quinta-feira, dezembro 28, 2006

Adeus Rua da Cale - I

Terminou a minha fase "Bairro de Lata" e como tal, preparo-me para abandonar o meu belo T1 situado na Rua da Cale trocando-o por um T2 em zona mais... aprazível (no mínimo!).

Confesso que, se por um lado há coisas que me fazem sentir nostálgico, por outro lado há certos eventos dos quais não vou sentir falta e sinceramente não sei onde encaixar as... digamos, manifestações do "simpático" casal do 3º direito.

Eis um dos cenários que não vou voltar a ver (espero eu). Um belo sintoma de mais um momento íntimo de discussão acesa que, com certeza, culminou com mais uns valentes sopapos de amor na minha futura ex-vizinha.


sexta-feira, dezembro 22, 2006

Boas Festas!!!!

Cristo em TODO o lado.

Isto fez-me ver por um outro prisma, (claro está!) a questão do David e da cadela do seu vizinho.

Escolhe bem com quem te metes David, sabes lá quem estará por detrás!

Fonte: http://www.getbehindjesus.net/


O pequeno Angus

terça-feira, dezembro 12, 2006

Classe automobilizada

Salamanca (ES), 9/12/2006 - 23h55m
Quanto não vale ter uma matrícula assim?

terça-feira, dezembro 05, 2006

Respostas do Katano - Parte N+2

Fui hoje confrontado com esta dúvida pertinente:

- "Oh stôr! Como é que se deve dizer? É restaurante "dietético" ou restaurante "diabético"?"

terça-feira, novembro 28, 2006

Bloqueador de argumentação

"A minha cadela precisa de brincar!"

E foi assim que o meu vizinho de cima arrumou com a minha argumentação de protesto contra o ruído que a sua cadelinha teima em fazer noite após noite.

O Mundo é de facto um local muito injusto. Tantos com tantos neurónios e outros com tão poucos...

quarta-feira, novembro 22, 2006

Respostas do Katano - Parte N+1

Ainda mal refeito da anterior, eis que sou confrontado com mais uma pérola do manancial de conceitos informáticos adaptados à perspectiva das camadas jovens:

Questão: Qual é o componente mais importante do computador e para que serve?

Resposta: O componente mais importante do computador é o processador e serve para DIGERIR O SISTEMA OPERATIVO (sic.).

Corrigir testes é mesmo uma emoção constante! Em pleno superavit de emoções conflituosas derivadas da leitura desta resposta, tive ainda o discernimento de recomendar em nota manuscrita junto à resposta maravilha, o uso de sais de frutos e de água mineral gaseificada para auxiliar o processamento.

segunda-feira, novembro 20, 2006

Respostas do Katano - Parte N

Em plena aula sobre bases de dados com uma turminha irrequieta, discutíamos sobre campos de tabelas de dados e sobre os tipos de dados que estes podem conter. Numa dada situação, um aluno quiçá num assomo de genialidade lança uma afirmação revolucionária:

Eu - O campo "número de aluno" é de que tipo de dados?
Alunos - É numérico!

Eu - O campo "nome do aluno" é de que tipo de dados?
Aluno isolado ao fundo da sala - É ALFABETÁRIO!

Um verdadeiro hino!

sexta-feira, novembro 17, 2006

Subir na vida... através do Hotmail

Constatei ontem que já detenho uma conta no Hotmail com 1GB de espaço e perante isto só me ocorre dizer "UAU!".

Ainda me recordo quando, há uns anitos atrás (creio que pouco depois do Salgueiro Maia ter ido armar um salsifré ali abaixo à Praça do Comércio), abri a minha conta de e-mail no Hotmail e me foram atribuidos 2 MB de espaço. Senti-me alguém muito especial.

Acho que no fundo, isto é também uma forma de subir na vida e uma forma de adquirir status. Já me estou a imaginar logo à noite à mesa dos meus camaradas de copos em conversas de pura gabarolice costumeira a impor o respeito com o meu GB de espaço no Hotmail.

Ah katano! (e não "C'um catano". A originalidade é bonita)

segunda-feira, novembro 13, 2006

Economia doméstica do Katano

Decidiu presentear convivas que esperava para o lanche com uma quantidade de víveres suficientes para alimentar um pequeno país terceiro-mundista durante uma semana?

Aqueceu água quente para chá suficiente encher uma banheira?

Os convivas esperados não apareceram?

Não há crise!

Acondicione devidamente a água no congelador e, assim, quando precisar de água quente, bastar-lhe-á descongelá-la!

Apelo do Katano

Desapareceu no passado Domingo na Rua dos 3 Lagares, uma placa de matrícula automóvel datada do ano 2000.

O Blog do Katano apela ao indivíduo responsável pelo facto que se dirija, sem demora, à rua em questão para proceder de igual modo ao levantamento da viatura caso pretenda fazer conjunto com a placa de matrícula e 3 os tampões das rodas também desaparecidos.

Caso haja interesse da sua parte, procederemos à entrega do 4º tampão de roda completamente grátis.

Obrigado

terça-feira, outubro 03, 2006

Cuidado com o vício...


Jogar no computador pode ajudar a melhorar a coordenação "mãos-olhos" ou a desenvolver a inteligência mas deve ser praticado com moderação... Este jovem alemão mostra-nos porquê, com a ajuda de uma expressão corporal e riqueza de vocabulário bastante ricos.

quarta-feira, setembro 20, 2006

Virus informático

Num teste de diagnóstico, pedi aos meus formandos que me dissessem o que entendiam por vírus informático. Eis a resposta de um deles:

"É uma coisa que quando entra no computador lixó todo"

Da fatalidade nasce a ironia...


Há cerca de um ano atrás denunciei, através do ArqueoBeira, um atentado ao património arqueológico ocorrido entre Belmonte e Caria, no sítio arqueológico romano da Quinta da Fórnea.

Na altura, o novo dono do terreno, onde se situam os restos desta villa romana do Séc I ou II que inclusive levou ao desvio do traçado original da A23, decidiu surribar toda a zona envolvente que ainda não havia sido alvo de pesquisas arqueológicas, arrasando estruturas ainda soterradas, com vista à plantação de um pomar.

