quinta-feira, agosto 31, 2006

Hoje é a vez delas...


Só acho uma injustiça de todo o tamanho não ser convidado para esta despedida de solteiro. Não é por estar recheada de francesas não comprometidas mas simplesmente porque não gosto de alimentar actividades que discriminam os seus participantes em função do sexo. Por isso é que só há guerras e tragédias neste mundo...

terça-feira, agosto 29, 2006

Do Katano breaking news

Caros leitores, temos o orgulho de anunciar, em primeríssima mão, que os problemas de integração cultural das minorias residentes no nosso país estão em vias de resolução! Tivemos oportunidade de constatar agora mesmo a prova desse facto: Acaba de passar um veículo, em dúbio estado de conservação é certo, preenchido por ocupantes de etnia cigana, que ouviam em plenos watts a banda sonora da Floribela cantada por um senhor que desconheço, possuidor de voz rouca e acompanhado por uma música de nítido cariz flamenco!

"Aiiiiiii... Não tenho nada, mas tenho tudo, tudo. Olééééé....!"

segunda-feira, agosto 28, 2006

The monster demands a mate



Um hino à celebração efusiva é o mínimo que se pode dizer para descrever suscintamente a despedida de solteiro do nosso camarada Pepe.

Apesar do embargo à presença de senhoras, da América do Sul ou da Europa de Leste, decretado pelo anfitrião, a festa não deixou de ser um momento vibrante e que deixa boas recordações.

Esta é uma singela homenagem que aqui faço ao evento, com a exibição do cartaz oficial que, juntamente com outro elemento de sinalética proibindo a entrada a pessoas estranhas entre as 20h30 e as 7h da manhã do dia seguinte, foram distribuídas pela periferia da quinta onde decorreram as festividades.

O Blog do Katano esteve obviamente presente, tomando a seu cargo a confecção do jantar e a preparação dos shots que abrilhantaram a noite. Já agora, importa dizer que quem resistiu aos rigores das festividades e manteve contra tudo e contra todos o espírito festivo foi mesmo a representação deste blog.

À margem do evento - declaração oficial

Enquanto de forma inocente e descontraída decorriam as festividades, chegou-nos a notícia do desaparecimento de diversas placas sinalizadoras de delimitação de zona de caça associativa que se encontravam instaladas nas imediações.

A comissão de festas manifesta aqui o seu total repúdio por aquilo que considera ser um acto de deliberado vandalismo gratuito e desde já se isenta de qualquer responsabilidade no ocorrido até porque está mais que demonstrado que este tipo de placas não constitui um ornamento de grande valor estético, nem tão pouco constituem uma base para copos muito prática dadas as suas dimensões.

Aproveitamos aqui para endereçar a nossa solidariedade para com os funcionários a cargo da Direcção Geral de Recursos Florestais que, de forma abnegada e irrepreensível, haviam procedido à colocação das placas nos quintais, ruas e rotundas da periferia do centro urbano do Fundão.

Do mesmo modo, declaramo-nos inteiramente disponíveis para colaborar no apuramento da verdade deste caso, sendo nossa firme convicção que, o caçador nacional, deverá poder perseguir e abater qualquer elemento animal do universo cinegético nacional nas ruas e quintais da nossa cidade se assim o entender.

quinta-feira, agosto 24, 2006

Já que falamos de sacerdotes católicos...

Ainda o último post não tinha tido tempo de aquecer o seu nicho, quando começámos a ser bombardeados com vários e-mails, uns protestando contra a ligeireza da minha abordagem ao assunto, outros felicitando este blog por ser um local onde todos os cultos são tratados por igual e de forma concisa, e outros ainda a pedirem-me a receita da confecção de Chow Min Fan.

Entre esses e-mails destaco o de uma fã confessa deste blog que aborda a questão da seguinte forma:

"Caro Blog do Katano

Fique de certa forma supreendida por constatar que se procurou aqui fazer uma homenagem póstuma à memória de um padre da igreja católica quando, todos os sabemos bem, padres há que são levados da breca!

