferecem um milagre em troca da adesão (e de uma fatia do orçamento familiar), este oferece, imagine-se, dois milagres! Sim, dois milagres! Para mais, logo 2 milagres de peso: ali cura-se a SIDA e seca-se o cancro.

Se pensarmos que, por exemplo, na recente polémica do revés no processo de canonização dos pastorinhos em que, afinal, nem um reles caso de diabetes foi curado, este panfleto vem mais uma vez colocar o dedo na ferida: a Igreja Católica Apostólica Romana está claramente a perder a carruagem da sociedade actual.

Não se trata de acreditar que a Igreja C.A.R. não fosse capaz de depositar um panfleto na minha caixa de correio postal com o intuito de me cativar, pelo contrário, desde que recebi uma carta contendo um envelope RSF a pedir dinheiro para as obras da Igreja, acredito nisso. O problema é que, por este andar, esse panfleto viria escrito em latim e, já se sabe que isso criaria problemas enormes de interpretação. Afinal, SIDA em latim não existe e, por isso, teria de ser substituído por Peste Bubónica, algo que nem toda a gente sabe o que é. Se ainda fosse uma gripezita das aves...

Resta, depois desta reflexão, endereçar o meu voto de felicidades à Antonieta e ao Sílvio, e ainda por fazer um apelo aos órgãos de comunicação social para que se interessem mais por estas questões de saúde de modo a que não tenhamos de saber delas apenas por estes panfletos. O público tem todo o direito de saber que, algures, há alguém que se dedica a ordenar aos cancros que sequem no nome de Jesus.

Cartoon do katano


;)

domingo, novembro 11, 2007

Gaffe não programada

Terminei ontem finalmente o curso de formação pós laboral de Técnicas de Programação e que me obrigava a passar 2h de cada noite dos dias úteis na A23. Para dizer a verdade, passo tanto tempo na A23 que, caso um dia destes tenha de preencher qualquer formulário, me arrisco a escrever A23 à frente da palavra "Morada".

Não é que eu me esteja a queixar, porque se aceito um trabalho, não o faço sem ter total noção das suas implicações e não me assusta a perspectiva de me meter em algo que seja exigente a nível físico e psicológico, mesmo que isso implique dar 3h de formação à noite após um dia de trabalho.

Desta vez, o grupo era bastante interessante, muito heterogéneo em idades e competências o que tornou o desafio mais aliciante... e propenso ocorrências dignas de figurar na galeria dos melhores momentos cómicos.Em particular, houve um episódio que recordo vivamente.

Aconteceu logo numa das primeiras sessões, quando explicava às minhas formandas o conceito de algoritmo, que consiste basicamente em definir uma sequência de tarefas elementares, que constituem um processo destinado a atingir um determinado objectivo.

Consegui demonstrar que não existe uma linha de pensamento absoluta e que um algoritmo depende do raciocínio do autor, quando pedi que pegassem numa folha em branco e que fizessem uma bola. Se a maioria, condicionada pelo respeito pelo material, desenhou uma bola na folha, uma delas usou de uma abordagem pragmática e amachucou a folha dando-lhe a forma de uma bola.

O pior veio depois quando, procurando fazer ver que em tudo o que fazemos usamos algoritmos de forma inconsciente, pedi que descrevessem diversos algoritmos para tarefas diárias corriqueiras.

A certa altura sugeri que construissem o algoritmo para a tarefa de lavar os dentes e, nesse momento, uma senhora que estava na primeira fila sorriu....mostrando-me com isso que não possuía qualquer dente incisivo faltando-lhe também uns quantos caninos.

Duas hipóteses para sair daquela situação incómoda passaram pela minha cabeça. Uma delas consistia em apontar subitamente para a janela e chamar a atenção das formandas de forma veemente para o facto de o Elvis estar neste momento a passar pela rua. A outra consistia em deixar-me cair e fingir que estava a ter um ataque cardíaco.

De forma airosa, a própria senhora encontrou uma solução. Limitou-se a exclamar "Esse algoritmo, a mim, sai-me barato em pasta de dentes."

quinta-feira, novembro 08, 2007

8 de Novembro, 13h30

Mais um incêndio que nasceu de uma queimada que se descontrolou juntinho à aldeia de Benespera, entre a Guarda e Belmonte. Ao passar esta manhã pela A23 pude testemunhar a queimada e, no regresso, era este o panorama.

É inconcebível que, sabendo-se as condições climatéricas excepcionais em que nos encontramos, com um tempo anormalmente quente e seco, se continuem a fazer queimadas (já nem falo de se fazerem queimadas sem se terem as devidas precauções).