Desde o proprietário até ao IPPAR, passando pela Câmara Municipal de Belmonte, todos imitaram o tranquilo Pilatos, lavando as mãos de tão incómodo assunto e o assunto morreu como tantos outros semelhantes.

Contudo, a ironia pode por vezes manifestar-se sob formas perfeitamente inusitadas e também aqui isso aconteceu quando, há menos de 2 semanas, um incêndio que devastou a serra da Esperança, se propagou a esta zona e dizimou o pomar, que entretanto se vira invadido de vegetação silvestre por incúria do proprietário que já não se encontrava, pelos vistos, imbuído do primitivo espírito laboral de outrora.

Nem pomar, nem ruínas... Assim termina o caso da Quinta da Fórnea. Diem perditim...

quarta-feira, setembro 13, 2006

Geografia avançada


Conta-se que um motorista fundanense mais desatento terá desrespeitado um semáforo vermelho, continuando o seu trajecto com uma desfaçatez ao nível de alguém que passei numa praia de nudismo envergando um fato de protecção anti-radiação.

Contudo, na sombra, um agente da autoridade atento não contemporizou e, de imediato, deu ordem de paragem ao incauto prevaricador.

Abordando-o, questionou-o sobre o porquê da sua prevaricação, ao que o prevaricador tentou responder airosamente alegando que era daltónico.

Ciente da sua missão de aplicação indiscriminada de justiça, o garboso agente da GNR usou da sabedoria popular que dita que, a pergunta astuta, se deva dar uma resposta arguta e de imediato atirou:

-"E vocês lá na Daltónia não têm semáforos também?"

Perante isto, sou acometido de uma grave dúvida: se eu quiser ir de férias para a Daltónia, será que aceitam euros?

terça-feira, setembro 12, 2006

Serviço público do Katano - Fraude no Multibanco

Mais uma vez, o Blog do Katano assume-se como verdadeiro veículo de informação de serviço público, colocando-se na vanguarda do combate às fraudes bancárias, desta vez no que às fraudes com cartão multibanco diz respeito.

Quem quiser ficar devidamente esclarecido sobre o assunto, deverá clicar no link abaixo e não será desprimor algum se divulgar o endereço.

http://www.lusawines.com/public/prevencaoATM.swf

segunda-feira, setembro 04, 2006

Matrimónio

Contraíram matrimónio na Igreja Matriz do Fundão no passado dia 2 de Setembro os nossos assinantes Pedro Brito e Virgínia Quelhas, perdão... Brito, ambos nossos assinantes e residentes no Fundão.

Aos noivos endereçamos os nossos votos de felicidades fecundas e agradecemos também por tão profícuas festividades.

Apresentamos em seguida algumas fotografias do evento nas quais o noivo é agredido barbaramente por um indivíduo não identificado perante a passividade dos espectadores.





À margem do matrimónio

Chegou à nossa redacção a notícia de que, enquanto decorria em bom ambiente a festa de casamento, um automóvel terá sido vandalizado, tendo sido envolvido em 500 metros de película celofane, juntamente com um grelhador de churrasco, um pneu, um atrelado de tractor e uma macieira.

Manifestamos desde já o nosso mais profundo repúdio por tão bárbaro acto de atentado à propriedade privada e endereçamos aos lesados um profundo sentimento de solidariedade, disponibilizando, se assim for necessário, o transporte da película celofane para o ecoponto mais próximo.

quinta-feira, agosto 31, 2006

Hoje é a vez delas...


Só acho uma injustiça de todo o tamanho não ser convidado para esta despedida de solteiro. Não é por estar recheada de francesas não comprometidas mas simplesmente porque não gosto de alimentar actividades que discriminam os seus participantes em função do sexo. Por isso é que só há guerras e tragédias neste mundo...

terça-feira, agosto 29, 2006

Do Katano breaking news

Caros leitores, temos o orgulho de anunciar, em primeríssima mão, que os problemas de integração cultural das minorias residentes no nosso país estão em vias de resolução! Tivemos oportunidade de constatar agora mesmo a prova desse facto: Acaba de passar um veículo, em dúbio estado de conservação é certo, preenchido por ocupantes de etnia cigana, que ouviam em plenos watts a banda sonora da Floribela cantada por um senhor que desconheço, possuidor de voz rouca e acompanhado por uma música de nítido cariz flamenco!

"Aiiiiiii... Não tenho nada, mas tenho tudo, tudo. Olééééé....!"

segunda-feira, agosto 28, 2006

The monster demands a mate



Um hino à celebração efusiva é o mínimo que se pode dizer para descrever suscintamente a despedida de solteiro do nosso camarada Pepe.

Apesar do embargo à presença de senhoras, da América do Sul ou da Europa de Leste, decretado pelo anfitrião, a festa não deixou de ser um momento vibrante e que deixa boas recordações.

Esta é uma singela homenagem que aqui faço ao evento, com a exibição do cartaz oficial que, juntamente com outro elemento de sinalética proibindo a entrada a pessoas estranhas entre as 20h30 e as 7h da manhã do dia seguinte, foram distribuídas pela periferia da quinta onde decorreram as festividades.

O Blog do Katano esteve obviamente presente, tomando a seu cargo a confecção do jantar e a preparação dos shots que abrilhantaram a noite. Já agora, importa dizer que quem resistiu aos rigores das festividades e manteve contra tudo e contra todos o espírito festivo foi mesmo a representação deste blog.

À margem do evento - declaração oficial

Enquanto de forma inocente e descontraída decorriam as festividades, chegou-nos a notícia do desaparecimento de diversas placas sinalizadoras de delimitação de zona de caça associativa que se encontravam instaladas nas imediações.

A comissão de festas manifesta aqui o seu total repúdio por aquilo que considera ser um acto de deliberado vandalismo gratuito e desde já se isenta de qualquer responsabilidade no ocorrido até porque está mais que demonstrado que este tipo de placas não constitui um ornamento de grande valor estético, nem tão pouco constituem uma base para copos muito prática dadas as suas dimensões.

Aproveitamos aqui para endereçar a nossa solidariedade para com os funcionários a cargo da Direcção Geral de Recursos Florestais que, de forma abnegada e irrepreensível, haviam procedido à colocação das placas nos quintais, ruas e rotundas da periferia do centro urbano do Fundão.