Para corroborar esta minha indignação, envio este extracto de um documento que se encontra na Torre do Tombo, dando conta de um caso históricamente comprovado"



Eis o testemunho que consiste num processo judicial contra o então padre de Trancoso, corria o áureo séc XV:

Do Arquivo Nacional da Torre do Tombo
(Autos arquivados na Torre do Tombo, armário 5, maço 7)

"Padre Francisco da Costa, prior de Trancoso, de idade de sessenta edois anos, será degredado de suas ordens e arrastado pelas ruas públicas nos rabos dos cavalos, esquartejado o seu corpo e postos os quartos, cabeça e mãos em diferentes distritos, pelo crime que foi arguido e que ele mesmo não contrariou, sendo acusado de ter dormido com vinte e nove afilhadas e tendo delas noventa e sete filhas e trinta e sete filhos; de cinco irmãs teve dezoito filhas; de nove comadres trinta e oito filhos e dezoito filhas; de sete amas teve vinte e nove filhos e cinco filhas; de duas escravas teve vinte e um filhos e sete filhas; dormiu com uma tia, chamada Ana da Cunha, de quem teve três filhas, da própria mãe teve dois filhos.

Total:duzentos e noventa e nove, sendo duzentos e catorze do sexo feminino e oitenta e cinco do sexo masculino, tendo concebido em cinquenta e três mulheres".

Anexo posterior:

"El-Rei D. João II lhe perdoou a morte e o mandou por em liberdade aos dezassete dias do mês de Março de 1487, com o fundamento de ajudar apovoar aquela região da Beira Alta, tão despovoada ao tempo e guardar no Real Arquivo esta sentença, devassa e mais papéis que formaram o processo".

É caso para dizer que, se um padre tiver que ter filhos, que vá para uma aldeia perdida na serra e que tenha muitos, senão está metido num sarilho!

Até sempre camarada Padre Barreiros!

Para que a memória não se desvaneça, impõe-se um oportuno tributo a uma personalidade maior do Fundão que ontem foi a enterrar: o grande Padre Barreiros, pároco desta cidade desde que eu me lembro de ter pela primeira vez aprendido o conceito de pároco. Agora que falo nisto, acho que foi no mesmo dia em que aprendi o conceito de "idiossincracia" e ainda no mesmo dia em que aprendi a fazer crepes. Admito contudo que possa estar enganado.

Esta minha homenagem deve-se ao facto de eu ter tido a oportunidade de privar duas vezes com o Padre Barreiros de forma mais directa, para além de uns quantos convívios indirectos fruto da minha presença em vários casamentos e baptizados.

Recordo-me de uma vez em que ia na rua e, ao longe e em sentido contrário, percebi a aproximação do Padre Barreiros. Ao chegar perto de mim, olhou-me e, confundindo-me com outra pessoa disse-me uma única frase: "Boa tarde!". A minha resposta não se fez esperar e, sem o deixar respirar, de imediato lhe atirei também "Boa tarde!". Foi um bonito momento.

Também me recordo de um baptismo em particular em que, previamente, ele disse que o incomodavam muito aquelas pessoas que iam para a igreja armadas em turistas a tirar fotos, pedindo também que as fotos fossem tiradas no exterior do templo. No final, as coisas não correram bem assim e, no início timidamente até depois descambar num desenfreado movimento colectivo, todos começaram a fotografar os pais e o pequeno protagonista recém-entrado no clube da cristandade como se não houvesse amanhã.

Num casamento realizado também na igreja do Fundão, sob o ministério do Padre Barreiros, este declarou oportunamente, ainda a cerimónia não estava concluída, que seria agradável que as pessoas atirassem flores aos noivos um pouco mais longe da igreja pois esta havia sido limpa ainda nessa manhã e não queria que a sujassem de novo.

