segunda-feira, abril 10, 2006

Um artista beirão


Nem só de fenómenos esotéricos vive a Gardunha e seus arredores. Desde há uns anos a esta parte, outro fenómeno tem feito furor na cena musical com as suas letras bairristas e irreverentes, cantando com uma alma que lhe granjeou o epíteto de "Bob Dylan português".

Acumulando funções de presidente da direcção da C.L.I.T.O. (Confederação Lusitana de Interesses e Tradições de Origem), Jerónimo ponderou recentemente candidatar-se à Presidência acabando por não o fazer devido a obstáculos inultrapassáveis. Do rol das suas promessas faziam parte a convicção de "declarar a independência da Lusitânia da Serra da Estrela até Mérida no seu todo monocontinental e indivisível" pretendendo ainda dotar a Beira Baixa de "um braço de mar" e terminando com a firme promessa de "largar uma bomba atómica em Lisboa".

De volta ao artista, Jerónimo e os Cro-Magnon (o grupo que o acompanha sempre, recheado de artistas notáveis) foram estrelas de uma actuação notável a todos os títulos no último Festival Rock In Vale (d'Urso) em Agosto último. Durante 2h uma plateia entusiasta que vibrou intensamente foi brindada com sucessos inesquecíveis como "Dias de chuva com granito calibre #3 e #5", "Tasca da Estação", "Balada do Trolha", "Apanhar o grelo" e "Auto-route de Burgos".

É aliás com a letra de "Auto-route de Burgos", uma música que homenageia o emigrante que há em cada um de nós, que termino este post prestando aqui uma justa homenagem a Jerónimo o artista com a Beira Baixa na alma e a alma na voz e o coração na voz da alma.

AUTO-ROUTE DE BURGOS

Auto-route, auto-route
Auto-route, auto-route

Vinha eu na auto-route,
Vinha eu e ma famile.
Vinha eu tout tranquile
No meu nouveau automobile
Que me custou 50 mil balas
Lá no meu apartement.

Auto-route, auto-route
Auto-route, auto-route


Bem, la vinha eu na auto-route de Burgos
Quatre-vingt dix noventa auto-route a fora toute la vitesse.
Vinha eu, um algeriano, um marrocano e cinco arábes
Quando de repente à côté d'auto-route havia uma casa tipo maison
Com fenêtres p'rá frente, janelas p'ra trás
E um placard à côté que dizia "restaurant".

Entrei no restaurant
Disse "Garçon, uma bièrre p'ra moi,
Outra bièrre p'ró outro moi
Que está à côté de moi".
E outro moi disse "Garçon,
Outra bièrre p'ró outro moi à côté de moi".
E o outro moi disse "Oh, se tu veux,
Eu também veux".

Auto-route, auto-route
Auto-route, auto-route


Bem, saímos do restaurant complétement îvre.
Prendi a auto-route quatre-vingt dix noventa, auto-route a fora toute la vitesse,
Quando de repente um auto-bus, moitié dentro, moitié fora da auto-route...
Oh que grande accident...

Parti uma jambe
Fui parar à l'hopital
Foi então que chegou o médecin
Disse "Monsieur, só tem uma solution,
Ou vai p'ró chômage,
Ou vai p'rá retraite,
Ou então vai lá p'ró vale
Das batatas no seu Portugal".

Auto-route, auto-route
Auto-route, auto-route


Bem, lá fui eu p'ró vale das batatas no meu Portugal
Prendi uma semaine de vacances e fui até à la plage.
Lá estava eu au bord de la mer, avec ma mére, quando a minha mére disse:
"Oh Michel, Michel! Rien, rien!" E eu comecei a rienar.
Lá estava eu no meio de la plage a rienar tout-a-fait
Quando de repente me começou a faltar o air conditioned
E eu estava a ir au fond...
E a minha mére da outra côté de la plage gritava
"Oh Michel, Michel! Qu'est-ce que se passe?"
E eu disse "Oh, non se passe nage, non se passe nage. Só estou a rienar".

Auto-route, auto-route
Auto-route, auto-route

3 comentários:

Nuno Rato disse...

Very "Nice"...

NunoDiaz disse...

é pá... isso é uma pérola da minha infancia... não se arraja em MP3?

nuno.d.dias@gmail.com

NunoDiaz disse...

é pá, isso ´´e uma pérola da minha infância...
não se arranja em MP3?

nuno.d.dias@gmail.com

ajudem aí

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