Do mesmo modo, declaramo-nos inteiramente disponíveis para colaborar no apuramento da verdade deste caso, sendo nossa firme convicção que, o caçador nacional, deverá poder perseguir e abater qualquer elemento animal do universo cinegético nacional nas ruas e quintais da nossa cidade se assim o entender.

quinta-feira, agosto 24, 2006

Já que falamos de sacerdotes católicos...

Ainda o último post não tinha tido tempo de aquecer o seu nicho, quando começámos a ser bombardeados com vários e-mails, uns protestando contra a ligeireza da minha abordagem ao assunto, outros felicitando este blog por ser um local onde todos os cultos são tratados por igual e de forma concisa, e outros ainda a pedirem-me a receita da confecção de Chow Min Fan.

Entre esses e-mails destaco o de uma fã confessa deste blog que aborda a questão da seguinte forma:

"Caro Blog do Katano

Fique de certa forma supreendida por constatar que se procurou aqui fazer uma homenagem póstuma à memória de um padre da igreja católica quando, todos os sabemos bem, padres há que são levados da breca!

Para corroborar esta minha indignação, envio este extracto de um documento que se encontra na Torre do Tombo, dando conta de um caso históricamente comprovado"



Eis o testemunho que consiste num processo judicial contra o então padre de Trancoso, corria o áureo séc XV:

Do Arquivo Nacional da Torre do Tombo
(Autos arquivados na Torre do Tombo, armário 5, maço 7)

"Padre Francisco da Costa, prior de Trancoso, de idade de sessenta edois anos, será degredado de suas ordens e arrastado pelas ruas públicas nos rabos dos cavalos, esquartejado o seu corpo e postos os quartos, cabeça e mãos em diferentes distritos, pelo crime que foi arguido e que ele mesmo não contrariou, sendo acusado de ter dormido com vinte e nove afilhadas e tendo delas noventa e sete filhas e trinta e sete filhos; de cinco irmãs teve dezoito filhas; de nove comadres trinta e oito filhos e dezoito filhas; de sete amas teve vinte e nove filhos e cinco filhas; de duas escravas teve vinte e um filhos e sete filhas; dormiu com uma tia, chamada Ana da Cunha, de quem teve três filhas, da própria mãe teve dois filhos.

Total:duzentos e noventa e nove, sendo duzentos e catorze do sexo feminino e oitenta e cinco do sexo masculino, tendo concebido em cinquenta e três mulheres".

Anexo posterior:

"El-Rei D. João II lhe perdoou a morte e o mandou por em liberdade aos dezassete dias do mês de Março de 1487, com o fundamento de ajudar apovoar aquela região da Beira Alta, tão despovoada ao tempo e guardar no Real Arquivo esta sentença, devassa e mais papéis que formaram o processo".

É caso para dizer que, se um padre tiver que ter filhos, que vá para uma aldeia perdida na serra e que tenha muitos, senão está metido num sarilho!

Até sempre camarada Padre Barreiros!

Para que a memória não se desvaneça, impõe-se um oportuno tributo a uma personalidade maior do Fundão que ontem foi a enterrar: o grande Padre Barreiros, pároco desta cidade desde que eu me lembro de ter pela primeira vez aprendido o conceito de pároco. Agora que falo nisto, acho que foi no mesmo dia em que aprendi o conceito de "idiossincracia" e ainda no mesmo dia em que aprendi a fazer crepes. Admito contudo que possa estar enganado.

Esta minha homenagem deve-se ao facto de eu ter tido a oportunidade de privar duas vezes com o Padre Barreiros de forma mais directa, para além de uns quantos convívios indirectos fruto da minha presença em vários casamentos e baptizados.

Recordo-me de uma vez em que ia na rua e, ao longe e em sentido contrário, percebi a aproximação do Padre Barreiros. Ao chegar perto de mim, olhou-me e, confundindo-me com outra pessoa disse-me uma única frase: "Boa tarde!". A minha resposta não se fez esperar e, sem o deixar respirar, de imediato lhe atirei também "Boa tarde!". Foi um bonito momento.

Também me recordo de um baptismo em particular em que, previamente, ele disse que o incomodavam muito aquelas pessoas que iam para a igreja armadas em turistas a tirar fotos, pedindo também que as fotos fossem tiradas no exterior do templo. No final, as coisas não correram bem assim e, no início timidamente até depois descambar num desenfreado movimento colectivo, todos começaram a fotografar os pais e o pequeno protagonista recém-entrado no clube da cristandade como se não houvesse amanhã.

Num casamento realizado também na igreja do Fundão, sob o ministério do Padre Barreiros, este declarou oportunamente, ainda a cerimónia não estava concluída, que seria agradável que as pessoas atirassem flores aos noivos um pouco mais longe da igreja pois esta havia sido limpa ainda nessa manhã e não queria que a sujassem de novo.

No final, tomados pelo frenesim próprio de alguém que tem pétalas e arroz na mão e acaba de avistar um casal de noivos, não foi dada aos protagonistas sequer a hipótese de verem a luz do Sol. No final, o exterior da igreja pareceu-me mais limpo que o interior.

Finalmente, recordo-me de uma outra ocasião em que, no calor de mais um noite boémia, eu e um grupo de indivíduos que não vou aqui identificar mas que não incluía de modo algum a Catarina, nos dedicámos a espalhar uma panóplia de preservativos, recém adquiridos num distribuidor próximo, pelo balcão da casa do insuspeito sacerdote.

São histórias que guardarei sempre com muito carinho num compartimento do cofre das minhas recordações.

Até sempre camarada Padre Barreiros!

quarta-feira, agosto 23, 2006

Erro de cálculo...


Um erro de cálculo é o nome que se dá a uma situação em que alguém, por estupidez, por ingenuidade ou por ingnorância... ou tudo junto, usa um determinado método de acção com vista a atingir um objectivo com resultados desastrosos. No fim, perante uma situação de irreversibiliade de fracasso consumado, fica sempre bem dizer que se cometeu um erro de cálculo.