No final, tomados pelo frenesim próprio de alguém que tem pétalas e arroz na mão e acaba de avistar um casal de noivos, não foi dada aos protagonistas sequer a hipótese de verem a luz do Sol. No final, o exterior da igreja pareceu-me mais limpo que o interior.

Finalmente, recordo-me de uma outra ocasião em que, no calor de mais um noite boémia, eu e um grupo de indivíduos que não vou aqui identificar mas que não incluía de modo algum a Catarina, nos dedicámos a espalhar uma panóplia de preservativos, recém adquiridos num distribuidor próximo, pelo balcão da casa do insuspeito sacerdote.

São histórias que guardarei sempre com muito carinho num compartimento do cofre das minhas recordações.

Até sempre camarada Padre Barreiros!

quarta-feira, agosto 23, 2006

Erro de cálculo...


Um erro de cálculo é o nome que se dá a uma situação em que alguém, por estupidez, por ingenuidade ou por ingnorância... ou tudo junto, usa um determinado método de acção com vista a atingir um objectivo com resultados desastrosos. No fim, perante uma situação de irreversibiliade de fracasso consumado, fica sempre bem dizer que se cometeu um erro de cálculo.

A história está cheia de bons exemplos de erros de cálculo: a Invasão da Rússia por Hitler mesmo sabendo do erro de cálculo de Napoleão 150 anos antes, a tentativa de Colombo em chegar à Índia, a contratação de Beto e Moretto por parte do Benfica, etc, etc, etc...

O erro de cálculo mais recente de que tive conhecimento foi-me dado a conhecer pelo Telejornal da SIC na semana passada, durante a transmissão de uma notícia sobre um incêndio num prédio em Paris, incêndio no qual faleceram algumas pessoas.

Na reportagem, uma mulher parisiense vizinha do local da tragédia, dava o seu testemunho ao jornalista, contando com voz embargada como tinha assistido a um episódio particular desta tragédia:

"A mulher estava à janela a gritar e nós dissemos-lhe para saltar porque as chamas já estavam perto dela. Ela não queria mas nós continuámos a gritar-lhe para saltar até que finalmente ela saltou. Infelizmente, parece que era alto demais e... enfim... foi horrível!"

Isto meus amigos, é um genuíno erro de cálculo.

segunda-feira, agosto 21, 2006

Vizinhança peculiar II

Portugal, 2006 d.C..

Todo o território está sob o domínio da EDP e dos seus tarifários abusivos. Todo o território? Não! Num pequeno apartamento da rua da Cale, na cidade do Fundão, os inquilinos resistem ainda e sempre ao opressor, contornando com soluções de improviso o irritante hábito da empresa totalitária em cortar o fornecimento eléctrico por falta de pagamento.

Enquanto houverem tomadas inusitadamente instaladas na escadaria do prédio e a conta for paga pelo senhorio, a extensão maravilha continuará a funcionar! Rói-te de inveja McGyver!




sexta-feira, agosto 18, 2006

Reacção da CGD

Após ter detectado a situação de que falei no post anterior, alertei a CGD para o que estava a suceder de forma a que tomassem as medidas necessárias para fechar o site fraudulento.

O endereço http://cgdsafe.com/on-line.html é um endereço que está a fazer phishing com os vossos clientes.

Recebi um e-mail que levava a esse endereço pelo que tomei o cuidado de vos notificar.

Com os melhores cumprimentos

Assinei


Lamentavelmente, em vez de me oferecerem juros a 30% durante os próximos 50 anos, os serviços da CGD limitaram-se a copiar + pastar a informação útil de prevenção contra phishing chegando mesmo a ponto de me explicarem o próprio conceito:

Boa tarde

Agradecemos o envio da sua mensagem, que mereceu a nossa especial atenção.

Nas últimas horas, vários clientes da Caixa têm recebido e-mails de origem desconhecida que se fazem passar por e-mails da Caixa. Esta fraude enquadra-se nas acções de Phishing que se têm dirigido a vários Bancos em diversos países.