Também é para mim difícil de compreender a quantidade de espectadores, habitantes da aldeia, que se limitam a ficar especados sem tomarem qualquer atitude perante um incêndio que, com algum trabalho conjunto, seria relativamente simples de circunscrever.

Fica este cenário como um novo flagelo para a Natureza nesta altura do ano. Não bastavam os caçadores...

sábado, novembro 03, 2007

Já agora gargalha-se mais um bocadinho...

Ainda o último post não tinha tido tempo de arrefecer e eis que a nossa querida Ema resolveu demonstrar que, afinal, a Serra da Estrela não detém o exclusivo da iniciativa do louvável cuidado em conferir aos turistas anglo-saxónicos, a possibilidade de conseguirem compreender per si, a panóplia de nomes que compõem o vasto manancial da gastronomia nacional.

O seguinte exemplo vem de Sesimbra, essa bela localidade à beira mar, e de um estabelecimento verdadeiramente do katano, anónimo e escolhido completamente ao acaso que brinda os clientes com verdadeiros petiscos, a saber: Pork meet sanduihs, beef steak sanduihs, tosts, cappuccino, shiken e irish coffe. De fazer crescer água na boca!





Contudo, também fomos brindados com a foto seguinte que, não sendo da área da oferta turística nacional, vem provar que, se no resto do país há realmente exemplos paradigmáticos da excelência da expressão escrita, não é menos verdade que, na capital, vive-se num patamar acima do resto do país. Eis uma montra de um agente autorizado das principais marcas de comunicações móveis que prima pelo design, pela atractividade e, acima de tudo, pela qualidade na expressão escrita.


sexta-feira, novembro 02, 2007

It's favor to gargalheite


Eis um exemplo do porquê não ser recomendável fazer a transcrição directa das traduções feitas na Internet. Quando menos esperamos, queremos elaborar um sério aviso informativo e sai uma piada que fere de morte a nossa credibilidade.

Esta foto foi retirada do Estrela no Seu Melhor e retrata um aviso que estava em exposição na entrada do Covão da Ametade, na parte superior do vale glaciar de Manteigas.

Para tornar a situação ainda mais caricata, de acordo com o autor do blog, quem pretender recibo do pagamento (para quem perceber que a mensagem é a sério), terá de se deslocar a Manteigas, à sede do PNSE, onde lhe será passado o dito recibo... por um valor menor do que aquele que pagou.

Não bastavam as vaquinhas que pululam um pouco por todo o lado no Covão e que deixam a sua assinatura inconfundível um pouco por todo o lado...

A propósito...

A propósito desta inusitada tradução, lembrei-me da surpresa que foi para mim há uns anos atrás ler um artigo sobre o Castro da Argemela em inglês, que também ele havia sido traduzido do português para inglês (este pelo Altavista) e cujo título era agora "I Castrate of the Argemela"...

sexta-feira, outubro 26, 2007

No estrangeiro é que é...! II

Para além do nível de civismo e de observância das regras instituídas, há outro pormenor importante que nos afasta do pelotão da frente: o nosso nível tecnológico.


Embora o nosso primeiro ministro (espero não ter problemas por ter referido esta ilustre personagem) tenha feito do afamado Choque Tecnológico uma das bandeiras do programa governamental, é certo que ainda há muito para fazer até conseguirmos alcançar um patamar tecnológico que se coadune com o nível global que se verifica nos restantes países europeus.


Aproveito para aqui partilhar uma fotografia que tirei a um verdadeiro veículo de Classe A (que não era Mercedes) esperando transmitir aos caríssimos leitores o mesmo assombro que tomou conta de mim perante tal bólide.



No estrangeiro é que é...!

Muitas vezes ouvimos, ou nós próprios proferimos, diversos lamentos sobre o quanto o nosso país está pouco evoluído quando comparado com os seus parceiros europeus. Pois bem, no último Verão procurei tirar essa história a limpo e investiguei um pouco.


Uma das conclusões a que cheguei foi que, ao contrário do que se faz por cá, por exemplo em Espanha o povo cumpre as regras!



Digo isto com convicção plena uma vez que nesta rua de Calatayud (Aragão), não vi ninguém a jogar futebol, a subir telhados e nem a jogar futebol nos telhados.

segunda-feira, outubro 22, 2007

Questão de comprimento de patas


Como acontece de duas em duas semanas, parte da família Caetano (e aspirante) deslocou-se no último Sábado ao Pavilhão Desportivo do Fundão para assistir a mais um jogo do campeonato nacional da 1ª Divisão de Futsal. Desta vez, a gloriosa ADF recebia o Sassoeiros, equipa que na primeira jornada havia infligido uma derrota ao Sporting.