A história está cheia de bons exemplos de erros de cálculo: a Invasão da Rússia por Hitler mesmo sabendo do erro de cálculo de Napoleão 150 anos antes, a tentativa de Colombo em chegar à Índia, a contratação de Beto e Moretto por parte do Benfica, etc, etc, etc...

O erro de cálculo mais recente de que tive conhecimento foi-me dado a conhecer pelo Telejornal da SIC na semana passada, durante a transmissão de uma notícia sobre um incêndio num prédio em Paris, incêndio no qual faleceram algumas pessoas.

Na reportagem, uma mulher parisiense vizinha do local da tragédia, dava o seu testemunho ao jornalista, contando com voz embargada como tinha assistido a um episódio particular desta tragédia:

"A mulher estava à janela a gritar e nós dissemos-lhe para saltar porque as chamas já estavam perto dela. Ela não queria mas nós continuámos a gritar-lhe para saltar até que finalmente ela saltou. Infelizmente, parece que era alto demais e... enfim... foi horrível!"

Isto meus amigos, é um genuíno erro de cálculo.

segunda-feira, agosto 21, 2006

Vizinhança peculiar II

Portugal, 2006 d.C..

Todo o território está sob o domínio da EDP e dos seus tarifários abusivos. Todo o território? Não! Num pequeno apartamento da rua da Cale, na cidade do Fundão, os inquilinos resistem ainda e sempre ao opressor, contornando com soluções de improviso o irritante hábito da empresa totalitária em cortar o fornecimento eléctrico por falta de pagamento.

Enquanto houverem tomadas inusitadamente instaladas na escadaria do prédio e a conta for paga pelo senhorio, a extensão maravilha continuará a funcionar! Rói-te de inveja McGyver!




sexta-feira, agosto 18, 2006

Reacção da CGD

Após ter detectado a situação de que falei no post anterior, alertei a CGD para o que estava a suceder de forma a que tomassem as medidas necessárias para fechar o site fraudulento.

O endereço http://cgdsafe.com/on-line.html é um endereço que está a fazer phishing com os vossos clientes.

Recebi um e-mail que levava a esse endereço pelo que tomei o cuidado de vos notificar.

Com os melhores cumprimentos

Assinei


Lamentavelmente, em vez de me oferecerem juros a 30% durante os próximos 50 anos, os serviços da CGD limitaram-se a copiar + pastar a informação útil de prevenção contra phishing chegando mesmo a ponto de me explicarem o próprio conceito:

Boa tarde

Agradecemos o envio da sua mensagem, que mereceu a nossa especial atenção.

Nas últimas horas, vários clientes da Caixa têm recebido e-mails de origem desconhecida que se fazem passar por e-mails da Caixa. Esta fraude enquadra-se nas acções de Phishing que se têm dirigido a vários Bancos em diversos países.

O objectivo do Phishing é levar os clientes a introduzir os seus nº de contrato e códigos dos serviços de internet banking e enviá-los aos autores da fraude. No caso actual de e-mails dirigidos a clientes da Caixa sobre os serviços Caixadirecta on-line e Caixa e-banking, a qualidade da comunicação é muito fraca, contendo diversos erros ortográficos, pelo que é facilmente detectável.

Os clientes de Caixadirecta on-line e Caixa e-banking devem observar as regras básicas para utilização segura dos serviços de internet banking:

1 - Não abrir mensagens de correio de origem duvidosa
2 - Manter um software de antí-virus actualizado
3 - Não utilizar computadores públicos para aceder aos serviços de Internet banking
4 - Verificar as contas pessoais regularmente bem como a data e hora do último acesso
5 - Verificar o certificado digital para se assegurar que está a aceder ao Internetbanking da Caixa (fazer duplo clique sobre o cadeado amarelo no final do browser; verificar se o endereço do site começa por https://)
6 - Terminar sempre a sessão de Internet banking, através da opção 'sair'.

A Caixa Geral de Depósitos recomenda que:· ·
Não insira os seus códigos de acesso aos serviços de internet banking em e-mails ou sites diferentes dos próprios serviços, realçando a regra 5 para averiguar a autenticidade dos sites.· ·

Entre em contacto com a Caixa, sempre que detectar algum evento suspeito nos serviços de internet banking, através dos telefones 707 2424 24, 96 200 24 24, 91 405 24 24 ou 93 200 24 24.

Para mais informações sobre estas regras ou para conhecer outras recomendações deverá consultar a opção 'Segurança' no Caixadirecta on-line ou a opção ‘Apoio ao utilizador’ no Caixa e-banking.

Mais uma vez agradecemos o seu contacto e, apresentamos os nossos melhores cumprimentos.

Nada que eu não soubesse já. Obrigado amigos da CGD por iluminarem com tamanha intensidade de sapiência a minha humilde existência! Seja como for, coloco as regras aqui para informação aos leitores do Katano.

Tentaram pescar-me!

Sinto-me particularmente importante por hoje ter sido alvo de uma tentativa de Phishing! Passo a explicar: o phishing consiste em tentar obter, através de um "isco" que normalmente é um e-mail, os dados de acesso ao homebanking do utilizador que o recebe, sendo que este e-mail é normalmente provido de elementos que lhe conferem alguma credibilidade, tais como o logotipo da instituição bancária, links diversos para zonas do site dessa instituição, etc. Contudo, há um link em particular que é o mais crítico e ao mesmo tempo o mais atractivo.

Eis o e-mail que recebi:




Neste e-mail, o utilizador é convidado a confirmar os seus dados pessoais, inclusive dados de acesso ao homebanking com alguma urgência sob pena de perder esse acesso. No entanto, uma análise mais atenta permite constatar que há uma anomalia no remetente: "Caixa Geral de Depósios" vindo de clientes@caixageraldep.pt. Um erro ortográfico e uma discrepância entre o endereço de e-mail e o endereço web do banco (www.cgd.pt ou www.caixadirecta.cgd.pt) . As desconfianças devem começar logo aqui.

Em seguida, o utilizador subitamente inquieto pela perspectiva de perder a comodidade da sua cadeira executive no uso do seu acesso homebanking, por troca com os elementos da Natureza que o podem vir a fustigar no acesso à Caixa Multibanco mais próxima, sente-se tentado a clicar no link sugerido que, na verdade, não leva ao endereço para o qual aparenta levar...