O objectivo do Phishing é levar os clientes a introduzir os seus nº de contrato e códigos dos serviços de internet banking e enviá-los aos autores da fraude. No caso actual de e-mails dirigidos a clientes da Caixa sobre os serviços Caixadirecta on-line e Caixa e-banking, a qualidade da comunicação é muito fraca, contendo diversos erros ortográficos, pelo que é facilmente detectável.

Os clientes de Caixadirecta on-line e Caixa e-banking devem observar as regras básicas para utilização segura dos serviços de internet banking:

1 - Não abrir mensagens de correio de origem duvidosa
2 - Manter um software de antí-virus actualizado
3 - Não utilizar computadores públicos para aceder aos serviços de Internet banking
4 - Verificar as contas pessoais regularmente bem como a data e hora do último acesso
5 - Verificar o certificado digital para se assegurar que está a aceder ao Internetbanking da Caixa (fazer duplo clique sobre o cadeado amarelo no final do browser; verificar se o endereço do site começa por https://)
6 - Terminar sempre a sessão de Internet banking, através da opção 'sair'.

A Caixa Geral de Depósitos recomenda que:· ·
Não insira os seus códigos de acesso aos serviços de internet banking em e-mails ou sites diferentes dos próprios serviços, realçando a regra 5 para averiguar a autenticidade dos sites.· ·

Entre em contacto com a Caixa, sempre que detectar algum evento suspeito nos serviços de internet banking, através dos telefones 707 2424 24, 96 200 24 24, 91 405 24 24 ou 93 200 24 24.

Para mais informações sobre estas regras ou para conhecer outras recomendações deverá consultar a opção 'Segurança' no Caixadirecta on-line ou a opção ‘Apoio ao utilizador’ no Caixa e-banking.

Mais uma vez agradecemos o seu contacto e, apresentamos os nossos melhores cumprimentos.

Nada que eu não soubesse já. Obrigado amigos da CGD por iluminarem com tamanha intensidade de sapiência a minha humilde existência! Seja como for, coloco as regras aqui para informação aos leitores do Katano.

Tentaram pescar-me!

Sinto-me particularmente importante por hoje ter sido alvo de uma tentativa de Phishing! Passo a explicar: o phishing consiste em tentar obter, através de um "isco" que normalmente é um e-mail, os dados de acesso ao homebanking do utilizador que o recebe, sendo que este e-mail é normalmente provido de elementos que lhe conferem alguma credibilidade, tais como o logotipo da instituição bancária, links diversos para zonas do site dessa instituição, etc. Contudo, há um link em particular que é o mais crítico e ao mesmo tempo o mais atractivo.

Eis o e-mail que recebi:




Neste e-mail, o utilizador é convidado a confirmar os seus dados pessoais, inclusive dados de acesso ao homebanking com alguma urgência sob pena de perder esse acesso. No entanto, uma análise mais atenta permite constatar que há uma anomalia no remetente: "Caixa Geral de Depósios" vindo de clientes@caixageraldep.pt. Um erro ortográfico e uma discrepância entre o endereço de e-mail e o endereço web do banco (www.cgd.pt ou www.caixadirecta.cgd.pt) . As desconfianças devem começar logo aqui.

Em seguida, o utilizador subitamente inquieto pela perspectiva de perder a comodidade da sua cadeira executive no uso do seu acesso homebanking, por troca com os elementos da Natureza que o podem vir a fustigar no acesso à Caixa Multibanco mais próxima, sente-se tentado a clicar no link sugerido que, na verdade, não leva ao endereço para o qual aparenta levar...

O site para o qual o utilizador incauto é levado é o seguinte:

Um formulário relativamente extenso onde praticamente só faltam pedir a altura, o peso e a idade da vítima. Eu optei por preencher os campos dando azo à minha cultura geral no reino dos turpilóquios o que acabou por constituir uma boa terapia de relaxamento.