Nas bancadas a emoção era enorme, em particular no sector onde nos instalámos uma vez que, como descobrimos após os primeiros lances discutíveis (ou não), estávamos junto aos lugares onde se encontravam os agregados familiares dos jogadores, tanto ascendentes como descendentes. Isso foi ainda mais nítido quando o grande Couto, provavelmente um dos melhores jogadores do campeonato, arrancou de forma fulgurante pela esquerda ainda no meio campo da ADF e marcou um golo de belo efeito, na altura o 3-0.

Foi nesse momento que o proprietário da inevitável e incansável buzina que se encontrava duas filas mais abaixo se levantou para festejar os golos, não se coibindo de se virar para trás encarando o público com um sorriso de orelha a orelha como quem diz "Viram? Viram? Fui eu quem fez aquele jogador!"

Contudo, o que mais me chamou a atenção foi um senhor de porte e perímetro de cintura apreciáveis que, na fila de trás, assistia ao jogo com os seus dois filhotes.

A dada altura, quando um jogador do Sassoeiros, com altura superior à altura acumulada dos seus restantes companheiros, cortou um lance de ataque da ADF, o espectador em questão não conseguiu conter o comentário cliché: "Porra! O gajo tem patas compridas!".

Quase de imediato, a sua filhota que pelos vistos achou enorme piada ao inusitado comentário reagiu, e o diálogo que se seguiu foi basicamente o seguinte:

Pikena - "hi hi hi Ele tem patas compridas!" (alegria infantil indisfarçável)

Paizão - "Então?! O que é isso?! Olha as pessoas! Não é patas que se diz! Diz-se "pernas"!" (indignação genuína justificada talvez por um súbito sintoma de Alzheimer)

Pikena - "... Não se diz "patas"! Diz-se "pernas"" (confusão infantil indisfarçável)

Paizão - "Ah bom! Vamos la ver essa educação!" (indignação que se justifica pelo perdurar de um súbito sintoma de Alzheimer)

Porque isto da educação no desporto é bonito!

PS - O Fundão venceu o Sassoeiros por 7-3 chegando a estar a vencer por 6-1. Sô Paulo Fernandes, se precisar de alguma dica, é favor ligar para o número de telefone disponível no site da ADF e pedir para falar com o Mister José Luís!

sexta-feira, outubro 12, 2007

Canonização dos Pastorinhos suspensa por falta de... provas científicas


Foi esta a notícia avançada pelo Telejornal dando conta da suspensão do processo de canonização dos pastorinhos.

Ao que parece, o Vaticano não terá ficado suficientemente convencido com a cura milagrosa de um crente que deixou de padecer de diabetes apenas por estar a assistir através da TV à cerimónia da beatificação dos pastorinhos.

Segundo o jornalista, o Vaticano iria suspender o processo até conseguir provas científicas (sic)dos milagres dos pastorinhos.
Ora, ouvir isto teve para mim o mesmo efeito que teria uma notícia a anunciar que o Sr Ratzinger iria dar uma palestra sobre a importância das teorias evolucionistas, palestra essa dada em latim, com certeza.

Mas e que método científico é usado para determinar a autenticidade de um milagre. Pelo que percebi, o milagre fica provado quando não se encontrar qualquer causa para o que quer que tenha acontecido. Se não conseguirem descobrir nada então é porque é milagre.

Esperemos então pelos resultados desta investigação que promete fazer do Sr Grissom e da sua pandilha, um bando de putos traquinas com a mania que vão ser cientistas quando crescerem.

Os episódios de CSI Fátima seguem dentro de momentos.

terça-feira, outubro 02, 2007

Por terras dos Francos IX (cont)

Só para terem uma ideia da violência do bombardeamento a que foi sujeito o Forte de Douaumont durante Verdun...

Vista aérea do Forte de Douaumont antes da Guerra


Vista aérea do Forte de Douaumont em finais de 1916

Imagens retiradas de www.archivaria.de e www.wikipedia.org

sexta-feira, setembro 28, 2007

Por terras dos Francos IX (cont.)

