segunda-feira, julho 31, 2006

Um domingo diferente - I

Confrontado com a perspectiva de consagrar novamente o dia de ontem ao meu binómio dominical favorito, - café avec jornal -, decidi mudar outra vez os planos e dar outro saltinho ao país vizinho. Vai daí que, em vez de passar o dia a anhar (copyright by Cathy), fui percorrer os campos e serranias de aquém Ribeira de Tourões fazendo um circuito que acabou por ser muito interessante. Aqui ficam alguns instantâneos:

Etapa 1 - Siega Verde - Arte Rupestre do Paleolítico



Trata-se de um núcleo de arte rupestre na margem esquerda do Rio Águeda ali como quem vai de Villar de la Yegua para Ciudad Rodrigo. Tem um centro de interpretação com exposição museológica, recriação do ambiente e do aspecto dos nossos antepassados da época à escala natural, sala de vídeo e visitas guiadas aos diferentes painéis.


Etapa 2 - San Felices de los Gallegos - Idade Média / Idade Moderna


Pequena aldeia que conserva uma forte traça medieval com fortificações do Séc XVII. Fundada pelo Bispo do Porto no Séc. VII, seria uma povoação do Reino de Portugal até ao Séc XV. O seu castelo foi mandado construir pelo nosso D. Dinis tendo depois sofrido uma profunda alteração já sob a tutela de Castela. Na foto é possível observar ao longe a Serra da Marofa e ao lado a elevação onde se situa a aldeia portuguesa de Castelo Rodrigo.

quinta-feira, julho 27, 2006

Mira que nos habemos marchado a España - I


O último fim de semana ficou marcado por uma incursão Tuga sobre terras de Castela, em particular sobre a grandiosa ciudad de Salamanca, com todo o seu esplendor e magnificiência.


Na foto, é possível ver dois tugas procurando reproduzir a típica foto do turista com pose brejeira em plena Plaza Maior, que asseguro é bem grande e repleta de gente, seja a que horas for.

Contudo, há um pormenor que enriquece e muito a foto. Vejam o que está a acontecer com aquele trio à direita... Países diferentes, costumes idênticos.

Deliciosa simplicidade


"Se tratarmos uma doença, ganhamos ou perdemos. Se tratarmos uma pessoa, ganhamos sempre independentemente do resultado"

Robin Williams interpretando o médico "Patch" Adams, num filme com o mesmo nome, sobre este médico que revolucionou a medicina ao aplicar a filosofia de que o médico deve tratar o paciente com humor e com amor.

terça-feira, julho 18, 2006

Uma explosão com quase 200 anos


"A terra tremeu e vimos um imenso tornado de fogo e fumo erguer-se no centro da Praça. Foi como a erupção de um vulcão - uma visão que não consigo esquecer após 26 anos. Enormes blocos de pedra precipitaram-se nas nossas trincheiras, matando e ferindo vários dos nossos homens. Canhões de calibre pesado ergueram-se dos muros e precipitaram-se longe destes. Quando o fumo se dissipou, grande parte de Almeida havia desaparecido e o resto era apenas um amontoado de destroços"

Testemunho do Coronel Sprünglin, oficial francês durante o cerco a Almeida em 1810

O rabo da Ana Malhoa

Caros amigos e transeuntes tresmalhados, eu até faria Copy + Paste (em português: Copiar Mais Colar) da apreciação que o Ricardo Araújo Pereira (R.A.P.) fez ao site da celebérrima Ana Malhoa (Shakira quem és tu?) mas depois o sujeito começaria decerto a fazer o mesmo com a literatura deste blog.

Assim, para evitar chatices para o lado dele, afinal ele só tem 3 amigos e eu tenho um gang ou melhor, conheço um amigo que tem um gang, o melhor é irem ao Blog do Gato Fedorento e apreciarem a primeira incursão do R.A.P. pelo mundo tortuoso da avaliação de web sites.

PS - Aproveito para dizer que se trata de um belo traseiro: não consigo discernir um grama de tecido adiposo naqueles glúteos! Ah, é verdade! Ela também canta. Enfim, dizem que sim...

sexta-feira, julho 07, 2006

Uma ideia...

Há uns anos atrás, o Eng. Martins, meu professor de Controlo Industrial, revelou-me que a inteligência humana era mensurável e que a sua unidade de medida era o TAR.

Como eu fiquei a olhar para ele com ar desconfiado, continuou dizendo que o TAR, como qualquer outra unidade de medida, tinha múltiplos e submúltiplos.

No caso do TAR, a sua milésima parte era um... MILITAR.

Lembrei-me disto hoje e achei importante partilhá-lo.

terça-feira, julho 04, 2006

Comentários à bandeira

Proposta de bandeira nacional por Guerra Junqueiro (1910)

A série de artigos que aqui publiquei sobre a bandeira nacional suscitou alguns comentários de várias pessoas em particular do Jorge Mota, do JS e do Carlos José Teixeira, comentários que eu agradeço e que servem de mote ao texto que se segue.