Terminado o preenchimento e clicando em "Enviar", os dados são então enviados para parte incerta enquanto o utilizador é reencaminhado para o site genuíno da Caixadirecta. Aí, depara-se imediatamente com uma mensagem avisando o utilizador para não fazer, sob condição alguma, aquilo que acabou de fazer... Resta-lhe entrar em contacto com o seu banco o mais rapidamente possível e esperar que os seus dados não sejam utilizados muito rapidamente.


Convém não esquecer que, em hipótese alguma, nenhum banco irá solicitar os dados de acesso seja a que cliente for por e-mail!

quarta-feira, agosto 16, 2006

E por falar em sustos...

Serra do Barco, a partir do Fundão, 14h00

Castelejo, 20h00

Fundão, 2h00

... ainda não foi desta mas já justificou maior preocupação devido à proximidade mas 230 bombeiros, 3 aviões e 1 helicóptero acabaram por controlar e extinguir o incêndio em 10h.

A preocupação, essa, desvaneceu-se por volta das 2h da manhã e justificou uma pequena vigília no alto da Serra da Maúnça (que bem que souberam os croissants!) para nos certificarmos de que a Terrinha não seria ameaçada.

Em meio à tensão, outros prosseguiam a sua vida indiferentes ao que acontecia. Às vezes é possível invejar mais os bichos que qualquer pessoa.

Há um ano...


... 7 pessoas fizeram a diferença, segurando uma frente de incêndio durante mais de 7h até à chegada dos bombeiros que, durante toda a noite, lutaram para proteger várias localidades ameaçadas por um dos maiores incêndios da região.

quarta-feira, agosto 09, 2006

Aí está...


o supra-sumo dos festivais de Verão!
...e também há caldo verde e vinho da terra!

terça-feira, agosto 08, 2006

E com esta me calaram...

No decurso de um diálogo tripartido fortemente argumentativo, eis que as minhas alegações são contraditadas pela seguinte resposta:

"Oh pá! Não sei... Aquilo é tipo... Eh pá, sei lá!"

Perante a consistência desta resposta, não houve outro remédio a não ser mudar o tema da conversa, passando-se a discutir a fascinante temática da metereologia.

domingo, agosto 06, 2006

Já arde...


Freixial (Fundão) - 6 de Agosto de 2006 - aprox. 15h00
Após ouvir as sirenes e um helicóptero, o meu telemóvel tocou provocando um incomodativo aperto no estômago. Afinal não passou de um susto visto que o incêndio era relativamente afastado da mancha verde que ajudámos a preservar no ano passado.

O curioso da situação é que mais uma vez tivemos um papel importante ao localizar um foco de incêndio que passou desapercebido aos homens que combatiam o incêndio e que, caso tivesse alcançado uma mata que ficava cada vez mais próxima, poderia ameaçar outra localidade ali perto.

Por sorte, encontrámos uma viatura de sapadores que já estava de partida e levámo-los até ao local onde, 15 minutos mais tarde chegou outra viatura, esta dos bombeiros voluntários do Fundão.

Esta situação fez-me pensar naquilo que alguém disse há exactamente um ano:
"Às vezes, com 1l de água pode-se apagar um enorme incêndio".

terça-feira, agosto 01, 2006

Um domingo diferente - II

A segunda parte do circuito contemplou uma visita a 2 castros da província de Salamanca, ambos castros fundados por uma tribo que dominou a região: os Vetões.

Etapa 3 - Castro de las Merchanas




As fotos acima dizem respeito ao Castro de las Merchanas, perto da vila de Lumbrales, castro cuja muralha foi alvo de uma intervenção de restauro e que apresenta marcas de duas épocas distintas: pré-romana e romana. Apesar de se situar no "meio do nada", este castro encontra-se dotado de painéis explicativos colocados em locais estratégicos que permite aos visitantes interpretar o que estão a ver, nomeadamente os seus muros colossais em pedra seca (sem material ligante) e as inscrições que surgem nelas.