MEMÓRIAS DE VERDUN

O Forte de Douaumont


Como referi no artigo anterior sobre a batalha de Verdun, o Forte de Douaumont era o centro da cintura da região fortificada de Verdun. Ironicamente, acabaria por cair em mãos alemãs primeiro e em mãos francesas depois, sem combate.

Construído entre 1885 e 1913, o forte foi vítima da estratégia ofensiva do exército francês durante o primeiro ano da I Guerra Mundial, tendo sido desarmado e desguarnecido como tantos outros na região. Contudo, a inversão da situação acabou por trazer a frente de combate para a região de Verdun sem que tenha havido um re-equipamento do forte.

A 25 de Fevereiro de 1916, no início da ofensiva de Verdun, os alemães decidem atacar as posições francesas frente ao forte de Douaumont com o objectivo de trazerem as suas posições até pelo menos 600 metros do forte. Estranhando a falta de oposição local, os alemães conseguem chegar facilmente ao fosso do forte. O único sinal de vida é dos canhões de 175 milímetros do forte que disparam contra objectivos distantes. Entraram então dentro do forte fazendo prisioneiros os cerca de 60 franceses que se encontravam nas galerias (o forte tinha capacidade para uma guarnição de 800 homens).

Imediatamente os alemães fazem da fortaleza o pivot das suas posições na região e as sucessivas tentativas francesas de a reconquistar fracassam umas após as outras, isto apesar de em determinado momento os franceses terem mesmo conseguido ocupar posições por cima do forte mas que, por falta de reforços, tiveram de ser abandonadas.

A ocupação alemã do forte vai prolongar-se até Outubro, altura em que um regimento colonial marroquino consegue em definitivo tomar a fortaleza. Entretanto, será sempre submetido a um furioso bombardeamento da artilharia francesa e será talvez por isso que às 6 horas da manhã do dia 8 de Maio, uma explosão num depósito de lança-chamas matou de uma só vez cerca de 800 alemães, 679 dos quais ficaram sepultados no forte.

A própria retomada do forte pelo exército francês será feita em circunstâncias particulares pois, fruto de um incêndio no interior das galerias, a guarnição está extremamente debilitada e rende-se sem combate.


Bandeira francesa hasteada sobre o Forte de Douaumont
Torreão eclipsante de canhões de 175''. O conjunto do canhão e sistema de ascensor da torre pesava 36 toneladas e era manobrado por 3 soldados
Indícios da explosão de um obus de pequeno calibre sobre uma torre de metralhadora


Chicane no interior do forte.


As latrinas da guarnição. Em tempo de combate (balde) e em tempo de paz (no solo)


Dormitórios dos soldados

Alojamentos de oficial

Parede construída para selar a galeria destruída pela explosão do lança-chamas e onde estão sepultados 679 alemães

quinta-feira, setembro 27, 2007

Por terras dos Francos IX

Em Verdun, o solo ainda mostra as cicatrizes dos violentos combates de 1916




VERDUN - Capital Mundial da Paz

Em plena I Guerra Mundial, vivia-se em 1916 uma situação de impasse na Frente Ocidental. Após uma primeira fase em que os alemães conseguiram colocar o exército francês em retirada e chegaram mesmo a bombardear os subúrbios de Paris, o avanço alemão viu-se barrado na batalha do Marne.

Da Alsácia ao Canal da Mancha, forma-se uma frente de batalha estática em que a cada ataque de uma das partes se sucede um contra-ataque do adversário sem quaisquer resultados práticos de uma parte ou de outra. É a Guerra de Posições no seu auge.

Consciente de que os franceses e ingleses planeiam um ataque em larga escala no Somme, o comandante do exército alemão, o General von Falkenhain decide antecipar-se e ferir de morte o exército francês com um golpe decisivo. Depois de algumas hipóteses é escolhida a zona de Verdun, a cerca de 300km a sul do Somme, um "espinho" na linha da frente. 

Verdun é um local que faz parte da mitologia nacional francesa, como Guimarães faz parte da mitologia nacional Portugal pois foi aí que os netos de Carlos Magno assinaram no Séc. IX o tratado que deu origem à França (e também à Alemanha).

O plano de Falkenhain é simples: lançar um ataque total sobre a região fortificada de Verdun para aí atrair e aniquilar o exército francês. Falkenhain apoia-se no facto de a alemanha possuir maiores reservas humanas para se sobrepor ao exército francês e ao, mesmo tempo, planeia com isto desferir um golpe moral fortíssimo na moral da França para levar a à capitulação.

