segunda-feira, junho 13, 2005

O pequeno Martunis II

O meu primeiro post tinha de ser, claro, do contra, pelo menos um pouco.

Concordo que não deveria ser normal estar à espera que o puto tivesse a camisola da selecção portuguesa para o ajudar, concordo que seja irónico que o miudo do lado que optou pela camisola da Nike esteja sem casa, mas como interpretar isso? Melhor, como lidar com isso? Por uma questão de justiça não se ajuda pelo menos um? Ou comem todos ou não come nenhum?

Se é preciso um puto estar com a camisola certa para ser ajudado... ok, pelo menos é menos um que fica na miséria, não deveria ser preciso isso mas se é assim não se vai desaproveitar essa oportunidade.

Porque não ver as coisas pelo outro lado: se o Martunis não tivesse vestido a camisola da selecção não teria sido ajudado e seria MAIS um na miséria. Ele ou outro qualquer, essa é que é a questão. Vamos deixar de ajudar um porque os outros ao lado ficam sem nada? Para mim, a única razão válida para não reconstruir a casa do Martunis é porque talvez seja assaltado e morto pelos outros que não têm nada...

Sim, o processo está errado, concordo, mas resultou ou não? Os pais do Martunis não têm emprego... nem eles nem a maior parte de todos os outros, por isso se não arranjamos empregos para todos não arranjamos para nenhum. Este tipo de situações não pode ser encarado desta forma, tem de se começar por algum lado, se tiver de ser pelo Martinus que seja, se a acção morrer já aqui como parece ser o caso... é pena mas pelo menos um foi ajudado.

Se fossemos justos dividiriamos os 40 000 euros por todas as crianças desalojadas e depois esperávamos para ver o que cada um fazia com os seus 30 cêntimos...

Nem todas as ondas têm a força para varrer todos, esta teve a força para carregar um, é melhor que nada.

Portem-se

5 comentários:

Caetano disse...

Não sou contra o facto de o puto ter apoio, simplesmente contesto um motivo tão fútil como base de uma acção de solidariedade. Tudo se resume a atitudes de pura ostensividade e exibicionismo por parte de entidades que, por exemplo, demoraram anos a pagar uma indemnização a uma família cujo pai foi assassinado no Estádio Nacional, como diz o outro, sacudindo sempre a "água do capote". Se calhar se o tipo que morreu tivesse a camisola da Selecção em vez da camisola do Sporting...

Caetano disse...

PS - Estava a ver que não davas sinal de vida oh palhacito.

Caetano disse...

Duplo PS - Na indonésia faz-se a festa com 30 centimos sim senhor! O salário mínimo anda por volta dos 16 Euros :P

Xamane disse...

Sim, 30 cêntimos na Indonésia equivalem a uns nossos 6.5€ ... dá para uma festa de 2 ou 3 shots de absinto :P

Caetano disse...

Sujo, ainda não postaste nada sobre o Eugénio? Estou admirado...

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