Contudo, a cereja no topo do bolo é o mirador que se encontra numa elevação que confronta com o planalto do castro. Aqui, alimentado a energia solar, encontra-se um posto de informação audiovisual que, em espanhol ou português, dá a conhecer ao visitante o que se sabe da história do castro. Também se encontra aqui um painel com a comparação dos instrumentos de uso diário de então com os actuais, para além de um conjunto de slides ilustrativos da conquista romana do castro, jogos de pergunta-resposta e um óculo de observação do castro.


Etapa 4 - Castro de Yecla de Yeltes




Outro belíssimo exemplar da arquitectura militar castreja é este castro situado relativamente perto do anterior.

Aqui é possível percorrer todo o perímetro muralhado de cerca de 2km de perímetro, que foi restaurado praticamente na íntegra, interpretando o que se vê através de painéis explicativos estratégicamente colocados.

Trata-se de um castro que teve ocupação até à alta Idade Média e que no interior das muralhas tem uma eremida na qual se realiza anualmente uma importante cerimónia religiosa.

Também se podem aqui contemplar várias gravuras rupestres muito interessantes, para além de uma necrópole e de um interessante sistema defensivo que eu desconhecia para este tipo de estrutura: aquilo que os espanhóis chamam de piedras hincadas ou estacadas, que são inúmeras pedras fincadas na vertical ao redor das zonas mais vulneráveis do castro de modo a impedir ataques de cavalaria. Este sistema também se pode ver no castro anterior (2ª fotografia).

Um domingo diferente - Interlúdio


Durante a realização desta incursão sobre Espanha, aproveitámos para conduzir um estudo sobre a implementação do HACCP nos estabelecimentos de hotelaria castelhanos. Os resultados nem sempre foram satisfatórios.

Em San Felices, graças à colaboração do indivíduo que se vê na foto (obtida por câmara oculta, isto é, mais ou menos oculta) e que, por motivos de segurança, solicitou que fosse mantido o seu anonimato, foi possível detectar a estranha aplicação massiva de ambientadores que se vêm em segundo plano.

Pensámos nós que tal se destinasse a camuflar de certa forma o odor peculiar que advinha das instalações sanitárias cujos canais de escoamento se achavam entupidos com uma panóplia de materiais não solúveis.

Após aturada discussão, o equívoco foi desfeito e pudemos concluir que este estabelecimento se preocupa de sobremaneira com as questões de acessibilidade. Sendo assim, é possível a um qualquer cidadão invisual descobrir per si a rota para os sanitários, tudo isto numa atmosfera subtilmente adocicada por um aroma multifloral campestre.

Outra questão pertinente que à partida também não foi bem interpretada prende-se com a qualidade de serviço pois, neste estabelecimento, é dada ao cliente a oportunidade de participar activamente nos aspectos laborais do serviço.

A mecânica é simples: efectua-se o pedido ao funcionário que se encontra no local (não confundir o seu ar resultante de profunda actividade cerebral com um ar de enfado pela perspectiva de ter de efectuar uma amplitude invulgar de movimentos) e este procede em seguida à colocação dos itens solicitados sobre o balcão.

A autorização para o cliente abandonar a cadeira onde se encontra sentado, para ter o privilégio de se dirigir ao balcão de modo a obter os objectos do seu pedido, é dada por uma pancada seca de mão aberta em cima do balcão por parte do empregado, seguida de um aceno subtil de cabeça, sinal claro de anuência, para além de um som gutural indecifrável.

Seguidamente, e após confirmar que o transporte da mercadoria solicitada até à mesa da qual partiu originalmente o cliente sequioso foi bem sucedida, o funcionário manifesta o seu sentimento de contentamento, por mais um dever cumprido, saindo de trás do balcão para retomar a leitura do jornal desportivo de ocasião.

Trata-se assim de uma experiência interactiva de integração social através do trabalho inolvidável que é uma autêntica bandeira da capacidade de acolhimento de nuestros hermanos.
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