A 21 de Fevereiro um intenso bombardeamento de 1.200 peças de artilharia sobre uma frente de 10km assinala o início do combate, largando sobre as posições francesas 2 milhões de obuses apenas nos dois primeiros dias! Em seguida a infantaria avança sobre as devastadas trincheiras francesas não esperando qualquer resistência da parte dos seus defensores. Contudo a realidade é diferente. Os pequenos grupos sobreviventes do exército francês que ficaram isolados decidem resistir a todo o custo conseguindo com isso travar o avanço alemão o suficiente para permitir a reorganização da defesa da região fortificada de Verdun.

O General Pétain é encarregue da defesa de Verdun e lança a frase da ordem: "Eles não passarão!". Com bastante inteligência, redistribui os recursos pela linha da frente ao mesmo tempo que a estrada que liga Bar-le-Duc a Verdun, a única estrada ainda segura, é usada para trazer reforços e abastecimentos. Denominada "Via Sagrada", por ela chegam a Verdun 50.000 homens e 90.000 toneladas de equipamento por semana em camiões que passam a cada 14 segundos a uma velocidade 40 km/h.


Ainda assim, o forte de Douaumont, considerado o ponto central de toda a região fortificada frente a Verdun cai sem combate em mãos alemãs e mais tarde, a segunda fortaleza mais importante, o forte de Vaux, rende-se também após uma resistência heróica. Os alemães conseguem chegar a dada altura a 3km de Verdun e é anunciada a queda do forte de Souville, ultimo ferrolho antes de Verdun. No entanto o anúncio é prematuro pois a guarnição de Souville não se rende e continua a combater dentro das galerias da fortaleza resistindo até que um contra-ataque consegue libertar o forte.


Ao mesmo tempo, a partir de Junho de 1916, os aliados conseguem afectar recursos suficientes para desencadear o ataque no Somme obrigando os alemães a transportarem para aí várias divisões que combatem em Verdun. Este momento marca a viragem em Verdun pois os alemães ficam em definitivo na defensiva.


Daí até Novembro, os franceses conseguem reconquistar praticamente todo o terreno perdido no início da batalha, reconquistando inclusive os fortes de Douaumont e Vaux mais uma vez sem combate.


No final, tudo volta à primeira forma e em Novembro termina a batalha. Balanço final: 350.000 mortos do lado francês e 320.000 mortos do lado alemão.

quarta-feira, setembro 26, 2007

A Honra de Almaceda


Ontem, a propósito de um pastel de nata que havia ficado solitário no seu prato perante 6 pessoas com evidente vontade de o comer (mas que se entregaram ao típico altruísmo hipócrita do "Fiquem vocês com ele!" quando na verdade, se ninguém estivesse a ver, se apropriariam dele em completa sofreguidão), lembrei-me de uma história que a minha falecida avó paterna me contou. Foi provavelmente num daqueles serões à lareira onde os meus avós me contavam aquelas histórias que misturavam a tradição, o sobrenatural e a história da região ingredientes que faziam as minhas delícias.


Dizia então a minha avó que, ali para os lados da aldeia de Almaceda, decorria uma boda e na refeição que reuniu os convivas após a cerimónia de casamento, foram servidas sardinhas.


A dada altura, sobrava apenas uma sardinha no prato, perante o olhar guloso e silêncio cúmplice dos convidados que, por uma questão de decoro, não se atreviam a pegar nela.


Subitamente, não se sabe se por obra de alguém ou por intervenção divina, alguém apagou as luzes da sala e foi então que, nesse preciso momento, foram encontrados no prato da sardinha sete mãos e um pé.


"E esta meu filho, é a honra de Almaceda", concluíu a minha avó com um esboço de sorriso trocista.

quinta-feira, setembro 20, 2007

Por terras dos Francos VIII


Desde que estamos aqui, a nossa antiga vida ruiu, sem que tenhamos contribuído para tal. Temos tentado, mais de uma vez, procurar a razão e a explicação, mas não o temos conseguido de modo satisfatório. Precisamente para nós, que temos 20 anos, tudo está particularmente anuviado: para Kropp, Muller, Leer e eu, para todos nós a quem Kantorek chama mocidade de ferro.

Os soldados mais velhos estão solidamente ligados ao passado. Possuem uma base, famílias, filhos, profissões e interesses já bastantes fortes para que a guerra não seja capaz de os destruir. Mas nós, com os nossos 20 anos, só temos os nossos pais e, alguns, uma amiguinha. Não é grande coisa.

