sexta-feira, outubro 28, 2005

Estrelinha...

Às vezes penso que sou uma pessoa particularmente sortuda. Pelo menos, momentos houveram em que fiquei com a sensação de que uma estrelinha da sorte me acompanhou já que me safei à justa de situações no mínimo arrepiantes sem qualquer consequência.

A 1 de Abril 1993 (até parece mentira!) estava eu placidamente no mítico salão de jogos "Las Vegas" a jogar snooker com um grupo de amigos que ainda hoje o são, quando ouvi um estrondo vindo da direcção da porta do estabelecimento. Ao olhar, ainda tive tempo de ver uma mulher cair completamente desamparada frente a um indivíduo que segurava uma caçadeira fumegante. Num acesso de raiva, acabava de disparar à queima roupa contra a mulher que era sua vizinha de cima.

Não sei quantas vezes repeti bem alto "Ele deu-lhe um tiro!" enquanto apontava para a porta mas depois tomei consciência do pânico que se apoderou de todos os que na altura se encontravam no salão de jogos.

Como se nada fosse, o indivíduo foi guardar a caçadeira numa arrecadação e voltou a entrar em casa fechando a porta atrás de si. Enquanto isso, no salão de jogos, tentávamos desesperadamente pedir ajuda a bombeiros, PSP ou GNR. Devido ao dia (1 de Abril) todos nos "despachavam" com recomendações para que evitássemos brincadeiras de mau gosto e com censuras. Lá fora, junto à porta, a mulher esvaia-se em sangue entre espasmos. Se poderia ter feito a diferença, certo é que a ajuda chegou tarde demais.

Durante 5 dias tive pesadelos nos quais revia a caçadeira, a mulher caída e o sangue. Quando finalmente consegui pensar de forma relativamente insensível sobre o assunto fui acometido de um súbito pensamento: "O que me teria acontecido se, por algum motivo, a mulher se tivesse desviado da linha de tiro?". Ainda hoje penso nisso e, para quem conhece essa minha faceta, é por isso que ainda hoje não sigo certas "tradições" associadas ao 1º de Abril. Ainda hoje penso que tive sorte.

Passaram-se anos até chegarmos a Agosto passado quando sem esperar me vi metido no combate ao incêndio que devastou a Serra da Gardunha no primeiro fim-de-semana desse mês. Juntando-me a um grupo de 7 outras pessoas, lutámos contra uma frente de incêndio durante 7 horas para proteger a pequena aldeia de Vale de Urso tendo segurado cerca de 2km apenas com pás e ramos.

O momento mais crítico aconteceu por volta das 5 da manhã quando, em fracções de segundos apenas, fiquei isolado do resto do grupo pelo fogo que subitamente me cortou o caminho. Apenas ouvia a voz do meu pai do outro lado de uma parede de fogo que me gritava para que fugisse. Ao ver-me naquela situação, perante o isolamento e o ruído semelhante ao de uma enorme catarata do incêndio que se aproximava de mim, e após um instante de completo pânico, fui acometido de uma certa incredulidade e de algum conformismo, e nesse momento pensei "Não acredito... Vai ser aqui e vai ser assim!". Depois a raiva sobreveio e decidi correr ao longo do caminho que curvava na direcção do incêndio para tentar encontrar um caminho que me levasse para longe do incêndio.

Não sabia como estava a situação na base do monte (encontrávamo-nos a meia encosta) mas, como conhecia bem a região, sabia que se encontrasse um caminho que me levasse para a esquerda, iria ser conduzido até ao fundo do vale onde encontraria a ribeira. Iluminado pelo incêndio que chegava mais perto, encontrei passados cerca de 100 m uma picada que cortava para a esquerda. Pouco depois, com algumas ameças de queda pelo meio, a picada terminava e aí percebi que já me tinha afastado do incêndio pois não via um palmo à minha frente. Apenas distingui a copa das árvores no céu nocturno fazendo um círculo ao meu redor. Apalpando o terreno e usando a luz ténue do meu telemóvel, consegui passar pela parede de arbustos e, pouco tempo depois, já me encontrava na encosta oposta do vale, tendo chegado à estrada.

O resto da história já é conhecida: encontrei um jipe de bombeiros e voltei ao local onde ainda se encontravam os meus camaradas, à cabeça de uma coluna de 3 auto-tanques que acabaram por extinguir a frente de incêndio. Só então percebi que a claridade das 7h da manhã já deixava ver o cenário de devastação que acontecera na Gardunha nessa noite.