O site para o qual o utilizador incauto é levado é o seguinte:

Um formulário relativamente extenso onde praticamente só faltam pedir a altura, o peso e a idade da vítima. Eu optei por preencher os campos dando azo à minha cultura geral no reino dos turpilóquios o que acabou por constituir uma boa terapia de relaxamento.

Terminado o preenchimento e clicando em "Enviar", os dados são então enviados para parte incerta enquanto o utilizador é reencaminhado para o site genuíno da Caixadirecta. Aí, depara-se imediatamente com uma mensagem avisando o utilizador para não fazer, sob condição alguma, aquilo que acabou de fazer... Resta-lhe entrar em contacto com o seu banco o mais rapidamente possível e esperar que os seus dados não sejam utilizados muito rapidamente.


Convém não esquecer que, em hipótese alguma, nenhum banco irá solicitar os dados de acesso seja a que cliente for por e-mail!

quarta-feira, agosto 16, 2006

E por falar em sustos...

Serra do Barco, a partir do Fundão, 14h00

Castelejo, 20h00

Fundão, 2h00

... ainda não foi desta mas já justificou maior preocupação devido à proximidade mas 230 bombeiros, 3 aviões e 1 helicóptero acabaram por controlar e extinguir o incêndio em 10h.

A preocupação, essa, desvaneceu-se por volta das 2h da manhã e justificou uma pequena vigília no alto da Serra da Maúnça (que bem que souberam os croissants!) para nos certificarmos de que a Terrinha não seria ameaçada.

Em meio à tensão, outros prosseguiam a sua vida indiferentes ao que acontecia. Às vezes é possível invejar mais os bichos que qualquer pessoa.

Há um ano...


... 7 pessoas fizeram a diferença, segurando uma frente de incêndio durante mais de 7h até à chegada dos bombeiros que, durante toda a noite, lutaram para proteger várias localidades ameaçadas por um dos maiores incêndios da região.

quarta-feira, agosto 09, 2006

Aí está...


o supra-sumo dos festivais de Verão!
...e também há caldo verde e vinho da terra!

terça-feira, agosto 08, 2006

E com esta me calaram...

No decurso de um diálogo tripartido fortemente argumentativo, eis que as minhas alegações são contraditadas pela seguinte resposta:

"Oh pá! Não sei... Aquilo é tipo... Eh pá, sei lá!"

Perante a consistência desta resposta, não houve outro remédio a não ser mudar o tema da conversa, passando-se a discutir a fascinante temática da metereologia.

domingo, agosto 06, 2006

Já arde...


Freixial (Fundão) - 6 de Agosto de 2006 - aprox. 15h00
Após ouvir as sirenes e um helicóptero, o meu telemóvel tocou provocando um incomodativo aperto no estômago. Afinal não passou de um susto visto que o incêndio era relativamente afastado da mancha verde que ajudámos a preservar no ano passado.

O curioso da situação é que mais uma vez tivemos um papel importante ao localizar um foco de incêndio que passou desapercebido aos homens que combatiam o incêndio e que, caso tivesse alcançado uma mata que ficava cada vez mais próxima, poderia ameaçar outra localidade ali perto.

Por sorte, encontrámos uma viatura de sapadores que já estava de partida e levámo-los até ao local onde, 15 minutos mais tarde chegou outra viatura, esta dos bombeiros voluntários do Fundão.

Esta situação fez-me pensar naquilo que alguém disse há exactamente um ano:
"Às vezes, com 1l de água pode-se apagar um enorme incêndio".

terça-feira, agosto 01, 2006

Um domingo diferente - II

A segunda parte do circuito contemplou uma visita a 2 castros da província de Salamanca, ambos castros fundados por uma tribo que dominou a região: os Vetões.

Etapa 3 - Castro de las Merchanas




As fotos acima dizem respeito ao Castro de las Merchanas, perto da vila de Lumbrales, castro cuja muralha foi alvo de uma intervenção de restauro e que apresenta marcas de duas épocas distintas: pré-romana e romana. Apesar de se situar no "meio do nada", este castro encontra-se dotado de painéis explicativos colocados em locais estratégicos que permite aos visitantes interpretar o que estão a ver, nomeadamente os seus muros colossais em pedra seca (sem material ligante) e as inscrições que surgem nelas.

Contudo, a cereja no topo do bolo é o mirador que se encontra numa elevação que confronta com o planalto do castro. Aqui, alimentado a energia solar, encontra-se um posto de informação audiovisual que, em espanhol ou português, dá a conhecer ao visitante o que se sabe da história do castro. Também se encontra aqui um painel com a comparação dos instrumentos de uso diário de então com os actuais, para além de um conjunto de slides ilustrativos da conquista romana do castro, jogos de pergunta-resposta e um óculo de observação do castro.


Etapa 4 - Castro de Yecla de Yeltes




Outro belíssimo exemplar da arquitectura militar castreja é este castro situado relativamente perto do anterior.

Aqui é possível percorrer todo o perímetro muralhado de cerca de 2km de perímetro, que foi restaurado praticamente na íntegra, interpretando o que se vê através de painéis explicativos estratégicamente colocados.

Trata-se de um castro que teve ocupação até à alta Idade Média e que no interior das muralhas tem uma eremida na qual se realiza anualmente uma importante cerimónia religiosa.

Também se podem aqui contemplar várias gravuras rupestres muito interessantes, para além de uma necrópole e de um interessante sistema defensivo que eu desconhecia para este tipo de estrutura: aquilo que os espanhóis chamam de piedras hincadas ou estacadas, que são inúmeras pedras fincadas na vertical ao redor das zonas mais vulneráveis do castro de modo a impedir ataques de cavalaria. Este sistema também se pode ver no castro anterior (2ª fotografia).

Um domingo diferente - Interlúdio


Durante a realização desta incursão sobre Espanha, aproveitámos para conduzir um estudo sobre a implementação do HACCP nos estabelecimentos de hotelaria castelhanos. Os resultados nem sempre foram satisfatórios.