Na nossa idade a autoridade dos pais está reduzida ao mínimo e as mulheres ainda não nos dominam. Fora disto não havia em nossas casas mais coisa alguma: um pouco de sonho extravagante, algumas fantasias e a escola. A nossa vida não ia mais além. E de tudo isto nada resta.

O Kantorek diria que nós nos encontrávamos precisamente no limiar da existência. É assim, efectivamente. Não tínhamos ainda criado raízes. A guerra, como um rio, levou-nos na sua corrente. Para os outros, de mais idade, ela não passa de um intervalo. Podem pensar em alguma coisa fora dela. Mas nós fomos apanhados por ela e ignoramos como isto acabará. O que sabemos simplesmente, neste momento, é que nos tornamos nuns brutos de uma forma estranha e dolorosa, ainda que muitas vezes não possamos já sentir a tristeza.

Erich Maria Remarque in “A Oeste nada de novo”, Europa-América 1929

Erich Remarque serviu no exército alemão durante a Primeira Guerra Mundial tendo sido ferido por 5 vezes e tendo sido reenviado outras tantas para a frente de combate. No final da guerra, impressionado pelos horrores vividos nas trincheiras, escreveu um livro no qual conta a história de um soldado alemão que vê morrer os seus valores, o seu modo de vida e finalmente os seus camaradas, acabando ele próprio por morrer.

Na sua obra, retrata o absurdo da Guerra e o estado de espírito dos soldados que tinham pura consciência de estar a combater numa luta que não era a deles.

O título da obra é extraído de um célebre e telegráfico comunicado de situação de combate na Frente Ocidental (segundo a perspectiva alemã) e é um paradigma da guerra das trincheiras: "Nada de novo na Frente Ocidental."

segunda-feira, setembro 17, 2007

Por terras dos Francos VII


Destroços do que foi outrora a fortificação de Thiaumont que, durante os 10 meses da Batalha de Verdun, mudou de mãos cerca de 20 vezes.



"Aqui, é preciso vencer ou morrer". Temos a impressão de sermos tropas sacrificadas para retardar o melhor possível o avanço do inimigo e para permitir aos nossos de se reorganizarem sobre a linha das fortalezas, algo que deveria estar feito já há muito tempo. Durante o resto da noite, instalamo-nos como podemos mas não é fácil, os abrigos são insuficientes. Tentamos entrar em contacto com as tropas que deveriam estar à nossa direita e à nossa esquerda. Não há ninguém ou então estão demasiado afastadas. Todos têm o coração tão apertado que ninguém pensa sequer em comer.

Há já dois dias que não apanhamos com grande coisa, caem apenas alguns 77 sobre a nossa posição o que é espantoso pois os alemães devem ter esta colina bem demarcada. Finalmente o dia ergue-se. Observamos o terreno à nossa frente: tudo parece calmo na planície que conseguimos perceber até bastante longe, apenas algumas patrulhas ou homens isolados. Dizem-nos para nos escondermos o melhor possível pois os aviões inimigos circulam nos céus e arriscamo-nos a levar com os obuses que nos caem em cima e que lhes são destinados. É preciso também não nos fazermos detectar.

A manhã passa suficientemente tranquila, não somos bombardeados de forma alguma até que, por volta das 11 horas, a fuzilaria rebenta à nossa esquerda. Conseguimos ouvi-la mas, ao mesmo tempo, um sargento surge gritando: "Toda a gente para fora, vêm aí os Boches!".


Testemunho de Léon Vuillermoz, cabo do 23º Regimento de Infantaria, destacado para a aldeia de Vaux no momento do ataque alemão à região fortificada de Verdun

sábado, setembro 15, 2007

Chineses do katano


Segundo o ruinix, e a fazer fé na foto que publica no seu blog, em Shangai a malta veste roupa do Katano! É a globalização a agir na internacionalização do conceito!

quarta-feira, setembro 12, 2007

Para Eneia


Estive ontem num lugar onde as inquietações me perderam e onde encontrei uma paz que talvez não devesse ter maculado com palavras.


Devo-o a esse sorriso desenhado em tons de inocência, a esse olhar onde se misturaram todas as coisas bonitas em ti e a essas tuas palavras sugeridas em tom de melodia.

domingo, setembro 09, 2007

Por terras dos Francos VI

A meteorologia

Um exemplar único de um bovídeo anfíbio, animal muito raro observável apenas em circunstâncias muito particulares


O rio Loue na sua passagem por Quingey com um nível de água 1,5m mais alto que o habitual para esta época. Acabaria por estabilizar de forma a permitir um percurso de 12km em canoa.