Mas porquê falar disso hoje? Talvez pelo que me aconteceu hoje de manhã por volta das 8h. Enquanto saía para o trabalho, abri o portão da cerca da propriedade dos meus pais para poder tirar o carro. Tendo de voltar a fechar o portão, mal saí, travei para imobilizar o carro e assim poder sair. Então aconteceu: senti subitamente o pedal de travão a ceder e o carro estacou. Não liguei e fechei o portão. Quando tentei voltar a arrancar com o carro, este recusou-se e só então percebi que a roda dianteira do lado direito ficara pura e simplesmente bloqueada, enquanto que o pedal de travão deixara de responder.

Chamei o meu mecânico para ver o que se passava e dirigi-me para a escola ao volante do mítico Caetanomobile que estava haviam já 3 semanas a enferrujar nas traseiras da casa. Uma hora depois, como planeado, estava a caminho da Guarda pela A23.

No regresso, fui ver se o mecânico já tinha um diagnóstico do que tinha acontecido e, qual não foi o meu espanto quando este me disse que o problema tinha sido causado por uma pastilha de travão colocada ao contrário que tinha desgastado completamente o disco de travão. Ao fazê-lo, passou para o lado oposto do disco e pura e simplesmente prendeu a roda.

Tivesse acontecido uma hora depois do momento em que aconteceu e eu estaria a conduzir a cerca de 120 km/h na autoestrada. A partir desse momento no mínimo a minha vida nunca mais seria a mesma.

Inquietante foi também a explicação aventada pelo vendedor que me forneceu o jipe: segundo ele, um concorrente não teria gostado do facto de ele ter ficado com o veículo e então "desejou"
que algo de mal lhe acontecesse no caminho de regresso.

Tive sorte, acho eu.

quarta-feira, outubro 26, 2005

Caetano em caracteres!!!



oh caetano!!!! olha só a foto que eu tirei hoje a um trabalho que estava na porta de uma sala da minha faculdade...diz lá, parece-te alguém? lol até me assustei qdo vi... *

terça-feira, outubro 25, 2005

Toda a gente devia ter direito a "férias" no Brasil

Antes e depois do samba






sábado, outubro 22, 2005

Vox Populi IV

Entrevista de rua no programa "A Revolta dos Pastéis de Nata" a uma senhora com aspecto de quem, distraidamente, perdeu os últimos 20 anos de cultura geral:

Entrevistador: - Gosta de reality shows?
Senhora: - ... (ar confuso)
E: - Big Brother, 1ª Companhia...? Gosta?
S: - Bemmmm até gosto. Não é mau.
E: - Porquê?
S: - (ar confuso) Atão... porque as músicas são giras!
E: - (ar confuso) As músicas?!
S: - Sim atão? Isso não é um cantor?

sexta-feira, outubro 21, 2005

Mais olhos que barriga

Devia ser para evitar casos destes que a minha mãezinha sempre me disse para mastigar bem a comida antes de engolir...

Espreitem aqui

Às vezes não precisamos de marcianos


"Nunca antes, na história do Mundo, uma tão grande massa de seres humanos se movimentara em tal dimensão e sofrera tanto em conjunto. As lendárias hostes dos godos e dos hunos, os imensos exércitos da Ásia, teriam sido como que uma gota de água nesta torrente. E não se tratava de uma marcha disciplinada; era uma fuga desenfreada - desenfreada e terrível -, sem disciplina e sem objectivo. Seis milhões de pessoas desarmadas e sem provisões, à deriva. Era o desabar da civilização, o começo do massacre da humanidade."

in A Guerra dos Mundos de H.G. Wells

The Cure - Friday I'm In Love

Acabei de ouvir esta música e sempre lhe achei piada:

I don't care if Monday's blue
Tuesday's grey and Wednesday too
Thursday I don't care about you
It's Friday i'm in love


Monday you can fall apart
Tuesday Wednesday break my heart
thursday doesn't even start
It's Friday I'm in love

Saturday wait
And Sunday always comes too late
But Friday never hesitate...


I don't care if Monday's black
Tuesday Wednesday heart attack
Thursday never looking back
It's Friday I'm in love


Monday you can hold your head
Tuesday Wednesday stay in bed
Or Thursday watch the walls instead
It's Friday i'm in love

Saturday wait
And Sunday always comes too late
But Friday never hesitate...