A Bandeira e o Futebol Clube do Porto

Diz o meu caro Jorge Mota que o FCP veste actualmente as cores da bandeira nacional monárquica e, de facto, assim é. Na altura da escolha de um equipamento para a equipa do FCP, foi decidido adoptar as cores nacionais de então como cores do clube, cores essas que até hoje subsistem, salvo algumas inovações mais alaranjadas para o equipamento alternativo, não tendo havido alteração mesmo após a revolução de 1910.


A simbologia da bandeira à luz do relatório da comissão de 1910 / 1911

Enquanto que o Carlos Teixeira mostrou dúvidas em relação ao significado das cores, o J.S. comentou o facto de existir no site do Ministério da Defesa Nacional uma explicação, estabelecida em 1911 por uma comissão, para a simbologia da bandeira.

Em primeiro lugar, convém esclarecer que comissão era esta.

Após a revolução e consequente dissolução dos órgãos de soberania então vigentes, sentiu-se necessidade de alterar também a bandeira nacional. Devido à polémica que essa nova escolha levantava e, também em parte, devido à quantidade de propostas apresentadas por várias pessoas, a Assembleia Nacional Constituinte decidiu nomear uma comissão que apresentasse um relatório sobre qual deveria ser a simbologia expressa na nova bandeira.


Sobre a bandeira nacional disse então a Comissão no seu relatório:

Escudo nacional:
"o branco representa uma bela cor fraternal, em que todas as outras se fundem, cor de singeleza, de harmonia e de paz (e sob ela) salpicada pelas quinas (...) se ferem as primeiras rijas batalhas pela lusa nacionalidade (...). Depois é a mesma cor branca que, avivada de entusiasmo e de fé pela cruz vermelha de Cristo, assinala o ciclo épico das nossas descobertas marítimas”.
O escudo branco com as quinas consagra “o milagre humano da positiva bravura, tenacidade, diplomacia e audácia que conseguiu atar os primeiros elos da afirmação social e política da lusa nacionalidade” e entendeu ainda “dever rodear o escudo branco das quinas por uma larga faixa carmesim, com sete castelos, símbolos mais enérgicos da integridade e independência nacional”.

A esfera armilar
Simboliza “a epopeia marítima portuguesa (...) feito culminante, essencial da nossa vida colectiva”.

O vermelho da bandeira:
“nela deve figurar (o vermelho) como uma das cores fundamentais por ser a cor combativa, quente, viril, por excelência. É a cor da conquista e do riso. Uma cor cantante, ardente, alegre (...). Lembra o sangue e incita à vitória”.

O verde da bandeira:
Aqui a comissão justificou a inclusão do verde de uma forma muito interessante. Assim, o verde seria uma cor fundamental pois simboliza o “momento decisivo em que, sob a inflamada reverberação da bandeira revolucionária, o povo português fez chispar o relâmpago redentor da alvorada". Refira-se que o verde foi uma cor adoptada pelos republicanos após a revolução falhada de 31 de Janeiro de 1891.

Ou seja, esta comissão limitou-se a escolher, à excepção do verde e vermelho (cores alusivas ao Partido Republicano), símbolos que integravam já o estandarte nacional desde há séculos, arranjando uma justificação mais ou menos rebuscada (sobretudo nas cores) para a sua escolha.

Quando me refiro à responsabilidade do Estado Novo na explicação de cariz lendário dos símbolos da bandeira, refiro-me ao que é tradicionalmente descrito: que os besantes dos escudetes são as 5 chagas de Cristo, os escudetes são os 5 reis mouros que Afonso I derrotou em Ourique (aqui há uma correcção de um engano meu nos artigos anteriores) e que os castelos da moldura vermelha seria os castelos conquistados aos mouros (no Algarve). Ora esta explicação não é avançada pela comissão mas é ainda hoje utilizada de modo corrente pelo que terá de ter surgido posteriormente.

Trata-se de uma explicação que estabelece um vínculo de um espírito iminentemente heróico e cristão com a história de Portugal e por isso, o mais provável é que terá sido este um contributo do Estado Novo que usou e abusou desta abordagem na exaltação do patriotismo lusitano, recuperando inclusive estandartes antigos para a simbologia das instituições nacionais como é o caso do estandarte de D. João I que foi usado como estandarte da Mocidade Portuguesa.

O próprio conceito de "lusitano" entrou de forma corrente no léxico português, tal como da figura quase mítica do líder guerreiro Viriato, por acção do Estado Novo. Basta pensarmos que Viriato, o primeiro grande líder das gentes lusitanas, herói indómito do espírito nacional, foi adoptado ao mesmo tempo pelos espanhóis (também eles na altura sob um regime de cariz nacionalista). É claro que ele existiu realmente... não é existem é provas (arqueológicas ou documentais) de que ele realmente tenha nascido no actual território português (em Loriga como se gabam os habitantes desta localidade) e de que alguma vez ele tenha sequer pisado a Serra da Estrela.

Mas isto é um tema para outro artigo...
Imagem retirada de Flags of the World


Artigos anteriores:
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