A meteorologia é um tema incontornável de qualquer descrição de férias sendo que a presença de um Sol abrasador durante as mesmas um factor indispensável de sucesso.

Se há coisa que me irrita são aquelas pessoas, com um bronzeado que as aproxima - e de que maneira - das suas raízes africanas e que contam as suas aventuras na piscina do hotel ou na praia sob um Sol tórrido.

Há dois reparos que se impõem: primeiro eu tenho olhos na cara e consigo perceber que aquele bronzeado não foi de certeza por estarem demasiado próximos do microondas. A minha astúcia permite-me deduzir rapidamente que tal se deve a uma exposição solar prolongada, embora claro haja sempre a hipótese de recorrer aos solários. Em segundo lugar, basta tomar como referência qualquer operário de construção civil para ver que estes corajosos e coloridos veraneantes não passam de meros amadores e, mais pertinente ainda, estes operários são pagos para se bronzearem! Não andam é para aí a dizer "Oh <turpilóquio>, fui para uma <turpilóquio> de uma obra ali para o Algarve e estava cá uma torra! Mas olha que havia lá gajas bem boas! ". Aparentemente motivo de orgulho é dizer "Fui para a praia, mantive um comportamento digno de um vegetal e fiquei assim bronzeado! Não é espectacular?".

Bom, tudo isto para dizer que bronzear-me nas férias não será para mim um objectivo primordial e que o mais comum, dado o tipo de actividades a que gosto de me dedicar, será obter um bronzeado "estilo camionista".

Contudo, também gosto que as minhas férias coincidam com condições metereológicas favoráveis o suficiente para percursos de exploração e visita. Ora acontece que nestas férias, sobretudo no Norte de França, as minhas férias tiveram tudo menos isso!


A minha chegada ao Franco-Condado foi o prenúncio do que estava para vir pois aconteceu por volta das 23h sob um temporal tremendo. Ao mesmo tempo, soube que parques de campismo estavam a ser evacuados (só de uma vez evacuaram 300 campistas) devido a inundações, inundações essas que motivaram também o corte de diversas estradas e provocaram avultados prejuízos desde o Franco Condado até à Suiça.

Felizmente a coisa acabaria por estabilizar o suficiente para que pudesse fazer diversos percursos e actividades muito simpáticos. Ao menos isso!

sexta-feira, setembro 07, 2007

Interlúdio

Agora que estou de regresso, e enquanto não acabo de publicar todos os posts sobre os locais que visitei, aproveito para colocar aqui um vídeo simpáticamente enviado pelo Wolverine relativamente ao resumo alargado na TVI do último Leiria x FCPorto.
Vêm alguém conhecido na bancada?



Uma pista: procurem um casal sentado e, em particular, um em que o elemento masculino exiba uma postura concentrada, inteligente e terrivelmente bonito.

quinta-feira, setembro 06, 2007

Por terras dos Francos V

As ruínas romanas de Villards d'Heria

Este impressionante conjunto de ruínas da época romana situa-se no departamento do Jura, junto a Saint Claude e a uma distância relativamente curta da Suiça.

Trata-se de um complexo religioso e centro de peregrinações construído no Séc I, com ocupação até ao Séc II, dedicado a uma divindade aquática local. Actualmente conhece-se as estruturas que formavam o centro religioso do local: um templo, um complexo termal, um hospital para assistência aos peregrinos. No entanto, a poucos minutos daqui e junto a um lago no cimo de um monte, foram também descobertos dois templos, um dedicado a Marte e o outro a Belona.

Aqui a água é um elemento fundamental e o motivo para a construção destas estruturas pois, para além do riacho que aqui passa (o templo foi mesmo construído sobre ele), existem várias nascentes de água que provêm do lago mais acima. A estrutura geológica particular do local fazia com que o débito de água fosse muito irregular podendo mesmo parar e recomeçar algumas vezes durante o dia. Este facto fazia com que, à luz da superstição e crendice da época, se acreditasse que neste local morava uma divindade.
Por outro lado, os romanos pretendiam impressionar o a tribo local dos Sequanos e assim, para além da própria construção do templo, regularizaram o curso do riacho através da construção de muros nas margens e canalização das restantes nascentes.