Dressed up to the eyes
It's a wonderful surprise
To see your shoes and your spirits rise
Throwing out your frown
And just smiling at the sound
And as sleek as a shriek
Spinning round and round
Always take a big bite
It's such a gorgeous sight
To see you in the middle of the night
You can never get enough
Enough of this stuff
It's Friday
I'm in love

quinta-feira, outubro 20, 2005

Imperdível

Já andei prestes a pedir a alguém emprestado um qualquer romance da Margarida Rebelo Pinto, para satisfazer a minha curiosidade. Mas depois de ter lido no blogue Esplanar, de João Pedro George, a dissecação à obra da dita cuja, não só fiquei a conhecê-la por completo, sem necessidade de contacto directo, como ainda pude rir às gargalhadas. Recomendo.

Tuguices II

Neste Portugalinho surge cada moda... Então não é que agora lhes deu para adaptarem as cantilenas das claques de futebol aos comícios e "recepções" de apoio aos candidatos eleitorais?

Nas autárquicas, o ridículo ouviu-se bem alto em várias sedes de campanha: "E ninguém pára o Carmona, ninguém pára o Carmona, ninguém para o Carmona, Ô- ÉÉ-ÔÔÔÔ!" (o mesmo no Porto, com a versão "Ninguém pára este Rio").

Pois hoje, após a pompa mediática com que Cavaco apresentou a sua candidatura à Presidência da República, vinha ele a sair da sala rodeado de jornalistas, quando se começou a ouvir algo parecido com o que os SuperDragões e o Colectivo 95 cantam no estádio do campeão do mundo ("Allez Porto Allez, Nós somos a tua voz...): "ALLEZ CAVACO ALLEZ...".

Good Lord!

O tigre, o dragão e ... o saco de pancada


Hoje voltei a treinar Karaté depois de um interregno de 10 anos. Confesso que havia já algum tempo que pensava em fazê-lo mas as vissicitudes do meu dia-a-dia não o tinham ainda permitido até hoje.

Finalmente, foi uma sensação familiar (com alguma melancolia à mistura) voltar a pisar aquele tapete e só então me apercebi que tinha saudades daquele ambiente e daquelas sensações que chegaram a ser tão naturais para mim como qualquer outra coisa corriqueira da minha vida.

Descobrir que ainda me recordava da muita coisa foi sem dúvida surpreendente mas... a agilidade e o peso já não jogam a meu favor. Sinto-me gordo que nem um texugo e com a agilidade de uma preguiça.

O momento alto do treino aconteceu contudo quando decidi matar saudades de combater e aceitei o desafio de alguém com mais uns quilitos e muito mais ágil que eu. Resultado: já não levava uma coça assim desde que em 1987 levei um enxerto do Humberto do 1ºC. E olhem que foi uma valente coça! Oh se foi...!

domingo, outubro 16, 2005

Ciclos Musicais de Outono

Na última sexta-feira tive oportunidade de apreciar um serão diferente do habitual, com muita música pelo meio. Após gentil convite do Hotel Príncipe da Beira, tive oportunidade de assistir à primeira de 3 noites de um ciclo musical de música erudita.

Num ambiente acolhedor, confortável e intimista, saboreando uma deliciosa caipirinha, ouvir obras de Piazzolla, Villa-Lobos, Beethoven, Gershwin e Joplin, interpretadas pelo Quarteto B4 (violino, clarinete, guitarra e contrabaixo), constituiu um verdadeiro bálsamo de duas horas para o espírito e o escape ideal das preocupações de mais uma semana de trabalho.

Esta iniciativa irá repetir-se no próximo dia 4 de Novembro, com o (Des)Concertante Trio (clarinete, violoncelo e acordeão) e finalmente no dia 18 de Novembro com um concerto de Canto e Harpa.


Imperdível!

quinta-feira, outubro 13, 2005

O que a Cientologia faz às pessoas




Nas minhas deambulações cibernéticas procurei saber mais sobre essa coisa chamada Igreja da Cientologia. Afinal de contas, se o Tom Cruise promove aquilo como castanhas assadas em Novembro e todos os meses contribui com um cheque chorudo para a causa, deve haver ali gato.

Pois ao que parece a Cientologia é uma suposta religião fundada nos anos 50 por um autor de livros de ficção científica (ok, penso que isto diz tudo, não?) e que advoga que o homem tem capacidades mentais ilimitadas e que esta Igreja ajuda a desenvolvê-las. Então o que fazem é introduzir na cabeça do "crente" uma série de verdades banais e lugares comuns, dando-lhes ao mesmo tempo a aparência de "ciência" e de espiritualidade suprema, mas conseguindo também aplicar eficazes métodos de controlo e alienação mental.
Em troca destes elevados "conhecimentos" e da orientação para a perfeição, a Igreja da Cientologia suga os clientes até ao último centavo. Extensa começa já a ser a lista das mortes misteriosas de membros da Cientologia, muitas delas por suicídio.