Em San Felices, graças à colaboração do indivíduo que se vê na foto (obtida por câmara oculta, isto é, mais ou menos oculta) e que, por motivos de segurança, solicitou que fosse mantido o seu anonimato, foi possível detectar a estranha aplicação massiva de ambientadores que se vêm em segundo plano.

Pensámos nós que tal se destinasse a camuflar de certa forma o odor peculiar que advinha das instalações sanitárias cujos canais de escoamento se achavam entupidos com uma panóplia de materiais não solúveis.

Após aturada discussão, o equívoco foi desfeito e pudemos concluir que este estabelecimento se preocupa de sobremaneira com as questões de acessibilidade. Sendo assim, é possível a um qualquer cidadão invisual descobrir per si a rota para os sanitários, tudo isto numa atmosfera subtilmente adocicada por um aroma multifloral campestre.

Outra questão pertinente que à partida também não foi bem interpretada prende-se com a qualidade de serviço pois, neste estabelecimento, é dada ao cliente a oportunidade de participar activamente nos aspectos laborais do serviço.

A mecânica é simples: efectua-se o pedido ao funcionário que se encontra no local (não confundir o seu ar resultante de profunda actividade cerebral com um ar de enfado pela perspectiva de ter de efectuar uma amplitude invulgar de movimentos) e este procede em seguida à colocação dos itens solicitados sobre o balcão.

A autorização para o cliente abandonar a cadeira onde se encontra sentado, para ter o privilégio de se dirigir ao balcão de modo a obter os objectos do seu pedido, é dada por uma pancada seca de mão aberta em cima do balcão por parte do empregado, seguida de um aceno subtil de cabeça, sinal claro de anuência, para além de um som gutural indecifrável.

Seguidamente, e após confirmar que o transporte da mercadoria solicitada até à mesa da qual partiu originalmente o cliente sequioso foi bem sucedida, o funcionário manifesta o seu sentimento de contentamento, por mais um dever cumprido, saindo de trás do balcão para retomar a leitura do jornal desportivo de ocasião.

Trata-se assim de uma experiência interactiva de integração social através do trabalho inolvidável que é uma autêntica bandeira da capacidade de acolhimento de nuestros hermanos.

segunda-feira, julho 31, 2006

Um domingo diferente - I

Confrontado com a perspectiva de consagrar novamente o dia de ontem ao meu binómio dominical favorito, - café avec jornal -, decidi mudar outra vez os planos e dar outro saltinho ao país vizinho. Vai daí que, em vez de passar o dia a anhar (copyright by Cathy), fui percorrer os campos e serranias de aquém Ribeira de Tourões fazendo um circuito que acabou por ser muito interessante. Aqui ficam alguns instantâneos:

Etapa 1 - Siega Verde - Arte Rupestre do Paleolítico



Trata-se de um núcleo de arte rupestre na margem esquerda do Rio Águeda ali como quem vai de Villar de la Yegua para Ciudad Rodrigo. Tem um centro de interpretação com exposição museológica, recriação do ambiente e do aspecto dos nossos antepassados da época à escala natural, sala de vídeo e visitas guiadas aos diferentes painéis.


Etapa 2 - San Felices de los Gallegos - Idade Média / Idade Moderna


Pequena aldeia que conserva uma forte traça medieval com fortificações do Séc XVII. Fundada pelo Bispo do Porto no Séc. VII, seria uma povoação do Reino de Portugal até ao Séc XV. O seu castelo foi mandado construir pelo nosso D. Dinis tendo depois sofrido uma profunda alteração já sob a tutela de Castela. Na foto é possível observar ao longe a Serra da Marofa e ao lado a elevação onde se situa a aldeia portuguesa de Castelo Rodrigo.

quinta-feira, julho 27, 2006

Mira que nos habemos marchado a España - I


O último fim de semana ficou marcado por uma incursão Tuga sobre terras de Castela, em particular sobre a grandiosa ciudad de Salamanca, com todo o seu esplendor e magnificiência.


Na foto, é possível ver dois tugas procurando reproduzir a típica foto do turista com pose brejeira em plena Plaza Maior, que asseguro é bem grande e repleta de gente, seja a que horas for.

Contudo, há um pormenor que enriquece e muito a foto. Vejam o que está a acontecer com aquele trio à direita... Países diferentes, costumes idênticos.

Deliciosa simplicidade


"Se tratarmos uma doença, ganhamos ou perdemos. Se tratarmos uma pessoa, ganhamos sempre independentemente do resultado"

Robin Williams interpretando o médico "Patch" Adams, num filme com o mesmo nome, sobre este médico que revolucionou a medicina ao aplicar a filosofia de que o médico deve tratar o paciente com humor e com amor.

terça-feira, julho 18, 2006

Uma explosão com quase 200 anos


"A terra tremeu e vimos um imenso tornado de fogo e fumo erguer-se no centro da Praça. Foi como a erupção de um vulcão - uma visão que não consigo esquecer após 26 anos. Enormes blocos de pedra precipitaram-se nas nossas trincheiras, matando e ferindo vários dos nossos homens. Canhões de calibre pesado ergueram-se dos muros e precipitaram-se longe destes. Quando o fumo se dissipou, grande parte de Almeida havia desaparecido e o resto era apenas um amontoado de destroços"

Testemunho do Coronel Sprünglin, oficial francês durante o cerco a Almeida em 1810

O rabo da Ana Malhoa

Caros amigos e transeuntes tresmalhados, eu até faria Copy + Paste (em português: Copiar Mais Colar) da apreciação que o Ricardo Araújo Pereira (R.A.P.) fez ao site da celebérrima Ana Malhoa (Shakira quem és tu?) mas depois o sujeito começaria decerto a fazer o mesmo com a literatura deste blog.

Assim, para evitar chatices para o lado dele, afinal ele só tem 3 amigos e eu tenho um gang ou melhor, conheço um amigo que tem um gang, o melhor é irem ao Blog do Gato Fedorento e apreciarem a primeira incursão do R.A.P. pelo mundo tortuoso da avaliação de web sites.

PS - Aproveito para dizer que se trata de um belo traseiro: não consigo discernir um grama de tecido adiposo naqueles glúteos! Ah, é verdade! Ela também canta. Enfim, dizem que sim...

sexta-feira, julho 07, 2006

Uma ideia...