A plataforma sobre a qual assentava a cela do templo

Uma das piscinas do complexo termal. Entre a escadaria ainda subsiste o revestimento em chumbo para purificar a água e proteger a pedra do desgaste

O tanque sagrado situava-se num pátio em frente à cela do templo e actualmente encontra-se num subterrâneo de captação de água para a localidade de Villards d'Heria

segunda-feira, agosto 20, 2007

Por terras dos Francos IV

PONTAIX



A aldeia de Pontaix, com o seu casario junto ao rio Drome, o seu castelo medieval em ruinas (destruído por explosão durante os conflitos religiosos do Séc XIV) e o seu templo protestante outrora igreja, fica situada numa regiao de altas escarpas calcarias junto ao planalto do Vercors que encerra uma tragica historia de um massacre dos Resistentes pelas forças mecanizadas alemãs durante a II Guerra Mundial.



Em Pontaix fiquei alojado numa simpatica vivenda junto ao rio e o meu anfitriao teve a amabilidade de me fazer visitar as caves onde fabrica a sua "Clairette de Die", oferecendo-me depois um conjunto de 18 garrafas. Malta, preparem-se para as jantaradas!

O processo de fabricacao deste vinho espumante obedece a varias etapas. Em primeiro lugar, o vinho e engarrafado ainda sem ter completado a sua fermentacao, sendo as garrafas fechadas com uma carica e ficando em repouso durante 4 meses. O CO2 libertado durante a fermentacao fica assim aprisionado sendo o gas que forma as "bolhinhas" que se libertam quando abrimos a garrafa para consumo. Por outro lado, nem todo o acucar e transformado em alcool o que da ao vinho o seu teor adocicado.

4 meses depois, as garrafas sao abertas em ambiente controlado sob pressao para manterem o gas, e sao esvaziadas para se poder filtrar o vinho (que entretanto ganhou deposito) que passa por um filtro de fibras e argila. As garrafas sao entretanto lavadas e o vinho acaba por ser novamente engarrafado sendo fechado desta vez com as rolhas que nos sao familiares (tipo cogumelo) mas que, antes de serem colocadas nas garrafas, tem no seu todo exactamente o mesmo diametro. Isto ajuda a dar uma ideia da forca com que sao colocadas o que se torna necessario devido a pressao do gas contido no vinho.

DIE



A cidade de Die, a Colonia Dea Augusta Voncotorium romana, fica a poucos quilometros de Pontaix e e a capital do vinho espumante que tem o seu nome.

Aproveitei para dar um passeio pelo centro historico e tambem ao longo das muralhas que, durante pouco mais de 1km, nos fazem viajar desde a epoca romana ate ao Sec XV.

Relativamente ao sector romano das muralhas, foi interessante verificar que o enchimento dos muros contem frisos, fustes e capiteis de colunas o que permite algumas suposicoes relativamente ao contexto em que foram construidas.

Convem primeiro explicar que as muralhas eram construidas erguendo-se dois muros paralelos, de silhares de tamanho apreciavel, sendo esses muros separados por cerca de 2 metros (neste caso particular) e o espaco entre eles era depois preenchido com pedra irregular e argamassa.

Ora bem, se na epoca do auge da Pax Romana, as cidades nao tinham muralhas ou, no caso de terem, estas detinham um papel principalmente honorifico e nao tanto de defesa, as muralhas de Dea Augusta deixam adivinhar uma construcao apressada com tudo o que estava disponivel o que sugere a eminencia de uma ameaca. Barbaros? Guerra civil? Os ultimos anos do Imperio foram sem duvida conturbados.

Da epoca, podemos ainda encontrar a chamada porta de Saint Marcel, uma das entradas na cidade romana ladeada por duas torres circulares e na qual foi reaplicado um arco monumental municipal cheio de decoracoes.

CREST


Alguns dias depois iniciei a viagem para a minha proxima etapa, tendo aproveitado para, no trajecto e a relativa curta distancia de Pontaix, visitar a torre da vila de Crest.

Trata-se de uma soberba construcao que impressiona pela sua invulgar altura e trata-se do resultado da evolucao de uma fortificacao que, antes de ser castelo, comecou por ser uma torre isolada.

O monumento foi depois adaptado a prisao tendo funcionado assim ate ao Sec XIX, altura em que viria a ser abandonado. Os grafitis sobrepostos nas diversas celas sao o testemunho de muitos que aqui passaram e inclusive aqui morreram, sendo que alguns desses grafitis sao verdadeiras obras de arte.

Vale a pena subira ate ao alto da torre para admirar a vista que alcança até dezenas de quilometros em redor.

Depois de algumas horas aqui, continuei a viagem para norte ate a regiao do Franco Condado, Franch-Comte, onde me encontro desde entao.

A seguir: O Franco Condado, Verdun, Suica, Paris.
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