A prova final da aldrabice é para mim a resposta da Jenna Elfman (a Dharma do Greg), outra famosa "cientologista", quando lhe pediram para contribuir para uma angariação de fundos da luta contra a SIDA: " A SIDA não é uma doença, é um estado de alma".

segunda-feira, outubro 10, 2005

Questão de cálculo

Sábado, 8 de Outubro de 2005, algures durante a tarde. A selecção de Angola acaba de se apurar pela primeira vez na sua história para o Mundial 2006 na Alemanha.

A comunicação social portuguesa aproveitou para fazer uma ampla cobertura do evento, inclusive com transmissão do jogo em directo e no rescaldo fez várias ligações directas a Luanda, onde o povo, embora ignore o que fica mais longe, se o enclave de Cabinda ou a Alemanha, invadia as ruas em festa.

Momento de reportagem radiofónica, de uma rádio bem conhecida, com ligação a Angola:

- "Vamos agora em directo para Luanda. Alô (nome do enviado)! Como estão as coisas em Luanda?"

- "Boa tarde! Como deves calcular, a alegria é incalculável!"

Sublime!

PS - Já agora, alguém me pode explicar o conceito de país irmão na relação Portugal & Angola?

"A" Notícia

“Centros Comerciais Cheios”

“Ontem a chuva levou milhares de lisboetas para dentro dos centros comerciais, muitos dos quais não tinham qualquer intenção de ir votar.”

Correio da Manhã
10/10/2005

Pequeno apontamento noticioso (??) inserido no topo de uma página dedicada ás eleições autárquicas. Assim, sem mais, num pequeno bloco sombreado.

Atente-se na segunda parte da frase, a relevância, a sagacidade, a convicção da afirmação, a certeza de que muitos dos que entraram nos centros comerciais não só ainda não tinham votado como nem sequer tinham intenção de o fazer.

A ânsia de resumir uma ideia óbvia e de senso comum, leva por vezes a que se escrevam estas banalidades jornalísticas (vulgo encher chouriço).

quarta-feira, outubro 05, 2005

Temos artista!

Este blog, para além de uma panóplia de Sôtores, possui ainda nas suas fileiras uma grande artista! Basta espreitar aqui!

terça-feira, outubro 04, 2005

Estreia de vida

Hoje, pela primeira vez na vida, recusei uma proposta de emprego sem sequer ter tentado saber os valores envolvidos. Sinto-me realizado.

segunda-feira, outubro 03, 2005

Vox Populi III - O Eclipse


Hoje aconteceu um eclipse solar como já não se assistia há 100 anos! Quem não aproveitou para queimar as retinas hoje poderá novamente tentar lá para 2020 e tal, mais tal menos tal. O último eclipse solar visível em Portugal aconteceu a 11 de Agosto de 1999 (como era diferente a minha vida nesses tempos... *suspiro*!).

Nessa altura, tive oportunidade de recolher testemunhos de sabedoria popular que para sempre ficaram na minha memória. Não estou a falar daquela peixeira do Bolhão e respectiva neta que se tinham armado de alhos porque, a fazer fé no Telejornal do dia anterior, os vampiros iriam aproveitar o eclipse para fazerem das suas. Estou a falar de pessoas reais, de casos reais e de palavras irreais.

Fundão, 11 de Agosto de 1999, 9h30:
Sra X - "Rápido! Rápido! Atenda-me depressa!"
Sra Y - "Calma! Qual é a pressa?"
Sra X - "Quero ir para casa rápido! Diz que vem aí o eclipse e quero fechar as portas e janelas e tapá-las com um cobertor!"

Loulé, 12 de Agosto de 1999, hora incerta algures durante a tarde:
Jovem X - "Tão pá? Viste o eclipse?"
Jovem Y - "Bah!!! Eu não acredito nessas coisas!"

Choque

Mas há mesmo quem goste deste vómito?