Há uns anos atrás, o Eng. Martins, meu professor de Controlo Industrial, revelou-me que a inteligência humana era mensurável e que a sua unidade de medida era o TAR.

Como eu fiquei a olhar para ele com ar desconfiado, continuou dizendo que o TAR, como qualquer outra unidade de medida, tinha múltiplos e submúltiplos.

No caso do TAR, a sua milésima parte era um... MILITAR.

Lembrei-me disto hoje e achei importante partilhá-lo.

terça-feira, julho 04, 2006

Comentários à bandeira

Proposta de bandeira nacional por Guerra Junqueiro (1910)

A série de artigos que aqui publiquei sobre a bandeira nacional suscitou alguns comentários de várias pessoas em particular do Jorge Mota, do JS e do Carlos José Teixeira, comentários que eu agradeço e que servem de mote ao texto que se segue.


A Bandeira e o Futebol Clube do Porto

Diz o meu caro Jorge Mota que o FCP veste actualmente as cores da bandeira nacional monárquica e, de facto, assim é. Na altura da escolha de um equipamento para a equipa do FCP, foi decidido adoptar as cores nacionais de então como cores do clube, cores essas que até hoje subsistem, salvo algumas inovações mais alaranjadas para o equipamento alternativo, não tendo havido alteração mesmo após a revolução de 1910.


A simbologia da bandeira à luz do relatório da comissão de 1910 / 1911

Enquanto que o Carlos Teixeira mostrou dúvidas em relação ao significado das cores, o J.S. comentou o facto de existir no site do Ministério da Defesa Nacional uma explicação, estabelecida em 1911 por uma comissão, para a simbologia da bandeira.

Em primeiro lugar, convém esclarecer que comissão era esta.

Após a revolução e consequente dissolução dos órgãos de soberania então vigentes, sentiu-se necessidade de alterar também a bandeira nacional. Devido à polémica que essa nova escolha levantava e, também em parte, devido à quantidade de propostas apresentadas por várias pessoas, a Assembleia Nacional Constituinte decidiu nomear uma comissão que apresentasse um relatório sobre qual deveria ser a simbologia expressa na nova bandeira.


Sobre a bandeira nacional disse então a Comissão no seu relatório:

Escudo nacional:
"o branco representa uma bela cor fraternal, em que todas as outras se fundem, cor de singeleza, de harmonia e de paz (e sob ela) salpicada pelas quinas (...) se ferem as primeiras rijas batalhas pela lusa nacionalidade (...). Depois é a mesma cor branca que, avivada de entusiasmo e de fé pela cruz vermelha de Cristo, assinala o ciclo épico das nossas descobertas marítimas”.
O escudo branco com as quinas consagra “o milagre humano da positiva bravura, tenacidade, diplomacia e audácia que conseguiu atar os primeiros elos da afirmação social e política da lusa nacionalidade” e entendeu ainda “dever rodear o escudo branco das quinas por uma larga faixa carmesim, com sete castelos, símbolos mais enérgicos da integridade e independência nacional”.

A esfera armilar
Simboliza “a epopeia marítima portuguesa (...) feito culminante, essencial da nossa vida colectiva”.

O vermelho da bandeira:
“nela deve figurar (o vermelho) como uma das cores fundamentais por ser a cor combativa, quente, viril, por excelência. É a cor da conquista e do riso. Uma cor cantante, ardente, alegre (...). Lembra o sangue e incita à vitória”.

O verde da bandeira:
Aqui a comissão justificou a inclusão do verde de uma forma muito interessante. Assim, o verde seria uma cor fundamental pois simboliza o “momento decisivo em que, sob a inflamada reverberação da bandeira revolucionária, o povo português fez chispar o relâmpago redentor da alvorada". Refira-se que o verde foi uma cor adoptada pelos republicanos após a revolução falhada de 31 de Janeiro de 1891.

Ou seja, esta comissão limitou-se a escolher, à excepção do verde e vermelho (cores alusivas ao Partido Republicano), símbolos que integravam já o estandarte nacional desde há séculos, arranjando uma justificação mais ou menos rebuscada (sobretudo nas cores) para a sua escolha.

Quando me refiro à responsabilidade do Estado Novo na explicação de cariz lendário dos símbolos da bandeira, refiro-me ao que é tradicionalmente descrito: que os besantes dos escudetes são as 5 chagas de Cristo, os escudetes são os 5 reis mouros que Afonso I derrotou em Ourique (aqui há uma correcção de um engano meu nos artigos anteriores) e que os castelos da moldura vermelha seria os castelos conquistados aos mouros (no Algarve). Ora esta explicação não é avançada pela comissão mas é ainda hoje utilizada de modo corrente pelo que terá de ter surgido posteriormente.

Trata-se de uma explicação que estabelece um vínculo de um espírito iminentemente heróico e cristão com a história de Portugal e por isso, o mais provável é que terá sido este um contributo do Estado Novo que usou e abusou desta abordagem na exaltação do patriotismo lusitano, recuperando inclusive estandartes antigos para a simbologia das instituições nacionais como é o caso do estandarte de D. João I que foi usado como estandarte da Mocidade Portuguesa.

O próprio conceito de "lusitano" entrou de forma corrente no léxico português, tal como da figura quase mítica do líder guerreiro Viriato, por acção do Estado Novo. Basta pensarmos que Viriato, o primeiro grande líder das gentes lusitanas, herói indómito do espírito nacional, foi adoptado ao mesmo tempo pelos espanhóis (também eles na altura sob um regime de cariz nacionalista). É claro que ele existiu realmente... não é existem é provas (arqueológicas ou documentais) de que ele realmente tenha nascido no actual território português (em Loriga como se gabam os habitantes desta localidade) e de que alguma vez ele tenha sequer pisado a Serra da Estrela.

Mas isto é um tema para outro artigo...
Imagem retirada de Flags of the World


Artigos anteriores:

sexta-feira, junho 30, 2006

Frase do dia (de ontem)

Durante o jantar de convívio Taska Force (& Luigi) / República do Katano num momento em que os convivas se deleitavam com a segunda dose de "spaguetti do Katano":

(...)
Anfitrião:
Vocês deviam era provar os meus legumes salteados avec molho de soja!