50 Cent

domingo, outubro 02, 2005

Mais um pensamento


"Como seria estreita e miserável a nossa vida se as nossas esperanças não fossem tão vastas e transbordantes!" - Mohamed Ibn Alahmar "El Galhib"

Washington Irving, "Contos do Alhambra"

sábado, outubro 01, 2005

A tomada da Bastilha


Li recentemente um livro dedicado à Revolução Francesa que acabou por ser surpreendente pela desmistificação de alguns episódios, inclusive do próprio acontecimento que, pensava eu, assinalava o início da Revolução.

Tradicionalmente, a tomada da Bastilha a 14 de Julho de 1789 é tida como um momento simbólico de revolução do povo que, pegando em armas, derrubou a tirania de uma monarquia absolutista, simbolizada na própria fortaleza, e libertou os prisioneiros que se lá encontravam. Ao ler o livro descobri que afinal a coisa não foi bem assim tão gloriosa e romântica.

Em 1788, a França com os seus 26 milhões de habitantes estava em crise, mergulhada num profundo défice (pior que o nosso!) e numa grande crise social. O Rei Luís XVI decidiu então convocar os Estados Gerais que agregavam as 3 classes sociais: nobreza, clero e o 3º estado (povo). Essa assembleia aconteceria em Maio de 1789 e duraria várias semanas.

Sentindo-se excluídos pelas classes altas das decisões principais, o 3º estado que contudo se encontrava em maioria, decidiu fazer uma revolução política tendo-se declarado como Assembleia Nacional e decidindo legislar a partir daí e procurando dotar o reino de uma Constituição. Embora com alguma resistência inicial, o rei capitulava a 9 de Julho, decidindo que o clero e a nobreza deveriam aderir também a esta Assembleia que assim passava a estar legitimada e oficial. Terminava o regime absolutista e a França abraçava uma monarquia constitucional.

Começou no entanto a viver-se em clima de receio e paranóia devido à incerteza do resultado desta transformação política. Por um lado temia-se um movimento contra-revolucionário e por outro temia-se a reacção popular a uma situação de incerteza política numa situação de carência quase extrema.

Estes receios não eram infundados uma vez que a dada altura, começaram a circular entre o povo boatos de que bandoleiros ameaçavam o povo e também que os aristocratas estavam a pensar em deixar os parisienses famintos. A destituição de Necker, um ministro que recolhia a simpatia popular, e a chamada ao governo de um adepto de medidas rigorosas e excepcionalmente firmes, mais não fizeram que aumentar a agitação popular. Quase de imediato, começaram a acontecer pilhagens um pouco por toda a cidade de Paris. Em reunião de emergência, foi criada uma milícia burguesa destinada a manter a ordem mas... faltavam armas e era essencial obtê-las!

Na manhã de 14 de Julho de 1789, a multidão começou a pilhar o arsenal enquanto outros grupos saqueavam cerca de 32.000 espingardas no Hotel dos Inválidos. Então alguém se lembrou da fortaleza da Bastilha. A Bastilha tinha sido construída em 1382 para proteger o lado Este de Paris e servia desde o Séc. VII como prisão do estado embora estivesse em franca decadência. Uma multidão precipitou-se então para a Bastilha para aí procurar armas.


Nessa altura, o Governador da fortaleza que estava defendida na altura por 7 guardas suiços, alguns inválidos e alguns canhões, tentou numa primeira fase negociar com a turba enfurecida. Porém, talvez por excesso de nervosismo, um tiro disparado inadvertidamente desencadeou os acontecimentos e durante 4h o combate foi renhido. O governador, vendo que pouco havia a fazer, tentou negociar uma rendição pacífica, pela qual ele e os seus guardas seriam poupados mediante a entrega da fortaleza.

A multidão precipitou-se então para a fortaleza e assassinaram o governador e os guardas tendo depois decidido libertar os prisioneiros. Enquanto as cabeças do governador e dos seus guardas eram exibidas em lanças pela cidade, nas masmorras os vencedores verificavam que só ali estavam encarceradas 7 pessoas: 1 acusado de incesto, 2 loucos e 4 falsários. Estes últimos seriam alguns dias depois novamente presos.

Acontecimento de pouca importância, a Tomada da Bastilha foi apresentada como um símbolo da vitória do povo sobre a "Tirania Régia". A fortaleza começou a ser demolida 2 dias depois enquanto o Rei voltava atrás e reinstituía Necker como ministro para além da tomada de outras medidas de reconciliação. No 17 de Julho o Rei voltaria a Paris onde seria recebido pelo povo com gritos de "Viva o Rei! Viva a Nação!". Luís XVI morreria na guilhotina a 21 de Janeiro de 1793.

imagem tirada daqui
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