Elemento não identificado da Taska Force que não era o Davidzinho:
Soja?!?! Isso é alimento para pandas, pá!

(seguiu-se um momento de silêncio)
(...)

quinta-feira, junho 22, 2006

AMO-TE...


O proprietário da cadeia de restaurantes AMO-TE, Pedro Miguel Ramos vai avançar com um novo projecto, desta vez em Santarém. E como as imagens não deixam mentir, cá está a prova!!!! E ouve-se dizer lá na terra que o próprio PMR andou com seu próprio pulso a marcar a área das novas instalações do seu negócio. é uma forma irreverente de propaganda sim senhor. É MTO AMOR...

quarta-feira, junho 21, 2006

"Descoberta Arqueológica"

Desde a publicação dos últimos 3 posts a minha caixa de e-mail tem sido inundada com mensagens de índole diversa a maioria a protestar pelo cariz jocoso dos posts.


Diz por exemplo um dos nossos fãs:
"Caro Blog do Katano:

Muito me surpreendeu que um blog com uma capacidade informativa capaz de ombrear com agências como a BBC e a CNN se preste a uma vulgaridade cómica como aquela a que acabamos de assistir.

Peço por isso, e uma vez que sou um leitor assíduo deste blog há já 5 anos, que compensem imediatamente tal falha, publicando um post iminentemente informativo, imbuído de profunda seriedade e máximo rigor.

Assinado: Um fã anónimo"

Caro fã anónimo, para compensar de alguma forma este nosso dislate, publico aqui em primeira mão uma descoberta acidental realizada em Abril último num baldio junto a um conjunto de sepulturas escavadas na rocha (ver post anterior de Abril).

Trata-se de um interessante testemunho da outrora fértil indústria de refrigerantes nacionais (neste caso é uma garrafa de "laranjada"), com rótulo pirogravado e com cerca de 20 cm de altura.

Photobucket - Video and Image Hosting


Na parte frontal é possível ler:
"COUTO - Guarda - REFRIGERANTES"


Enquanto que no verso se lê:
"Refrigerante hidro carbo-gaseificado com xarope de açucar, ácido citrico e elementos do fruto indicados na cápsula / A LARANJADA É CORADA ARTIFICIALMENTE / Engarrafado automáticamente por / ALÍPIO ALMEIDA COUTO / telef 124 GUARDA"

Alguém arrisca uma datação?

Ele há coisas do Demo...


À beira da estrada, como quem vai de Albergaria para Águeda, é possível encontrar este restaurante como um painel publicitário invulgar.

Ele há coisa do Demo...

1º GRANDE CONCURSO DO KATANO

Depois do enlace dos insuspeitos casal Ferreira das Neves e casal Henriques, quem será o próximo casal a sujeitar-se aos sagrados laços do matrimónio?



Casal A


Casal B


Casal C

Responda enviando um e-mail com o assunto "CONCURSO CASAIS" e com os seus dados pessoais seguidos de "QUEM SE LIXA É O CASAL" seguindo da opção A, B ou C.

Os vencedores receberão grátis uma torradeira a pilhas para duas pessoas no Algarve.

Apelo

A Associação Unidos da Taska Force e República 3D solicita a divulgação do seguinte apelo:

Encontra-se desaparecido, desde 10 de Junho, o indivíduo Vidal Ferreira de cerca de 30 anos e que, na altura do seu desaparecimento, usava colete e gravata creme, camisa branca e fato preto. Encontrava-se ainda acompanhado de um indivíduo do sexo feminino de vestido branco e comprido.

Solicita-se a quem possa dar informações sobre o seu paradeiro que entre em contacto com este blog.

Abaixo divulgamos uma fotografia do aspecto actual provável do desaparecido:

quarta-feira, junho 14, 2006

Curiosidades sobre a bandeira


No último post referi que a actual bandeira nacional tinha sido inspirada no pavilhão hasteado pelo navio de guerra rebelde "Adamastor" na revolução republicana de 1910. Para vocês terem uma ideia aqui está uma reprodução dessa bandeira que, pelo que parece, pode ser encontrada no museu da marinha em Lisboa.

imagem tirada do site Flags Of The World



Artigos anteriores:

terça-feira, junho 13, 2006

Não massacrem mais a bandeira nacional - V - A República


Com a revolução republicana de 5 de Outubro de 1910 e consequente abolição da monarquia, é lançado um concurso para uma nova bandeira nacional tendo surgido um debate nem sempre pacífico. Se muitos pretendiam a manutenção do azul e branco como cores de fundo da bandeira, outros haviam que, sendo adeptos da linha dura republicana, queriam banir essas cores tradicionalmente associadas à monarquia.

A proposta vencedora foi a da bandeira que hoje é usada, sendo uma bandeira inspirada no pavilhão hasteado pelo navio de guerra rebelde "Adamastor" que bombardeou o Palácio das Necessidades e foi aprovada por decreto de 19 de Junho de 1911 da Assembleia Nacional Constituinte.

Aqui, o azul e branco tradicionais foram substituídos pelo verde e vermelho, cores do Partido Republicano Português, enquanto que a coroa desapareceu e foi incluída a esfera armilar manuelina (fazia parte das armas de D. Manuel I) sob o escudo português simbolizando a epopeia marítima portuguesa.

Quanto às explicações tradicionais de cariz mais lendário sobre os elementos da bandeira, a sua origem é incerta mas não será descabido atribuí-las ao Estado Novo que sempre se preocupou em criar uma identidade nacional assente sobre um passado glorioso e uma inabalável fé e conotação cristãs do povo português.

Agora, de certeza que valerá a pena olhar para a bandeira com outros olhos. Conhecer a bandeira e o seu significado é conhecer também um passado com mais de 8 séculos de história (muitas vezes atribulada) e conhecer também a nossa identidade nacional.

Não há na bandeira uma comprovação histórica de qualquer milagre, não há na bandeira qualquer referência religiosa, a chave para a localização do Graal não está na bandeira.

Estamos entendidos?
fontes:



Artigos anteriores:
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